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Geoffrey Hodson

Sensitivo internacionalmente famoso, autor de *O Reino dos Deuses*, considera os significados internos que estão ocultos nas histórias do livro do Gênesis.

Seus insights trazem nova vitalidade ao Antigo Testamento.

Ele o torna manifestamente mais significativo para todo cristão que tenha encontrado dificuldade em aceitar um significado inteiramente literal para as histórias bíblicas.

Segundo o autor, existe uma linguagem sagrada de alegoria e símbolo que fornece várias chaves para desvendar a sabedoria que está oculta nos mitos, parábolas e alegorias da Bíblia.

Quanto mais incríveis algumas das histórias possam parecer, mais importante é buscar um significado interno plausível.

Outros livros Quest de Geoffrey Hodson incluem o Segundo e o Terceiro Volumes de *Sabedoria Oculta*, e *Reencarnação: Fato ou Falácia*.

ISBN: 0-8356-0033-5 $5.

Arte da capa por Jane A. Evans

A

Sabedoria Oculta

na

Sagrada Bíblia

VOLUME I por Geoffrey Hodson

Esta publicação foi possível

com a assistência da Fundação Kern
THE THEOSOPHICAL PUBLISHING HOUSE
Wheaton, IL EUA / Madras, Índia / Londres, Inglaterra

© The Theosophical Publishing House,

Publicado pela

Theosophical Publishing House, um departamento da
Sociedade Teosófica na América, Wheaton, Illinois, por
acordo com a Theosophical Publishing House,
Madras, Índia

4ª impressão do livro Quest

Número do Catálogo da Biblioteca do Congresso: 67-8724
ISBN 8356-0033-5

Impresso nos Estados Unidos da América

DEDICATÓRIA

Esta obra é dedicada a Fílon de Alexandria,
o grande Sábio Alexandrino.

AGRADECIMENTOS

Agradeço sinceramente a valiosa assistência na produção desta obra recebida de minha esposa, Sandra, de minha valiosa assistente literária, Myra G. Fraser, e de minha amiga, Nell K. Griffith.

Desejo também expressar meu sincero agradecimento a Lillian Collins por seu trabalho na preparação do índice, e a meus valiosos amigos Roma e Brian Dunningham por sua generosa ajuda ao longo de muitos anos e pelo fornecimento de estenógrafos.

Orígenes de Alexandria, um dos mais eruditos dos Padres Gregos, que viveu no Terceiro Século, escreveu em seu *De Principiis*:

"Onde a Palavra encontrava que as coisas feitas de acordo com a história podiam ser adaptadas a esses sentidos místicos, ele fazia uso delas, ocultando da multidão o significado mais profundo; mas onde, na narrativa do desenvolvimento das coisas supersensuais, não se seguia a realização daqueles certos eventos que já eram indicados pelo significado místico, a Escritura entretecia na história o relato de algum evento que não ocorreu, às vezes o que não poderia ter ocorrido; às vezes o que poderia, mas não ocorreu."

LJ    LJ

Moisés Maimônides, um famoso rabino, teólogo e historiador judeu, talmudista, filósofo e médico (1135-1205 d.C.) escreveu:

"Toda vez que encontrardes em nossos livros um conto cuja realidade parece impossível, uma história que é repugnante tanto à razão quanto ao senso comum, então sabei que o conto contém uma profunda alegoria velando uma verdade profundamente misteriosa; e quanto maior o absurdo da letra, mais profunda a sabedoria do espírito."

No Kathopanishad 1-3-3 a 1-3-9, na tradução do Dr. Radhakrishnan de The Principal Upanishads, encontramos:

"Conhece o Ser como o Senhor da carruagem e o corpo como, na verdade, a carruagem; conhece o intelecto como o cocheiro e a mente como, na verdade, as rédeas.

Os sentidos, dizem eles, são os cavalos; os objetos dos sentidos são os caminhos (que eles percorrem); (o ser) associado ao corpo, aos sentidos e à mente — declaram os sábios — é o desfrutador.

Aquele que não tem entendimento, cuja mente está sempre desenfreada, seus sentidos estão fora de controle, como cavalos selvagens para um cocheiro.

Aquele, porém, que tem entendimento, cuja mente está sempre contida, seus sentidos estão sob controle, como bons cavalos para um cocheiro.

Aquele, porém, que não tem entendimento, que não tem controle sobre sua mente (e é) sempre impuro, não alcança esse objetivo, mas retorna à vida mundana.

Aquele, porém, que tem entendimento, que tem controle sobre sua mente e (é) sempre puro, alcança esse objetivo do qual não nasce novamente.

Aquele que tem o entendimento como o condutor da carruagem e controla as rédeas de sua mente, ele alcança o fim da jornada, essa morada suprema do onipenetrante."

Esta obra é fundada na Bíblia King James e todas as citações e referências são tiradas dessa versão.

CONTEÚDO

PÁGINA  PREFÁCIO DO AUTOR

PARTE UM
A BUSCA DA HUMANIDADE PELA LUZ

CAPÍTULO
I. O Cristianismo e o Mundo Moderno ............................. 1
II. A Linguagem Simbólica
III. Problemas Decorrentes de uma Leitura Literal da Bíblia,
e Algumas Soluções
IV. Exemplos da Interpretação de Alegorias ........................ 39
V. O Sol Pára Sobre Gibeom
VI. A Sabedoria Eterna

PARTE DOIS
OS MISTÉRIOS DO REINO

I. Algumas Chaves de Interpretação ................................ 75
II. Quatro Chaves Principais

PARTE TRÊS
UMA PORÇÃO DO ALFABETO DA
LINGUAGEM SAGRADA

I. Uma Pedra de Roseta para a Linguagem dos Símbolos
II. O Simbolismo dos Números ......................................

PARTE QUATRO
O CAMINHO CÍCLICO DA IDA
E DO RETORNO

A PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO COMO EXPOSIÇÃO DA
LEI DOS CICLOS

PÁGINA
CAPÍTULO
I. Introdução Geral
II. O Caminho da Ida
III. O Caminho do Retorno

PARTE CINCO
A VIDA DE CRISTO ESPIRITUALMENTE
INTERPRETADA

I. A Natividade
II. Do Batismo à Ascensão

PARTE SEIS
"ESTREITO É O PORTÃO, E NARROWO
É O CAMINHO"

I. O Caminho da Santidade

II. Passos no Caminho para a Divina Humanidade ..................

PREFÁCIO DO AUTOR

EM COMUM, creio eu, com a maioria dos meus irmãos cristãos, em meus primeiros anos aceitei a Bíblia como a palavra inspirada de Deus, uma mensagem direta da Divindade ao homem.

Mais tarde, porém, uma abordagem mais crítica das Escrituras revelou incredibilidades, impossibilidades, e até obscenidades, que tanto me chocaram quanto me repeliram. Encontrando-me incapaz de ignorar essas barreiras à crença ou de adotar uma aceitação tolerante e acrítica da Sagrada Escritura, duas alternativas se apresentaram.

Uma era descartar inteiramente o conceito ortodoxo da Bíblia como uma fonte inerrante e infalível de sabedoria espiritual e conselho moral, e a outra era empreender um estudo detalhado de todo o texto.

Este último curso foi escolhido, e nesta decisão fui grandemente influenciado pela descoberta de que muitas das dificuldades decorrentes de uma leitura literal desapareciam se porções da Bíblia fossem consideradas alegóricas.

Muitos eruditos estudiosos, descobri, afirmavam que alguns dos autores das Escrituras mundiais deliberadamente ocultavam, sob véus habilmente construídos de alegoria e símbolo, verdades profundas que haviam descoberto por pesquisa direta.

Esse desvelamento lhes era imposto porque tal conhecimento inevitavelmente conferiria poderes espirituais, intelectuais, psíquicos e físicos supranormais muito grandes.

Uma vez que esses poderes estavam, e ainda estão, sujeitos a grave mau uso — os males do sacerdócio e da dominação mental, por exemplo — tornou-se necessário fazer todo o possível para disponibilizar aos confiáveis e ocultar dos profanos a sabedoria e o conhecimento dos quais os autores haviam se tornado possuidores.

Para esse fim, inventaram uma categoria especial de literatura que difere da escrita comum por, tendo algum fato histórico como fundamento, ser em grande parte composta de alegorias, símbolos e certas palavras-chave.

A estas foi dado um significado universal acordado, constituindo o todo uma cifra por meio da qual a 'Religião da Sabedoria' imemorial, teórica e prática, foi, com salvaguardas razoáveis, disponibilizada à humanidade.

Tal, aprendi, eram a origem, a natureza e o propósito da linguagem sagrada.

A única religião que subjaz a todos os credos.

Um Dicionário da Linguagem Sagrada de Todas as Escrituras e Mitos, G. A. Gaskell, George Allen & Unwin Ltd.

Ao fazer a descoberta de que partes da Bíblia são alegóricas, comecei a aplicar as várias chaves — também encontradas na literatura antiga e moderna sobre o assunto — a muitos dos livros da Bíblia.

As recompensas — a resolução de muitas dificuldades textuais e a obtenção de uma filosofia de vida, espiritual, intelectual e eminentemente prática — têm sido tão imensuravelmente ricas que me senti movido a compartilhá-las em forma de livro.

Este primeiro volume é em grande parte dedicado a uma consideração da própria linguagem sagrada e à apresentação de certas chaves clássicas de interpretação, com alguns dos resultados de sua aplicação a histórias das Escrituras, incluindo especialmente a vida de Cristo.

Embora tenha abordado esta tarefa com toda a cautela, naturalmente não se faz nenhuma reivindicação de uma apresentação completa e livre de erros.

Cuidado, no entanto, foi tomado para não superestimar um possível significado simbólico, nem para ler em uma narrativa mais do que lhe é inerente ou do que presumivelmente estava presente nas mentes dos autores.

Principais interpretações têm sido tanto sugeridas quanto comparadas com os escritos de sábios e filósofos, incluindo estudiosos hebreus.

Essa comparação foi feita para testar a validade de tal abordagem, e também seu valor em fornecer uma chave para as escrituras e mitologias dos povos antigos.

As citações que precedem este prefácio indicarão algumas dessas fontes literárias, enquanto a introdução e o Capítulo I oferecem uma exposição mais completa da ideia central e suas aplicações tanto a problemas teológicos quanto mundiais.

Uma das fontes mais facilmente disponíveis, tenho constatado, é a literatura da Sociedade Teosófica e, de fato, a própria Teosofia, na medida em que foi disponibilizada à humanidade.

Os Neoplatônicos dos primeiros séculos da era cristã, notadamente Amônio Sacas e seus discípulos, cunharam a palavra *Theosophia*, significando Sabedoria Divina.¹ Para eles, a Teosofia denotava a totalidade da sabedoria revelada e do conhecimento descoberto atribuído ao homem ao longo dos tempos.

O uso dessa fonte é mencionado aqui para explicar, caso seja necessário, a constante referência à literatura teosófica, antiga e moderna, e a adoção de parte de sua terminologia.

Tanto por brevidade quanto por precisão de apresentação, palavras sânscritas são ocasionalmente empregadas, mas em todos os casos breves exposições de doutrinas e traduções completas das palavras sânscritas são fornecidas em notas de rodapé.

Assim, estudando a Bíblia, constatei que muitas das dificuldades e discrepâncias que até então se mostravam tão perplexas não existem mais.

Que aqueles que estão igualmente perplexos e igualmente em busca encontrem nestes volumes soluções para seus problemas e a restauração de sua fé.

GEOFFREY HODSON
Auckland, Nova Zelândia.

INTRODUÇÃO

Um grande número de escritores, tanto em tempos antigos quanto modernos, tem afirmado que a sabedoria espiritual e uma filosofia prática de vida sempre estiveram disponíveis à humanidade e que, por mais profundamente ocultas que estejam, são encontradas nas Escrituras das grandes fés mundiais.

O homem, afirmam eles, tem apenas de remover os véus ocultadores de alegoria, parábola e símbolo para descobrir um conhecimento que pode conferir serenidade de mente e coração e conduzir à iluminação espiritual.

Meros contos populares e superstições primitivas à parte, as escrituras e mitologias dos povos antigos podem, afirma-se, ser abordadas de maneira semelhante.

Pelo menos duas visões existem concernentes à sua origem.

¹ Mc. 4:11, Gl. 4:24. ² Sânscrito *Brahma Vidya*, a Sabedoria de Brahma.

ii

De acordo com uma dessas visões, os mitos mundiais desenvolveram-se gradualmente como explicações dos fenômenos da natureza.

Raças primitivas, que possuíam pouco ou nenhum conhecimento científico, personificaram as forças da natureza e dramatizaram suas interações.

Tais contos podem ser considerados como mitos populares, em contraposição àqueles baseados em fundamentos históricos, ou presumivelmente históricos.

A segunda visão é que muitas dessas histórias antigas receberam profundo significado cosmogônico, religioso, psicológico e moral de poetas, videntes e profetas que surgiram posteriormente entre as nações.

Ésquilo, por exemplo, baseou-se assim no mito e na lenda gregos para muitos de seus enredos, como também fizeram Homero, Sófocles e Eurípides, e mais especialmente Píndaro e Hesíodo, que incorporaram os deuses homéricos ao panteão grego.

Dessa forma, muitas lendas arcaicas foram tanto preservadas quanto vitalizadas, tendo sido imbuídas de significados religiosos ou filosóficos.

Diz-se também que os iniciados¹ das várias escolas ocultas e das religiões de mistérios das civilizações mais antigas reformularam deliberadamente as histórias como veículos para a transmissão às raças posteriores de seu conhecimento sobre cosmogonia, involução e evolução cíclicas,² e a verdadeira natureza e destino do homem.

Cientistas modernos também encontraram nos mitos antigos símbolos apropriados para os processos mentais³ sutis que estudam e tentam elucidar.

Freud, por exemplo, usou a expressão "complexo de Édipo", enquanto o termo "calcanhar de Aquiles" é às vezes empregado para indicar vulnerabilidade.

Jung, por sua vez, encontrou nas histórias antigas arquétipos simbólicos das respostas humanas.

Dessas várias maneiras, as religiões e filosofias dos antigos mostram-se proveitosas para o estudante moderno, enquanto aqueles que possuem conhecimento da língua sagrada e das chaves de interpretação⁴ reconhecem ideias que se verificam comuns a todas as fés do mundo.

¹ São Paulo, Orígenes e outros primeiros Padres da Igreja; cabalistas, antigos, medievais e modernos.

² A Escola Neoplatônica, fundada em 193 d.C. por Amônio Sacas, incluía filósofos alexandrinos que buscavam interpretar a Bíblia segundo um sistema de alegoria e símbolo e eram, por consequência, denominados Analogeticistas.

³ Iniciado.

Do latim Initiatus.

A designação de qualquer um que era recebido nos [mistérios] para lhe serem comunicados os segredos e mistérios da filosofia oculta; vide: Parte VI do Volume 1.

⁴ Parte IV

O uso universal de símbolos para retratar essas ideias torna-as prontamente disponíveis; ou os significados dos símbolos utilizados são encontrados como constantes, tão constantes quanto também são as doutrinas que eles revelam.

Assim, embora superstições antigas e práticas mágicas, e a personificação instintiva e dramatização dos fenômenos naturais por povos primitivos, sejam reconhecidas, as escrituras mundiais e mitologias podem legitimamente ser consideradas como ricas minas da sabedoria imemorial.

Ocasionalmente ao longo desta obra, portanto, paralelos são traçados entre declarações bíblicas e as mesmas ideias aparecendo em formas diferentes em outros escritos sagrados.

O valor dessa abordagem às escrituras mundiais torna-se evidente quando as chaves de interpretação são aplicadas à Bíblia.

Isto, no entanto, tem sido dificultado por pelo menos três práticas prevalecentes.

A primeira delas é confundir os véus com as verdades que eles tanto ocultam quanto revelam.

A segunda é exigir a aceitação como fato de muito que é puramente alegórico e, de fato, em alguns casos, incrível. A terceira é a insistência de algumas denominações cristãs na crença inquestionável em dogmas, baseada numa leitura literal de certas passagens da Bíblia, como essencial para a salvação do homem aqui e no além.

Infelizmente, isto é levado a extremos ainda maiores por pronunciamentos ex cathedra de que o fracasso em afirmar crença implícita em dogmas declarados pode levar à excomunhão, e até mesmo à danação eterna.

Essas tendências observáveis no cristianismo ortodoxo podem ser consideradas particularmente prejudiciais no período atual da história mundial; pois como resultado delas, a atenção dos cristãos é

Parte II do Volume I. 2 Pp.93-97 do Volume I.

desviada das verdades eternas.

Estas incluem especialmente a existência da presença divina dentro do homem, "Cristo em vós, a esperança da glória", e o fato de que a divindade em todos os homens é uma e a mesma.

Quando a unidade espiritual entre todos os membros da raça humana é plenamente reconhecida, a competição agressiva, o crime organizado e as guerras de conquista tornam-se impossibilidades.

A condição espiritualmente obscurecida, ameaçada pela guerra e competitivamente dividida da humanidade de hoje pode bem estar entre as trágicas consequências da longa e contínua imposição pelos chefes espirituais da fé cristã — sem dúvida com os mais elevados motivos e por consideração ao bem-estar espiritual do povo — de dogmas baseados na leitura literal das alegorias bíblicas; ou, quando aceitos e aplicados à vida, tais dogmas inevitavelmente afetam as relações internacionais, nacionais e pessoais.

Eles podem ser parcialmente responsáveis pela condição dividida do cristianismo, e até mesmo da própria humanidade.

Como, então, podem os véus da alegoria e do símbolo ser afastados e a sabedoria oculta revelada? Esta obra — entre muitas outras sobre o assunto na literatura antiga e moderna — oferece respostas tanto gerais quanto detalhadas a essa questão vital.

Em resumo, aqueles que buscam descobrir a sabedoria subjacente às alegorias inspiradas devem proceder aproximadamente da seguinte forma:—

(a) Determinar descobrir as verdades essenciais.

(b) Emitir mentalmente um clamor por luz interior, com o único motivo de se tornar um servo cada vez mais eficiente da humanidade.

(c) Libertar a mente da tendência de considerar a leitura literal como a única verdadeira e eclesiasticamente permitida.

(d) Praticar a meditação a fim de desenvolver a percepção intuitiva necessária para a descoberta das sucessivas camadas de revelação ocultas sob as alegorias das escrituras, mitos antigos e alguns contos de fadas tradicionais.

(e) Estudar os escritos de notáveis expoentes da linguagem sagrada.

Col. 1:27. ² Lc. 11:9, 10.

"E eu vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.

"Pois todo aquele que pede recebe; e o que busca encontra; e ao que bate abrir-se-lhe-á."

vii

(f) Aprender as principais chaves e o método de interpretação, e praticar até a proficiência a ciência de sua aplicação à elucidação das escrituras mundiais e mitologias.

Como afirmado no prefácio do autor, deve-se sempre ter cuidado para não superestimar um possível significado simbólico, nem ler em uma narrativa mais do que é inerente a ela ou que presumivelmente estava presente nas mentes dos autores, meramente para apoiar ideias preconcebidas.

A tarefa de desvelar foi empreendida nesta era com grande perspicácia e erudição por Madame H. P. Blavatsky, cofundadora da Sociedade Teosófica.

Seus livros apropriadamente intitulados, *Ísis sem Véu*¹ e *A Doutrina Secreta*, fornecem as chaves tradicionais e muitas interpretações das alegorias mundiais.

G. A. Gaskell fez uma magnífica contribuição ao assunto ao produzir um *Dicionário da Linguagem Sagrada de Todas as Escrituras e Mitos*². *A Língua Hebraica Restaurada*³, de Fabre d'Olivet, e *O Deus Desconhecido*⁴, de F. J. Mayers, avançam as chaves cabalísticas e as aplicam ao Livro do Gênesis.

Aqui se reconhece a dívida para com estas e outras obras padrão.

A literatura que procedeu dos Neoplatônicos de Alexandria, especialmente os escritos de Fílon, o Judeu (aproximadamente 30 a.C. a 45 d.C.), a quem esta obra é dedicada, é também uma valiosa fonte de informação. As interpretações do simbolismo da Bíblia que ele oferece são muito notáveis. Os animais, pássaros, répteis, árvores e lugares mencionados na Bíblia são por ele considerados "alegorias das condições da alma, das faculdades, disposições ou paixões; as plantas úteis eram alegorias das virtudes, as nocivas, das afeições dos insensatos, e assim por diante através do reino mineral; através do céu, da terra e das estrelas; através das montanhas e rios, campos e moradas; através dos metais, substâncias, armas, roupas, ornamentos, mobiliário, do corpo e suas partes, dos sexos, e de nossa condição exterior."

Como afirmado anteriormente, os discípulos de Amônio Sacas eram chamados de Analogéticos por causa de sua prática de interpretar as escrituras sagradas e mitologias por um princípio de analogia e correspondência, também encontrado tanto no sistema cabalístico quanto na filosofia esotérica do Oriente.

Assim estudados, muitos livros do Antigo e do Novo Testamento revelam conter conhecimento oculto do maior valor para a humanidade; pois, além de seu conteúdo de ensinamentos metafísicos de profundo significado, a Bíblia também indica a existência de um caminho de evolução acelerada e os meios pelos quais poderes especiais para o serviço da humanidade podem ser alcançados.

Esses poderes podem, no entanto, ser mal utilizados para causar grave dano aos seus possuidores e também às suas vítimas. Os ensinamentos mais metafísicos da Bíblia estão, portanto, como também afirmado anteriormente, escritos em uma linguagem alegórica que oculta, mesmo enquanto revela, conhecimento que confere poder.

¹ Theosophical Publishing House, Adyar, Madras, Índia.
² Gco. Allen & Unwin Ltd.
³ C. P. Putnam's Sons, Nova York e Londres.
⁴ Thomas's Publications Ltd., Birmingham, Inglaterra.
⁵ Dictionary of Christian Biography.

viii

O Senhor Cristo referiu-se a este caminho de evolução acelerada como "o caminho estreito" que passa pela "porta estreita". Isaías escreveu sobre "o caminho da santidade". O Hinduísmo ensina similarmente o "Caminho da Navalha Afiada" e o Budismo o "Nobre Caminho Óctuplo". Este é o Caminho do Discipulado e da Iniciação que conduz, dentro de um período relativamente curto de tempo, à Salvação¹, Moksha², Nirvana³.

Uma vez que os elementos essenciais, os procedimentos e as armadilhas no caminho estreito, bem como os poderes alcançados por aqueles que o trilham, são retratados pelos autores da Bíblia, interpretações de alegorias bíblicas desse ponto de vista estão incluídas nesta obra.

Este primeiro volume de uma série contém uma introdução à linguagem simbólica, algumas chaves de interpretação e exemplos de sua aplicação a várias passagens das escrituras.

Nos Volumes II e III, são oferecidas interpretações do Livro do Gênesis, enquanto nos volumes seguintes a maioria dos demais livros da Bíblia será considerada de maneira semelhante.

¹ Mat. 7:13, 14.  
² Is. 35:8.  
³ Salvação — exotericamente, redenção ou o estado de ser salvo; esotericamente, realização da unidade com Deus. (Cristianismo).  
Moksha — libertação da ilusão da separatividade do eu. (Hinduísmo).  
Nirvana — absorção consciente na Vida Una do Cosmos ou consciência absoluta. (Budismo).

PARTE UM  
A BUSCA DA HUMANIDADE PELA LUZ

CAPÍTULO I  
O CRISTIANISMO E O MUNDO MODERNO

A decisão tomada pelo cristianismo ortodoxo de concentrar-se na Bíblia como história, em vez de como uma mistura de história e alegoria, tem sido, segundo se argumenta, responsável por resultados desastrosos.

Quando, além disso, apesar dos insultos ao intelecto e ao senso de decoro, insiste-se que a Bíblia é divinamente inspirada do início ao fim, então os resultados adversos tornam-se realmente abrangentes.

Muitos males morais podem não ser injustamente considerados como consequências dessa escolha.

De fato, tais insultos contínuos fazem com que algumas pessoas se afastem da Bíblia, da religião fundada sobre ela e, infelizmente, da moralidade que o Cristianismo inculca.

Ao se depararem com o acúmulo do incrível sobre o impossível no Antigo Testamento, e com sua representação da Divindade suprema como um déspota arrogante, impiedoso e cruel, muitas pessoas caem no ateísmo, no agnosticismo, no cinismo e na indulgência no vício.

Quando, além disso, a Bíblia se revela contendo relatos de frequente indulgência em relações sexuais ilícitas, e até incestuosas, a fé cristã pode passar a ser considerada como encorajadora de tais práticas, sendo a imoralidade grosseira o infeliz resultado.

A existência dos males acima mencionados, entre muitos outros, aponta para a necessidade urgente de uma leitura grandemente revisada da Bíblia.

Se, no entanto, muitas das anomalias no Antigo Testamento puderem ser demonstradas como revelações, sob o véu do simbolismo, de profundas

Gên. 6:7.

A SABEDORIA OCULTA NA BÍBLIA SAGRADA

verdades espirituais, metafísicas e psicológicas, então a importância do estudo das Escrituras deste ponto de vista imediatamente emerge.

Estas considerações acentuam a grande necessidade de uma interpretação da Bíblia como um repositório de profunda sabedoria simbolicamente retratada.

Tal interpretação atenderia às objeções inevitavelmente suscitadas por uma leitura literal com todas as suas consequências, tão obviamente prejudiciais à humanidade.

Certas porções do texto da Bíblia, se tomadas literalmente, não podem de forma alguma ser consideradas como conducentes a um elevado padrão moral.

Em Gênesis XII:10-20, por exemplo, Abraão entrega sua esposa como se fosse sua irmã para que Faraó pudesse possuí-la.

Seu motivo ao fazê-lo era que sua vida fosse poupada e ele fosse grandemente recompensado.

Isaque transgride de maneira semelhante e pela mesma razão, como declarado em Gênesis XXVI:6-11. Neste último caso, o Senhor Deus abençoa Isaque e ele se torna rico e próspero.

Gênesis XXVII:1-45, relata um exemplo mais deplorável de engano deliberado por Jacó, que mais tarde se torna um patriarca favorecido sob a inspiração do Senhor.

Em Juízes IV:17-22, Jael, esposa de Héber, convida Sísera a entrar em sua tenda sob o pretexto de escondê-lo, e enquanto ele dormia, ela tomou um martelo e com ele cravou uma estaca de tenda diretamente através de suas têmporas e no chão, matando-o assim.

Em 2 Samuel XI:2-27, é relatada a história demasiado familiar do adultério de Davi, o ungido do Senhor, com Bate-Seba, esposa de Urias.

No Capítulo XII, o Senhor perdoa Davi, e o Rei Salomão nasce desta união.

Passagens também são encontradas que retratam o Senhor Deus como capaz de ira e pronto a destruir, e a encorajar seus servos a destruir, povos inteiros que não fossem israelitas.

Um tal exemplo é encontrado em Deuteronômio IX:14.

As sugestões nos versículos quatro, cinco, seis e sete do sexto capítulo do Gênesis de que a Divindade Suprema poderia conceber um plano imperfeito que falhasse, experimentar ira diante dessa falha, e vingativamente decidir destruir com crueldade insensata "tanto o homem, como a besta, e o réptil, e as aves do ar", em sua leitura literal, são certamente bastante inaceitáveis.

A afirmação de que Deus poderia ser culpado de tais ações e poderia ser movido a

CRISTIANISMO & O MUNDO MODERNO

fazer a promessa posterior de não "amaldiçoar mais a terra por causa do homem"! ou "ferir novamente todo ser vivente",! é ou uma atribuição errônea à Divindade de uma conduta da qual nem mesmo o homem seria culpado, ou então uma cegueira deliberadamente construída para a ocultação de uma verdade subjacente.

O conceito é inconcebível, certamente, de que pudesse existir um Deus pessoal, único, extra-cósmico, que pudesse falhar e então ser destrutivamente irado com a conduta perversa dos produtos de sua própria obra.

Tal conclusão é fortalecida pela afirmação de que o homem foi criado à imagem de Deus. É, similarmente, inconcebível que os Elohim conjuntos (traduzidos como Deus no Gênesis) pudessem ser capazes, seja de erro no planejamento e cumprimento de suas funções cósmicas, seja de ira diante de uma falha que fosse exclusivamente atribuível a eles mesmos.

Diante de tais afrontas à razão humana, o conceito do uso de uma categoria especial de literatura conhecida como a linguagem sagrada, conforme definido anteriormente, é certamente preferível à descrença total em tais inconsistências e erros bíblicos que uma leitura literal necessita.

A consequente possível rejeição da Bíblia como um todo, com sua afirmação da existência de um Ser Supremo como a inteligência diretiva na natureza, seria de fato uma perda muito grande.

O grande cientista, Dr. Albert Einstein, evidentemente sentiu-se sob nenhuma necessidade de fazer esta última rejeição, expressando sua visão de que "Essa convicção profundamente emocional da presença de um poder superior de raciocínio [itálico meu: Autor] que se revela no Universo incompreensível, forma minha ideia de Deus." No entanto, as ações atribuídas à Divindade nos versículos em análise certamente não o apresentam sob a forma de um "poder superior de raciocínio".

Como os episódios são inaceitáveis em sua forma literal, a ideia recebe apoio de que os autores do Pentateuco foram homens espiritualmente instruídos, escrevendo para despertar admiração e assim iniciar a investigação, para preservar, para ocultar dos profanos, e ainda assim revelar aos dignos, a sabedoria que lhes fora ensinada.

Estas e outras passagens são consideradas em volumes posteriores de

Gên.

8:21.

Gên.

1:26, 27.

Elohim — Hebr. Um poder séptuplo da Divindade: as Hierarquias masculino-femininas de Inteligências criativas ou Potências através das quais o Divino produz o Universo manifestado; a unidade dos poderes, os atributos e as atividades criativas do Ser Supremo.


esta obra.

Interpretações são ali oferecidas que, se aceitas, removem as indicações de culpa e revelam uma profunda sabedoria oculta sob o véu da alegoria, e mesmo da incongruência.

Aqueles que consideram as escrituras e mitologias do mundo como uma combinação de história, alegoria e símbolo, apontam que respostas completas a estas e outras questões prementes sobre a vida humana, experiências e destino estão contidas sob a superfície dos escritos escriturísticos.

Eles afirmam ainda que tais respostas estão ali plenamente dadas como significados subjacentes, e que a relativa impotência diante dos males do mundo, tão evidente no cristianismo ortodoxo de hoje, deve-se à insistência oficial na crença na Bíblia como revelação divina, verbal, de Gênesis a Apocalipse.

Se a ortodoxia estivesse disposta a examinar as Escrituras como parábolas que revelam profundas verdades e leis espirituais, em vez de insistir que o texto em sua leitura literal é pronunciamento divino e, portanto, verdade absoluta, não teria estado sujeita às acusações feitas contra ela. Quando, além disso, a crença implícita na letra da Bíblia é declarada essencial para a salvação da alma, uma repulsão natural à aceitação de dogmas, alguns dos quais contrariam tanto o fato quanto a possibilidade, é intensificada.

Algumas Críticas Dirigidas ao Cristianismo

Uma acusação adicional contra o cristianismo moderno é que ele falha em capturar a mente e dirigir a vida e a conduta do homem moderno; que se mostrou impotente para influenciar favoravelmente tanto a conduta humana quanto o progresso dos eventos mundiais na primeira metade do século XX, trágicos como foram para a humanidade.

É esta crítica justificada? Se é, o que então está errado com o ensino e a prática cristãos de hoje?

Embora mesmo os cristãos mais devotos devam admitir — e certamente podem fazê-lo sem impiedade — certas limitações, não obstante há inegavelmente muito a aplaudir no cristianismo moderno e na conduta dos povos cristãos, embora haja também muito a deplorar.

Neste século XX, nações nominalmente cristãs têm, por exemplo, embarcado em agressões não provocadas.

Alma.

Ao longo desta obra, a fim de reduzir ao mínimo a ambiguidade quanto ao significado deste termo, uma inicial maiúscula é usada quando se refere ao Princípio espiritual, imortal e em desdobramento do homem, ex.: Alma Espiritual.

O termo "Ego" também é usado para denotar esse centro do senso de individualidade no homem.

Um "a" minúsculo é usado quando se refere à psique, aos aspectos mental e emocional da personalidade mortal — ex.: alma.

CRISTIANISMO & O MUNDO MODERNO

são.

Outras nações, no entanto, guiadas por um espírito verdadeiramente cristão e a um custo imensurável para si mesmas em homens e material, resistiram com sucesso a duas grandes tentativas de conquistar, empobrecer e escravizar a humanidade.

Além disso, com a cooperação de nações não cristãs, duas grandes organizações mundiais foram formadas para resistir a tal agressão desenfreada, preservar a paz mundial, combater o vício e prestar assistência a povos necessitados.

Tanto a Liga das Nações quanto a Organização das Nações Unidas, formadas para esses fins, têm prestado grande serviço à humanidade.

Além dessas atividades internacionais e nacionais de grande alcance em favor da raça humana, um número crescente de indivíduos tem embarcado na busca pela verdade, sabedoria, conhecimento e compreensão das leis da vida, materiais e espirituais.

Muitos homens de ciência estão liderando a humanidade nessa busca.

Na física, astronomia, medicina, biologia e psicologia, a visão mecanicista está dando lugar ao vitalismo, a afirmações de crença na existência tanto de uma inteligência diretiva na natureza quanto de um plano ou objetivo na evolução da vida e da forma.

A conduta humana está, no entanto, justamente sob crítica, e o cristianismo como grande religião mundial não pode escapar de alguma responsabilidade pela conduta que desperta essa crítica.

Os apologetas cristãos respondem que a responsabilidade é menos da fé cristã do que do homem moderno.

Eles apontam que é impossível avaliar o pleno valor do cristianismo porque, de fato, ele nunca foi ainda coletiva e completamente experimentado.

O Declínio Moral do Homem

Isso nos traz ao próprio homem.

Quais são as principais acusações feitas contra o homem moderno, e mais particularmente contra os cerca de seiscentos e noventa milhões que vivem dentro da antiga cristandade? Além da já mencionada, aponta-se que neste período a humanidade demonstrou um declínio acentuado na moralidade.

Esse declínio tem se evidenciado por guerras agressivas, corrupção política e criminalidade e vício generalizados.

Também nos campos econômico e industrial, em monopólios, trustes e cartéis, na competição impiedosa baseada na doutrina do "cada um por si e o diabo que leve o último", o homem moderno adotou a lei da selva.

Há aqueles que vendem ou lucram com matérias-primas e armamentos para nações potencialmente hostis, e destroem alimentos de que se necessita urgentemente para manter os preços elevados.


Além disso, o incitamento deliberado ao vício de narcóticos e aos excessos alcoólicos e sexuais tornou-se quase universal.

Sir Richard Livingstone, um distinto estudioso e educador britânico,

palestrando na Austrália sob os auspícios da Universidade Nacional em 1951, disse: "Esta era tem o sexo no cérebro.

Está em decadência em consequência disso... Os estudantes de hoje com demasiada frequência tropeçam em sua educação como se estivessem bêbados, sem saber onde estão, para onde vão ou o que estão fazendo... Os homens não têm mais força motriz moral.

Força motriz moral — uma crença em princípios e uma disposição para aceitar disciplina e fazer sacrifícios por eles — é muito mais importante para a sobrevivência da humanidade do que o conhecimento ou a inteligência." Sir Richard continua: "Se o mundo algum dia se recuperar de sua atual e doentia incerteza, deve estar preparado para aceitar novamente princípios que, no sentido mais amplo do termo, são princípios cristãos.

O cristianismo é uma doutrina de responsabilidade individual.

O homem que vive por ela escolhe um caminho difícil, mas feliz.

Há ênfase demasiada em preparar os jovens para ganhar a vida, e não o bastante em ensinar-lhes como viver."

Tais são algumas das doenças que afligem o homem moderno.

Tal é parte do problema que confronta os seres humanos, cristãos e não cristãos igualmente, como uma família de povos na Terra.

Estes não são apenas males físicos — são também doenças da alma.

Vivendo em meio a eles, o homem naturalmente busca a fonte apropriada de cura, que deveria ser encontrada na religião.

A maioria dos povos ocidentais volta-se, portanto, para a religião cristã e seus representantes oficiais.

Quando o corpo está doente, consulta-se um médico, e quando a alma está doente, a esperança reside no sacerdote e no que ele prescreve, a saber, luz espiritual, graça curativa e orientação prática na conduta da vida.

Foi o Cristianismo Totalmente Experimentado?

Os críticos dizem que é aí que o cristianismo moderno padece; que nem as formas ortodoxas do cristianismo nem seus representantes respondem com sucesso ao clamor da alma humana por luz e compreensão espiritual e intelectual.

As influências espiritualizantes e purificadoras

CRISTIANISMO & O MUNDO MODERNO

que poderiam levar o homem a abandonar seus maus caminhos, afirma-se, não são encontradas na religião ocidental.

Esta é uma crítica severa, mas, onde quer que esteja a falha, não se pode negar com verdade que a maldade está de fato desenfreada sobre a Terra.

Uma resposta já foi apresentada.

É que o ideal cristão não foi totalmente experimentado; que ele é, de fato, constantemente negado pelo modo de vida seguido por muitos que se professam cristãos.

O conselho e o exemplo de Cristo, incorporados em sua vida e em suas palavras: "Isto vos mando: que vos ameis uns aos outros"! e "assim como quereis que os homens vos façam, fazei-lhes também vós de igual modo", são ignorados.

Nos campos econômico e industrial, deve-se admitir que a civilização cristã está fundada nas doutrinas satânicas: "Cada um por si e o diabo que leve os últimos" e "Não sou eu o guardião do meu irmão." Poucos, de fato, aceitam e ratificam o nobre ditame de Einstein: "O homem está aqui por causa dos outros homens."

Esta acusação poderia ser considerada demasiado abrangente, contudo, pois embora seja verdadeira quanto a grande parte da ação coletiva, definitivamente não o é quanto à prática individual, que inclui "a multidão de caridades não louvadas dos homens." No entanto, continua sendo verdade que, à parte de certas ordens religiosas, o cristianismo não foi experimentado coletivamente.

O mundo moderno tem, por exemplo, sido confrontado com os fenômenos de Hitler, Mussolini e seus sucessores no campo internacional; a desonestidade prevalecente no comércio, incluindo o tráfico (especialmente para jovens) de narcóticos, não raramente fornecidos gratuitamente para induzir ao vício; a prostituição e a escravidão branca; a busca aberta e quase exclusiva dos prazeres temporais; entretenimentos de rádio e cinema e anúncios que, deliberadamente e por lucro, incitam à ilegalidade, à sensualidade, à sexualidade e a padrões artificiais de vida — todas essas são características generalizadas da civilização ocidental moderna.

A escolha franca e deliberada dessas práticas malignas como meios de obter poder e riqueza é, de fato, uma negação daquela espiritualidade que foi ensinada por preceito e exemplo pelo fundador da fé cristã.

No Sermão da Montanha, ele inculcou a autoentrega, e a exemplificou em sua Natividade na pobreza e por sua aceitação voluntária da rejeição, do escárnio e da

1 Jo. 15:17. 2 Lc. 6:31.


morte cruel.

A mais alta lei moral, disse Nosso Senhor, impunha uma completa rendição do eu.

Esse desinteresse pessoal constitui a tremenda dinâmica do ensinamento de Jesus; mas a atitude mental moderna — "eu primeiro e Deus depois, se tiver tempo" — é, de fato, o reverso desse ideal de altruísmo semelhante ao de Cristo.

Tomás de Kempis, mesmo em sua época,! viu essa dificuldade e escreveu estas palavras maravilhosas: — "Sabe que o amor de si mesmo te fere mais do que qualquer outra coisa no mundo.

Com ele, por toda parte, carregarás uma cruz.

Se buscas apenas tua própria vontade e prazer, nunca estarás quieto nem livre de preocupação, pois em tudo algo faltará."² Quão verdadeiras se provam essas palavras hoje! Em tudo o que possuímos (e quanto possuímos) algo falta.

Em toda a nossa riqueza, nosso progresso científico, invenções e desenvolvimento mecânico, algo de fato falta.

Esse "algo" é a felicidade, a saúde, a serenidade e a paz baseadas no altruísmo e na obediência à lei moral.

Associado ao declínio da moralidade está o crescimento do cinismo, aprofundando-se em amargura, ambos provenientes da fé perdida e dos ideais despedaçados.

Aqueles que enfrentam a adversidade com amargura e que, quando a tragédia e a perda tocam suas vidas, sentem que não pode haver Deus; aqueles que clamam por ajuda e, não a encontrando, em seu desespero afundam na descrença de sua religião, e até negam a existência de Deus — todas essas pessoas não encontraram na religião ortodoxa aquela rocha imóvel sobre a qual suas crenças e suas vidas possam ser firmemente fundamentadas.

Isto é uma tragédia que o Cristianismo — particularmente suas doutrinas da lei impessoal e da Presença Divina dentro do homem, e seu ideal de amor universal — poderia ter evitado.

Até agora não o fez, pelo menos para um número muito grande de seus seguidores.

**O Clamor do Homem por Ajuda sem Resposta**

Que resposta tem o Cristianismo ortodoxo a oferecer à questão natural: "Onde esteve Deus durante os eventos trágicos do nosso

1380-1471.

A Imitação de Cristo.

Mt. 5:18, Gl. 6:7.

Jo. 14:20, 1 Co. 3:16 & 6:19, 2 Co. 6:16, Fp. 2:13, Cl. 1:27. b Mt. 5:44, Jo. 15:12, 13 & 17, 1 Pe. 1:22.

CRISTIANISMO & O MUNDO MODERNO

tempo? Por que Ele não nos protegeu e salvou das aflições com as quais fomos visitados? De que maneira merecemos os imensuráveis sofrimentos que nos foram infligidos numa era tão negra de horrores? Onde está a justiça distribuída por Deus aos seus filhos? Milhões que foram torturados e morreram prematuramente eram homens e mulheres amorosos e de boa vida.

O que haviam feito para que sofressem tanto?" A resposta ortodoxa, "É a vontade de Deus", faz dele um monstro a ser adorado por medo e potente para destruir.

Recebendo tal resposta, a mente moderna, nutrida pela ciência do dia, é inevitavelmente repelida, e assim rejeita tal Divindade e tais respostas a indagações legítimas.

Contudo, o Cristianismo ortodoxo não tem outras respostas a dar, e isto, dizem seus críticos, é a razão de sua impotência e do declínio moral da humanidade.

Se — como o Arcebispo de Cantuária, Dr. Geoffrey Fisher, declarou em 14 de novembro de 1958 — metade do mundo é agnóstica, a Igreja não pode escapar de alguma responsabilidade por esta situação.

Enquanto o governo fornece leis e meios de garantir obediência a elas, e a educação fornece conhecimento e instrução sobre as maneiras pelas quais mais conhecimento pode ser obtido, a ortodoxia, exceto em certas ordens fechadas, não encoraja a busca interior ou a experiência direta das verdades e leis espirituais.

Os cristãos não são ensinados a fazer uma autopurificação sistemática e elevação da consciência como no yoga, ou na ciência da união realizada com Deus.

O que mais é acusado contra a fé cristã e seus oficiais? Além das críticas já notadas, graves apreensões também estão sendo expressas concernentes ao declínio prevalente nas qualidades de santidade e reverência.

Isso é muito trágico; pois quando uma nação perde o senso de santidade e a qualidade de reverência, essa nação torna-se subserviente a uma nação mais forte.

Nestes dias, o declínio no respeito pela feminilidade e pelas funções parentais (especialmente as maternas), e na reverência pelo sacramento do casamento, é muito acentuado.

Sensualidade e sexualidade constituem perigos muito graves para a civilização moderna; pois a perda, na maioria ativa de uma nação, do senso moral e do senso do santo, leva à queda dessa nação e à sua sujeição a um poder estrangeiro.

Esse declínio moral deve ser considerado um sintoma muito perigoso.

Assim caíram o Egito, a Grécia e Roma.


Um sintoma adverso adicional consiste na divisão do pensamento cristão e da conduta de vida em dois compartimentos, sagrado e secular, domingo e dia de semana, o que é responsável por muitos males.

Idealmente, toda a vida, com seu trabalho e realização, é espiritual, e esse fato deveria ser reconhecido dia a dia e hora a hora.

A Traição Escurece os Tempos

A maior vítima da Segunda Guerra Mundial foi descrita como o declínio da lealdade.

Uma qualidade da natureza humana, a deslealdade, tem-se manifestado em grau incomum nos tempos recentes.

De fato, um termo especial passou a ser usado para ela, um com conotações muito malignas.

Esse termo é "quinta coluna", significando traição como uma política escolhida.

Quando, em 1936, o General Emilio Mola anunciou que capturaria Madri porque tinha quatro colunas fora da cidade e uma quinta coluna de simpatizantes dentro, o mundo se apoderou da frase com a avidez de um homem que estivesse tateando em busca de uma palavra importante.

A frase era, de fato, um sino de calamidade, como a subversão que se seguiu demonstra.

O que o General Mola fizera foi indicar a dimensão da traição em nosso tempo.

Outras épocas tiveram seus traidores individuais — homens que, por fraqueza de coração ou esperança de ganho, traíram suas causas — mas no século XX, pela primeira vez na história, os homens se uniram em milhões em movimentos como o Nazismo, o Fascismo e o Comunismo totalitário, dedicados ao propósito de trair as instituições sob as quais vivem.

A traição tornou-se uma vocação, cuja forma moderna é especificamente a traição das ideias.

Isto é, de fato, parte das trevas destes anos.

A infidelidade, nesta e em outras formas, encontra expressão no prevalecente baixo padrão moral na vida pública, marcado como está pela corrupção.

Isto é particularmente evidente na esfera da política, nacional e internacional.

Em um discurso proferido em setembro de 1951, Herbert Hoover, ex-presidente dos Estados Unidos, disse: "Às vezes me pergunto o que os 56 Pais Fundadores, de sua presença invisível em nossos recintos do Congresso, diriam sobre a procissão de homens em cargos de responsabilidade que compareceram perante seus comitês nestes dias... daqueles que flertam com a traição.

... Temos um crescimento canceroso de desonestidade intelectual na vida pública, que está em sua maior parte por trás da lei.

A questão hoje é a decência na

CRISTIANISMO E O MUNDO MODERNO IH

vida pública contra a indecência.

... Nosso maior perigo não é a invasão por exércitos estrangeiros.

Nossos perigos são que possamos cometer suicídio de dentro para fora, pela complacência com o mal ou pela tolerância pública a comportamentos escandalosos?"

Embora seja verdade que a natureza humana em si é propensa a esses males, que, admite-se, não estão confinados somente à Cristandade, também é verdade que uma função do ensino e da prática religiosa é reduzi-los ao mínimo, inspirando os homens a se elevarem acima deles.

Se, contudo, exemplos da prevalência desses males estão registrados na Bíblia, e em uma leitura literal a Divindade ou seus representantes inspirados são ali encontrados encorajando alguns deles, aqueles que inculcam uma leitura literalista destas e de outras passagens não podem escapar de alguma responsabilidade por ações semelhantes praticadas por pessoas cuja religião é fundada na Bíblia.

O autor aqui repete a opinião, contudo, de que, embora não seja suficientemente seguida, muitas instituições cristãs de fato inculcam uma moral elevada.

A Cristandade tem, de fato, produzido grande número de homens e mulheres magníficos, muitos dos quais se tornaram grandes servidores da humanidade.

Pode-se afirmar com segurança que muitas igrejas e seus pastores, escolas dominicais e seus professores, trabalhadores cristãos, pais e professores escolares exercem restrição moral e, em particular, tendem a encorajar uma conduta semelhante à de Cristo e um alto padrão moral entre seus jovens.

Fé Cega ou Conhecimento Espiritual?

No entanto, as condições prevalecentes referidas de fato indicam que o cristianismo moderno precisa de revitalização. O que, então, está ausente? O que é necessário? O assunto é imenso, mas de antemão pode-se dizer que o cristianismo sofreu uma perda irreparável quando o gnosticismo, no verdadeiro sentido da palavra,¹ foi proscrito. O que se deseja é a gnose, ou seja, o conhecimento direto. A ênfase na religião sobre a experiência espiritual direta e interior e a leitura interpretativa das Escrituras deve ser restaurada para substituir a fé cega, a leitura literal da Bíblia, a dependência dos sacerdotes para a salvação e para a comunhão com Deus, e a confiança em palavras vazias e na observância externa. A experiência interior direta — conhecimento pessoal do divino dentro de toda a natureza e de todos os homens — é de importância suprema.

¹ Gnosticismo: Conhecimento esotérico e espiritual.


A orientação direta para alcançá-la não está facilmente disponível no cristianismo moderno, que (exceto talvez em certas ordens fechadas) perdeu muito de seu elemento místico nos dias atuais. Homens e mulheres de visão profética são raros. O apelo é antes à fé cega, apesar do que foi descrito como "o acúmulo do incrível sobre o impossível" tanto na Escritura literal quanto no dogma imposto. Se os leigos não podem crer, dizem-lhes que "tentem crer". Se ainda não podem crer, podem passar a ser considerados ímpios. A importância primordial da iluminação interior, da experiência espiritual direta e do ensino na técnica da meditação precisa ser grandemente reconhecida e enfatizada; a ausência desses elementos é uma grave fraqueza do cristianismo moderno.

O Cristianismo Fala com Uma Só Voz?

A divisão da fé cristã é considerada outra de suas grandes fraquezas. Em 1951, o presidente Truman disse a uma grande plateia, a Peregrinação de Washington de Homens da Igreja Americana, que não havia conseguido obter acordo entre os grupos religiosos sobre uma declaração comum de fé para enfrentar a ameaça comunista.

“Pedi a eles”, disse o Sr. Truman, “que se unissem em um ato comum que afirme aqueles princípios religiosos e morais sobre os quais todos concordam.

Lamento dizer que ainda não foi possível reunir as fés religiosas para esse fim, a fim de testemunhar que Deus é o caminho para a verdade e a paz.

Mesmo as igrejas cristãs ainda não conseguiram dizer a uma só voz que Cristo é seu Mestre e Redentor e a fonte de sua força contra as hostes da irreligião e o perigo da catástrofe mundial.” No entanto, em 1959, o Papa João XXIII emitiu um convite às igrejas da fé católica para colaborarem com ele na remoção das barreiras que as dividem e na aproximação em um espírito de cooperação para o serviço da humanidade.

Espera-se fervorosamente que tais esforços tenham sucesso, pois o Cristianismo não pode alcançar sua mais alta eficácia enquanto continuar dividido em tantas seitas que, apesar da formação e dos esforços do Conselho Mundial de Igrejas, a colaboração de todo o coração para o bem comum seja difícil de obter.

Essa fraqueza é aumentada quando se reivindica para certas denominações que somente elas representam o Cristianismo verdadeiro e autoritativo, que seus

CRISTIANISMO E O MUNDO MODERNO

sacerdotes são os únicos sacerdotes reais, e que possuem exclusivamente o direito divinamente designado de mediar entre Deus e o homem.

Essas alegações são contradições diretas das palavras de Nosso Senhor, que disse: “Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz; e haverá um só rebanho e um só Pastor.”

Duas dificuldades adicionais em tornar o Cristianismo eficaz na cura dos males do homem consistem na variabilidade das doutrinas cristãs e na insistência de que acreditar nelas é essencial para a salvação.

Um estudo das origens cristãs e da história da Igreja desde o primeiro século revela que muitas mudanças ocorreram no número e na natureza das crenças tidas como essenciais à religião cristã por certos corpos cristãos.

O sistema geocêntrico é um exemplo de um Artigo de Fé firmemente sustentado, cuja descrença, como no caso de Galileu, era considerada herética.

Outras crenças ou sofreram mudanças ou desapareceram, tendo o homem em evolução as superado.

É claro, portanto, que elas nunca foram crenças necessárias para a salvação, e que algumas delas simplesmente não eram verdadeiras.

A Ortodoxia Cristã e Suas Limitações

Isso deixa em estado muito fluido toda a questão do que constitui e do que não constitui a ortodoxia cristã.

De fato, muitas pessoas atualmente estão encontrando dificuldade em aceitar como literal e finalmente verdadeiros dogmas tais como: a infalibilidade do Antigo e do Novo Testamento; que toda a humanidade descendeu de um único par de pais originais e que seu ato procriativo constituiu uma "queda", ou grave pecado, que foi transmitido a toda a raça humana como "pecado original", pelo qual cada membro individual da raça tem sido manchado desde então; que após alguns milhares de anos a Divindade suprema enviou — uma vez, e somente uma vez — seu único Filho à terra a fim de que o dano causado pela iniquidade dos primeiros pais dos homens pudesse ser desfeito, sendo assim a humanidade resgatada da ira de Deus; que para impedir que esse pecado original alcançasse o Senhor Cristo, que era ao mesmo tempo homem e Deus, ele foi

Jo. 10:16.

A contracepção, referida como planejamento familiar, proscrita como totalmente imoral até 1958, tornou-se então aceita, e até mesmo defendida, pela comunhão anglicana, conforme pronunciado na Conferência de Lambeth daquele ano.


nascido de uma virgem que concebera milagrosamente; que a consumação do processo redentor consistiu em sua crucificação por insistência dos judeus, após a qual seu corpo foi erguido do túmulo e mais tarde ascendeu ao céu; que em consequência desse sacrifício todos aqueles — e presumivelmente somente aqueles — que fossem capazes, antes de morrer, de afirmar crença nesse conjunto de ideias, seriam após a morte lavados e purificados "no sangue do Cordeiro"; além disso, que a operação normal da lei de causa e efeito, tão fortemente insistida pelo Senhor Cristo e pelo apóstolo Paulo, seria anulada no caso de tais crentes, e que todos os que não assim afirmassem estariam com toda probabilidade condenados à danação eterna, um concomitante da qual é ser perpetuamente queimado nos fogos do inferno sem ser destruído, e outro tornar-se excluído do amor de Deus pela raça humana.

De fato, deve-se admitir que o cristianismo doutrinário moderno, assim considerado objetivamente, não atende à necessidade da mente moderna, que diz com o Salmista: "Dá-me entendimento, e guardarei a tua lei; sim, observá-la-ei de todo o coração", e com Paulo: "Examinai tudo; retende o que é bom." Uma religião que não oferece respostas ao problema da justiça para o homem na terra, por exemplo, não pode de forma alguma prender e reter mentes que, nesta era de rápido desenvolvimento científico, se acostumaram à lógica, à causa e efeito, e à demonstração das ideias propostas.

As desigualdades do nascimento humano, a continuação do sofrimento humano aparentemente imerecido, a felicidade e o sucesso dos malfeitores e a miséria e o fracasso das pessoas bondosas e de boa vida — estas colocam questões intelectuais que o cristianismo moderno, desprovido da gnose, é incapaz de responder.

Os inquiridores descobrem que o dogmatismo sufoca o intelecto humano, que exige tanto que o ensino religioso seja consistente com o método científico de investigação e pensamento, quanto que ao homem seja concedida completa liberdade para exercitar a mente tão plenamente na investigação religiosa e espiritual quanto em

Rom. 5:9, Ef. 1:7, Col. 1:14, Apoc. 12:

Mat. 5:18, 7:1, 2 e 12.

Gál. 6:7.

O conceito da existência, nos mundos superfísicos, de fogo físico que possa queimar e, assim, punir, é de fato uma anomalia.

Sal. 119:34, 1 Tess. 5:21.

CRISTIANISMO E O MUNDO MODERNO

em toda outra atividade do intelecto.

Essa necessidade foi afirmada pelo Professor Einstein nestas palavras: "Somente se a liberdade externa e interna for consciente e constantemente perseguida é que existe a possibilidade de desenvolvimento e aperfeiçoamento espiritual e de melhora da vida externa e interna do homem."

A ortodoxia cristã, no entanto, exige uma medida de fé cega, insistindo na crença, entre outras coisas, de que o homem, embora templo do Deus vivo, é inatamente depravado; que a Divindade deve ser aplacada por sacrifícios, observâncias mecânicas, doações e petições; que Deus condena seus filhos à danação eterna por pecados cometidos no tempo; e que a expiação vicária assegura o perdão e a ab-rogação da lei causal, mesmo para os maiores, mais deliberados e continuamente cometidos crimes contra a humanidade e contra Deus.

Esta última doutrina mencionada da remissão dos pecados pode ter minado a fibra moral de muitos cristãos ortodoxos.

O apóstolo Paulo deixa bem claro, além disso, que o princípio redentor está dentro do homem; ou ele escreveu: "Cristo em vós, a esperança da glória"; "operai a vossa salvação com temor e tremor.

Porque Deus é o que opera em vós...";? "Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura da plenitude de Cristo?" "Meus filhinhos, por quem sinto de novo as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós." A partir destas e de outras declarações semelhantes, podemos legitimamente supor que Paulo acreditava que nada fora do homem pode salvá-lo.

A Bíblia — Fonte de Inspiração, Conhecimento, Sabedoria

Tal é parte da acusação, justa ou injustamente, levantada contra a forma moderna do Cristianismo.

Aqueles que reconheceram as limitações atuais da fé cristã e as barreiras restritivas colocadas ao seu redor por uma ortodoxia artificialmente erigida, podem muito bem perguntar onde se encontrará o conhecimento necessário que conduzirá os cristãos à descoberta de sua própria luz e de sua própria verdade.

O título destes volumes nos dá a resposta do autor — na

Col. 1:27. 2 Fil. 2:12, 13.

Ef. 4:13. 4 Gál. 4:19.


própria Bíblia.

Contudo, enquanto as Escrituras continuarem a ser lidas seja como a palavra inspirada de Deus do início ao fim, seja literalmente como história, a descoberta continuará a ser elusiva, se não impossível.

A ideia de que a Bíblia, em sua forma atual, e em todas as línguas em que possa ser impressa, é divina e verbalmente inspirada do início ao fim, e que é um registro cronológico e histórico preciso do período da história mundial com o qual lida, deve ser grandemente modificada, se sua sabedoria oculta for ser descoberta.

Isso não implica de forma alguma o abandono da própria Bíblia.

Longe disso, mas a leitura literal de algumas passagens da Bíblia deve ser substituída pelo estudo delas como revelações, por meio de alegoria e símbolo, de verdades eternas e espirituais.

A verdade que tudo ilumina e que confere poder, concernente à natureza do homem, de que a presença divina está dentro dele como um raio da Divindade Suprema, é revelada na Bíblia tanto diretamente quanto sob um véu de alegoria, símbolo e parábola.

O propósito da existência humana, que é a evolução para o estado de Cristo, o método de sua realização, a regra da lei que assegura a justiça estrita, o caminho da comunhão entre os aspectos humano e divino da natureza humana, e a iluminação e o empoderamento que se seguem — tudo isso e muito mais, sustenta-se, está tanto revelado quanto oculto nas alegorias de que as Escrituras do mundo em grande parte consistem.

**Revelação Sob o Véu**

O véu, contudo, deve primeiro ser removido.

Usando as chaves antigas pelas quais os símbolos podem ser interpretados, os significados subjacentes, as direções meio ocultas e, no entanto, por vezes claramente reveladas para a auto-iluminação, e o conhecimento essencial concernente a toda a natureza do homem, devem ser buscados.

As chaves são de fato antigas, assim como é a linguagem na qual toda escritura verdadeiramente inspirada é escrita.

Quando essas chaves são aplicadas e as Escrituras lidas intuitivamente, um tesouro inesgotável de sabedoria pura, moralidade elevada, orientação na cura de indivíduos e nações, e o caminho seguro para a paz pessoal, nacional e internacional, são revelados.

Reconhecidamente, dogmas restritivos, a aceitação forçada, por fé cega, de afirmações improváveis e definitivamente errôneas, a suposição pela ortodoxia da supremacia da religião cristã sobre todas as outras fés — tudo isso, na medida em que estiver presente, deve cessar de acorrentar a mente se "a verdadeira Luz, que ilumina todo homem que vem ao mundo" há de ser realizada.

O autoconhecimento e a consciência de Deus são partes da mais antiga ciência do mundo, a ciência da Alma do homem.

Assim como um cientista físico começa e continua suas pesquisas com uma mente irrestrita, tão livre quanto possível de preconceitos, aqueles que desejam estudar com sucesso a ciência do Espírito devem fazê-lo com mentes desimpedidas, determinadas à verdade em si, e somente à verdade.

Somente com dificuldade encontrará o homem ou a Divindade Suprema de um universo ou esse mesmo princípio divino dentro de si mesmo se ele começar e continuar sua busca apegando-se àquelas concepções bíblicas de Deus que, no Antigo Testamento, o retratam como ciumento, cruel, mostrando favoritismo, condonando a maior perversidade e sendo deliberadamente responsável por injustiças grosseiras. Empreendida sob tais condições, a busca essencial por Deus e pela verdade quase certamente falhará.

1Rs 19:11, 13; Sl 46:10; Fp 2:12-13; Mt 6:9-13. ¹¹Co 15:44; Cl 1:27.

CRISTIANISMO E O MUNDO MODERNO

**A Voz Silenciosa de Suprema Importância**

No entanto, o verdadeiro método é descrito diretamente, como nas palavras do Salmista: "Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus"; e alegoricamente em histórias como a de Elias que, de pé sobre o monte, superou as limitações simbolizadas pelo vento, terremoto e fogo; ou então Elias entrou naquela quietude na qual se ouve a "voz do silêncio". O caminho para a luz que todo homem pode trilhar é descrito simbolicamente nesta, como em muitas outras passagens das Escrituras.

Nos capítulos e volumes subsequentes desta obra sobre o simbolismo da Bíblia, oferece-se uma orientação que se espera ser útil para trilhar aquele caminho que conduz à "Luz que nunca houve no mar ou na terra", "a luz verdadeira, que ilumina a todo homem que vem ao mundo" — a luz interior personificada por Jesus Cristo como a Luz do Mundo.

¹ Jo. 1:9.
² Ver nota de rodapé 4, p. 87.
³ Sl. 46:10.
⁴ I Reis 19:11-13. Para uma interpretação desta passagem, ver Parte Um, Capítulo IV, p. 45.
⁵ Wordsworth.
⁶ Jo. 1:9.

**A SABEDORIA OCULTA NA BÍBLIA SAGRADA**

Estas considerações levam à conclusão de que o Cristianismo moderno precisa oferecer ao mundo uma filosofia de vida profundamente religiosa que possa preencher as mais elevadas aspirações do homem, trazer consolação ao seu coração e também ser justificada no tribunal do intelecto. Por sua revelação da luz viva que o grande fundador trouxe aos homens há quase 2.000 anos, o Cristianismo contém essa filosofia e pode dar essa contribuição tão necessária. Apesar das mudanças e acréscimos dos séculos intermediários, essa luz ainda brilha.

Homens e mulheres de todas as esferas da vida, humildes e exaltados, têm testemunhado o seu brilho e a sua percepção interior direta da presença e do poder divinos. A luz espiritual não depende, para seu poder iluminador, do conhecimento e da aceitação dos dogmas mutáveis de qualquer período ou denominação particular. A percepção da verdade espiritual não exige obediência cega, nem escravização da mente racional. Antes, exige para sua recepção uma mente livre, desimpedida, ativa, porém reverente, e uma intuição desperta; pois ali, nas partes mais elevadas da natureza humana, a existência do divino em toda a criação e, portanto, dentro de todo homem, pode ser diretamente realizada e conhecida.

**A Busca Mística**

Como se obtém essa iluminação interior? Não pela fé cega, mas pelo livre uso da faculdade racional e pela prática regular da oração, meditação e contemplação, sendo esta última definida como oração científica.

Em seu livro com esse título, o Dr. Alexis Carrel define a oração nestas palavras: "Uma contemplação serena do princípio imanente e transcendente de todas as coisas.

Uma elevação da alma a Deus.

Um ato de amor e adoração para com Aquele de Quem provém a maravilha que é a vida.

O esforço do homem para comunicar-se com um Ser invisível.

Um estado místico em que a consciência é absorvida em Deus."

"A oração", continua o Dr. Carrel, "encontra sua mais alta expressão num voo de amor através da noite obscura da inteligência.

A oração deixa o domínio do intelectual para alcançar o da percepção imediata.

Para orar, é inteiramente necessário fazer um esforço de alcance a Deus.

O melhor modo de comunicar-se com Deus é, sem dúvida, cumprir plenamente a Sua vontade."

CRISTIANISMO E O MUNDO MODERNO

O método pelo qual um indivíduo pode alcançar a percepção espiritual direta, a consciência de Deus, será peculiar a ele mesmo, embora certas regras gerais e seculares tenham sido enunciadas.

O Salmista disse: "Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus."

Os ritualistas dizem que, através da participação nos sacramentos, o homem pode entrar em unidade consciente com o Cristo vivo.

Através do serviço amoroso, ele também pode aprender a conhecer, amar e servir o Deus em todos; através da beleza, ele pode perceber, adorar, retratar e descobrir Deus como "o princípio da beleza em todas as coisas" (Keats). Através do canto sagrado, bem como da contemplação silenciosa, excluindo todo outro pensamento, ele pode encontrar e conhecer o Deus interior, o imortal regente interno "assentado no coração de todos os seres".

As duas histórias que se seguem servem para ilustrar o tema de que a realização espiritual direta é alcançável e, quando alcançada, pode tanto transformar quanto iluminar:—

Um velho camponês estava sentado sozinho no banco dos fundos de uma igreja vazia.

"O que você está esperando?", perguntaram-lhe.

"Estou olhando para Ele", respondeu ele, "e Ele está olhando para mim."

Um grupo de estudantes de um colégio teológico pediu a um professor muito erudito que lesse o Salmo do Pastor. Ele o leu com grande sentimento e bela ênfase.

Então alguém pediu que um ministro aposentado subisse e repetisse o Salmo 23.

Seu doce rosto brilhava com uma luz interior enquanto ele dizia as mesmas palavras com reverência e significado.

Quando ele terminou, não havia um olho seco na sala.

Depois, um dos estudantes perguntou ao professor por que ele, com toda a sua erudição, não conseguia produzir aquele efeito profundo.

O professor foi honesto e humilde em sua resposta: "Bem", disse ele ao jovem, "eu estudei a Bíblia e sei tudo sobre o Pastor, mas, você vê, nosso amigo conhece o Pastor."

Aí, sugiro, está o cerne do problema da religião: conhecer, por experiência direta, o poder e a presença de Deus e de seu Filho, Cristo Nosso Senhor.

Uma palavra grega para tal conhecimento espiritual interior direto é "gnose", e na época da fundação do Cristianismo, aqueles que a possuíam eram conhecidos como gnósticos.

Tragicamente, por causa dos aparentes erros de alguns

Salmos 46:10. 2 Bhagavad Gita.

Salmos 23.

A SABEDORIA OCULTA NA SANTA BÍBLIA

gnósticos, estes foram proscritos e perseguidos como hereges.

A contribuição da religião para a cura dos males atuais do homem é o conhecimento espiritual baseado na experiência interior.

Simplificando, os cristãos precisam tanto saber sobre o Pastor quanto conhecer o Pastor.

À medida que o número de homens e mulheres iluminados e inspirados aumenta, há razão para crer que o Cristianismo se tornará um poder maior do que atualmente para a paz e o progresso mundial.

Se a religião cristã puder novamente se tornar um centro e fonte de luz espiritual nascida do conhecimento direto, e assim dar ensinamento verdadeiramente espiritual sobre a relação íntima do homem com Deus e como essa relação pode ser realizada; se puder restaurar o conhecimento perdido do propósito da existência do homem; se puder estabelecer que a razão e a estrita justiça para o homem fazem parte de seu ensinamento, e fornecer os meios de sua aplicação inteligente na obtenção da felicidade humana e na solução dos problemas da vida; se puder dar à humanidade orientação segura e garantida na busca pelo conhecimento interior de Deus e na busca pela união consciente com Deus: se o Cristianismo puder verdadeiramente iluminar as mentes humanas, então, sustenta-se, ele poderia conduzir a humanidade para fora de sua militância atual rumo à paz mundial, e para fora de sua divisão rumo à unidade de ação para o bem-estar de toda a humanidade.

CAPÍTULO II A LINGUAGEM SIMBÓLICA

Princípios Gerais

A Bíblia cristã, assim como as escrituras de outras fés, tem sido considerada desde tempos remotos como pertencente a uma categoria especial, até mesmo única, de literatura.

Expoentes dos escritos religiosos orientais, os primeiros cabalistas, os discípulos de Amônio Sacas, outros neoplatônicos de Alexandria conhecidos como "Analogeticistas" e seus sucessores até os tempos modernos — todos estes consideraram as escrituras mundiais como sendo em grande parte, mas não inteiramente, alegóricas.

Elas as viam como construídas de símbolos, analogias e parábolas.

Como foi dito anteriormente — e este é o tema principal desta obra — diz-se que essas alegorias preservam para a posteridade, revelam e ainda ocultam, profundas verdades espirituais e, portanto, doadoras de poder.

Razões para o Sigilo

Este método de escrita é referido como a linguagem sagrada ou misteriosa, e diz-se que foi inventado e usado pelos sábios da antiguidade tanto para revelar àqueles que seriam ajudados quanto para ocultar daqueles que poderiam ser prejudicados por ela, uma profunda sabedoria espiritual que pode conferir poderes teúrgicos aos seus possuidores.

A necessidade dessa reserva torna-se clara quando se observa o uso que o homem moderno faz das descobertas científicas.

Um exemplo do mau uso do conhecimento é a liberação, como agente explosivo em bombas atômicas, da energia derivada da fissão e fusão nucleares.


Reconhecendo que suas descobertas pertenciam à raça, os filósofos e cientistas dos tempos antigos sabiam que tal conhecimento colocado em mãos comuns, e particularmente nas de elementos disruptivos da sociedade, poderia ser extremamente perigoso.

Eles, portanto, construíram a linguagem críptica na qual as escrituras inspiradas e mitologias do mundo foram escritas.

Embora baseadas em geral em eventos históricos, essas narrativas, como sugerido anteriormente, têm significados subjacentes e, em alguns casos, até mesmo um significado sétuplo.

Embora aparentemente fundadas em fatos, cada história é antes uma metáfora histórica, tendo um propósito interno e contendo dentro de si camada sobre camada de conhecimento oculto.

Ensinando por Parábolas

Nosso Senhor fez uso deste método de ensino.

Ao dirigir-se aos seus discípulos, falava abertamente de verdades espirituais, mas aos não discípulos, em parábolas.

De fato, ele usou as palavras: "Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis aos porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem." Ele também lhes disse: "... A vós é dado conhecer o mistério do reino de Deus; mas aos que estão de fora, tudo se lhes propõe por parábolas."

Uma razão para essa diferenciação não é difícil de encontrar.

O conhecimento pode conferir poder, e os escritores da linguagem sagrada estavam na mesma posição em que um pequeno grupo de cientistas modernos se encontraria após terem descoberto pela primeira vez a energia atômica e os meios para sua liberação controlada.

Eles não ousariam imediatamente tornar sua descoberta universalmente disponível.

Da mesma forma, os sábios da antiguidade, tendo investigado a estrutura da matéria e a composição tanto do universo quanto do homem, e descoberto as forças neles aprisionadas, sentiriam um tremendo senso de responsabilidade.

Eles teriam que impedir o mau uso de seu conhecimento e, ao mesmo tempo, assegurar sua preservação para o benefício futuro da humanidade.

Na verdade, no caso do conhecimento dos mundos superfísicos e espirituais, sua estrutura, suas forças naturais e inteligências a eles associadas, e suas correspondências com os veículos e poderes superfísicos do homem, a necessidade de sigilo é muito maior.

Em mãos erradas, o poder que tal conhecimento torna disponível é muito mais perigoso do que a energia atômica física.

Os produtos da fissão e fusão nuclear podem destruir apenas objetos físicos.

Se mal utilizado, o conhecimento oculto e o poder a ele associado podem, além disso, prejudicar a integridade, endurecer e distorcer a natureza e, em consequência, retardar seriamente a evolução dos transgressores e daqueles sob sua influência maligna.

Os videntes antigos, portanto, não conceberam os símbolos algébricos e fórmulas do cientista moderno, mas uma linguagem críptica na qual algumas palavras mantêm seu significado normal, enquanto outras são criptogramas ou hierogramas para verdades espirituais e ocultas.

Ao fazer isso, os escritores da antiguidade sabiam que somente aqueles que possuíssem as chaves da interpretação seriam capazes de descobrir as verdades que a linguagem sagrada tanto revela quanto oculta.

O segredo é tornado ainda mais seguro pelo fato de que, para usar as chaves com sucesso, é preciso ter desenvolvido a faculdade intuitiva e estar imbuído de um senso de responsabilidade moral.

Tais são, breve e parcialmente descritas, a origem e alguns dos propósitos da linguagem sagrada na qual as escrituras e mitologias dos povos antigos foram escritas.

CAPÍTULO III

PROBLEMAS DECORRENTES DE UMA LEITURA LITERAL DA BÍBLIA, E ALGUMAS SOLUÇÕES

COMO a compreensão e apreciação dos ensinamentos esotéricos contidos na Bíblia dependem do conhecimento da linguagem sagrada, uma exposição mais completa e detalhada desta categoria particular de literatura deve agora ser apresentada.

No início desta tarefa, reconhece-se que, para aqueles que até agora consideraram a Bíblia apenas como um registro de eventos históricos, a ideia de que ela foi escrita em alegoria e símbolo para transmitir verdades universais à humanidade pode parecer estranha, e até mesmo incrível.

Estudo Preparatório

Visto que o assunto é profundo, o exame imparcial e o estudo progressivo são essenciais para sua compreensão.

À parte das parábolas de Jesus, a linguagem da analogia, da alegoria dramática e do símbolo é, para muitas pessoas, uma forma de arte pouco conhecida.

Vocabulário, gramática e composição devem, consequentemente, ser cuidadosamente estudados antes que as ideias transmitidas possam ser percebidas e plenamente compreendidas.

Tempo, também, é sempre necessário para nos acostumarmos a um método não familiar de apresentação e a aspectos até então desconhecidos da verdade.

Na arte, algum treinamento na apreciação é necessário para desfrutar e compreender uma grande pintura e receber a mensagem do artista.

Preparação e experiência são necessárias para abrir os olhos e preparar a mente.

Isto é verdadeiro também para a música. Com a

PROBLEMAS DA LEITURA LITERAL

exceção daquelas passagens — talvez os movimentos lentos — que podem ser prontamente apreciadas, uma sinfonia pode, à primeira audição, ser difícil de compreender.

À medida que se começa a perceber seu significado, contudo, a obra adquire um sentido adicional e evoca um novo deleite.

Para uma criança, uma joia maravilhosa é apenas um brinquedo brilhante.

Ela escolherá com a mesma facilidade qualquer coisa reluzente, por mais vulgar e barata que seja.

Um conhecedor de pedras preciosas, por outro lado, vê nelas profundezas de beleza ocultas aos outros, compreende e aprecia tanto as próprias pedras quanto o artesanato do joalheiro.

A linguagem da alegoria e do símbolo pode, por sua vez, ser considerada uma forma de arte.

É necessário, portanto, adquirir pela prática a capacidade de apreciar suas muitas e variadas metáforas e emblemas e de descobrir seus significados secretos.

Sem tal preparação, alegorias e símbolos podem ser erroneamente considerados obstruções desnecessárias e suas interpretações, arbitrárias ou, na melhor das hipóteses, rebuscadas.

Como verdades profundas são transmitidas e a experiência espiritual, o conhecimento e o poder podem ser obtidos pela interpretação bem-sucedida da Bíblia, as preparações do estudante devem, por sua vez, ser não apenas intelectuais, mas também espirituais.

Na verdade, tais preparações assumem o caráter de uma vigília.

O Véu da Alegoria

Embora muitos dos incidentes na Bíblia estejam, sem dúvida, fundados em fatos, ainda assim grande sabedoria e luz podem ser descobertas dentro do registro escritural de eventos históricos e pseudo-históricos.

Quando, porém, são feitas declarações que não poderiam possivelmente ser verdadeiras, três cursos de ação se apresentam ao leitor.

Ele pode aceitá-las sem pensar, em fé cega; pode descartá-las como indignas de consideração séria; ou pode estudá-las cuidadosamente em busca de possíveis significados subjacentes e revelações de verdades até então ocultas.

Incidentes como a passagem de três dias e três noites e o aparecimento na terra de vegetação antes da criação do sol,¹ e a ação de Josué em fazer o sol e a lua pararem² não podem possivelmente ter ocorrido.

Aqui, como em muitos outros lugares, a Bíblia "empilha o incrível sobre o impossível". Se, contudo, a intenção não era registrar supostos

¹ Gên. 1:13-16. ² Josué 10:12-14. vide p. 27 e Parte Um, Cap. V.


fatos ou eventos astronômicos e históricos apenas, mas também revelar verdades abstratas, universais e místicas, e dar orientação para encontrar e trilhar "O caminho da santidade";¹ e se, além disso, a noite, o sol e a lua são apenas símbolos concretos de ideias abstratas, então a narrativa exteriormente sem sentido pode revelar verdade e luz interiores.

Antes que essa verdade e luz possam ser percebidas, contudo, o véu da alegoria deve ser erguido e os símbolos interpretados; ou, como foi dito anteriormente, em parte para tornar ideias abstratas compreensíveis ao expressá-las em forma concreta, e também para salvaguardar a verdade e ainda assim revelá-la quando o tempo estivesse maduro, os mestres dos tempos antigos deliberadamente ocultaram dentro da alegoria e do símbolo a profunda sabedoria oculta da qual haviam se tornado possuidores.²

O Tempo Como Espelho da Eternidade

Os autores das escrituras viram verdades eternas refletidas nos eventos no tempo.

Para eles, iluminados como eram, cada acontecimento material estava repleto de significado espiritual.

Eles conheciam o mundo exterior pelo que ele era — a sombra de uma grande realidade.

Eles podiam dizer com Elizabeth Browning: "A Terra está repleta de céu e todo arbusto comum arde com Deus", e com ela acrescentariam "mas só quem vê, tira os sapatos."? Seus registros da história do universo e da terra — as escrituras do mundo — retratam muito mais do que eventos no tempo; eles revelam de forma concreta e, portanto, mais prontamente compreensível, a verdade eterna, a realidade última, as ocorrências universais.

Às vezes o real era mais visível para eles do que a sombra, e então a história ocupava um segundo plano.

Em outras ocasiões, o registro dos eventos físicos predominava.

Este conceito dos propósitos e do método dos escritores antigos é apresentado nesta obra como a chave para o estudo místico da Bíblia, a pista para a descoberta dos inesgotáveis tesouros de sabedoria e verdade ocultos dentro do cofre das escrituras exotéricas.

Is. 35:8.

Outras razões para tal desvelamento eram: evocar admiração e assim iniciar a investigação; preservar para a posteridade verdades profundamente espirituais e, portanto, dotadas de poder; e ocultar dos profanos o conhecimento que poderia ser mal utilizado, mesmo enquanto o revelava ao servo altruísta da humanidade.

Poemas de Elizabeth M. Barrett Browning,

PROBLEMAS DA LEITURA LITERAL

Os mestres espirituais de outrora, ao usar eventos históricos bem como alegorias e símbolos, provaram ser capazes de superar as limitações do tempo.

Eles registraram a história de tal maneira a revelar aos leitores de seu próprio tempo e de tempos posteriores as verdades mais profundas da vida.

Mesmo milhares de anos após sua morte, tais mestres são capazes de dar à humanidade tanto orientação ao longo do caminho da iluminação espiritual quanto as soluções para os problemas humanos.

A ocultação dos profanos das verdades que desejavam transmitir aos dignos, e somente aos dignos, é admitida.

O motivo era, como dito anteriormente, salvaguardar tanto o indivíduo quanto a raça dos perigos da descoberta prematura e do possível mau uso do conhecimento que poderia conferir poderes teúrgicos e taumatúrgicos.

Assim surgiram as lendas, as mitologias e as escrituras do mundo, muitas delas repletas de ideias espirituais e ocultas.

Algumas Dificuldades Criadas por uma Leitura Literal da Bíblia

Além de seu valor como veículo para a sabedoria oculta, a linguagem sagrada pode ser útil na solução de problemas bíblicos de outra forma insolúveis.

Embora a crença ou fé na possibilidade de intervenção sobrenatural torne críveis algumas declarações das escrituras, no entanto, as leis físicas e os fatos astronômicos não podem ser alterados.

Admitidamente, alguns milagres forçam quase além dos limites razoáveis a capacidade de alguém acreditar neles.

A pressão hidrostática exercida para dividir e manter de ambos os lados de um leito seco as águas do Mar Vermelho! e do rio Jordão² deve ter envolvido o uso de energia quase incalculável.

No entanto, se se presume que ocorreu ação teúrgica direta, então esses "milagres" não teriam sido impossíveis.

O sistema heliocêntrico, contudo, não pode ser alterado.

O sol está no centro do nosso sistema solar, do qual é a fonte de luz.

Os planetas, ao longo de seu movimento orbital ao redor do sol, giram sobre seus eixos, sem o qual giro não poderia haver alternância de dia e noite.

Contudo, no primeiro capítulo do Gênesis, está claramente

Êx. 14:21-31. ² Josué 3:14-17.


declarado que houve três dias e três noites antes de o sol, a lua e as estrelas serem criados.

Isso teria sido uma impossibilidade astronômica.

"Sol, detém-te sobre Gibeom"!

A rotação da terra causa o dia e a noite.

O sol não se move ao redor da terra e não pode, por nenhum meio concebível ao ser humano, ser feito a fazê-lo; no entanto, diz-se que Josué prolongou o dia fazendo tanto o sol quanto a lua pararem.

A prolongação do dia ou da noite pela detenção do movimento do sol ou da terra (a lua não estaria diretamente envolvida em tal procedimento) é uma total impossibilidade; pois se a terra tivesse parado subitamente de girar, nenhum ser humano teria vivido para registrar o evento.

Todo objeto móvel na terra, incluindo os oceanos e a atmosfera, teria continuado o movimento rotativo normal e assim viajado em direção ao leste mais rápido que a velocidade do som.

Assim, lida literalmente, a narrativa é totalmente incrível.

A história de Noé e sua arca também apresenta graves obstáculos.

Teria sido extremamente difícil, se não impossível, reunir pares de animais dos quatro cantos da terra; a preguiça, por exemplo, que se move com extrema lentidão — daí seu nome talvez — teria precisado começar sua jornada muito antes do início do Dilúvio para chegar à arca a tempo.

Além disso, a tarefa de abrigar e alimentar um número tão grande de animais durante quarenta dias e quarenta noites teria apresentado graves, senão intransponíveis, dificuldades.

A leitura literal da história da Torre de Babel, e especialmente dos versículos seis, sete, oito e nove do décimo primeiro capítulo do Gênesis, pareceria implicar que a Divindade Suprema é deliberada e insensivelmente responsável pelos maiores sofrimentos da humanidade.

Segundo o texto, muitas obras malignas do homem contra o homem, incluindo o crime individual e organizado e a condução de inúmeras guerras, surgiram e ainda surgem das duas supostas ações de uma Deidade pessoal: primeiro, ao confundir a linguagem humana para que os homens não pudessem mais compreender a fala uns dos outros; e segundo, ao dispersar a humanidade pela face da terra.

Josué 10:12-14. vide Parte Um, Cap. V.

PROBLEMAS DA LEITURA LITERAL

Tais supostas ações divinas podem, de fato, ser legitimamente consideradas como causas principais de erros humanos nascidos do individualismo acentuado e do auto-separativismo, e de seus graves efeitos.

Essa atribuição à Divindade Suprema de motivos e condutas tão prejudiciais à humanidade, a ponto de dificultar por longas eras o alcance de relações humanas harmoniosas entre grupos, nações e raças de homens sobre a terra, é totalmente inaceitável para qualquer mente reverente e ponderada.

O estudo da Bíblia menos como história literal, e muito mais como uma revelação de verdades fundamentais por meio de metáforas e alegorias históricas, recebe assim forte apoio da história da Torre de Babel.

No caso de Jonas, as secreções digestivas e os processos que ocorrem no estômago de um grande mamífero como uma baleia teriam tornado extremamente improvável que Jonas pudesse permanecer vivo e ileso após três dias e três noites de sujeição a tais forças desintegradoras.

Incredulidade à parte, a obscenidade, como a embriaguez de Ló e seu incesto com suas duas filhas; a sensualidade; a brutalidade; a atribuição à Divindade Suprema das fraquezas humanas da ira, do ciúme, da sede de sangue, e seu encorajamento aos israelitas para atacar e massacrar os animais, homens, mulheres e crianças de outras tribos — essas são todas incongruências bíblicas que pessoas ponderadas e sensíveis devem achar repulsivas.

A opinião ortodoxa está dividida quanto à conveniência de incluir tais porções das Escrituras nos currículos da Escola Dominical e das universidades.

Biologia, Nomenclatura e as Limitações do Tempo

No Novo Testamento, também, dificuldades são encontradas se uma leitura literal de certas passagens for aceita.

No caso de Jesus, alguns dos Evangelistas afirmam uma conceição imaculada e um nascimento virginal — considerado como uma virtual impossibilidade — e outros não.

As genealogias de Jesus, como dadas nos Evangelhos de São Mateus e São Lucas, são totalmente diferentes e dificilmente podem se aplicar à mesma pessoa.

São Mateus traça a descendência de Jesus através de José, o que é inteiramente sem sentido no caso de um nascimento virginal.

São Lucas, no entanto, traça a genealogia através de Maria.

Além disso, os

Gên. 19:30-38; Mat. 1:18; Lc. 1:34, eventos da noite anterior à Crucificação de Jesus são numerosos demais para terem ocorrido dentro do tempo prescrito.


Aqui está uma lista deles: a Última Ceia; a agonia no Jardim; a traição por Judas; o interrogatório, primeiro perante Anás e Caifás, segundo perante o Sinédrio, terceiro perante Pilatos e finalmente no Salão do Julgamento — não obstante o fato de que os tribunais para julgar malfeitores não se reuniam no meio da noite; a visita a Herodes (registrada apenas por São Lucas); o retorno a Pilatos; os discursos de Pilatos e o seu lavar das mãos; a flagelação, o escárnio e o vestir de Jesus com um manto púrpura; a longa e dolorosa condução da Cruz ao Gólgota, seguida pela Crucificação — todos esses eventos não poderiam possivelmente ter ocorrido em tão curto espaço de tempo.

Segundo a cronologia estimada, a prisão de Jesus ocorreu à meia-noite de uma quinta-feira, e a Crucificação às 9:00 da manhã da Sexta-Feira Santa.

Algumas Admissões Eclesiásticas

Embora várias denominações cristãs proclamem a Bíblia como a palavra de Deus verbalmente inspirada, alguns clérigos reconhecem francamente as dificuldades acima mencionadas.

O Cônego T. J. Stevens, Vigário da Igreja de São Paulo, em Wimbledon, ao explicar suas razões para proibir o ensino de certas histórias do Antigo Testamento em suas escolas dominicais, disse:

"Não importa quantos digam que a Bíblia deve ser ensinada por inteiro, eu não o farei. Homens como Bernard Shaw, Arnold Bennett e H. G. Wells todos se voltaram contra a Igreja por causa do ensino errôneo, quando poderiam ter sido uma força poderosa para nós....

"É preciso um homem de considerável inteligência para compreender a Bíblia inteira.

Algumas das histórias são úteis, interessantes e belas, mas com bastante frequência elas tratam de estupro, assassinato, mentiras e brutalidade, nacionalismo exagerado e guerra."

Qual propósito se serve ao ensinar todas essas histórias desagradáveis aos jovens? Se forem inteligentes, terão as ideias mais estranhas sobre Deus.

“Acredito que a religião cristã está em declínio, em parte porque muitas pessoas não conseguem entender nada dela. Infe-

A possibilidade de que a urgência do caso pudesse ter tornado a ação imediata imperativa não foi negligenciada.

A Concordância Enciclopédica de Oxford, Oxford University Press.

PROBLEMAS DA LEITURA LITERAL

lizmente, toda a Igreja Cristã está contra mim. Sou o único que discorda desta questão”!

Uma nova era das trevas foi prevista pelo Deão Inge, conforme noticiado no The New Zealand Herald, 8-6-50: “O Deão Inge, ‘O Deão Sombrio’, completa hoje 90 anos (6 de junho)... Na véspera de seu aniversário, o Deão declarou: ‘Parecemos estar no limiar de outra era das trevas... A primeira coisa deveria ser livrar-nos de boa parte do Antigo Testamento.

Vivemos em uma era diferente dos dias em que eu tinha uma igreja elegante no West End, onde senhoras cobertas de pérolas e peles cantavam o Magnificat com mais fervor do que um comunista jamais cantou a Bandeira Vermelha.’”

O Reverendíssimo Dr. Frank Woods, Arcebispo Anglicano de Melbourne, falando na Catedral de São Paulo em 18 de fevereiro de 1961, sobre os relatos iniciais do Gênesis acerca da criação, Adão e Eva e a Queda do Homem, disse que os cristãos não deveriam ficar desanimados se estes fossem atacados em bases científicas ou históricas.

Eles contêm verdades de natureza religiosa, afirmou, que não dependem de confirmação histórica ou científica para sua validade.

Os relatos do Gênesis expressavam verdades de natureza atemporal. Eram mitos, ensinando verdades espirituais por meio de alegorias.

Em outubro de 1962, o The New Zealand Herald publicou uma declaração do Rev. Dr. Leslie Weatherhead, ex-presidente da Conferência Metodista e ministro do famoso City Temple, em Londres.

No curso de uma declaração à imprensa, o Reverendo Doutor, que também é autor de um livreto intitulado The Case for Reincarnation, disse que “gostaria de percorrer a Bíblia sendo muito livre com um lápis azul”. Em 1963, foi publicado o livro Honest to God, escrito pelo Bispo de Woolwich, Dr. John Robinson.

O Bispo deixa claro em seu livro que, entre outros dogmas, não acredita em Deus como um ser separado e que é agnóstico quanto ao Nascimento Virginal.

Uma Solução para o Problema

A maioria, se não todas, dessas dificuldades desaparece quando se assume que a intenção do autor era menos registrar apenas a história do que também revelar ideias cosmogônicas, solares, planetárias e raciais, e descrever condições e experiências místicas e psicológicas do homem.

O N. Z. Herald, 2-5-50.


Incredibilidades e impossibilidades tanto no Antigo quanto no Novo Testamento são referidas mais adiante neste e nos sucessivos volumes desta obra, e explicações e interpretações de algumas delas são oferecidas.

Uma explicação dada para essas incongruências é que elas não estavam contidas nos escritos originais.

Intérpretes posteriores, editores e tradutores são, por alguns estudiosos bíblicos, considerados responsáveis por várias delas.

A crença na inspiração verbal literal da Bíblia tem sido aplicada, diz-se, a essas versões alteradas e traduzidas, e não aos textos originais.

Embora sem dúvida haja alguma verdade nessa visão, muitas das críticas podem ser enfrentadas com sucesso e a maioria dos problemas resolvidos se uma vez que a existência da linguagem sagrada seja aceita e seu simbolismo seja aplicado na interpretação das escrituras.

Meus próprios estudos me levaram à conclusão de que a interferência deliberada nos textos originais, deleções, interpolações, edições sucessivas e traduções têm, sem dúvida, sido parcialmente responsáveis pela confusão.

Em consequência, as passagens repulsivas, as muitas declarações errôneas de fatos, e a atribuição à Divindade Suprema das características de um fetiche tribal sanguinário, tornam a leitura literal de muitas porções do Antigo Testamento totalmente inaceitável.

No entanto, naqueles livros que carregam a marca da inspiração, em conformidade com o método alegórico de escrita, a declaração de impossibilidades pode ser, conforme se submete, parte de uma cobertura ou véu cuidadosamente construído, um véu de incredibilidade, incongruência, absurdo, inconsequência, fantasia, e até horror.

As palavras anteriormente citadas de Moisés Maimônides, o teólogo e historiador judeu, podem aqui ser utilmente repetidas: "Toda vez que encontrares em nossos livros um conto cuja realidade pareça impossível, uma história que seja repugnante tanto à razão quanto ao senso comum, então fica certo de que o conto contém uma profunda alegoria velando uma verdade misteriosamente profunda; e quanto maior o absurdo da letra, mais profunda a sabedoria do espírito."

O Testemunho das Autoridades Primitivas

A existência de um sentido secreto nas Escrituras é novamente abertamente confessada por Clemente de Alexandria (aproximadamente 150-220 d.C.) quando ele diz que os Mistérios da Fé não devem ser divulgados a todos.

"Mas", diz ele, "visto que esta tradição não é publicada apenas para aquele que percebe a magnificência da palavra, é necessário, portanto, ocultar em um Mistério a sabedoria proferida, que o Filho de Deus ensinou."¹

Não menos explícito é Orígenes com relação à Bíblia e suas fábulas simbólicas.

"Se nos apegarmos à letra", exclama ele, "e devemos entender o que está escrito na lei à maneira dos judeus e do povo comum, então eu me envergonharia de confessar em voz alta que é Deus quem deu estas leis; então as leis dos homens parecem mais excelentes e razoáveis."²

"Que homem de senso", escreve ele, "concordará com a afirmação de que o primeiro, segundo e terceiro dias, nos quais a tarde e a manhã são nomeadas, foram sem sol, lua e estrelas, e o primeiro dia sem um céu? Que homem é tão idiota a ponto de supor que Deus plantou árvores no Paraíso, no Éden, como um agricultor, e plantou ali a árvore da vida, perceptível aos olhos e sentidos, que dava vida àquele que dela comia; e outra árvore que dava àquele que dela comia o conhecimento do bem e do mal? Creio que todo homem deve considerar estas coisas como imagens, sob as quais um sentido oculto está encerrado."³

Quando, além disso, lemos as declarações inequívocas de Paulo de que a história de Abraão e seus dois filhos é "uma alegoria" e que "Agar é o Monte Sinai"⁴ — então, de fato, pouca culpa pode ser atribuída a cristão ou não cristão que se recusa a aceitar certas porções da Bíblia sob qualquer outra luz que não seja a de uma alegoria.

H. P. Blavatsky escreve: "O Rabi Simeão Ben-Jochai, o compilador do Zohar, nunca transmitiu os pontos mais importantes de sua doutrina senão oralmente, e a um número muito limitado de discípulos. Portanto, sem a iniciação final na Mercavah, o estudo da Cabala será sempre incompleto, e a Mercavah só pode ser ensinada 'na escuridão, em um lugar deserto'."

¹ Clemente de Alexandria, Vol. 1, Stromata, Cap. XII, p. 388.
² Ver Homilias 7 sobre Levítico, citado em The Source of Measures, pp. 306-7.
³ Orígenes: Huet, Origeniana, 167; Franck, p. 142.
⁴ Gálatas 4:22-26.

Mercavá ou Mercabá (Heb.) Uma carruagem: Segundo os cabalistas, o Senhor Supremo, após ter estabelecido as Dez Sephiroth, usou-as como uma carruagem ou trono de glória sobre o qual descer até as almas dos homens.

Também uma doutrina oculta, entregue apenas como um mistério oralmente, "face a face e boca a ouvido".


e após muitas e terríveis provações" (a preparação, naqueles dias, dos candidatos à iniciação — Autor). Desde a morte daquele grande iniciado judeu, esta doutrina oculta permaneceu, para o mundo exterior, um segredo inviolável.!

"Entre a venerável seita dos Tanaim, ou antes, dos Tananim, os sábios, havia aqueles que ensinavam os segredos praticamente e iniciavam alguns discípulos no grande e final mistério.

Mas a Mishna Hagiga, 2ª seção, diz que o sumário da Mercavá 'deve ser entregue apenas a anciãos sábios'. A Guemará é ainda mais dogmática.

"Os segredos mais importantes dos Mistérios não eram revelados nem mesmo a todos os sacerdotes.

Somente os iniciados os divulgavam.

E assim encontramos o mesmo grande sigilo prevalecente em toda religião antiga."

"O que diz a própria Cabala? Seus grandes rabinos ameaçam aquele que aceita seus ditos literalmente.

Lemos no Zohar:² 'Ai... do homem que vê na Thorah, i.e., Lei, apenas recitações simples e palavras ordinárias! Porque se em verdade ela contivesse somente isso, nós poderíamos ainda hoje compor uma Thorah muito mais digna de admiração.

Pois se encontrássemos apenas as palavras simples, teríamos apenas de nos dirigir aos legisladores da terra, àqueles em quem mais frequentemente encontramos a maior grandeza.

Seria suficiente imitá-los e fazer uma Thorah segundo suas palavras e exemplo.

Mas não é assim; cada palavra da Thorah contém um significado elevado e um mistério sublime.

... As recitações da Thorah são os vestimentos da Thorah.

Ai daquele que toma esta vestimenta pela própria Thorah.

... Os simples notam apenas os vestimentos ou recitações da Thorah, não conhecem outra coisa, não veem o que está oculto sob o vestimento.

Os homens mais instruídos não prestam atenção ao vestimento, mas ao corpo que ele envolve.'"

Uma Ilustração — A história da maldição da figueira pode ser aqui tomada como

A erudição cabalística moderna não aceita mais a autoria atribuída ao Zohar como sendo de Simeão ben Jochai, atribuindo-a a Moisés de Leão, o famoso cabalista espanhol que escreveu durante o século XIII d.C.; vide: *Grandes Tendências do Misticismo Judaico*, Gershom G. Scholem, Quinta Conferência.

Zohar, Vol. iii, fol. 1526.

Citado de *A Doutrina Secreta*, Edição de Adyar, Vol. V, pp. 67-68.

Mateus 21:19; Marcos 11:21. "E Pedro... disse-lhe... a figueira que amaldiçoaste secou."

PROBLEMAS DA LEITURA LITERAL

Um exemplo de um relato de um evento algo improvável que, quando interpretado como uma alegoria, torna-se não apenas aceitável, mas também uma fonte de iluminação.

Parece não-cristão amaldiçoar a figueira, e ainda mais quando percebemos que o ato foi realizado no início da primavera, antes da Páscoa, quando, estando fora da estação, a árvore não poderia ter tido figos sobre ela. Na verdade, a história pode ser corretamente considerada como autocontraditória, até mesmo absurda.

Nesse próprio absurdo, contudo, diz-se estar tanto uma pista para o significado quanto um incentivo para buscar a sabedoria oculta dentro da suposta narrativa de eventos. As alegorias do mundo são, de fato, menos registros de eventos no tempo e no lugar do que descrições de experiências interiores e enunciações de leis universais.

Simplificando, a lei particular aqui referida é que, se todas as coisas vivas e seres, incluindo raças, nações e homens, não compartilharem os frutos de suas vidas, eles murcharão e morrerão metaforicamente.

Aplicado individualmente, a pessoa que busca ter, manter e acumular para si apenas os frutos de sua vida — suas posses exteriores e sua sabedoria, verdade e poder descobertos — não dando nada aos outros, essa pessoa inevitavelmente descobrirá que sua própria vida, exterior e interior, estagna e atrofia.

O Dar Altruísta Traz Enriquecimento Espiritual

A atenção é assim atraída para uma lei misteriosa — que poderia ser chamada de "a lei do fluxo" — sob a qual aquele que sábia e altruisticamente dá de si mesmo ganha uma vida mais abundante.

A obediência a essa lei traz não perda, mas ganho; não morte, mas vida eterna.

A desobediência a essa lei traz não ganho, mas perda; não vida, mas morte.

Isso tem sido repetidamente demonstrado ao longo da história tanto de nações quanto de indivíduos.

Este princípio é fundamental, pois é a lei pela qual o universo subsiste.

O próprio Logos nutre e sustenta o sistema solar pela perpétua efusão, doação de si mesmo, "autoesvaziamento" (kenosis, gr.) de sua própria vida.

Essa kenosis (a atitude de autoesvaziamento da mente e do modo de vida) é uma palavra-chave na religião cristã.

É aplicada à vida do discípulo por Nosso Senhor em suas palavras: "... aquele que odeia a sua vida neste mundo, conservá-la-á para a vida eterna",¹ e "... se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica só; mas, se morrer, produz muito fruto".² O neófito deve tornar-se "o trigo de Cristo", como disse um místico cristão.

A pobreza do nascimento de Jesus, a rendição a Pilatos, aos judeus e à crucificação, a exposição do sagrado coração, a suportação das chagas abertas e a perfuração da pele são todos símbolos dessa atitude de total abnegação perante a vida.

Tal autoesvaziamento, tal amor inteiramente esquecido de si mesmo e tal morte figurativa são necessários, diz-se, para a obtenção de vida mais abundante.

"Morrer" para o sentido de individualidade separada, superar o egoísmo e a possessividade — isto é viver para a vida eterna. Por mais misteriosa e até contraditória que tal afirmação pareça, é, no entanto, considerada por todos os grandes místicos como uma das maiores verdades já proferidas.

Aparentemente, estamos diante de uma lei estranha.

Para viver a vida mais ampla, à imitação do Grande Exemplar, o Senhor do Amor, devemos morrer para o desejo egoico: devemos nos derramar em sacrifício abnegado e serviço; devemos renunciar ao eu por amor.

O amor universal é o único caminho verdadeiro para a vida eterna, porque envolve o "autoesvaziamento" do eu.

O esquecimento de si mesmo é a base de toda espiritualidade.

Todo esoterista sincero é confrontado com essa verdade e com essa necessidade.

A renúncia parece ser sempre daquilo que mais prezamos.

Aplicadas ao Logos, essas palavras "autoesvaziamento" e "morte" não devem ser tomadas como expressando inteiramente a verdade; pois, naturalmente, o Logos nunca se torna vazio, nem "Ele"² jamais realmente morre.

O Logos é sempre autorrenovado a partir de uma dimensão superior.

Similarmente, o sol, que na filosofia oculta é considerado como seu "coração" físico, não se exaure apesar de sua imensurável efusão, pois ocorre uma afluência proporcional.

Isso também é verdadeiro em todos os caminhos da vida, sejam seculares ou espirituais.

¹ Jo. 12:25.
² Jo. 12:24.

Ao relatar o incidente da figueira seca, o autor do Evangelho segundo São Mateus enunciou este princípio sob a forma de uma história que descreve uma suposta ação do Senhor do Amor que teria causado a cessação da vida de uma árvore. Uma profunda verdade espiritual da maior significação para todo neófito de

Jo. 12:24.

Ver nota de rodapé 2, p. 68. 3 Mat.

23:19.

PROBLEMAS DA LEITURA LITERAL

todas as épocas que busca descobrir a porta estreita e entrar pelo caminho apertado é assim retratada por meio de um mini-drama, uma alegoria que oculta — para prevenir contra a aplicação imprudente da lei às possessões materiais necessárias, por exemplo — a lei da maior importância de que a vida não é perdida, mas cumprida, pela renúncia.

Esta interpretação é apoiada pelo fato de que, após o incidente, Nosso Senhor passou a referir-se à natureza e à amplitude dos tremendo- sos poderes alcançáveis por aqueles que entram no caminho do discipulado e da iniciação, dizendo:

Respondeu Jesus e disse-lhes: Em verdade vos digo que, se tiverdes fé e não duvidardes, não só fareis o que foi feito à figueira, mas também, se disserdes a este monte: Ergue-te e lança-te no mar, isso será feito.

“E tudo o que pedirdes em oração, crendo, recebereis”².

A entrada de Jesus em Jerusalém e a aclamação pela multidão, comemorada pela Igreja como Domingo de Ramos, que imediatamente precedeu o secar da figueira, indicou que um certo avanço espiritual havia sido alcançado, um triunfo do espírito sobre a carne, do poder do Cristo interior sobre a mente, as emoções, a vitalidade e o corpo físico — a quaternidade inferior (o jumentinho dócil) — e a multidão de hábitos, desejos e apetites (a multidão receptiva) inerentes à substância dos corpos físico e superfísico.

Jerusalém é um símbolo do estado de percepção do Ser divino ou Ego no corpo causal, a consciência universalizada de um ser espiritual imortal.

A entrada em Jerusalém retrata a realização — durante a consciência de vigília — do Ser como divino, eterno, indestrutível e universal.

A cidade celestial, a cidade do Deus vivo³ é um símbolo do Augoeides (Gr.), o karana sharira (Sk.), o Manto de Glória dos Gnósticos, no qual o fragmento divino autorradiante, o Mônada-Ego, habita e se manifesta no nível da inteligência abstrata.

A Sabedoria Oculta na Bíblia Sagrada, Pt. VI, Geoffrey Hodson.

Mat. 21:21, 22.

Heb. 12:22.

Todos esses títulos são nomes do mesmo princípio no homem — o veículo do Ego reencarnante nos níveis informes do plano mental.

A SABEDORIA OCULTA NA BÍBLIA SAGRADA — Literal ou Simbólica?

Se for objetado que se está deduzindo demais de um incidente tão simples e tão brevemente descrito como o secar da figueira, pode-se primeiramente responder que uma leitura literal apresenta um atributo inaceitável no caráter do Cristo, que disse: "Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância." Em segundo lugar, em seu significado literal, o incidente introduz um exercício sem sentido e algo repulsivo de poder taumatúrgico, tal como tem sido exibido, por exemplo, pelos medicine men dos povos primitivos e pelos Tohungas dos Maoris.

Embora se admita que o fato de uma ideia ser preferível a outra não seja prova de sua veracidade, a evidência cumulativa obtida por interpretações semelhantes de um número muito grande de histórias bíblicas é tão forte que equivale a prova.

Quando a isso se acrescenta a intenção declarada dos escritores antigos, e a ordem fortemente expressa do Cristo, de ocultar dos profanos, e ainda assim revelar aos dignos, o conhecimento que confere poder e os mistérios do reino (pérolas) que poderiam ser perigosos em mãos erradas (porcos), então o caso pela existência e uso da linguagem sagrada pareceria inatacável.

Jo. 10:10. ² Ver Notas de Aula: a Escola da Sabedoria, Vol. 2, Cap. IX, Geoffrey Hodson.

Mc. 4:11. ⁴ Mt. 7:6.

CAPÍTULO IV

EXEMPLOS DA INTERPRETAÇÃO DE ALEGORIAS

Os tempos mudam e parte do esoterismo de uma era torna-se o exoterismo de sua sucessora.

O sistema heliocêntrico, a estrutura eletro-atômica da matéria, a transmutação da energia elétrica em calor, luz e outras radiações, a fabricação de explosivos, a medicina psicossomática e demonstrações dos poderes humanos de percepção extra-sensorial — este conhecimento cuidadosamente oculto das escolas de mistérios de outrora tornou-se agora bem conhecido.

As camadas superiores, pelo menos, das alegorias e mitos das escrituras antigas foram agora descobertas.

Camadas mais profundas ainda permanecem e estas, por sua vez, serão reveladas à medida que a humanidade evolui e as chaves de interpretação continuam a ser descobertas e empregadas.

A Semente É a Palavra de Deus

Uma dessas chaves foi dada por Nosso Senhor aos seus discípulos.

Sua explicação da parábola do semeador mostra que a semente era um símbolo do Verbo de Deus, e as diferentes condições do solo — pedregoso, espinhoso e fértil — descreviam estados da mente e do cérebro humanos em diferentes fases do desenvolvimento evolutivo.

A publicação de 'A Doutrina Secreta' revelou outras chaves, conferiu uma riqueza de conhecimento à humanidade e iniciou um novo ciclo de pesquisa oculta.

**Comendo a Carne e Bebendo o Sangue**

Um exemplo do uso vívido da linguagem simbólica encontra-se nas palavras de Jesus: "Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes

! H. P. Blavatsky.


a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós.

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna..."¹ É claro que Nosso Senhor deve estar aqui usando as palavras "carne", "sangue", "comer" e "beber" em um sentido metafórico.

Uma interpretação simplificada desta passagem, aqui oferecida antes das exposições mais completas e detalhadas que se seguirão,² é que a carne de Cristo representa o conhecimento espiritual.

Quando o intelecto humano absorveu e foi iluminado pela verdade divina e é inspirado pela revelação interior, essa experiência é simbolicamente descrita como a ingestão da carne da Divindade.

O sangue de Deus, ou de Cristo, é a Vida Divina sempre derramada pela qual o universo é sustentado, sem a qual ele não pode viver.

Quando um homem espiritualmente iluminado, tendo se tornado consciente dessa Vida Universal em todos os seres, identifica-se conscientemente com ela, diz-se, na linguagem simbólica, que ele bebe do sangue de Deus, ou de Cristo.

Uma experiência mento-espiritual enriquecedora é descrita em termos de nutrição física.

De fato, como disse Nosso Senhor, essas duas realizações trazem a realização da imortalidade ou a entrada na vida eterna.

**Aquieta-te, Acalma-te**

A história do acalmar da tempestade³ é outro exemplo de uma alegoria inspirada.

Numa interpretação humana e psicológica, o navio pode ser considerado um símbolo do corpo do homem, que conduz a Alma, com seus vários atributos, sobre as águas da vida.

Os discípulos são considerados personificações de qualidades e tendências humanas, tais como: a impulsividade de Pedro; a simplicidade de Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram pescadores; as capacidades comerciais de Mateus; e o amor profundo e fiel de João, o único discípulo que esteve presente tanto no tribunal quanto ao pé da cruz.

Judas, que traiu seu Mestre, também está presente em cada um de nós como a tendência a rebaixar, e até mesmo trair, nossos princípios mais elevados por ganho material.

Felizmente, a presença divina também existe em cada um de nós, mesmo que adormecida por um tempo, assim como Nosso Senhor dormia quando a viagem começou.

Uma grande tempestade

Jo. 6:53-54.

Vide: Parte Dois, Cap. II. 3 Mc. 4:36-41.

INTERPRETAÇÃO DAS ALEGORIAS 41

surgiu, porém, e em sua ansiedade os discípulos despertaram o passageiro adormecido, o Senhor Cristo.

Ele, em sua majestade e poder, acalmou com uma palavra a fúria da tempestade.

Interpretando e aplicando esta história às tempestades da vida humana (especialmente das emoções, como é indicado ao situar o incidente sobre as águas), quando assaltados pela tentação, impelidos pelo desejo ou desejando erradicar um hábito indesejado, somos aconselhados a retirar nossos pensamentos da dificuldade, concentrar poderosamente nossa atenção em nossa natureza divina e, com exclusão de todo outro pensamento, afirmar seu poder irresistível.

Então a escuridão do estado de espírito indesejável desaparecerá na grande luz que brilha do Deus interior.

Simbolicamente, o Cristo despertado acalmará a tempestade.

Assim, em sua aplicação puramente humana, a história nos mostra que, quando somos ameaçados pelas tempestades da vida, pelas rajadas de paixão, ira e ódio e pelos anseios do desejo sensual, que ameaçam o sucesso e até mesmo a segurança de nossas vidas, devemos despertar o poder divino adormecido dentro de nós e invocar seu auxílio. Assim exaltados e fortalecidos, nos encontraremos capazes de dizer aos aspectos tempestuosos da natureza humana com certeza de obediência — "Paz, aquieta-te". A importância das provações e tensões da vida também é indicada nesta história maravilhosa; pois se não fosse pela tempestade na Galileia, o Cristo talvez não tivesse sido despertado.

Assim também, as lutas e tempestades de nossas vidas.

Estas podem se revelar o meio de despertar nossos poderes superiores, mais espirituais.

Os Milagres de Cura

A história da mulher curada após doze anos de doença incurável¹ também é passível de interpretação simbólica, como o são todos os relatos de cura milagrosa pelo Cristo.

Uma fé profunda despertou nesta mulher, de modo que ela partiu para encontrar o grande mestre e curador que estava em sua terra.

Apesar de sua fraqueza, ela o encontrou, mas não conseguiu se aproximar por causa da multidão de pessoas no caminho.

Sua fé era grande, porém; ela estendeu a mão e tocou, não a sua pessoa, mas a orla do seu manto, e imediatamente ficou sã.

Mt. 9:20-22, Mc. 5:25-34, Lc. 8:43-48.

A SABEDORIA OCULTA NA BÍBLIA SAGRADA — “Todo Aquele Que É da Verdade Ouve a Minha Voz”?

O Cristo, sem dúvida, possuía e exercia conhecimento e poder superiores que lhe permitiam realizar aparentes milagres.

A historicidade dos relatos deles não está aqui em questão.

O método narrativo sugere, no entanto, que aplicações universais dos eventos também estão sendo reveladas; pois todos os que são espiritualmente imperfeitos, e portanto "doentes", tornar-se-ão sãos se apenas buscarem interiormente e ali descobrirem o princípio divino, a presença do Cristo, o "Cristo em vós" a que se refere o apóstolo Paulo? A multidão no caminho simboliza todos os atributos não-cristicos da humanidade; impureza, crueldade, falta de bondade, egoísmo e autocomplacências que se interpõem entre nós e nossa natureza mais elevada.

Eventualmente estes devem desaparecer, mas enquanto isso, se, cheios de fé, elevamo-nos com nosso pensamento e oração aspirantes, podemos tocar a franja da consciência divina dentro de nós, como simbolizada pela orla do seu manto.

Aqueles que passaram por essa experiência saberão que, uma vez encontrada e adentrada a consciência do Eu divino interior, torrentes de inspiração e graça curativa descem sobre tanto a Alma quanto o corpo.

De fato, daí em diante, imediatamente se está são.

Feridas Místicas

No sentido iniciático, doença, sofrimento, limitações e feridas referem-se todos à saúde mística enferma inseparável da transformação de um homem em super-homem e de um iniciado em Adepto.

O apóstolo Paulo teve assim seu espinho na carne; dizia-se que sofria de epilepsia.

São Francisco de Assis, Santa Catarina de Sena e Santa Teresa de Ávila todos testemunharam o recebimento de feridas interiores, sofrimentos místicos suportados além de suas doenças físicas.

Todas essas feridas referem-se em parte ao rompimento forçado e à dissolução da ilusão da separatividade do eu, e à transcendência das limitações da matéria e dos veículos materiais.

Graça Curativa Interior

A "cura" para toda ferida é, como um antigo texto médico inglês

Jo. 18:37. 2 Cl.

1:27.

INTERPRETAÇÃO DE ALEGORIAS

A máxima diz: “dentro da ferida”. Consiste no princípio de Cristo, poder e vida que formam o segundo aspecto da tríplice Alma Espiritual de cada homem; pois cada alma é uma reprodução da Alma Universal, a Divindade Trina, a Santíssima Trindade.

Quando essa cura redentora, esse poder crístico, é despertado para a atividade e o homem exterior se torna consciente desse poder e a ele se rende, então, como que por um milagre, ocorre uma transformação mística.

Integração, totalidade, perfeição relativa são alcançadas.

Misticamente, o Mestre interno atrai o discípulo para união consigo mesmo.

Esse processo é auxiliado pelo Mestre externo, que aumenta o idealismo, o poder e a aspiração do homem exterior, de modo que ele se torne responsivo ao Mestre, o Cristo, interno.

Chicote, Pregos, Espinhos e Lança

As armas pelas quais as feridas são feitas simbolizam os perigos através dos quais o conhecimento dos mistérios pode ser abordado, e pelos quais esses mistérios são guardados.

A coroa de espinhos retrata a verdadeira realeza do espírito e indica que a soberania só é alcançada pelo sofrimento.

Os espinhos, no entanto, simbolizam a possibilidade, que é quase uma certeza, de que o sofrimento resultará do uso errôneo dos atributos separativos e analíticos da mente formal, especialmente nos estágios iniciais de seu desenvolvimento.

Essas características mentais inevitavelmente causam dor e tristeza (as picadas dos espinhos), e como a cabeça é o centro físico da vida mental, os espinhos são colocados sobre ela como uma coroa.

Antes da perfeição, os dois aspectos da mente no homem — o superior e o inferior (os dois ladrões crucificados com Cristo) — lutam continuamente pelo domínio, e as dores e feridas desse conflito místico também são simbolizadas pelos espinhos, o chicote, os pregos, a lança e a dor que produzem.

O verdadeiro significado da coroa de espinhos é sempre impercebido, de fato irreconhecível, pelos homens não iluminados (a multidão que exige e assiste à Crucificação). Por eles é considerada uma coroa de espinhos, uma zombaria da realeza, pois apenas o sofrimento é visto, não o triunfo e a coroação mística.

A mulher doente que encontra o Cristo.

A SABEDORIA OCULTA NA BÍBLIA SAGRADA
A Rosa e a Cruz

Em um aspecto, a rosa aberta sobre a cruz, no simbolismo rosacruciano, também representa o homem aperfeiçoado.

A rosa é um símbolo do Eu Superior, do homem aperfeiçoado em seu corpo de luz, do qual fluem para o mundo amor universal, sabedoria e bênção, representados tanto pelo perfume especial da flor quanto pela água e pelo sangue que fluem das chagas do Cristo crucificado.

A cruz é geralmente interpretada como o símbolo do autossacrifício, da imortalidade e da santidade.

Esotericamente, porém, a cruz descreve todo o mistério da criação.

O espírito criativo como a potência criativa positiva, masculina, o Grande Sopro ou "Verbo" (o braço vertical), desce e penetra na matéria como Espaço, a potência criativa feminina, o Grande Abismo (o braço horizontal). O ponto de intersecção é o centro crítico no qual ocorre o processo de criação e do qual surge o produto, o cosmos manifestado.

Nesse sentido, a rosa sobre a cruz simboliza o universo recém-formado.

A descida do espírito na matéria (o vertical no braço horizontal da cruz), e a subsequente obtenção da vida autoconsciente e perfeita (a rosa), também sugere os processos de involução e evolução, de saída e retorno, retratados na parábola do Filho Pródigo.

O Homem Cruciforme

O próprio homem é perfeitamente simbolizado pela cruz, o braço vertical representando o espírito nele e o horizontal a matéria penetrada, impregnada e sustentada pelo primeiro.

O corpo físico do homem é cruciforme em vários aspectos.

A coluna vertebral, por exemplo, é um suporte vertical do qual, em ângulos retos, as costelas se estendem horizontalmente.

A medula espinhal é o principal "cabo" eletromagnético do corpo, e dela, em ângulos retos e horizontalmente, um grande número de nervos aferentes e eferentes conduz o fluido nervoso e os impulsos nervosos por todo o corpo.

Com os braços estendidos em amor e sacrifício, todo o corpo do homem forma uma cruz perfeita.

Parte Quatro deste Volume.

A costela é horizontal à espinha e, assim, Eva, a potência criativa feminina, é formada da costela de Adão.

INTERPRETAÇÃO DAS ALEGORIAS

Ele só assume essa postura, porém, quando, como a rosa, seu coração está aberto em amor e compaixão pelo mundo.

Assim, a rosa sobre a cruz é tanto um símbolo belo e dinâmico quanto um ideal a que se aspirar, apesar dos inevitáveis espinhos.

Sobre o Monte

O monte é frequentemente usado como símbolo de estados elevados de consciência.

Muitos dos grandes eventos registrados na Bíblia ocorreram no topo de montanhas.

Elias, por exemplo, necessitava do conselho do Senhor, e uma voz disse: "Sai e põe-te sobre o monte diante do Senhor."¹ Isto é interpretado como uma exortação para elevar o centro da consciência humana do físico para a natureza espiritual interior do homem.

**Terremoto, Vento e Fogo**

Na história de Elias, a iluminação foi precedida por um terremoto, vento impetuoso e fogo.

O terremoto é um símbolo do estado puramente físico da consciência e da instabilidade e impermanência do mundo físico, também simbolizado pela areia sobre a qual uma casa não deve ser construída.

O vento impetuoso refere-se ao estado perturbado das emoções, enquanto o fogo, em um de seus significados, representa a atividade inquieta e disruptiva da mente crítica, analítica e orgulhosa.

O Senhor não estava em nenhum desses três fenômenos; mas, depois que eles passaram, uma grande paz desceu sobre Elias.

Sua Alma estava imersa em silêncio e, nessa quietude, "a voz do silêncio", a "voz mansa e delicada" de Deus, foi ouvida.

A história pode agora ser vista como um manual de meditação, uma descrição dos meios pelos quais a auto-iluminação pode ser obtida.

O centro da autoconsciência deve ser dissociado do corpo físico (terremoto), do corpo emocional (vento impetuoso), da mente (fogo), e estabelecido naqueles níveis ainda mais elevados onde o Eu Espiritual do homem habita perpetuamente.

A partir de então, uma grande quietude desce sobre o devoto, e nesse profundo silêncio de coração e mente, a autoidentificação é alcançada com o Deus-Eu, o Cristo interior.

A partir de então, a iluminação, a compreensão, o conhecimento são comunicados à mente e ao cérebro do homem exterior.

¹ Reis 19:11.

**A SABEDORIA OCULTA NA BÍBLIA SAGRADA**

Neste capítulo preliminar, interpretações isoladas, aplicando-se apenas à experiência psicoespiritual humana, são dadas como ilustrações do tema deste livro.

Outras chaves de interpretação, macrocósmicas e microcósmicas, são descritas, e os resultados de sua aplicação são oferecidos em capítulos posteriores deste volume, e também naqueles volumes em que certos livros da Bíblia são interpretados versículo por versículo.

O incidente de Elias e a "voz mansa e delicada" será, por exemplo, plenamente considerado no volume que trata do Primeiro Livro dos Reis.

O Logos da Alma

Como foi dito em outra parte, um dos vários métodos possíveis de interpretação é aquele em que cada história é considerada como descritiva de uma experiência interior, subjetiva, como se tudo tivesse acontecido dentro da Alma de cada homem.

O Apóstolo Paulo evidentemente adotou esse ponto de vista.

Para ele, o nascimento de Cristo, por exemplo, era uma condição da Alma do homem, pois ele disse: "... de novo sinto as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós." Até mesmo a presença física na terra do Cristo histórico, a quem Paulo nunca conheceu, é por ele considerada como uma experiência mística, e não uma visitação externa.

O Cristo interior, e não o histórico, era aparentemente de maior importância para Paulo, que disse: "... Cristo em vós, a esperança da glória" e "... operai a vossa salvação com temor e tremor.

Porque Deus é o que opera em vós.

. . ."°

O místico alemão da Idade Média, Scheler,¹ que escreveu como Angelus Silesius, expressou nas seguintes palavras a necessidade de traduzir em experiência interior certos episódios da vida de Cristo:

"Ainda que Cristo mil vezes em Belém nasça
E não dentro de ti, tua alma estará perdida.

O Calvário olhas em vão
A menos que, dentro de ti, seja erguido de novo."

Gál. 4:19.

Col. 1:27.

Fil. 2:12, 13.

Scheler (1624-1677) de Breslau, Silésia, Alemanha.

Estudou medicina em Estrasburgo (1643) e em Leyden (1644-46); contatou Jacob Boehme em Pádua, Itália (1649-52); tornou-se monge e padre franciscano (1661); morreu no mosteiro de São Matias, Breslau (9 de julho de 1677). Livros: Cherubinischer Wandersmann (1657) e Geistliche Hirtenlieder.

INTERPRETAÇÃO DAS ALEGORIAS

Aqui reside o coração da verdadeira religião, que é menos teologia, credo, fé cega e observâncias externas do que profunda experiência interior.

Os autores inspirados de muitas narrativas bíblicas estavam bem cientes desse fato e haviam eles próprios alcançado profunda iluminação mística.

Sabiam que a realização da presença e atividade do Deus dentro da Alma de cada homem conferia poderes espirituais, intelectuais e ocultos que poderiam, na verdade, ser gravemente mal utilizados.

Danos sérios poderiam ser causados, tanto àqueles que prematuramente descobrissem esses poderes interiores quanto a todos os outros que entrassem no raio de sua influência — daí a salvaguarda da linguagem simbólica.

CAPÍTULO V
O SOL SE DETÉM SOBRE GIBEÃO

O Sol Invisível Dentro do Homem

O estudante da religião da sabedoria é confrontado com a afirmação de que todo o universo, físico e metafísico, é reproduzido ou registrado no homem e em seus veículos físicos e superfísicos de autoexpressão: que sol, planetas, satélites, seus regentes, poderes, seres, reinos da natureza e ordens de vida estão todos representados por um sistema de ressonâncias mútuas em cada ser humano.

O homem é, de fato, descrito como um epítome de todo o universo, uma reprodução em miniatura de toda a natureza, visível e invisível.

Este conceito fundamental era conhecido pelos filósofos antigos como a teoria do macrocosmo, ou "Grande Mundo", e do microcosmo, ou "pequeno mundo". No reflexo do macrocosmo (Deus e o universo) no microcosmo (o homem) dizia-se residir a chave para todo o conhecimento; pois através da parte o todo pode ser percebido: através do conhecimento do indivíduo o universal pode ser compreendido.

Daí as palavras gravadas sobre as portas dos templos de mistérios da antiguidade: "Homem, conhece-te a ti mesmo."

"O homem", diz a Sabedoria Antiga, "é aquele ser no qual o mais alto Espírito e a mais baixa matéria são unidos pelo intelecto." O homem é um epítome do cosmos, um microcosmo no qual o macrocosmo existe potencialmente.

Se, como foi ensinado e acreditado nas escolas antigas, toda a Natureza existe potencialmente no homem, então uma pista pode ser descoberta para um significado místico das palavras do título deste capítulo.

Introdução, Poder Oculto na Natureza e no Homem, Geoffrey Hodson.

O SOL PERMANECE IMÓVEL

A referência pode não ser ao sol físico externo de forma alguma, mas a um poder solar e uma luz que habitam interiormente tanto na natureza quanto no homem.

"A vida é uma chama pura", diz Sir Thomas Browne, o místico inglês, "e somos iluminados por um sol invisível dentro de nós."

No capítulo sessenta do Livro de Isaías, que se lê como uma exortação a um iniciado, há também uma sugestão de que, em certo estágio da evolução, uma fonte de luz semelhante ao sol é revelada ou declarada dentro do indivíduo espiritualmente despertado.

Ele descobre uma luz interior e, a partir de então, não está mais mental e espiritualmente sujeito às alternâncias da noite e do dia. O sol dentro dele torna-se sua luz para sempre.

O capítulo começa com as palavras: "Levanta-te, resplandece, porque vem a tua luz, e a glória do Senhor nasce sobre ti." Versículos posteriores leem:

"Não mais te servirá o sol para luz do dia, nem com o seu resplendor a lua te iluminará; mas o Senhor será a tua luz perpétua, e o teu Deus, a tua glória."

“O teu sol não mais se porá; nem a tua lua se retirará: porque o Senhor será a tua luz perpétua, e os dias do teu luto findarão.”

Há aqui evidência de que nem o sol físico nem a lua física são referidos. É aparente que alguma outra fonte não física de iluminação é indicada.

Uma referência adicional e interessante da Bíblia, que apoia este conceito do sol, está contida na história de Josué e seu poder de fazer o sol e a lua pararem.

Josué havia partido de Gilgal para socorrer a cidade sitiada de Gibeão, em resposta a um chamado de seus cidadãos.

Após a vitória, um evento extraordinário, para não dizer impossível, teria ocorrido:

"Então Josué falou ao Senhor no dia em que o Senhor entregou os amorreus diante dos filhos de Israel, e disse à vista de Israel: Sol, detém-te sobre Gibeão; e tu, Lua, no vale de Ajalom." "E o sol se deteve, e a lua parou, até que o povo se vingou de seus inimigos.


Não está isto escrito no Livro de Jasar? Assim, o sol parou no meio do céu, e não se apressou a se pôr por quase um dia inteiro.

E não houve dia semelhante a este, nem antes nem depois, em que o Senhor atendeu à voz de um homem: pois o Senhor lutou por Israel."

Aqui, novamente, parece claro que a referência não é nem ao sol físico nem à lua física; pois se os versículos forem tomados literalmente, o conhecimento astronômico dos autores se mostra seriamente falho.

Como dito anteriormente, é a Terra que se move, não o sol, e se a rotação da Terra fosse subitamente detida, ela provavelmente se desintegraria.

Além disso, se o sol tivesse permanecido no meio dos céus, não haveria nem necessidade nem valor em uma parada semelhante do movimento da lua.

Josué Faz o Sol Parar

O que, então, está misticamente implícito na ação de Josué em manter o sol "no meio do céu"? Qual é o significado da afirmação, feita tanto no relato deste incidente quanto em certos rituais de iniciação, de que o sol pode ser mantido imóvel em seu meridiano? Na filosofia oculta, o sol dentro do homem é seu mais elevado Eu Espiritual, a Mônada, centro e fonte nele daquele fogo e luz divinos dos quais, em sua essência, tanto o macrocosmo quanto o microcosmo são constituídos.

A lua, por outro lado, é usada como símbolo do homem mortal, que deriva sua luz do Eu Espiritual ou sol interior, e com variados graus de perfeição e em diferentes fases reflete essa luz solar.

O sol e a lua podem, portanto, ser considerados como representando os aspectos imortal e mortal da natureza humana, o espírito e a carne do homem.

Se alguém aceita essa interpretação, Josué se revela como um homem altamente desenvolvido, um iniciado dos grandes mistérios ou talvez da escola dos profetas, que, antes de poder passar para a próxima fase de seu desdobramento, deve ter colocado os aspectos mais elevados (sol)

Josué 10:12-14.

O SOL PARA

e os mais baixos (lua) de sua natureza sob seu controle e os colocado em relação harmoniosa.

Em sua vida exterior, ele também deve ter adquirido o poder de manter o sol espiritual dentro de si sempre em seu meridiano, ou posição de máximo poder.

Em termos de vida física e conduta, isso pode ser considerado como implicando a conquista do poder de governar todas as atividades exteriores pela vontade espiritual e de acordo com as leis espirituais.

Como esse poder é perigoso, o caminho para sua conquista é ocultado, mesmo quando revelado, sob um véu de simbolismo e, de fato, de absurdo.

Em termos dos sete princípios do homem, Josué representa a mente.

Até certo estágio de desdobramento, a mente aprisiona, distorce e, em consequência, frequentemente perde a luz do sol interior, o Eu divino dentro.

Intelectualmente, o homem está sujeito à noite e ao dia, ou a períodos alternados de luz e escuridão espiritual e intelectual.

Quando, porém, simbolicamente a batalha de Gibeão foi travada com sucesso, como por Josué, então a vitória foi alcançada pela mente sobre ambos, sol e lua, e o domínio foi obtido sobre o poder e a luz espiritual interior e sobre sua expressão material.

A Mística Batalha de Gibeão

A descrição da batalha de Gibeão, como muitas outras nas escrituras mundiais, pode ser assim considerada como uma alegoria do Armagedom universal e perpétuo, para o qual toda a natureza, e assim o próprio homem, é o campo.

É o conflito universal e individual entre espírito e matéria, vida e forma, consciência e veículo de expressão.

Josué personifica o homem em quem essa batalha foi vencida, assim como Gibeão foi vencida, com o auxílio do Senhor, o divino no homem.

A vitória foi alcançada porque as forças tanto do sol quanto da lua, ou suas naturezas espiritual e material, estavam sob seu controle.

Ele próprio colocara seu sol em seu meridiano, ou posição de máximo poder.

Nunca mais o quaternário inferior, a velha personalidade, poderia obscurecer os raios do sol espiritual tríplice, o Eu divino interior.

A paz após o conflito pode ser tomada como referência àquela quietude da mente na qual somente os raios diretos do sol espiritual podem brilhar sobre a personalidade mortal e iluminá-la. Assim, a

Vide: pp. 62-65.


astronomicamente absurda imobilidade tanto do sol quanto da lua pode fornecer uma pista importante e até mesmo deliberada para o significado interno da alegoria, bem como um guia valioso para a obtenção da autoiluminação.

Por um esforço de vontade e pensamento, o Eu Espiritual, a mente e a consciência corporal podem ser colocados em perfeito alinhamento "vertical" e ali mantidos, sempre "no prumo".

A Sabedoria Antiga como Sol

A quietude da mente sempre foi reconhecida como essencial para a autoiluminação.

Elias ouviu a voz divina não no terremoto, no vento ou no fogo, mas no silêncio que se seguiu após eles terem passado.

O Salmista enuncia esta lei nas palavras: "Sêde quietos e sabei que eu sou Deus..."?

A própria Sabedoria Antiga é também considerada por muitos como a fonte tanto do corpo de ideias comum às fés mundiais quanto da luz espiritual recebida pelo homem; pois assim como o sol físico traz luz e vida às formas em evolução da natureza, também a Sabedoria Antiga é como um sol que traz iluminação às mentes em desdobramento dos homens.

Idealmente, a religião ortodoxa deveria desempenhar as duas importantes funções de revelar à humanidade esta luz da Sabedoria Antiga e fornecer os meios pelos quais essa luz alcança diretamente o cérebro-mente do homem.

Isto os maiores mistérios têm feito, pois quando uma pessoa é admitida em uma ordem oculta válida, ela recebe essa luz.

Além disso, o ato de consagração e o treinamento que o precede e o segue ajudam a abrir sua consciência aos seus raios.

Iniciações sucessivas são reconhecimentos de ascensões sucessivas a estados superiores de consciência.

Cada ascensão tanto aproxima o iniciado da Fonte, o sol espiritual, quanto, pela estimulação dos órgãos sensoriais físicos e superfísicos apropriados, aumenta sua capacidade de perceber sua luz.

Simbolicamente, o sol é primeiramente colocado em seu meridiano, ou lugar de máximo poder, e daí em diante é mantido nessa posição.

Simbolicamente também, para o iniciado bem-sucedido — personificado por Josué — o sol permanece imóvel.

O Fogo Solar

Uma condição da descida do fogo solar do sol espiritual, através da Mônada ou sol microcósmico humano, através do

Vertical.

Sl. 46:10.

O SOL PERMANECE IMÓVEL

intelecto e para o cérebro, é uma ascensão complementar do centro do planeta do fogo, às vezes referido como lunar, residente ali.

No homem ocultamente treinado e desenvolvido, essa força flui para cima até a medula espinhal, para ser concentrada em um centro de força na base da espinha.

Então, quando totalmente despertado, esse fogo sobe em movimento serpentino! dentro da medula espinhal até o meio da cabeça, o santuário ou "Oriente" no templo do corpo.

Essa energia extremamente oculta, potente, que confere poder e "perigosa" é universalmente simbolizada por dragões e serpentes em várias formas, em um de seus significados ocultos.

A arte religiosa egípcia retrata porções de cerimônias de iniciação, e na maioria das esculturas, relíquias, murais e papiros, os candidatos usam um avental triangular.

Esse símbolo também tem muitos significados.

Em um deles, representa a ação protetora da vontade, que impede que esse poder flua para frente e através dos órgãos criativos físicos e o direciona para cima, ao longo da medula espinhal, até a cabeça.

Ali, ele é encontrado e unido ao fogo solar descendente.

Tal união é às vezes simbolizada pelo casamento, e até por uniões ilícitas.

Esse fluxo e união dos dois fogos abre a porta no topo da cabeça (rola a pedra do sepulcro), e a consciência do iniciado é, a partir de então, imortal, livre (ressuscitada) da tendência separatista da mente e da mortalidade do corpo, das quais ambos agora ele se elevou.

Os genuínos segredos dos mistérios então descobertos consistem menos em exposições de atos, de conceitos intelectuais sobre a vida, do que em experiência direta e viva da divindade e universalidade da vida e seu modo de manifestação.

O resultado é sempre um segredo, e sempre incomunicável àqueles que não entraram na experiência.

O Cume da Montanha e a Consciência Solar

As tábuas da lei não foram tanto deliberadamente quebradas por Moisés, mas pela operação de certas leis da natureza reveladas na alegoria.

Somente no cume da montanha — símbolo da consciência superior, da exaltação espiritual — pode-se obter iluminação.

Um de seus nomes é "fogo serpentino"; vide: pp. 64, 82, e Parte Três, Cap. I, ref. "Serpentes".


O poder, a sabedoria e o conhecimento resultantes são sempre maculados, se não perdidos, à medida que a consciência desce a níveis inferiores.

Segundo a alegoria bíblica, as tábuas da lei são quebradas, ou a luz espiritual é obscurecida para aqueles que ainda permanecem no vale da consciência exclusivamente mundana, adorando o bezerro de ouro do materialismo e do poder material.

Para tais homens, os segredos substituídos, na forma de alegorias, parábolas e símbolos, e a teologia, os credos e as observâncias da religião exotérica, serão sempre necessários e, de fato, tudo o que lhes está disponível.

Os verdadeiros segredos só podem ser conhecidos por aquele que ascende regularmente, pela prática da meditação, ao estado iluminado de seu próprio Eu-Solar, e através deste ao Eu-Solar do universo.

Ao manter-se nessa condição, ele simbolicamente faz o sol parar.

O propósito interno da religião é, assim, elevar seus seguidores ao cume da montanha da plena consciência espiritual.

Ali, como retratado pela história de Elias e da "voz mansa e delicada", a comunhão com Deus, o princípio divino interior, é alcançável.

No cume da montanha, Moisés percebeu internamente, em vez de receber externamente, as leis da existência e sua aplicação à conduta humana.

No monte, Cristo pregou seu maior sermão e foi transfigurado. Assim também todo aspirante à luz deve simbolicamente ascender e, doravante, permanecer no monte, elevado mentalmente em direção ao sol interior do homem.

O Sol Onipresente

Assim como nas muitas alegorias solares das escrituras e do mito o sol físico é usado como símbolo tanto do sol espiritual onipresente e onipervasivo quanto de sua consequente presença no homem, também esse luminar pode ser usado na meditação como um portal que conduz à iluminação espiritual.

Quando bem-sucedida, a meditação no orbe ígneo conduz o aspirante ao seu coração, no qual os aspectos de fogo e força do sistema solar começam a ser percebidos.

Desse ponto de vista, o universo é todo sol.

O globo de fogo desaparece, dando lugar ao poder-solar, à vida-solar e ao fogo-solar onipervasivos.

"A vida é uma chama pura, e somos iluminados por um sol invisível dentro de nós." Sir Thomas Browne.

1 Reis 19:12.

Mat. Caps. 5, 6 e 7.

Mat. 17:1 e 2.

O SOL PERMANECE IMÓVEL

Esta é a triplicidade universal, a Trindade, refletida microcosmicamente no homem como seu Self Espiritual tríplice.

Na exaltação da consciência solar, todos os seres são reconhecidos como parte do sol.

O devoto conhece a si mesmo como uma manifestação do fogo solar universal e da força solar.

Para ele, assim exaltado, todos os objetos brilham e resplandecem com o fogo solar que habita em cada átomo e em cada célula.

A própria terra está iluminada com um brilho ígneo.

A vestimenta sutil da Alma do devoto brilha elevada.

Sua consciência está em chamas com a luz solar e o fogo solar.

Em êxtase, ele se conhece como uno com o sol, não em dualidade, mas em unidade e identidade.

O sistema solar é conhecido como um único sol, dentro do qual o pensamento de dualidade não pode surgir.

A solaridade torna-se a totalidade da existência.

O sol é tudo: tudo é o sol.

O aspirante a iniciado deve comandar este sol espiritual dentro de si, seu próprio Eu, para que permaneça imóvel.

Este sol ele deve manter em seu máximo poder, ou na perfeita relação com sua própria vida e consciência, indicada nas frases "em seu meridiano" e "no meio do céu". Uma referência simbólica semelhante ao sol ocorre na passagem de Isaías, capítulo sessenta, versículos dezenove e vinte, citada anteriormente neste capítulo.

CAPÍTULO VI — A SABEDORIA ETERNA

Fontes Antigas de Conhecimento — DE ONDE veio o conhecimento que é assim revelado e ao mesmo tempo oculto sob o véu da alegoria e do símbolo nas escrituras do mundo? Através dos tempos, houve homens e mulheres aspirantes que buscaram solucionar os mistérios da vida e da morte.

Houve também homens e mulheres iluminados que, tendo solucionado esses mistérios, entregaram suas soluções a certos discípulos cuidadosamente selecionados. Esses discípulos, por sua vez, entregaram uma porção desse conhecimento ao mundo. No Oriente, é chamado de Brahma Vidya, a Sabedoria de Brahma, a Divindade Suprema.

Filósofos gregos das Escolas Neoplatônicas, notavelmente Amônio Sacas e seus discípulos, referiram-se a esse conhecimento como Theosophia, Sabedoria Divina.

Também era conhecido como "gnose", significando conhecimento espiritual diretamente percebido, e aqueles que haviam entrado na experiência de primeira mão dele eram conhecidos como Gnósticos ou Conhecedores.

Em inglês, é denominado de várias formas: Teosofia, a Sabedoria Antiga, a Sabedoria Eterna e a Religião da Sabedoria do planeta Terra.

Certos ensinamentos que conferem poder, repete-se aqui, eram considerados potencialmente perigosos e, portanto, foram ou

O Senhor Cristo seguiu esta prática, dizendo a Seus discípulos: ... "A vós vos é dado conhecer o mistério do reino de Deus; mas aos que estão de fora, todas estas coisas se lhes dizem por parábolas." (Mc. 4:11).

? "Mas falamos a sabedoria de Deus em mistério, a sabedoria oculta, que Deus ordenou antes do mundo para nossa glória." (1 Cor. 2:7).

Neoplatonismo e Alquimia, pelo Professor Alex. Wilder, M.D. A SABEDORIA IMEMORIAL

mantida ou velada.

Como o conhecimento geral avançou desde então, alguns desses ensinamentos tornaram-se conhecimento público. No entanto, a experiência direta deles permanece ainda um segredo interior, um esoterismo, que pode ser pessoalmente realizado, mas nunca plenamente transmitido a outros.

O caminho para tal conhecimento é também tanto revelado quanto oculto nas escrituras e mitologias da humanidade.

Este "caminho estreito" tem, desde o período mais remoto da ocupação da Terra pelo homem, sido seguido por um pequeno número de seres humanos espiritualmente despertos.

A orientação concernente a este caminho espiritual de vida, e as descrições das experiências pelas quais a alma passa e das provas, provações e triunfos do neófito, correm como um fio de prata através da tapeçaria tecida pelos autores inspirados das escrituras e mitologias dos povos antigos.

Em uma interpretação delas — a iniciática — as grandes figuras, heróis, profetas, apóstolos, salvadores e seus adversários representam seguidores do caminho antigo em vários estágios de realização ou fracasso.

Os relatos das vidas de pessoas como Jacó e seus doze filhos, as doze tribos de Israel, os doze discípulos de Cristo, e Hércules e seus doze trabalhos, têm-se mostrado extremamente instrutivos para aqueles que podem transpassar o véu da alegoria sob o qual os segredos do discipulado e da iniciação estão ocultos.

Os ensinamentos da Sabedoria Imemorial são assim encontrados no coração das grandes fés mundiais como um grupo de doutrinas centrais comuns a todas elas.

A Sabedoria Antiga é, de fato, a mais antiga de todas as religiões, tendo desde o início incluído as concepções mais elevadas e nobres da alma do homem que já foram apresentadas ou reconhecidas pela mente humana, e o conhecimento da natureza da divindade dentro dele.

Theosophia é a sabedoria dos seres divinos, e carrega consigo a ideia de que a sabedoria divina tem sido e pode ser alcançada pelo homem como a meta natural e legítima de sua evolução.

Esta universalidade é revelada por um exame dos livros sagrados de várias religiões e dos ditos originais dos maiores mestres do mundo, pois encontra-se neles uma uniformidade singular.

Poder-se-ia prontamente suspeitar que essa uniformidade é algo mais

Doze.

Este número tem seus próprios significados místicos, referindo-se em parte aos poderes no homem correspondentes aos Signos do Zodíaco.

e também a estados, qualidades e graus de desenvolvimento da alma humana.

Doze é considerado simbólico de perfeição e completude espiritual.


do que uma coincidência, mesmo deixando de lado a consideração de que só pode haver uma verdade.

O ensino mais elevado e melhor deve sempre aproximar-se disso e, portanto, apresentar uma considerável quantidade de similaridade quando o despimos de todas as meras diferenças fortuitas nos modos de sua apresentação.

A Sabedoria Antiga fornece uma base real para esse paralelismo ao revelar a existência de uma hierarquia de iniciados e Adeptos, que preservam de era em era e reentregam os ensinamentos esotéricos que, de outra forma, poderiam ter sido inteiramente perdidos.

Os Guardiões da Luz Sagrada

Há várias considerações que apontariam para a existência de tal hierarquia e para o fato de ser ela a fonte original da qual todos os grandes mestres derivaram seu conhecimento.

A teoria de que existe de fato uma verdade unificadora, um conhecimento esotérico ou Teosofia, ao alcance de todo membro da raça humana, sendo sua aquisição o objetivo natural de seu desenvolvimento, traz consigo a ideia de que tal conhecimento relativamente secreto deve ter seus representantes vivos.

"A Doutrina Secreta (ou Teosofia) é a sabedoria acumulada das eras e sua cosmogonia sozinha é o mais estupendo e elaborado de todos os sistemas — os fatos que ocuparam inúmeras gerações de videntes e profetas iniciados para organizar, registrar e explicar — estão todos registrados em poucas páginas de signos geométricos e glifos.

O olhar fulminante desses videntes penetrou até o próprio âmago da matéria e registrou ali a alma das coisas, onde um observador profano comum, por mais erudito que fosse, teria percebido apenas a obra externa da forma."

A Doutrina Secreta é um registro ininterrupto, abrangendo milhares de gerações de videntes, cujas experiências respectivas foram usadas para testar e verificar as tradições, transmitidas oralmente de uma raça primitiva a outra, dos ensinamentos de Seres superiores e exaltados que velaram pela infância da humanidade... Eles o fizeram verificando, testando e confirmando, em cada departamento da natureza, as tradições antigas, pelas visões independentes de grandes Adeptos; isto é, homens que desenvolveram e aperfeiçoaram suas organizações física, mental, psíquica e espiritual ao mais alto grau possível.

Nenhuma visão de um Adepto era aceita até ser verificada e con-

A SABEDORIA ETERNA

firmada pelas visões — obtidas de modo a constituírem evidência independente — de outros Adeptos, e por séculos de experiência."

Os Perigos do Conhecimento Mal Aplicado

Antes que alguns dos principais princípios da Sabedoria Eterna sejam apresentados, o tema desta obra pode ser utilmente ampliado.

Este tema, como foi dito anteriormente, é que certos desses ensinamentos, se completamente compreendidos, podem revelar-se fontes de poder mágico.

Para preservar e transmitir esse conhecimento que confere poder, uma linguagem peculiar foi inventada por seus descobridores.

Por meio de pseudo-história, alegoria e símbolo, essa informação é ao mesmo tempo revelada e ocultada.

A falta de percepção do homem quanto aos ensinamentos espirituais e ocultos deve-se, contudo, não apenas à sua ocultação protetora dentro das escrituras e da mitologia, mas também à sua falta de interesse por eles.

A humanidade, nesta fase de sua evolução, está, não sem naturalidade, mais interessada no mundo material, em seus prazeres e recompensas do que na busca pelo esclarecimento interior, cuja obtenção, pode-se acrescentar, exige uma medida de renúncia.

Esportes sangrentos, corridas, jogos de azar, indulgência no álcool e no sexo, e a conquista de dinheiro e poder, tendem a absorver o interesse do homem, inevitavelmente deixando pouco espaço em sua mente para a cultura superior e para a aspiração ao desdobramento espiritual.

Quando, porém, uma pessoa se volta seriamente das coisas mundanas para uma verdadeira busca pelo conhecimento, esse conhecimento é sempre encontrado.

Mesmo assim, a percepção plena não pode ser alcançada sem a devida preparação.

Assim como não se pode retirar eletricidade do ar e usá-la imediatamente, o esclarecimento espiritual exige autoeducação e treinamento antes que possa ser descoberto, domado e utilizado.

Embora certos aspectos do conhecimento oculto sejam reconhecidamente reservados por serem uma fonte de grande poder que poderia ser nocivamente empregado, a maioria dos homens permanece desinformada porque não buscou seriamente a compreensão espiritual nem se mostrou pronta para submeter-se ao treinamento necessário para alcançá-la.

Para compreender mais plenamente as razões da prática universal de velar certas ideias em alegoria e símbolo, é necessário conhecer tanto a verdadeira natureza do homem quanto suas capacidades.

Quanto à natureza humana, a definição do apóstolo Paulo está em conformidade com os ensinamentos mais antigos: "Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" e "... vós sois o templo do Deus vivo..."? O Deus vivo, o Espírito puro no homem, não é uma individualidade separada, mas um raio do único oceano infinito de luz, a Divindade universal.

Esse conhecimento coloca grande poder ao alcance de seu possuidor, pois se o raio divino dentro do homem se torna uma influência ativa em sua individualidade física, dota-o de poderes semelhantes aos de Deus. "A mais alta revelação", declara Emerson, "é que Deus está em todo homem." Tal é, em suma, o homem — espírito puro resguardado em um corpo físico e operando através de uma mente humana.

"O primeiro homem é da terra, terreno; o segundo homem é o Senhor do céu.... Eis que vos mostro um mistério..."

As capacidades do homem incluem a habilidade de provocar a manifestação, em seu eu exterior, do aspecto puramente espiritual de sua natureza. Ele então se torna dotado de poderes sobre-humanos, incluindo os de uma vontade quase irresistível, faculdades suprassensoriais e capacidades físicas supranormais.

Usados para o benefício de seus semelhantes, esses poderes podem ser valiosos. Mal utilizados para ganho pessoal ou nacional às custas de outros, podem ser extremamente nocivos. Uma possibilidade maravilhosa e um perigo muito grave estão, no entanto, associados a esses poderes ampliados. A possibilidade é que o homem possa usá-los para obter conhecimento ainda maior, que pode ser colocado a serviço de seus semelhantes. O perigo é que, cego pelo egoísmo e pela paixão pela dominação, ele possa ser tentado a usar suas faculdades aumentadas para fins destrutivos.

Para que o perigo seja reduzido ao mínimo e o conhecimento que confere poder seja preservado e disponibilizado à humanidade, ele é formulado e entregue em uma linguagem muito antiga, composta de alegoria, parábola, imagem e símbolo.

Ensinamentos Sobre o Homem

O que, então, foi descoberto e ensinado diretamente aos discípulos e em parábolas aos não discípulos? Qual é o "mistério do reino de Deus",1 em última análise, a ser conhecido diretamente pelo buscador sincero? A resposta só pode ser oferecida aqui em um mero esboço; um resumo, por assim dizer, de certas ideias centrais encontradas nas religiões, filosofias e mitologias mundiais, por mais profundamente veladas que estejam.

A Teosofia é inclusiva, e algumas de suas ideias mais universais são apresentadas mais adiante nesta obra, particularmente no capítulo sobre a parábola do Filho Pródigo.

O conhecimento pleno do próprio homem, sua anatomia completa, está contido nos ensinamentos ancestrais, juntamente com uma filosofia de vida muito prática, consistente com o método científico de pensamento e — o mais importante — uma descrição dos meios pelos quais esse conhecimento pode se tornar experiência direta e pessoal.

Os antigos sábios ensinaram, e seus sucessores ainda ensinam, que o homem é sétuplo em sua constituição, sendo um ser imortal tríplice, espiritual, encarnado em nossos corpos materiais mortais.

As três partes da natureza espiritual do homem são reproduções ou reflexos nele da vontade, da sabedoria e da inteligência da Divindade Suprema.

Em sua vestimenta de luz, esses três Aspectos do divino no homem são chamados, respectivamente, de sua individualidade, seu Eu interior ou Alma espiritual e, mais tecnicamente, o Ego2 no corpo causal.

O ensinamento pertinente, tanto sobre a Divindade quanto sobre o homem, é que eles são tríplices.

Deus, a Trindade, reproduz a Si mesmo como o Eu ou Alma espiritual tríplice de todo ser humano.

O apóstolo Paulo declara essa verdade mais claramente, talvez, do que qualquer outro escritor bíblico, em declarações como: "...vós sois o templo do Deus vivo; como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus..."3 e "...não sabeis vós que o vosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual tendes de Deus, e que não sois de vós mesmos? ... glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus."4 Dito diretamente, o espírito do homem e o espírito de Deus são um só espírito.

Quando esse conhecimento se torna experiência pessoal, ele fornece a chave para um poder quase ilimitado.

Forças e inteligências cósmicas são então contatadas, e podem ser invocadas e empregadas

Mc 4:11.

Ego: Usado ao longo da obra para denotar o Self Espiritual em desdobramento do homem, no qual o atributo da individualidade é inerente.

O adjetivo "Egóico" refere-se ao Ego nesse significado.

2 Co 6:16.

1 Co 6:19-20.


mental e fisicamente, de qualquer maneira que possa ser decidida.

Como já foi dito, uma vez que esse poder tremendo é suscetível de mau uso, o verdadeiro e pleno significado de tais afirmações foi velado pelos escritores antigos.

Um exemplo notável é a história do acalmar da tempestade pelo até então adormecido Jesus Cristo, que personifica o Espírito e a presença de Deus dentro do homem.

Nesse aspecto espiritual de sua natureza, o homem — às vezes chamado de microcosmo — é considerado uno com o Divino, o macrocosmo.

Aquele Espírito Supremo, que é o "deus imortal e eterno que reina sereno para sempre acima das inundações das águas", e o Espírito do homem são um só espírito.

No Hinduísmo, por sua importância primordial, essa verdade é referida como o segredo soberano, ou o segredo real.

A Divindade não é externa ao homem nem diferente dele.

Deus e o homem são um e indivisíveis por toda a eternidade.

Esta é a verdade suprema ensinada diretamente em todas as escolas de mistérios e nos aspectos esotéricos de todas as religiões.

No Hinduísmo, o espírito no homem é descrito como "o Governante Interno Imortal sentado no coração de todos os seres", "a única Divindade oculta em todas as criaturas, a Alma Íntima de todos". No Cristianismo, a Divindade no homem é o "Cristo em vós, a esperança da glória", o "Deus que opera em vós", o Deus vivo do qual o corpo é templo.

As histórias de Adão, Eva, a serpente tentadora e a árvore do conhecimento do bem e do mal no Jardim do Éden; Abraão pronto para sacrificar seu filho, Isaque, em uma montanha; Elias e a voz mansa e delicada; Moisés no Monte Sinai recebendo os Dez Mandamentos; Josué fazendo o sol e a lua pararem; Jonas no ventre da baleia; o Nascimento do Senhor Cristo em um estábulo; seu secamento da figueira; seu acalmar da tempestade; suas curas e ressurreições de pessoas dentre os mortos; sua Ressurreição e sua Ascensão — tudo isso revela em alegoria o segredo do poder.

Este aspecto da sabedoria universal também se revela em histórias não bíblicas, como as que relatam os trabalhos de Hércules; a viagem dos Argonautas para conquistar o Velocino de Ouro guardado pela serpente em Cólquida; Osíris morto e Osíris ressuscitado; e o nascimento na prisão do Senhor

Parte Um.

Cap. IV.

Col.

1:27. 8 Fil.

2:13.

A SABEDORIA ETERNA

Shri Krishna e sua vitória sobre muitos seres malignos, incluindo a serpente negra Kaliya.

A distinção entre o Logos de um universo e a Deidade no homem não reside nem em sua localização nem em sua natureza essencial, mas apenas no grau em que seus poderes tríplices são manifestados.

Em Deus, estes são manifestados plenamente, mas no homem em um grau gradualmente crescente de plenitude à medida que sua evolução prossegue.

Em última análise, os poderes divinos inerentes serão plenamente expressos pelo Eu Espiritual de todo homem, como agora o são pela Deidade.

Neste ensinamento, o destino do homem é revelado: ele é um Deus-em-devir, um Deus peregrino.

Tanto o Senhor Cristo quanto o apóstolo Paulo afirmaram este fato em palavras como: "Sede vós perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus" e "Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura da plenitude de Cristo." Tal, como revelado na Sabedoria Eterna, é o tríplice, imortal Eu Espiritual do homem, às vezes referido como a Tríade Superior, e tal é o sublime propósito da existência do homem.

Os quatro veículos materiais mais densos do homem — às vezes referidos como o quaternário inferior — na ordem de sua densidade crescente são os corpos mental, emocional, etérico e físico.

O corpo mental, o mais tênue dos quatro, é composto de matéria mental ou substância-pensamento, e este é seu veículo de pensamento analítico e lógico.

O corpo emocional, veículo do homem para o sentimento e o desejo, é composto de material que é mais denso que a substância-pensamento, mas mais sutil que o éter físico.

O corpo vital ou etérico é composto de substância etérica que é mais sutil que a gasosa, e funciona como o princípio conservador de suas forças vitais corporais e o elo de ligação entre os corpos superfísico e físico.

O corpo corpóreo é composto de materiais sólidos, líquidos e gasosos e é seu veículo de autoexpressão no mundo físico, seu instrumento mais denso e pesado de percepção e ação.

Os sete corpos do homem, compreendendo a Tríade Superior e o quaternário inferior, ocupam todos o mesmo espaço, os interiores interpenetrando-se e estendendo-se como uma aura além do mais denso.

Mat.

5:48 (R.V.). 2 Ef.

4:13.


O conhecimento dessa natureza setenária do homem pode ser uma chave com a qual desbloquear poderes dentro do homem e do universo ao seu redor, que também é setenário.

Cada um dos sete corpos do homem está em ressonância mútua com forças e inteligências nas correspondentes sete partes do cosmos.

Os poderes e inteligências associados aos sete planos da natureza, aos planetas e aos doze signos do Zodíaco, podem ser evocados e empregados para propósitos construtivos ou destrutivos pelo homem que possui essa chave da constituição septenária do universo e do homem.

Por esta e outras razões, tal conhecimento que confere poder, embora parcialmente transmitido, é fortemente velado nas escrituras e mitologias mundiais.

Em muitas delas, os sete princípios do homem são personificados por personagens dramáticos que exibem seus atributos típicos, como é indicado mais adiante no presente volume e também nos volumes sucessivos desta obra.

Conhecimento Espiritual Perdido e Recuperado

Quando a consciência do homem está limitada ao aspecto quaternário mortal de si mesmo, ele está temporariamente inconsciente tanto de sua natureza divina quanto de sua unidade com Deus.

Quando limitado à consciência cerebral, pode-se dizer que ele sofre de "amnésia" espiritual. Esse esquecimento pode ser superado despertando para atividade e dirigindo ao cérebro um certo poder eletrovital residente no corpo físico do homem.

Essa força tremenda já está parcialmente ativa, sendo a fonte da energia nervosa e do impulso e poder procriativo.

Quando mais plenamente despertada, sublimada e dirigida ao coração e à cabeça, ela aumenta grandemente a velocidade da frequência vibratória das células e dos órgãos do cérebro — eletrifica-os, de fato.

A partir de então, o homem assim sensibilizado torna-se consciente de que é um ser espiritual dotado de poderes divinos.

Porque essa força segue caminhos ondulantes em sua ascensão ao longo da medula espinhal, do sacro ao cérebro, é às vezes referida como "o fogo serpentino". Sua potência é tão grande, contudo, que em muitas Escrituras antigas ela é apenas mencionada sob um véu protetor de símbolos como serpentes, dragões, hidras e outros répteis perigosos.

Pela mesma razão, o conhecimento do método de seu despertar prematuro também é ocultado protetoramente em alegorias da conquista de serpentes por salvadores e heróis.

A SABEDORIA IMEMORIAL

À medida que a evolução do homem prossegue, o fogo serpentino é naturalmente despertado, auxiliando-o assim a recuperar o conhecimento perdido de sua própria divindade e de sua unidade com Deus.

Este é o objetivo último de todos os empreendimentos espirituais.

Especialmente é a meta de todos aqueles que buscam o caminho da iluminação mística.

O Senhor Cristo descreveu essa experiência em suas palavras: "Eu e o Pai somos um"¹ e "...eu estou no Pai, e vós em mim, e eu em vós."² Alexander Pope declara: "Tudo são apenas partes de um todo estupendo." Um poeta americano escreveu recentemente sobre "a unidade ardente que tudo liga."³ A unidade com Deus, e através dele com tudo o que vive, é a verdade suprema, e sua realização plena e contínua é a mais alta conquista do homem.

Em uma escritura hindu, o Bhagavad Gita (A Canção do Senhor), o Senhor Vishnu como o Segundo Aspecto da Trindade, diz: "Aquele que Me vê em tudo e vê tudo em Mim, dele nunca perderei o controle, e ele nunca perderá o controle de Mim."⁴

Em Passport, Angela Morgan escreve:

"Lança teu grito às portas do Céu,
Deus deve admitir-te cedo ou tarde.
Teu passaporte? Santos não pediriam mais,
Sua imagem no teu próprio âmago."

A verdadeira salvação do homem, após sua "Queda", é uma ascensão à plena experiência desse ato de unidade com Deus, implicando a ascensão à união consciente com a Divindade.

O Propósito da Existência do Homem
Por que, então, o espírito humano se encarna em um corpo físico com a consequente perda, ainda que temporária, do conhecimento de sua divindade e unidade com Deus? O propósito da existência do homem é a evolução espiritual, intelectual, cultural e física.

Este é um processo duplo, consistindo, por um lado, no desdobramento gradual, da latência à plena potência, dos três atributos espirituais do homem e, por outro, na evolução de seus quatro veículos materiais para uma condição na qual eles

¹ Jo. 10:30.
² Jo. 14:20.
³ There is a Spirit, Kenneth Boulding, Sonnet 1.
⁴ 6º Discurso, 30. Traduzido por Annie Besant.


manifestam mais perfeitamente os poderes desenvolvidos do espírito humano. A vida em um corpo físico é essencial para essa realização.

O Eu Espiritual do homem é como uma semente, pois contém a potencialidade da planta-mãe, que é Deus.

Esta semente é "semeada" ou nascida na terra, lança brotos, caules e folhas, e finalmente floresce.

A individualidade humana resultante, em seus quatro veículos, é fortalecida pelos ventos da adversidade, purificada e refinada pela chuva da dor, embelezada e expandida pelo sol da felicidade e do amor, e finalmente alcança o estado plenamente florescido.

Assim como nas sementes todos os poderes parentais são inerentes, assim nas Mônadas dos homens todos os poderes divinos estão potencialmente presentes desde o início.

As experiências da vida, combinadas com o impulso evolutivo interior, trazem esses poderes inerentes a uma plenitude e perfeição crescentes de expressão.

Toda experiência é valiosa; nada é desperdiçado.

A vida é verdadeiramente educativa.

O desdobramento eгоico e o desenvolvimento corporal procedem simultaneamente, sendo a evolução interior acompanhada pelo desenvolvimento exterior dos quatro corpos mortais.

Aqui o ensinamento teosófico torna-se eminentemente prático, pois quando este conhecimento da máxima importância sobre o propósito da vida humana é adquirido e aceito, o homem inteligente coopera, e nessa cooperação com o plano divino reside todo o segredo da felicidade humana.

A que alturas, então, a humanidade finalmente ascende? A meta da evolução humana é o padrão de perfeição descrito no Cristianismo como "a medida da estatura da plenitude de Cristo". Isso implica a aquisição de um estado divino de vontade aperfeiçoada (apenas no que concerne à evolução humana) e irresistível, sabedoria e amor aperfeiçoados e que tudo abrangem, e conhecimento aperfeiçoado e que tudo inclui.

A Sabedoria Antiga afirma que a aquisição dessa culminação do desenvolvimento humano é absolutamente certa para todo homem.

O mandamento: "Sede vós, portanto, perfeitos, como vosso Pai que está nos céus é perfeito" será literalmente obedecido pelo Eu Espiritual de todos os seres humanos.

Uma Alma espiritual perdida é uma impossibilidade na natureza, pois o verdadeiro Eu do homem é imortal, eterno e indestrutível.

Na verdade, não há nada do que ser salvo, nenhum lugar onde se perder, pois Deus, como a vida que envolve e habita o universo, é onipresente.

O homem precisa apenas estar em guarda contra os defeitos de seu próprio caráter e as transgressões a que eles conduzem, pois todos os seus sofrimentos surgem (carmicamente) — e educativamente, além disso — de tais transgressões.

O processo evolutivo é em si mesmo eterno, sem começo concebível ou fim imaginável.

Além da perfeição humana, há uma realização ainda mais elevada alcançada durante a passagem pelos reinos super-humanos da natureza, seguida por uma ascensão geral em direção à estatura espiritual do Logos de um universo.

Além disso, o progresso continua em direção ao mais alto grau possível de desdobramento atingível ao final de um grande período cósmico de manifestação.

Mesmo então, na subsequente reemergência do cosmos a partir do caos, da atividade a partir da quietude, o desenvolvimento continuará a partir do ponto previamente alcançado e prosseguirá para alturas ainda maiores.

A perfeição é, portanto, dificilmente a melhor palavra, pois sugere finalidade.

Na verdade, ela só é alcançada em um sentido relativo, pois deve dar lugar a uma perfeição ainda maior, de acordo com um padrão mais elevado de excelência no período de atividade seguinte — assim como uma flor perfeita deve deixar de ser uma flor perfeita e morrer para se transformar em um fruto perfeito, se tal modo de expressão for permitido. O homem é um ser espiritual em evolução e um dia se tornará como Deus é agora. O homem é um Deus-em-devir, um Deus peregrino.

A Natureza da Divindade

O que se entende pelo termo "Deus"? A Sabedoria Eterna afirma a existência de uma Vida transcendente, autoexistente, eterna, onipenetrante, onisustentadora, de onde, pela qual e na qual todas as coisas que existem vivem, se movem e têm seu ser.

Essa Vida é imanente em nosso sistema solar e mundo como o Logos, o "Verbo", adorado sob diferentes nomes em diferentes religiões, mas reconhecido como o único Criador, Preservador e Regenerador.

O sistema solar é dirigido e guiado pelo Logos Solar através de uma hierarquia de seres altamente evoluídos, os "Poderosos Espíritos diante do Trono". Na Terra, essa direção e orientação são realizadas por uma hierarquia correspondente e relacionada de homens aperfeiçoados, referidos

Karma (Sk.). A lei de causa e efeito.

A Doutrina Secreta, Ed. Adyar, Vol.

1, p. 115.


como Rishis, sábios, Adeptos, santos.

O princípio divino e absoluto revela-se em um processo universal de perpétuo desdobramento de potencialidades.

Embora isso se cumpra de acordo com a lei eterna, não é mecânico, sendo dirigido e auxiliado pelo Logos Solar através de seus Ministros.

Deus é assim apresentado como transcendente e imanente, como o Criador, o Sustentador e o Transformador de todos os mundos e a Fonte espiritual de todos os seres dentro de seu sistema solar.

Essas definições da Divindade não se harmonizam com a ideia de Deus geralmente aceita no Cristianismo.

Na Sabedoria Antiga, Deus não é apresentado como uma figura antropomórfica, um Ser Todo-Poderoso em forma humana e com tendências humanas combinadas com poderes divinos.

Ele não é considerado suscetível a propiciação, mas sim como uma personificação da lei eterna.

Ele não concede favores a alguns e os nega a outros, sendo todos os seus filhos considerados igualmente.

Ele não está distante em um céu distante, mas realmente presente como a vida divina na Natureza e a Presença divina no homem, o "Deus que opera em vós...".

Diz-se, no entanto, que o Logos Solar não é tão impessoal e imparcial a ponto de ser indiferente às aspirações e vicissitudes dos seres humanos.

Pelo contrário, pode-se pensar nele como respondendo à aspiração sincera e altruísta por crescente sabedoria e poder para servir.

Dentro da lei da justiça, ou de causa e efeito, nações e indivíduos recebem auxílio divino tanto diretamente quanto por meio da mediação de representantes.

A graça divina é considerada uma realidade que pode descer sobre o homem, seja diretamente do Logos Solar, seja do mais íntimo Eu divino.

Um riquíssimo testemunho é fornecido por aqueles que experimentaram exaltação inesperada, aprimoramento inspirador de sua força de vontade e alcance intelectual.

A elevação aparentemente milagrosa do espírito e a cura de doenças são igualmente afirmadas.

Neste ponto, o estudante da Sabedoria Antiga encontra uma declaração sobre a Divindade que, embora inevitável em lógica, pode a princípio ser inaceitável e até repugnante.

É que Deus, como princípio divino na natureza e no homem, está evoluindo juntamente com

Emanador é filosoficamente um termo mais aceitável, sendo o Universo considerado uma emanação do Absoluto e sob a direção do Logos, ou "Deus".² O masculino é usado apenas por conveniência, sendo o Princípio divino considerado igualmente masculino, feminino e andrógino.

Fil. 2:13.

A SABEDORIA ANTIGA

todo o universo e tudo o que ele contém, em direção a uma meta que está além da compreensão do homem mortal.

"Deus vai à escola." Esse desdobramento para alturas cada vez maiores é o destino último do homem, "o único e distante evento divino, para o qual toda a criação se move."¹ Uma vez que o Eu espiritual do homem é um Deus-em-devir, seu esplendor, sabedoria e poder futuros são inteiramente sem limites.

Os Justos Feitos Perfeitos

A meta da perfeição humana já foi alcançada, sendo tais homens perfeitos conhecidos como Salvadores do Mundo, Mahatmas¹, Rishis, Adeptos e, quando tomam discípulos, Mestres da Sabedoria.

Esses seres super-humanos constituem o Governo Interno do Mundo e são os verdadeiros mestres espirituais e inspiradores da humanidade.

Cada membro dessa Fraternidade de Adeptos parece ser referido na Bíblia como tendo sido "feito sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque".³ O apóstolo Paulo pode ter desejado indicá-los por sua frase "homens justos aperfeiçoados".⁴ Esta augusta assembleia é também conhecida como "A Grande Fraternidade Branca dos Adeptos", a Hierarquia dos Adeptos, a Sangha do Budismo e os "Sete Rishis e Seus Sucessores" do Hinduísmo.

Nietzsche expressou essa ideia do homem como um ser em evolução em suas palavras:

"O homem é algo que deve ser superado." "O homem é uma ponte e não um fim."

"O homem é uma corda estendida sobre o abismo entre o animal e o super-homem."

Como esse estado de Adeptado é alcançado? É um resultado natural do progresso evolutivo e é obtido por meio de sucessivas encarnações em veículos materiais, recém-formados durante o período pré-natal de cada vida subsequente.

Reencarnações repetidas em corpos físicos proporcionam o tempo e a oportunidade necessários para tal realização.

As múltiplas experiências assim atravessadas extraem os poderes latentes da Alma Espiritual em evolução, que é o verdadeiro homem.

Cada experiência tem seu valor em termos de um aumento do poder egoico inato, sabedoria e conhecimento.

Na proximidade da perfeição, contudo, o renascimento não é mais uma necessidade.

Todo progresso adicional pode então ser alcançado nos mundos superfísicos.

Isso é declarado no Livro do Apocalipse nas seguintes palavras: "Ao que vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e dele não sairá mais..."⁵

"O Que o Homem Semeia, Isso Também Colherá"⁶

Todas as reencarnações estão conectadas entre si pela operação da lei de causa e efeito.

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¹ Mahatma (Sânscrito) Grande Espírito  
² Em Memorian, Tennyson, Est. 36.  
³ Hebreus 6:20.  
⁴ Hebreus 12:23.  
⁵ Apocalipse 3:12.  
⁶ Gálatas 6:7.

Sob esta lei, todas as ações, sentimentos e pensamentos produzem suas próprias reações naturais e perfeitamente adequadas, que podem seguir as ações causais imediatamente, mais tarde na mesma vida, ou em encarnações sucessivas. É referida em muitos lugares na Bíblia, sendo a declaração de Paulo: "... não vos enganeis; de Deus não se zomba; pois tudo o que o homem semear, isso também colherá." A palavra sânscrita karma (ação) é usada para designar esta lei, sua operação e os efeitos que produz.

Sob seu funcionamento, ações motivadas por amor, serviço e altruísmo produzem prazer e uma liberdade crescente de autoexpressão, que incentivam o ator a repeti-las.

Por outro lado, ações motivadas por aversão, ganância e egoísmo produzem dor e uma limitação crescente da autoexpressão, que desencorajam o ator de repeti-las.

Além disso, a intensidade do prazer ou da dor é governada pelo grau em que motivos altruístas e egoístas encontram expressão na ação.

Essa compensação equilibrada é afirmada nas palavras do Senhor Cristo: "Não julgueis, para que não sejais julgados.

Pois com o julgamento com que julgardes, sereis julgados; e com a medida com que medirdes, vos será medido de volta."

Assim, o sofrimento humano é visto como não sendo nem uma retribuição imposta pela Divindade, nem um castigo infligido do alto, nem uma adversidade acidental e injusta.

Pelo contrário, toda dor é autoinfligida e, portanto, justamente recebida.

Além disso, é projetada para informar o ator de sua transgressão.

O sofrimento é, portanto, visto como justo e verdadeiramente benéfico, porque é educativo em seu efeito final.

O reconhecimento da lei de ação e reação resolve

Apoc. 3:12.

Gál. 6:7. 3 Mat. 7:1-2.

A SABEDORIA ETERNA

o problema da justiça para o homem.

Todas as condições humanas — sofrimento, doença, felicidade e saúde — são autocriadas sob a lei.

O problema apresentado pelo nascimento de bebês malformados ou doentes é resolvido quando a sequência de causa e efeito é reconhecida como operando através de uma série de vidas.

Embora tais aflições pareçam na superfície completamente injustas porque não merecidas, e portanto não merecedoras, elas não são realmente assim. São, de fato, os efeitos estritamente apropriados de causas geradas pelo mesmo Ego em vidas anteriores.

Sem essa explicação, a vida é, de fato, um enigma sem esperança que desafia a solução.

As doutrinas gêmeas da reencarnação e do karma lançam uma torrente de luz sobre a vida humana, revelando a existência de justiça, propósito e uma meta garantida para todos os homens.

O Homem Pode Dominar as Circunstâncias

O princípio precisa ser aqui apresentado sobre a modificação do carma por ações interventoras realizadas antes que as causas tenham tido tempo de produzir seus efeitos completos.

Quaisquer que sejam as ações de alguém no passado — boas ou más em graus variados — as reações que elas produzem não devem ser consideradas como um destino inescapável, ou como um peso morto do qual não há alívio.

Tanto os indivíduos quanto as nações, por suas ações subsequentes, estão constantemente modificando a operação da lei sobre si mesmos.

Assim, nem os indivíduos nem as nações são paralisados por suas ações passadas.

Nem tudo está irremediavelmente fadado.

O homem pode dominar as circunstâncias e fazer de cada experiência uma oportunidade para um recomeço, por mais que o passado pese sobre ele.

Ele pode passar do domínio da lei aprendendo a trabalhar com ela.

A lei civil é uma inimiga para o criminoso porque o restringe, limitando a expressão de suas tendências criminosas.

Para o bom cidadão, no entanto, a mesma lei é uma garantia de segurança; não é uma inimiga, mas uma amiga, não uma fonte de restrição, mas uma preservadora da liberdade.

Isto também é verdadeiro quanto à lei universal de causa e efeito.

Para pessoas egoístas, transgressoras e cruéis, ela traz nemesis, retribuição na forma de uma reação apropriada a toda ação causadora de dor.

Para pessoas altruístas, cumpridoras da lei e bondosas, a lei traz saúde, felicidade e liberdade. Além disso, toda ação

Para uma exposição mais completa deste assunto e para mais textos bíblicos, ver Reincarnation, Fact or Fallacy?, de Geoffrey Hodson.


prestativa realizada antes que os efeitos da ação egoísta tenham tido tempo de se precipitar reduz, e pode até neutralizar, as adversidades vindouras.

Tal é, brevemente, o princípio da modificação do carma humano.

Há, portanto, uma alquimia espiritual por meio da qual a adversidade resultante de ações motivadas pelo egoísmo pode ser diminuída, ou até anulada.

Isto se alcança pela autopurificação, autodisciplina e pela prática de ações motivadas pelo amor universal e não possessivo.

O Caminho para a Paz

Tal modo de vida constitui parcialmente "O caminho da santidade" e o "caminho estreito" do Cristianismo, o "Nobre Caminho Óctuplo" do Budismo e o "Caminho da Navalha Afiada" do Hinduísmo.

O Cristo disse: “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos há que o encontrem.” Este caminho de vida conduz a um aceleramento do progresso evolutivo e ao desenvolvimento, antes do tempo normal, de faculdades supernormais, incluindo a intuitividade espiritual e poderes taumatúrgicos.

Conduz também ao discipulado de um mestre adepto, e daí através de sucessivas iniciações à salvação ou perfeição, nirvana, moksha ou libertação.

As vidas de Cristo e de seus discípulos, bem como as de outros grandes mestres, podem ser consideradas representações dramáticas das experiências da alma neste caminho.

Os ensinamentos do Senhor Cristo, particularmente os do Sermão da Montanha, os do Senhor Buda concernentes ao Nobre Caminho Óctuplo e suas aplicações à vida espiritual, e os do Senhor Shri Krishna conforme registrados no Bhagavad Gita, indicam os motivos e a conduta necessários para essa realização.

O Nobre Caminho Óctuplo foi definido pelo Senhor Buda como consistindo de: “Crença Reta, Pensamento Reto, Palavra Reta, Ação Reta, Meio de Vida Reto, Esforço Reto, Rememoração Reta, Meditação ou Êxtase Reto.” Este caminho — nobre

Mateus 7:13-14.

Visto que este aspecto esotérico da religião é referido sob um véu de simbolismo na face do mundo, e especialmente na Bíblia, é mais plenamente exposto na Parte Seis deste Volume.

A SABEDORIA IMEMORIAL

de fato — ele resumiu nestas palavras: “Cessar do pecado, adquirir virtude, purificar o coração, servir ao mundo.” “O caminho da santidade”, que conduz ao progresso acelerado e ao rápido desenvolvimento dos poderes espirituais, está aberto hoje como outrora.

O êxito em encontrar e trilhar esse caminho exige pureza de vida, serviço abnegado e uma vontade invencível.

Este grupo de ideias pode ser brevemente resumido como se segue: —

O homem é essencialmente um ser espiritual, sendo sua mente e seu corpo apenas meios temporários de autoexpressão e autodesdobramento.

Quando este verdadeiro Eu é descoberto e se torna o poder diretor, há paz permanente para o indivíduo e para a raça.

Sem essa descoberta, a paz é impossível.

A busca e a descoberta do Eu é, portanto, de importância suprema.

A evolução do Eu Espiritual até a perfeição através de vidas sucessivas na terra é o verdadeiro propósito da existência humana.

As experiências do homem são determinadas pela operação da lei de causa e efeito.

A crueldade traz guerra às nações e dor e doença aos indivíduos.

Não há escape possível dessa sequência.

Inversamente, a bondade traz felicidade e saúde.

Até que essa lei seja reconhecida e aceita como regra de vida, continuarão a existir tanto a guerra quanto a doença.

O espírito dentro de todos os homens é um só espírito.

Cada homem pertence a uma raça espiritual única, sem divisões de qualquer espécie.

A experiência dessa unidade e suas aplicações à vida humana constituem o único meio possível pelo qual a paz duradoura pode ser estabelecida na Terra e a saúde e a felicidade asseguradas podem ser alcançadas por todo ser humano.

Tal é, em parte, o ensinamento da sabedoria dos séculos acerca do homem.

Tal é o caminho para a saúde, a felicidade, a perfeição e a paz eterna.

A Teosofia, no entanto, não deve ser considerada um sistema completo a ser aceito como tal.

Ao contrário, como deve ser verdadeiro para tudo o que é orgânico e espiritual, a Teosofia não pode ter um contorno geométrico fixo cujo todo possa, por assim dizer, ser traçado no papel com régua e compasso.


Certos aspectos, como as ideias e experiências da unidade e do Eu Eterno, recusam-se a ser definidos objetivamente; pois isso seria estabelecer um limite tanto para a própria verdade quanto para a capacidade do homem de descobri-la como experiência interior.

Como já foi dito, ao mesmo tempo em que tornavam disponíveis à humanidade os aspectos menos perigosos da Theosophia, os grandes mestres da raça ocultaram o conhecimento mais perigoso e dotado de poder sob as alegorias e símbolos dos quais consiste a linguagem sagrada.

Em sua compaixão, eles também forneceram as chaves pelas quais camada após camada de verdade pode ser desvelada.

Algumas dessas chaves e os frutos de sua aplicação são apresentados nos capítulos e volumes subsequentes desta obra.

Visto que, no entanto, uma dessas chaves (a iniciática) diz respeito à interpretação de certas passagens como reveladoras do conhecimento desse caminho, o Capítulo I da Parte Seis deste volume é dedicado a uma exposição desse antigo ideal.

PARTE DOIS — OS MISTÉRIOS DO REINO

CAPÍTULO I — ALGUMAS CHAVES DE INTERPRETAÇÃO

ENQUANTO os capítulos precedentes contêm exemplos introdutórios do uso da linguagem simbólica e dos métodos de interpretação, neste capítulo é oferecida uma exposição mais completa.

Isto é muito necessário, ou aqueles que desejam descobrir as verdades ocultas nas escrituras do mundo devem primeiro familiarizar-se com as várias chaves para os escritos simbólicos.

Então, lendo cada história com muito cuidado, dando atenção especial aos símbolos empregados, devem permanecer em pensamento concentrado sobre suas várias partes, buscando meditativamente a realidade por trás da sombra, a verdade eterna dentro da história no tempo; pois a interpretação bem-sucedida é primariamente uma experiência em consciência.

Certos símbolos antigos servem como marcos no caminho, cada um com seu significado constante através de todos os tempos, assim como a doutrina em toda parte revelada é constante também.

Os hierofantes do Egito, da Caldeia, da Assíria e da Grécia, os sábios dos mundos orientais e os autores inspirados da Bíblia todos fizeram uso desses símbolos como ideogramas vivos, independentes do tempo, que homens em busca de todas as épocas pudessem compreender.

Nações, civilizações e religiões surgem e caem, mas esses símbolos terrenos de verdades espirituais são eternos e imutáveis.

Por seu uso, um hierofante egípcio, um profeta judeu, um monge essênio, um sábio oriental, podem falar diretamente do passado remoto à mente do homem moderno.

Hierofante.

Ver Parte 6, Cap. I. 76 A SABEDORIA OCULTA NA BÍBLIA SAGRADA

Os autores que escreveram dessa maneira alegórica desejavam revelar verdades macrocósmicas e microcósmicas, e também descrever condições supersensoriais de consciência.

Eles usaram a história apenas como trama e urdidura sobre a qual tecer uma representação de verdades eternas, a sabedoria esotérica de todas as eras, o conhecimento profundamente oculto dos iniciados das escolas de mistérios tanto dos dias antigos quanto dos mais modernos.

O tempo e o mundo do tempo eram de muito menos importância para esses autores inspirados do que a eternidade e as verdades eternas sobre as quais escreviam.

Quando abrimos nossa Bíblia, então, devemos lembrar que estamos lendo uma categoria especial de literatura, estranha para nós a princípio.

Para descobrir a intenção dos autores, precisamos aprender o significado das palavras, compreender o método de escrita e possuir as chaves de interpretação.

Devemos, de fato, encontrar uma pedra de Roseta.

Então, à medida que aprendemos a erguer o véu da alegoria, do símbolo, das imagens, e até mesmo da incongruência, a luz da verdade iluminará nossas mentes.

O Tema do Ciclo de Emanação e Retorno

A Bíblia revela-se capaz de muitas interpretações, estando a sabedoria oculta dentro dela camada sobre camada.

A camada externa é pseudo-história, local e temporal. As camadas internas consistem em verdades universais e eternas.

Entre as raças mais antigas, houve homens e mulheres que não eram menos informados do que nós sobre os mistérios da vida, mas sim mais. Eles foram aproximados dos mestres adeptos da raça e por eles foram recebidos como iniciados dos grandes mistérios.

Estes são os autores inspirados das Escrituras mundiais, das lendas cosmogônicas e ocultas, e dos mitos.

Eles viam os eventos externos e temporais, os seres e as coisas como espelhos das verdades eternas.

A prática egípcia pode nos fornecer uma ilustração.

Naquele país, o escaravelho estava intimamente associado à Divindade criativa, um de cujos títulos era Khepera.

Por que essa associação de um inseto humilde com o Senhor criativo de tudo? Os hábitos de vida do escaravelho sugerem uma resposta.

Este besouro encerra seu ovo, sua semente de vida, em uma bola de lama, rola a bola para um local ensolarado e a deixa à influência aquecedora e incubadora do sol.

Por fim, o ovo eclode e

Era também um símbolo de ressurreição e reencarnação.

ALGUMAS CHAVES DE INTERPRETAÇÃO

traz à luz uma larva, que se encontra cercada por seu alimento necessário.

Consumindo-o, ela passa por suas transformações e, por fim, emerge como o escaravelho alado, para se tornar, por sua vez, progenitor de novos ovos.

O Logos criativo produz de dentro de si o pensamento-semente do universo-por-vir. Isso é às vezes descrito como o ovo dourado, ou o ovo de Brahma.

Essa ideia dinâmica e arquetípica é trazida à associação com a matéria pré-cósmica, ou o mar virgem do espaço, assim como o ovo do escaravelho é depositado na lama.

O próximo passo no processo criativo é a operação da lei cíclica.

O grande ciclo de saída e retorno, com seus inúmeros subciclos, não é inadequadamente representado pela ação do escaravelho de formar a bola de lama e rolá-la para um local ensolarado.

Assim como a larva se encontra cercada pelas fontes essenciais de nutrição, também todos os seres vivos são providos, em todos os níveis, tanto da vida interior sustentadora quanto do alimento externo que a natureza supre.

Da mesma forma, assim como a larva passa por sua metamorfose para se tornar alada e livre das limitações de sua bola de lama, assim também a Alma do homem se transforma gradualmente do estado cego pela matéria para o estado iluminado espiritualmente.

O corpo físico não mais o aprisiona.

Ele pode deixá-lo e retornar a ele à vontade, sem interrupção da consciência.

Ele é alado, livre.

Observando os hábitos naturais do escaravelho, os antigos egípcios viram neles um exemplo físico tanto da imortalidade, ou ressurreição, quanto da lei universal do progresso cíclico.

Da mesma forma que o escaravelho recém-formado se torna, por sua vez, um progenitor que põe em movimento o mesmo procedimento cíclico, assim também a Alma do homem desce repetidamente à encarnação, nasce em um corpo físico, desprende-se dessa crisálida na morte e retira-se para sua Fonte.

Assim, de fato, o escaravelho exibe os atributos e as ações tanto da Causa Criativa Suprema quanto da Alma Espiritual do homem.

Inúmeros objetos e coisas naturais foram similarmente incorporados pelos autores inspirados do passado em seus supostos relatos históricos de eventos locais, planetários e celestes.

A linguagem sagrada foi assim usada para escrever história, alegoria e mito, de tal maneira que a verdade eterna era tanto ocultada quanto revelada.

A SABEDORIA OCULTA NA BÍBLIA SAGRADA — Cativeiro e Êxodo

Qual é a ideia central, o único enredo, da mesma grande história que está no coração de toda alegoria inspirada? É a história da vida manifestada (o Filho Pródigo macrocósmico), de sua emanação de sua Fonte espiritual (a casa do Pai), e de sua saída ou descida em sua jornada involutiva, cada vez mais fundo no campo material e evolutivo, onde se torna vestida, aprisionada, sepultada, em veículos de densidade crescente até que o nível mais denso (comer as cascas que os porcos comiam) seja alcançado.

Em nosso sistema solar, até onde sabemos, a matéria mais densa é a do reino mineral da natureza (a cova na terra na qual José foi baixado, o cativeiro no Egito, e o túmulo rochoso do Cristo). Após ser sepultada ali por um tempo, a vida se liberta de seu invólucro mais denso e, a partir de então, ascende gradualmente pelo caminho evolutivo de volta à sua Fonte ("Levantar-me-ei", a elevação de José, o Êxodo, e a Ressurreição do Cristo). O resultado dessa peregrinação cíclica, com seus inúmeros subciclos componentes, é a germinação das sementes das potências divinas encerradas nas unidades de vida-espírito universal conhecidas como Mônadas, os germes imortais.

Ciclos Componentes

O ciclo maior de saída e retorno é composto de inúmeros ciclos menores de dimensão decrescente, como se um fio fosse torcido em torno de um fio disposto em espiral, sendo o fio circundante, por sua vez, cercado por outras bobinas espirais, e assim por diante quase ao infinito.

Cada volta componente de uma espiral repete em miniatura os processos, procedimentos, dificuldades e realizações típicos de ciclos de dimensões maiores.

Periodicamente, um número de ciclos e subciclos — ou arcos de ciclos e subciclos — convergem e culminam juntos.

Eventos históricos importantes ocorrem frequentemente em tais convergências.

Crises na vida de indivíduos são frequentemente precipitadas no momento de tais coincidências de ciclos e subciclos.

As predições de ocultistas avançados baseiam-se no conhecimento desses fenômenos.

O microcosmo é sempre uma reprodução, e repetição em miniatura, do macrocosmo.

O giro

da Terra sobre seu eixo em sua órbita ao redor do Sol é uma analogia útil.

ALGUMAS CHAVES DE INTERPRETAÇÃO

O ciclo egoico humano de descida pré-natal, encarnação em um corpo físico, a vida restrita nele, a morte, a fuga para os mundos superfísicos e a reabsorção na Fonte Egoica, reproduzem todos os ciclos maiores dos quais o grande ciclo é composto.

Assim também todas as outras vidas, incluindo as dos menores insetos e infusórios.

O Retorno do Filho Pródigo

Na horticultura, assim como o jardineiro deve plantar suas sementes na escuridão abaixo da superfície da terra, assim o jardineiro divino “planta” suas sementes na escuridão, espiritual e intelectual, produzida pela encarnação na matéria mais densa de seu universo — seu jardim físico.

Da mesma maneira que as sementes das plantas, no devido tempo, germinam e empurram brotos que se desenvolvem em caules, folhas, flores, frutos e novas sementes, assim os poderes mônadicos semelhantes a sementes germinam e se desenvolvem para alcançar sua plena fruição no fechamento do ciclo ascendente, ou caminho de retorno.

O resultado da peregrinação através do grande ciclo é o despertar da latência para a potência dos poderes parentais outrora embrionários, trancados nas sementes.

Essa progressão cíclica é o tema central de todas as histórias, o único grande enredo sobre o qual todos os outros enredos, seculares e sagrados, são baseados.

Nas alegorias do mundo, a vida é personificada pelos heróis, sejam pessoas singulares — humanas, semi-humanas ou totalmente divinas — ou famílias, grupos, tribos ou nações.

A matéria resistente é personificada por inimigos, sejam humanos ou satânicos.

Batalhas entre esses dois oponentes inevitáveis retratam em alegoria o conflito entre espírito e matéria, vida e forma, consciência e seus veículos de autoexpressão.

Este é o Armagedom eterno, o Kurukshetra! da Alma, seja de universos, planetas, raças ou homens individuais.

Toda a Bíblia é uma grande alegoria dessa peregrinação de todos e da redenção, da partida e do retorno.

A parábola do filho pródigo é, talvez, a enunciação cristã mais direta desse tema dos temas, esse enredo-mestre de todas as escrituras sagradas, histórias tradicionais, alegorias inspiradas, mitos, lendas e contos de fadas.

"O Campo dos Kurus", uma planície perto de Delhi onde se dizia que a batalha entre os Kauravas e os Pandavas foi travada, o cenário do recebimento por Arjuna do ensinamento de Shri Krishna registrado no Bhagavad Gita.

O Armagedom hindu ou grande campo de batalha tipifica a área de conflito entre o Espírito e seu invólucro material, particularmente no homem.

A SABEDORIA OCULTA NA BÍBLIA SAGRADA — O Rapto e a Redenção de Perséfone

Da mitologia grega, a história de Perséfone pode talvez ser utilmente considerada neste ponto, ainda que apenas em uma de suas versões mais simplificadas, e uma possível interpretação oferecida apenas em esboço.

A conhecida pintura de Lord Leighton, "O Retorno de Perséfone", retrata a reunião de mãe e filha.

A entrada para o submundo é mostrada como uma caverna.

O deus Hermes, com seu caduceu ou cajado formado por uma haste central e duas serpentes entrelaçadas, está trazendo Perséfone das profundezas para o ar superior.

Na entrada da caverna está sua mãe, Ceres, em cujos braços ele entregará sua filha.

Esta alegoria tem numerosos significados.

Em uma interpretação, Ceres é a deusa da natureza e da agricultura, e Perséfone é a vida vegetal, ou produto da natureza, que dorme sob o solo durante o inverno.

Na primavera, a força de vida ressurgente — Perséfone e Hermes juntos — traz à luz e dá vitalidade à nova vegetação.

Esta cresce e seus frutos amadurecem durante todo o verão, após o que a atividade no reino vegetal começa a declinar, cessando quase completamente no início do inverno.

Alegoricamente, Perséfone desce ao submundo para se tornar a noiva forçada de Plutão, Rei do Hades — a personificação da matéria, do mundo físico e do corpo e da vida nele, e do período sombrio de qualquer ciclo.

A história prossegue dizendo que Plutão concordou em libertar Perséfone, e Zeus concordou que ela deveria ser completamente libertada e devolvida à sua mãe, mas apenas sob a condição de que ela não tivesse comido nenhum alimento enquanto estivesse no submundo.

Infelizmente, ela havia comido algumas sementes de romã, uma ação que a tornou sujeita à natureza e à terra.

Foi portanto decidido que ela passaria um quarto de cada ano no submundo como noiva de Plutão, e que durante o resto do tempo ela seria reunida à sua mãe.

Tal é uma interpretação na qual a história é considerada uma alegoria dos processos da natureza, representando Perséfone a força vital na natureza, Hermes o poder de reprodução e crescimento, Ceres a fonte dessa vida, e Zeus o Senhor do Universo.

ALGUMAS CHAVES DE INTERPRETAÇÃO

Uma alegoria solar também se desdobra, sendo o período passado sob a terra no Hades o inverno no Hemisfério Norte, quando o sol carece de poder por cerca de três a quatro meses do ano, elevando-se depois para brilhar no meio dos céus.

Aplicado ao cosmos como um todo, a consciência divina desce de seu elevado estado espiritual cada vez mais profundamente na matéria, até que por fim as profundezas mais profundas são alcançadas — o reino mineral — simbolizado pelo submundo.

Então, no curso da evolução, o espírito e a consciência começam a se libertar do domínio da matéria e a sacudir os grilhões da materialidade, para finalmente se tornarem espiritualizados.

No fechamento do ciclo, aquilo que havia sido encarnado e aprisionado foi libertado e retorna à sua Fonte — Perséfone é reunida à sua mãe.

Ciclos seguem ciclos, contudo, e no caso do homem sempre em uma espiral ascendente.

Perséfone deve, portanto, descer ao submundo repetidas vezes.

Por outros símbolos, tais como os da serpente que regularmente troca de pele e o escaravelho que rola repetidamente sua bola de lama contendo seus ovos, ciclos recorrentes de geração e regeneração também são retratados.

Na interpretação microcósmica ou humana do mito, o Ego do homem é Ceres, a mãe.

Antes do nascimento, o Ego envia um raio ou parte de sua vida — Perséfone — para baixo, do mundo causal através dos reinos da mente e da emoção, o ar superior, para o mundo físico — Hades — para nascer na terra.

Plutão personifica os desejos elementais.

Toda vez que uma Alma nasce para viver neste corpo e mundo escurecidos, materiais e físicos, Perséfone, que personifica essa Alma ou Ego, retornou ao submundo.

Todos os homens são como Perséfone no Hades no momento presente.

Na morte seremos libertados, retornando eventualmente à Fonte da qual viemos, que é o Ego no corpo causal — Ceres.

Finalmente, uma interpretação oculta é possível.

A Alma Espiritual do homem, o Eu essencial por trás do véu corporal, pode prematuramente conquistar a liberdade de um aprisionamento quase total no corpo físico se, simbolicamente, puder encontrar Hermes, o resgatador ou redentor, e o seu cajado.

A natureza desse cajado fornece a chave para o processo da libertação da consciência do corpo físico e de sua influência entorpecedora e cegante; pois em uma interpretação — a humana — o caduceu representa com grande precisão o poder criativo triplo, serpentino e de polaridade oposta no homem.


Quando não mais usado para a procriação, esse poder é transmutado ou dirigido para cima até que as cabeças das duas serpentes, ou as duas correntes serpentinas do fogo criativo, entrem na cabeça e iluminem e ativem por completo o cérebro, ali para libertar a Alma das limitações do corpo.

Hermes com o seu cajado então libertou alegoricamente Perséfone do submundo.

Ao comando de Zeus (a Mônada) e com a submissão de Plutão (a agora disciplinada consciência elemental do corpo), Perséfone (o Ego pessoal) é restaurada por Hermes (o fogo serpentino) à sua mãe (o Eu Espiritual) no Olimpo (consciência causal).

Tais são alguns dos possíveis significados da história dos mistérios de Elêusis, dos quais muitos daqueles que agora se encontram profundamente interessados na ciência oculta podem ter sido membros; pois em sua roupagem externa os Elêusios eram espetáculos públicos, e um cidadão distinto de Atenas podia tornar-se um iniciado desses mistérios externos ou menores.

No início, os membros meramente recebiam e encenavam o glifo simbólico.

À medida que passavam dos mistérios externos ou menores para os internos ou maiores, a alegoria dava lugar à realidade.

As forças simbolizadas pelo caduceu começavam a despertar quando o hierofante tocava o iniciado com o grande bastão de poder, o tirso.

Isso culminava em sua libertação do corpo que, tornando-se inconsciente e em transe, era colocado aos cuidados dos sacerdotes.

A Alma iniciada e liberta, simbolizada por Perséfone, podia então ascender ao estado de consciência eugóica ou tornar-se uma com Ceres, sua mãe deusa.

O caduceu tem outro significado.

O já dado é seu possível significado dinâmico, mas, além disso, possui uma espécie de significado moral, como todos os símbolos.

As duas serpentes representam também os pares de opostos, tais como sucesso e fracasso, calor e frio, prazer e dor, felicidade e desespero, amor e ódio, saúde e doença, presença e ausência, atividade e inércia.

Antes que a Alma possa ser aperfeiçoada e plenamente libertada, ela deve ter se tornado equânime em consciência entre todos os pares de opostos, sendo igualmente indiferente a qualquer um de seus componentes.

Essa conquista é chamada na filosofia hindu de Upeksha, uma palavra sânscrita que significa o equilíbrio da indiferença, o balanço dinâmico entre todos os pares

ALGUMAS CHAVES DE INTERPRETAÇÃO

de opostos.

Essa conquista implica que toda a natureza foi trazida a um perfeito equilíbrio, equilíbrio dinâmico, e, em consequência, tornou-se imóvel, estável como o giroscópio.

Então, por assim dizer, a Alma (Perséfone) não é mais prisioneira de Plutão, mas, pelo cajado de Hermes, é libertada, livre.

Tal, apenas em esboço, é uma porção do mistério do caduceu; tal é a história de Perséfone.

CAPÍTULO II — QUATRO CHAVES PRINCIPAIS

Tudo Acontece no Interior

A enunciação precedente do tema principal de todas as alegorias pode agora ser seguida pela declaração e aplicação ao homem de quatro das sete possíveis interpretações principais das alegorias e símbolos do mundo.

A Primeira Chave é que alguns eventos registrados, externos, supostamente históricos, também ocorrem interiormente.

Tudo acontece dentro de cada raça, nação e indivíduo, sendo cada evento registrado descritivo de uma experiência subjetiva do homem.

Essa aplicação é essencialmente dupla, referindo-se tanto às experiências e conquistas de raças e indivíduos que avançam pelo método normal, gradual, evolucionário, quanto aos indivíduos que trilham "O Caminho da Santidade".¹

A necessidade de velar em alegoria e símbolo o conhecimento mágico e oculto é especialmente grande nesta última das duas aplicações; pois bem cedo na aproximação e entrada no caminho do rápido desdobramento, um aumento do poder da vontade e das faculdades mentais e psíquicas começa a se tornar aparente.

O despertar prematuro e o desenvolvimento dessas faculdades supranormais, e seu emprego para propósitos puramente pessoais e destrutivos, poderia provar-se extremamente prejudicial tanto para aqueles que as usam mal quanto para seus semelhantes.

O apóstolo Paulo parece ter aceito esta Primeira Chave — a interpretação mística.

Para ele, a Natividade de Cristo, por exemplo, não era apenas um evento particular que ocorreu em um

¹ Is. 35:8. QUATRO CHAVES PRINCIPAIS

certo tempo em Belém, mas é também descritiva de uma experiência humana universal.

As narrativas da Anunciação, da Imaculada Conceição e da Natividade de Cristo estão escritas de modo a descrever alegoricamente o despertar gradual dos poderes crísticos de percepção, ação e realização em atividade consciente dentro da Alma do homem avançado.

A presença e as atividades do Senhor Cristo na Terra eram evidentemente, para Paulo, espelhos do despertar interior e do aperfeiçoamento do inerente poder-redentor e da natureza crística dentro do homem — o Logos da Alma.

Assim ele escreveu: "...sinto de novo as dores de parto, até que Cristo seja formado em vós"¹ e "a quem Deus quis fazer conhecer quais são as riquezas da glória deste mistério entre os gentios, que é Cristo em vós, a esperança da glória."²

Ao ler o estudante da Bíblia as grandes narrativas com esta chave em mãos, por assim dizer, ele pode compartilhar conscientemente das experiências registradas.

Ele pode subir ao monte com Abraão, Moisés, Elias e Jesus e, ainda que em medida mínima a princípio, começar a participar de sua iluminação.

Com os dois discípulos abatidos, ele pode caminhar pela estrada de Emaús e ouvir as sábias palavras de seu companheiro temporariamente desconhecido.

Com eles, ao partir do pão, ele então experimentará aquela luz interior que veio quando "...os olhos se lhes abriram, e o conheceram...."³ Tal é, de fato, parte da intenção dos autores inspirados.

Ao estudar as escrituras do mundo, portanto, deve-se ler intuitivamente, com sensibilidade, com a mente aberta e receptiva àquela consciência mais vasta que tantas vezes parece aguardar para irromper.

Assim, a Primeira Chave é que alguns eventos registrados também ocorrem interiormente.

Pessoas Personificam Qualidades Humanas

A Segunda Chave é que cada uma das pessoas introduzidas nas histórias representa uma condição de consciência e uma qualidade de caráter.

Todos os atores são personificações de aspectos da natureza humana, de atributos, princípios, poderes, faculdades, limitações, fraquezas e erros do homem.

Quando seres puramente humanos

¹ Gl. 4:19.
² Cl. 1:27.
³ Lc. 24:13-31.


são os heróis, descreve-se a vida de uma pessoa evoluindo no ritmo normal.

Quando o herói é semidivino, contudo, a ênfase recai sobre o progresso acelerado do Eu Espiritual no homem, depois que este começou a assumir poder preponderante.

Quando a figura central é um Avatar ou "descida" de um aspecto da Divindade, suas experiências narram aquelas do Eu Espiritual durante as últimas fases da evolução humana até a estatura da humanidade aperfeiçoada.

Tal é o propósito geral, e tal é o método, dos antigos escritores das imortais alegorias, parábolas e mitos do mundo.

A Divindade ou Pai, quando introduzida numa narrativa, geralmente se refere à mais elevada Essência Espiritual no homem, a Centelha Divina, o Germe Imortal, o Logos da Alma, o Morador no Íntimo, a Mônada.

Isto é especialmente verdadeiro quando a Suprema e Eterna Divindade, o Logos, é trazida para a história.

Uma trágica e obscurecedora degradação mental do Eu Universal chamado "EU SOU O QUE SOU", ao nível da divindade de uma única tribo, por vezes sanguinária, irada e ciumenta, é considerada por algumas autoridades como tendo sido feita nos dias da restauração por Esdras dos livros destruídos dos israelitas.

O Emanador Supremo, referido como "Deus" e "o Espírito de Deus", está acima de todas as coisas universal e divino.

A limitação do único incriado para se tornar o deus pessoal de uma única tribo tem levado a muita confusão e a um apavorante rebaixamento da ideia da Divindade Suprema.

Sempre que o Eterno é introduzido numa narrativa, é sempre suscetível de interpretação como uma personificação da Mônada do homem, como também da Superalma da raça.

Na parábola, o seio de Abraão para o qual Lázaro, "um certo mendigo", foi levado pelos anjos, refere-se ao estado de consciência no qual a Mônada humana perpetuamente permanece e ao qual a Alma Espiritual ou Ego Imortal eventualmente atinge.

Aqueles que seguem o caminho iniciático buscam apressar esta realização, na consciência cerebral desperta, primeiro de sua natureza divina e imortal, e depois de sua ininterrupta unidade com o Senhor Supremo de tudo.

O pleno reconhecimento da unidade do homem com Deus, da unicidade do espírito-homem com o espírito-Deus, é a meta última de todos aqueles que buscam

Êx. 3:14.

²Gên. 1:1-2. ³ Lc. 16:22.

QUATRO CHAVES PRINCIPAIS

a porta estreita e entram no caminho apertado.

No Hinduísmo este estado é chamado moksha ou libertação; no Budismo, nirvana ou absorção consciente; e no Cristianismo, salvação, ascensão, condição crística, e ser "levado pelos anjos ao seio de Abraão". O símbolo do discípulo João reclinado no peito de Jesus¹ é suscetível de uma interpretação semelhante.

Assim, Abraão, como também muitas outras pessoas na Bíblia, personifica tanto um princípio do homem quanto um estado de consciência.

Neste método de estudo bíblico, os personagens — divinos, semidivinos, patriarcais e humanos — são considerados personificações de princípios e poderes da natureza como macrocosmo e do homem como microcosmo.

Esta leitura é apoiada por Paulo, que escreve: "...todas estas coisas lhes sobrevieram como figuras" e "...está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava, outro da livre... o que se entende por alegoria..."? Não é irracional supor que tal teoria também possa ser verdadeira para muitas outras porções da Bíblia.

Pode-se até ir além disso e afirmar que a prática de estudar as escrituras do mundo em seu sentido literal, e apenas como registros de eventos históricos reais, pode levar a uma grave confusão mental.

Três outros erros no cristianismo moderno precisam urgentemente ser corrigidos, submeto à consideração.

São eles: a degradação, já mencionada, do conceito do Divino Emanador do universo ao nível de um deus tribal; a confiança em um poder redentor externo (em vez de interior); e a ereção de um edifício teológico fundado em dogmas incríveis. Quanto a este último erro, o autor de Provérbios parece ter expressado uma visão semelhante àquela que forma a base desta obra, a saber, que muitas das passagens bíblicas sobre as quais certos dogmas são fundados foram na verdade concebidas e escritas como alegorias ou parábolas.

Estas dificuldades são todas evitadas, e uma inspiração profunda consistente com a razão é obtida pelo reconhecimento de uma intenção e significado místicos subjacentes a muitas porções das escrituras e mitologias dos povos antigos.

Jo. 13:23. ² 1 Cor. 10:11. ³ Gl. 4:22-24.

O Hebraísmo exotérico sozinho apresenta esta visão de Jeová.

O Cabalismo, a teosofia dos hebreus, sua sabedoria esotérica, proclama a Divindade inominada como o Emanador impessoal autoexistente — sob lei — do Cosmos e de tudo o que ele contém.

A SABEDORIA OCULTA NA SANTA BÍBLIA

Assim, a humildade, a devoção e o amor altruísta de Maria, a Mãe de Jesus; a fragilidade humana e a santidade inerente de uma Madalena e de um Pedro; a "atividade" de Marta e os aspectos muito mais valiosos, espirituais e contemplativos da natureza humana e dos modos de vida humana exibidos por sua irmã, Maria — todos esses atributos fazem parte do caráter de cada indivíduo, sendo as condições da vida que trazem à tona ora um, ora outro.

Os doze discípulos de Jesus os personificam em uma classificação duodecimal como manifestações microcósmicas dos atributos dos signos zodiacais.

O discipulado, ou a proximidade do mestre divino, indica que a evolução do discípulo havia alcançado um estágio avançado.

Em última análise, todos os atributos serão plenamente desenvolvidos como poderes do coração, da mente e do espírito.

Somente quando as doze qualidades zodiacais no homem são "disciplinadas" — ou disciplinadas e refinadas — é que ele é capaz de responder à sua própria vontade espiritual interior e de compreender a sabedoria pura, ambas personificadas pelo Mestre.

A Presença e o poder do Cristo, seja adormecido, despertando ou sendo "nascido", ou plenamente crescido até "a medida da estatura da plenitude de Cristo",¹ deve, no entanto, ser adicionado a todos os atributos humanos para completar, por meio da personificação, a descrição integral do homem.

A interação entre esses vários aspectos da natureza humana, os efeitos que produzem uns sobre os outros, o crescimento ou declínio de um ou mais deles em diferentes épocas e em diferentes vidas, e a emergência gradual e triunfante e a predominância do real Eu Espiritual, o Rei imortal interior, o herói de toda saga — tudo isso é retratado alegoricamente pelos autores iniciados das escrituras do mundo.

Os casamentos nos quais muitas dessas façanhas culminam podem ser interpretados como referências simbólicas à unificação da consciência do Eu exterior e do Eu interior.

Na literatura mística, eles são, portanto, referidos como "casamentos celestiais". Assim, as próprias narrativas descrevem as experiências — particularmente as provações, os testes, as derrotas e as vitórias — de uma pessoa, que é o próprio homem.

Façanhas bem-sucedidas descrevem conquistas interiores, enquanto falhas parciais e completas, derrotas e rendições são alegorias de vitórias temporárias do puramente humano sobre o divino no homem — conquistas da matéria sobre o espírito.

¹ Efésios 4:13.

QUATRO CHAVES PRINCIPAIS

Em geral, as múltiplas experiências do Eu imortal do homem em sua jornada rumo à perfeição são narradas como as aventuras de vários personagens em uma única história.

Os doze trabalhos de Hércules, cada um suscetível de associação com um dos doze signos do Zodíaco, a viagem dos Argonautas, as jornadas e experiências dos israelitas, as vidas do Senhor Shri Krishna e do Senhor Cristo, entre muitas outras, são todas descritivas, de maneira simbólica, da jornada da Alma e das experiências psicológicas, intelectuais e espirituais atravessadas nessa jornada.

Assim, a Segunda Chave é que cada um dos *dramatis personae* representa uma condição de consciência e uma qualidade de caráter.

**As Histórias Dramatizam Fases da Evolução Humana**

A Terceira Chave é que cada história é assim considerada como uma descrição gráfica das experiências da alma humana ao passar pelas várias fases de sua jornada evolutiva até a Terra Prometida, ou consciência cósmica — a meta e o ápice da realização humana.

Alegorias inspiradas são sempre distinguíveis de meros romances e biografias por várias características, tais como a intrusão do sobrenatural e a inclusão na história de seres angélicos e divinos, e até mesmo da própria Divindade.

Quando estes são encontrados, a existência de uma revelação oculta pode sempre ser suspeitada.

O leitor possuidor das chaves pode então penetrar o véu do simbolismo e encontrar aquela sabedoria oculta que ele havia escondido.

Neste terceiro método de interpretação, cada história pode ser estudada de pelo menos dois pontos de vista.

O primeiro destes se refere à experiência evolucionária normal e aos estados mentais e emocionais naturais, enquanto o segundo ponto de vista revela as sagradas alegorias como mais especialmente descritivas das experiências daqueles que entram pela porta estreita e trilham o caminho apertado.

Mat. 1:13-14.


Na parábola do semeador¹, as diferentes condições do solo — como Cristo explicou particularmente a seus discípulos² — representam várias fases evolucionárias e estados de receptividade espiritual da raça e do indivíduo, desde a completa falta de resposta (solo rochoso) até a plena percepção e frutificação (solo fértil). Na parábola das dez virgens³, as insensatas podem ser consideradas como aquelas que ainda não estão suficientemente evoluídas para poder responder aos impulsos que descem do Eu Superior (o noivo) e, portanto, não são realmente dignas de culpa.

As virgens sábias, por outro lado, podem ser interpretadas como personificando todos aqueles em que o Self Espiritual alcançou considerável grau de desdobramento evolutivo e a natureza externa e física está suficientemente desenvolvida para estar ciente desse ato e dar expressão, na conduta da vida diária, ao idealismo superior e aos frutos das experiências espirituais.

Segue-se a iluminação progressiva da mente-cérebro pelo Ego (noivado), levando à fusão das naturezas imortal e mortal (casamento).

Os incidentes das bodas de Caná¹ podem assim ser tomados como referência a essa união interior alcançada por aqueles que despertaram o poder da presença do Cristo dentro de si, alegoricamente indicada pela presença do Mestre.

A essencialíssima fusão da personalidade e do Ego, o "casamento celestial" ou a união da individualidade humana com o Uno Divino Self e a Vida do universo como um todo, "a identidade mística", foi alcançada.

A presença do Cristo nessa história, como em todas em que ele aparece, incluindo aquelas que descrevem os milagres, indica que a sabedoria espiritual, a intuitividade espiritual e um amor e compaixão cristicos já estão bem desenvolvidos e ativos em toda a natureza pessoal.

Sob tais condições, a "água", símbolo dos aspectos de desejo das emoções, torna-se automaticamente transmutada no "vinho" da sabedoria espiritual.

Isso não é um milagre, mas um processo natural que ocorre quando um aspirante constante encontra e trilha o caminho estreito.

A uva e a videira também simbolizam conhecimento, sabedoria e compreensão do espírito das coisas.

Assim como a fermentação dá certa "força" ao vinho,

¹ Mat. 25:1-13. ² Mat. 13:18-23. ³ Mat. 13:19. ⁴ João 2:1-11.

QUATRO CHAVES MAIORES

assim a ação do intelecto sobre o conhecimento esotérico acumulado o transforma em sabedoria pura, percepção implícita e intuitividade profundamente penetrante.

Assim, a Terceira Chave é que muitas histórias das escrituras descrevem alegoricamente fases da jornada evolutiva do homem e suas experiências acompanhantes.

O Simbolismo da Linguagem

A Quarta Chave é que alguns objetos físicos, como também certas palavras, têm cada um seu próprio significado simbólico especial.

A linguagem sagrada dos iniciados das escolas de mistérios da antiguidade é de fato formada de hierogramas e símbolos, mais do que apenas de palavras, sendo seu significado sempre constante, assim como constante também é a doutrina que essa linguagem em toda parte revela.

As palavras são assim usadas como chaves com as quais se destravam os significados internos das escrituras e da mitologia.

Essas chaves, quando giradas sete vezes, revelarão sete camadas de sabedoria sagrada.

Esse ato é alegoricamente referido em muitas ocasiões.

A fornalha ardente, por exemplo, teve de ser aquecida "sete vezes mais do que se costumava aquecer"! antes que os três homens — Sadraque, Mesaque e Abede-Nego — fossem acompanhados por um quarto que apareceu "como o Filho de Deus"? Da mesma forma, as muralhas de Jericó foram circunvaladas no sétimo dia, sete vezes, antes de caírem.⁴ Esta Quarta Chave recebe consideração mais completa no primeiro capítulo da Parte III.

Surge assim a ideia de que, para descobrirmos a sabedoria sagrada das escrituras cristãs e de outras, devemos nos despojar da ideia de que elas foram concebidas e escritas inteiramente como relatos cronológica e historicamente precisos de eventos reais.

A narrativa evangélica, por exemplo, em sua interpretação iniciática, descreve o progresso de uma Alma avançada e elevada através das fases ascendentes finais da evolução até que o mais alto, a Ascensão, seja alcançado.

Para ser plenamente apreciado, o grande drama deve ser transferido do plano material para os reinos e níveis psicológico, intelectual e espiritual da experiência humana.

Uma interpretação da narrativa evangélica desse ponto de vista é sugerida na Parte Cinco deste volume.

Dan. 3:19. ² Dan. 3:25.

Josué 6:1-20. ⁴ Parte Seis deste volume.


Os discípulos, então, são personificações dos mais nobres atributos do homem.

Embora ainda imperfeitos, estão se tornando cada vez mais espiritualizados, ou trazidos à presença de seu Mestre, que personifica o morador do íntimo, o Eu-divino do homem.

Os discípulos ainda não são iguais ao Cristo, sendo mais jovens em evolução e, em consequência, ainda sob a ilusão da separatividade.

Isso é demonstrado por sua pergunta sobre quem seria o maior no reino dos céus! Eles ainda estão manchados por atributos materiais mais grosseiros, daí o simbólico lavar de seus pés por seu Mestre? Um traidor ainda espreita em seu meio, que deve ser auto-revelado e auto-aniquilado antes que a grande Ascensão possa ocorrer.

O Mestre admoesta, repreende e os adverte, indicando a atividade espiritualizante da presença divina interior.

Pelo exercício de poderes teúrgicos, muitos dos milagres registrados — e mal denominados — poderiam ter sido realizados por um Adepto, ou mesmo por um iniciado de grau menor.

Em possíveis interpretações místicas, eles também ilustram os processos de despertar para a atividade a faculdade de responsividade à visão espiritual (restaurando a visão), e à voz mansa e delicada interior (restaurando a audição), o livre exercício do intelecto liberto da ortodoxia rígida (curando os paralíticos) e o despertar para a plena consciência e conhecimento espiritual (ressuscitando os mortos). Este método de interpretação será empregado nos volumes posteriores desta obra, nos quais os milagres do Novo Testamento do Senhor Cristo são considerados.

A narrativa evangélica, e de fato todas as porções inspiradas da Bíblia, dirigem-se menos à mente racional, que frequentemente afrontam, do que à intuição, que pode perceber nelas referências à evolução da Alma espiritual do homem.

Os processos de desenvolvimento e uso ativo dos poderes divinos latentes são retratados nas escrituras mundiais por meio de símbolos e alegorias dramáticas.

Esta visão mística, convém repetir, não nega totalmente a presença da história.

O núcleo de tradição dentro das histórias pode ainda ser um registro de eventos reais, por mais que os autores iluminados os tenham elevado para fora do tempo e do espaço mediante o uso da linguagem sagrada.

1Mt. 18:1. 27n. 13:3-17.

QUATRO CHAVES PRINCIPAIS 93 Incongruências como Pistas para Significados Mais Profundos O estudante da linguagem alegórica recebe quase sempre uma pista — uma, aliás, que à primeira vista pode parecer bastante estranha.

Essa pista consiste em um véu adicional, cobertura ou disfarce que tende a aumentar a confusão e assim a repelir aqueles que consideram como puramente literais as porções das escrituras nas quais o conhecimento potencialmente perigoso, porque conferidor de poder, é ao mesmo tempo revelado e ocultado.

Aqueles que buscam a sabedoria oculta devem guardar-se cuidadosamente contra essa repulsão, seja ela despertada por afirmações incongruentes, inacreditáveis ou impossíveis, ou por histórias que ofendem a lógica e o senso de justiça, decência e moralidade.

Infelizmente, muitas pessoas são afastadas das escrituras, e até mesmo da religião em si, pela descoberta dessas características.

O estudo e a exposição da linguagem sagrada são, portanto, de grande importância.

Algumas Incredibilidades e Sua Elucidação

Uma aparente digressão é aqui feita brevemente para examinar certas incongruências na Bíblia e sugerir possíveis resoluções para os problemas que elas reconhecidamente apresentam.

Certas passagens bíblicas reconhecidamente difíceis são:

(a) “Três dias e três noites de criação passam antes que o sol seja criado.”

Aqui, épocas criativas universais de atividade e quietude, e não as alternâncias de dia e noite em um único planeta, estão implícitas.

(b) “A Divindade ordena massacre e extermínio?”

Os inimigos da alma são personificados pelos inimigos de Israel.

(c) “Noé reúne pares de toda criatura viva de todas as partes da terra — árticas, temperadas e tropicais — e as mantém vivas na arca por quarenta dias?”

De acordo com um princípio universal, também operante em toda a natureza física, as sementes de todas as coisas vivas são preservadas de um período de atividade ou época criativa para o seu sucessor. Os frutos de cada renascimento humano são, por exemplo, preservados entre vidas sucessivas, sendo a arca o símbolo do veículo conservador — cósmico ou humano.

(d) “Os pecados dos pais serão visitados sobre os filhos até a terceira e quarta geração.”

Na sucessão de reencarnações, cada vida humana é como o “pai” daquelas que se seguem, sendo estas referidas como seus filhos. Os desenvolvimentos de caráter são transferidos, e semear e colher ocorrem de vida em vida sob a lei de causa e efeito ou, em sânscrito, karma.

(e) “Jericó é derrubada pelo som de trombetas, chifres e gritos.”

A doutrina do Logos sobre a formação e a dissolução de universos por potências ocultas do som — a “Voz de Deus” — e seu uso em cânticos para derrubar limitações da consciência (muros) e purificar seus veículos, estão todas implícitas.

(f) “Josué faz o sol e a lua pararem para prolongar o dia.”

Pela prática da contemplação, a Vontade divina no homem, sua Fonte de poder e luz espiritual (simbolicamente, o sol), é levada ao seu poder máximo (o meio dos céus) sobre o homem mortal, permitindo-lhe vencer os inimigos da alma (gibeonitas) e alcançar a serenidade.

(g) “A derrota de Sansão pelo corte de seus cabelos, e sua destruição do templo ao apoiar seu peso sobre as colunas.”

O cabelo é o símbolo das relações efetivas entre a Alma Espiritual e a mente-cérebro. Quando isso é rompido, o poder e a orientação do Eu interior são perdidos para o homem exterior, que se torna escravo da matéria e dos sentidos (Dalila). c. Nazireus, um antigo grupo monástico na Palestina, um de cujos costumes era permitir que o cabelo crescesse longo.

Quando o homem atinge o equilíbrio entre os pares de opostos (as colunas), as limitações (o templo) sobre a consciência são dissipadas e as qualidades indesejadas (os filisteus) são destruídas.

Êx. 20:5.

Josué 6:1-20.

Josué 10:12-14. 4 Juízes 16:17-30.

QUATRO CHAVES PRINCIPAIS

(h) Elias sobe ao céu numa carruagem de fogo.¹

A sublimação da força ígnea e criativa no homem permite-lhe ascender aos estados espirituais de consciência (o céu).

(i) Jonas entra no ventre de um grande peixe e permanece ileso por três dias e três noites.² Na iniciação, o candidato é retirado de seu corpo (o navio), adentra o submundo (o mar), e é então elevado à plena percepção espiritual (o peixe) ou alcança a consciência crística.

Após a passagem de tempo suficiente (geralmente três dias e três noites), ele retorna ao seu corpo (é lançado em terra firme).

(j) Uma moeda de tributo é encontrada dentro de um determinado peixe.³

Todas as necessidades (o tributo) para a vida espiritual, intelectual e até mesmo física devem ser encontradas nos aspectos divinos da natureza humana (o peixe). O homem deve aprender a extrair o poder crístico dentro de si.

(k) Uma figueira é seca por não dar fruto no início da primavera.⁴

A menos que o homem dê livremente dos frutos de sua vida, eles murcharão e se perderão.

O texto pode ser considerado tanto a enunciação de uma lei quanto a descrição de um ato.

Uma interpretação mais completa deste incidente aparece na Parte 1, Capítulo III deste volume e também no Volume II, Parte 1, Capítulo II desta obra.

(L) Lázaro é ressuscitado após estar morto por quatro dias.⁵ A morte simboliza total inconsciência espiritual.

A restauração milagrosa da vida implica sua recuperação pela ação do poder e presença divinos interiores (o Cristo). O período de morte refere-se ao tempo durante o qual o corpo do candidato está inconsciente (morte figurativa) enquanto a iniciação está sendo conferida.

Nos Mistérios Antigos, estar morto descrevia metaforicamente a condição do não iniciado, enquanto ser ressuscitado era passar pelo rito sagrado ou ser "elevado".

(m) A carne de Cristo é alimento e o sangue de Cristo é bebida, sendo seu consumo essencial para a vida.⁶

¹ II Reis 2:11. ² Jonas 1:17. ³ Mt. 17:27. ⁴ Mt. 21:19. ⁵ Jo. 11:39-44.

Os Mistérios de Elêusis, p. 47, Prof. Georges Méautés.

⁶ Jo. 6:47-58.


Nosso Senhor insiste que participar de sua carne e sangue é essencial para a salvação.

A “carne” de um Ser divino é um símbolo de verdade espiritual e lei.

Comer tal carne implica absorção intelectual, plena compreensão das verdades eternas.

O sangue simboliza a Vida divina sempre derramada pela qual o universo e o homem são espiritualmente sustentados.

Beber tal sangue implica absorção consciente na vida una do universo e a realização da unidade com sua Fonte.

(n) Os eventos da noite anterior à Crucificação são numerosos demais para que todos tenham ocorrido em uma única noite.

Entre eles estão:

A Última Ceia.

A agonia no Jardim.

A traição por Judas.

A aparição perante Caifás e o interrogatório.

A aparição perante o Sinédrio e o interrogatório.

A aparição perante Pilatos e o interrogatório no Salão do Julgamento.

(Tribunais para julgar malfeitores não se reuniam no meio da noite.) A visita a Herodes, narrada por São Lucas.

O retorno a Pilatos.

Os discursos de Pilatos e o lavar das mãos, registrados apenas por São Mateus.

A flagelação, a zombaria e a vestimenta de Jesus com mantos púrpura.

A longa e dolorosa jornada ao Gólgota, seguida da crucificação.

A dificuldade desaparece se toda a experiência for também considerada como descritiva de mudanças de consciência à medida que o limiar da perfeição é aproximado.

Embora interpretações destas e de muitas outras declarações incongruentes na Bíblia sejam oferecidas em seu devido lugar em volumes posteriores, explicações mais completas de dois ou três dos textos mais perplexos podem, talvez, ser utilmente acrescentadas aqui.

Com relação a (a), aplicando a Quarta Chave — que alguns objetos físicos, como também certas palavras, têm cada um seu próprio

Lc. Caps. & 23. 2 Parte Seis, Cap. II deste volume.

QUATRO CHAVES PRINCIPAIS

significado simbólico especial — os dias e noites da criação referem-se a alternâncias de atividade criativa ou "dia", e quiescência ou "noite". Estes são posteriormente referidos no texto deste livro por seus nomes sânscritos de Manvantara e Pralaya, respectivamente.

Com referência a (b), Josué personifica o iniciado que trouxe sua vontade mônadica, simbolizada pelo sol, à sua posição de máximo poder (o meio dos céus ou zênite). Em consequência, ele impede a chegada da noite (escuridão mental) e mantém sua natureza pessoal (o campo de batalha de Gibeão) naquela condição de iluminação prolongada (dia) que assegura a vitória na batalha entre o espírito (os israelitas) e a matéria (seus inimigos) nele.

Esta maravilhosa alegoria foi mais amplamente considerada na Parte I, Capítulo V. No entanto, mesmo a partir desta breve interpretação, o elemento de impossibilidade pode ser considerado tanto uma pista ou indício quanto uma indicação de uma profunda ideia oculta, para a qual o leitor é incentivado a buscar.

Com relação a (m), é bastante claro que nosso Senhor não estava exortando a humanidade a consumir carne e sangue humanos quando disse: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele. Assim como o Pai vivo me enviou e eu vivo por causa do Pai, também quem de mim se alimenta viverá por minha causa.”¹ As palavras “carne”, “sangue”, “comer” e “beber” não são usadas no sentido usual.

Elas são simbólicas, metafóricas, e são usadas dessa forma para transmitir um significado subjacente oculto.

O que, então, significam essas quatro palavras — “carne”, “sangue”, “comer” e “beber”? A carne de Cristo pode ser interpretada como verdades divinas, leis espirituais, ou aquilo em que ele está vestido, pelo qual é coberto e através do qual, como Logos, se manifesta.

Chega o momento — e é apressado à medida que se entra no “caminho da santidade” — em que o intelecto humano absorve o conhecimento divino, torna-se iluminado e inspirado pela descoberta interior e revelação de verdades espirituais.

Essa experiência na consciência é simbolizada como comer a carne de Cristo. O pão é

João 6:54-57.


também usado para descrever esse conhecimento das leis, processos e propósitos divinos.

Comer pão consagrado é uma alegoria para a recepção, absorção e aplicação à vida desse conhecimento, gnose, sophia, sabedoria esotérica.

O pão é também um símbolo da regeneração cíclica da vida após cada retorno ao estado de semente.

O sangue de Cristo é a vida divina sempre derramada pela qual o Universo é sustentado e sem a qual não poderia viver.

A força vital, de fato, desempenha uma função para o universo e tudo o que ele contém, que se assemelha muito à função sustentadora da vida que o sangue humano desempenha para o corpo físico.

Normalmente, o homem não tem consciência nem do derramamento e da onipresença dessa vida divina, nem do fato de que é a vida espiritualmente sustentadora dentro dele.

Em certo estágio da evolução do intelecto humano, esse fato é percebido intuitivamente.

Tal realização pelo aspirante pode ser apressada por meio de certas práticas espirituais, meditação e oração, e com o auxílio de seu Mestre, o hierofante, e de outros oficiantes nos sagrados ritos iniciáticos dos templos dos Grandes Mistérios.

Em última análise, pode-se obter pleno conhecimento da efusão da vida crística no universo e no homem, e também da identidade do homem com essa vida e sua divina Fonte.

Essa realização é descrita simbolicamente como beber o sangue de Cristo.

Pode-se supor que Nosso Senhor se referia a um estado de consciência de unidade com o Cristo cósmico e sua vida derramada, e não a um ato de nutrição física.

Uma vez ocorrida essa alimentação e bebida simbólicas, esse ágape espiritual, o processo pode ser iniciado em outros que, por sua vez, famintos pela verdade, podem ser alimentados em vastas multidões.

Como o incidente da "multiplicação dos cinco mil" conta alegoricamente, nessa ministração não há, nem pode haver, qualquer perda.

Pelo contrário, há mais sabedoria espiritual, conhecimento e vitalidade espiritual ascendente depois do que antes.

Mateus, 14:15-21.

PARTE TRÊS

UMA PARTE DO ALFABETO DA LÍNGUA SAGRADA

CAPÍTULO I

UMA PEDRA DE ROSETA PARA A LINGUAGEM DOS SÍMBOLOS

O leitor que aceita a abordagem feita no capítulo anterior recebe agora uma extensão da Quarta Chave na forma de certas interpretações, dispostas em ordem alfabética, de símbolos universalmente usados.

Abluções, banhos, purificações referem-se à autopurificação, à lavagem das acumulações materiais do corpo físico, à eliminação do egoísmo e da sensualidade das emoções e do orgulho e da possessividade da mente.

No caso do lava-pés dos discípulos por Nosso Senhor, indica-se a minuciosidade (até os pés) da purificação pela ação do espiritual sobre a natureza material, pois os pés simbolizam a manifestação mais baixa (a física) do Eu Espiritual do homem.

Os antigos escritores não parecem ter desdenhado o uso do trocadilho: o lava-pés dos discípulos pelo Mestre também implica uma clarificação da mente e, portanto, do "entendimento"!

Dores e sofrimentos são simbólicos de desordens da alma, de desarmonia e doença resultantes de erros de conduta e fases de aridez espiritual.

Éter, como a substância elementar básica a partir da qual o universo foi formado, representa a mais elevada natureza espiritual do homem, o divino Atman. Os mundos etéreos dos Deuses simbolizam os mais altos níveis de consciência no universo, aqueles reinos do espírito dos quais os mundos inferiores procedem, pelos quais são modelados e aos quais finalmente retornam.

Atma (ou Atman) (Sânsc.). O Espírito Universal, a Mônada divina, o sétimo Princípio na constituição septenária do homem.

Macrocosmicamente, a Alma Suprema.


O Ar pareceria referir-se principalmente às atividades da mente abstrata e da intuição.

As Nuvens, em uma interpretação, representam um velamento da percepção clara, ou o obscurecimento da mente inferior pela iluminação ou "luz solar" da superior.

As Nuvens têm ainda outros e variados significados.

Uma nuvem branca simboliza o veículo da consciência crística, particularmente em seu aspecto de iluminadora intuicional para a mente humana.

Quando o pensamento aspirante e a meditação são dirigidos aos aspectos mais divinos da natureza do homem, o reino e o veículo da intuição são penetrados, por assim dizer, para produzir um fluxo descendente de chuva espiritual, significando percepção intuitiva da verdade, sabedoria na condução dos assuntos e benefícios derivados de fontes espirituais.

Este veículo da intuição em si mesmo é uma envoltura para a manifestação e expressão em níveis inferiores da vontade espiritual, o Eu régio do homem.

Quando a consciência é exaltada ao nível da sabedoria pura, da intuitividade espiritual e da plena realização da unidade, às vezes simbolizada por uma nuvem branca, então o poder quase onipotente da Vontade-Eu do homem pode ser discernido.

Assim escreveu o autor do livro do Apocalipse: "E olhei, e eis uma nuvem branca, e sobre a nuvem um assentado semelhante ao Filho do homem, tendo sobre a cabeça uma coroa de ouro, e na mão uma foice afiada."

Visto que, no entanto, as nuvens excluem a luz do sol, elas são, como também sugerido acima, símbolos daquela obscuridade com a qual a natureza superior do homem é considerada pelo cérebro-mente analítico.

Tempestades elementais geralmente se referem a condições mentais e emocionais perturbadas.

Ar parado representa tanto as emoções superiores quanto a intuição, enquanto ventos impetuosos às vezes se referem a estados mento-emocionais perturbados.

Em outro sentido, a nuvem representa o efeito sobre os veículos inferiores produzido por uma descida especial e manifestação da luz do superior, que tem a aparência de uma névoa luminosa.

Portanto, Deus frequentemente aparece em uma nuvem.

Os altares simbolizam o corpo físico com seus atributos emocionais e mentais, onde o Eu divino está consagrado.

Às vezes, o coração é referido como o altar no qual a adoração ao divino deve ser realizada.

Os altares idealmente desempenham uma dupla função.

Eles são centros dos quais a aspiração e a oração sobem do inferior

Rev.

14:14.  2 Êx. 19:9, 24:15-16, 34:5.

A LINGUAGEM DOS SÍMBOLOS

para o superior, e aos quais a bênção espiritual e o poder descem em resposta.

Os ancestrais, ou progenitores, são símbolos de ciclos precedentes — solares, planetários, raciais — e de encarnações humanas anteriores; pois todos esses são os pais da presente dispensação, manifestação, individualidade e personalidade.

Nesse sentido, a visitação dos pecados dos pais (vidas precedentes) sobre os filhos (vidas posteriores) não parece cruelmente injusta, como certamente parece se o quinto versículo do Capítulo Vinte do Êxodo for tomado literalmente.

Os anjos, quando não se referem diretamente aos membros das hostes angélicas, como é frequentemente o caso, referem-se ao mais elevado princípio espiritual do homem, o Atma, e às vezes à própria Mônada.

A Mônada está para sempre em unidade com o Logos, e é portanto verdadeiro para todos os homens que "... os seus anjos sempre veem a face de meu Pai que está nos céus". Isso indica a verdade de que a Mônada está sempre na presença da Fonte Espiritual, o Senhor Supremo.

Os animais, quando predadores, referem-se aos desejos e paixões da carne.

Sua domação, ou destruição, simboliza o domínio sobre a natureza inferior.

Isso deve ser feito por cada indivíduo, e em grande parte por ele mesmo, sozinho.

Portanto, em alegorias, a matança de leões com armas, sendo instrumentos externos, não é suficiente.

Quando o mel foi extraído da carcaça de um leão por Sansão, a sublimação da força criativa foi indicada.

As formigas têm sido usadas como símbolos da Mônada espiritual e daquele poder de eletricidade cósmica (conhecido em tibetano como Foha) que, ao "cavar buracos no espaço" ou iniciar o processo de formação de átomos, prepara a matéria do espaço para o cultivo divino.

Insetos voadores, particularmente borboletas e pequenos pássaros, às vezes conotam figurativamente as hostes angélicas.

Unções simbolizam o recebimento, pela personalidade, da sabedoria espiritual, do amor, da bem-aventurança e da consagração.

As diversas partes do corpo têm cada uma seu significado especial, que será sugerido nos lugares apropriados.

Ungir a cabeça com óleo, por exemplo, significa que a mente é iluminada pela intuição e que o Cristo

Mateus

18:10.

Juízes 14:8-9,

Fohat (Teos.). A força construtiva da eletricidade cósmica.

polarizada em eletricidade positiva e negativa; a energia elétrica sempre presente; a força vital universal, propulsora.


bem-aventurança, harmonia, foram trazidos à manifestação na e através da vida pessoal, agora inteiramente santificada.

O óleo é derivado das árvores da mesma forma que os atributos crísticos são derivados da Árvore Espiritual da Vida, que é Deus.

A esterilidade é usada na linguagem sagrada como símbolo de uma condição espiritualmente infrutífera da consciência humana, da não responsividade da mente (a esposa) aos raios fecundantes da tríade espiritual (o esposo) e, mais especialmente, à descida do raio mônadico.! Da mesma forma, a fecundidade representa o estágio evolutivo no qual isso foi remediado, sendo a personalidade externa dali em diante iluminada pela luz do Self imperecível.

Em consequência, diz-se que um filho (intuitividade espiritual) é concebido e nascido na suposta velhice (estatura evolutiva avançada) de uma esposa até então estéril (pré-iniciada).?

As batalhas são símbolos do conflito entre espírito e matéria, entre os impulsos e processos involutivos e evolutivos, entre vontade e desejo, entre o "bom" e o "mau" na humanidade — racial e individual.

Na linguagem simbólica, todas as guerras referem-se, microcosmicamente, a alguma fase ou fases do conflito entre a Mônada-Ego do homem e seus veículos mortais, entre o Self ascendente e a vida descendente que anima a matéria da qual esses veículos são formados.

Os assim chamados inimigos do herói, ou do povo escolhido, são os apetites, desejos, resistências e a inércia da própria matéria, sempre em oposição ao espírito.

Como o Antigo Testamento mostra, eles devem ser mortos, extirpados pela raiz e pelos ramos.

Assim considerada, a brutalidade e a sede de sangue exibidas por Jeová são vistas como símbolos da implacabilidade com a qual o homem espiritualmente inspirado erradica as tendências indesejáveis de sua natureza inferior.

De fato, o Antigo Testamento é purificado de suas características objetáveis quando se percebe que, em muitos casos, seus autores não estavam relatando história pura; estavam revelando as leis e os princípios dos aspectos ocultos da natureza, e a vida oculta dos neófitos e iniciados das escolas hebraicas de profetas — e

os correspondentes centros de mistério de outras nações.

A filosofia oculta inclui a ideia de que todas as pessoas são suscetíveis de classificação em sete grandes tipos ou temperamentos básicos, chamados na filosofia oculta de "Raios". Sobre

cada um deles, diz-se que um Adepto Oficial preside, em parte para auxiliar a evolução daqueles que evoluem em seu raio; vide: Os Sete Temperamentos Humanos.

Geoffrey Hodson, T.P.H., Adyar, Madras, Índia.

Lc. 1:24.

2 Reis 2:5, 4:38.


As aves representam o Eu Espiritual, seja do universo ou do homem.

Isso não é raramente simbolizado por uma ave aquática, como o cisne ou o pelicano, que vive sobre e voa acima da água (do espaço). O glifo do pelicano rasgando o próprio peito para alimentar seus sete filhotes simboliza, primeiro, o Logos do sistema solar no ato perpétuo de derramar sua inesgotável força de vida para que os Setenários Esquemas Planetários, com suas muitas divisões septenárias, sejam vivificados; e, segundo, a Mônada do homem, que alma e vivifica espiritualmente seus sete princípios ou veículos.

O toucado em forma de ave indica tanto a união do cérebro-mente com o intelecto espiritual quanto o domínio e a proteção do eu inferior pelo superior.

Holocaustos são um símbolo de autopurificação.

Todas as emoções grosseiras e animalescas e os desejos sensuais são renunciados no caminho espiritual, e a energia normalmente expressa através deles é transmutada em poder espiritual.

Quando o desejo animal é assim sublimado, ele é, por assim dizer, consumido, enquanto a força empregada em sua indulgência "ascende" como uma fragrância para ser recebida pelo Deus interior do homem, e para encontrar expressão através dos aspectos superiores da natureza humana e como as atividades mais nobres do homem terreno.

Novamente, a repulsa despertada pelo conceito de uma Divindade que acolheria e encorajaria o abate e a queima de animais como parte do culto cerimonial desaparece quando a intenção simbólica dos autores é compreendida.

As carruagens representam toda a personalidade dentro da aura envolvente nos níveis superfísicos, e dentro da pele do corpo físico (as laterais e o assoalho da carruagem). As rodas tipificam o poder móvel, a capacidade de responder em movimento relativamente livre aos impulsos da força de vida.

O timão da carruagem pelo qual os cavalos são atrelados, e ao longo do qual sua força é transmitida ao veículo, poderia talvez ser considerado como o duplo etérico, o depósito e condutor de energia vital.

Uma interpretação mais plena e completa é encontrada no Kathopanishad, como se segue:—

“Conhece o Ser como o senhor da carruagem e o corpo como, verdadeiramente, a carruagem; conhece o intelecto como o cocheiro e a mente como, verdadeiramente, as rédeas.

Kathopanishad 1-3-3 a 1-3-9, tradução do Dr. Radhakrishnan de seu The Principal Upanishads.


Os sentidos, dizem eles, são os cavalos; os objetos dos sentidos, os caminhos (que eles percorrem); (o ser) associado ao corpo, aos sentidos e à mente — declaram os sábios — é o desfrutador.

Aquele que não tem entendimento, cuja mente está sempre desenfreada, seus sentidos estão fora de controle, como cavalos selvagens para um cocheiro.

Aquele, porém, que tem entendimento, cuja mente está sempre refreada, seus sentidos estão sob controle, como bons cavalos para um cocheiro.

Aquele, porém, que não tem entendimento, que não tem controle sobre sua mente (e é) sempre impuro, não alcança essa meta, mas retorna à vida mundana.

Aquele, porém, que tem entendimento, que tem controle sobre sua mente e (é) sempre puro, alcança essa meta da qual não nasce novamente.

Aquele que tem o entendimento como o condutor da carruagem e controla as rédeas de sua mente, ele alcança o fim da jornada, aquela morada suprema do onipenetrante.”

O milho simboliza a matéria que é o produto da ação do Pai-Mãe criador, e que gesta dentro e nasce do ventre deste último.

A ação criativa sob a lei usa este "milho", ou produto direto da matriz universal, para formar universos, sóis e planetas, e estes são representados como os pães.

Antes que tal utilização possa ocorrer, a substância secundária deve tornar-se carregada de energia elétrica e criativa, ou ser "fermentada". Em termos de consciência humana, o milho é o símbolo da mente-vontade, o germe representando a vontade, o protoplasma a mente e a membrana envolvente o sentido ahamkárico ou agente individualizador, envolvente e separador, enquanto a casca é a mente formal de cada ciclo de vida.

Um grão de milho é também um símbolo do Ego humano, o princípio imortal e evolutivo do homem.

O germe deste é a Mônada-Atma, os constituintes químicos são as qualidades e poderes inerentes, a epiderme é o envoltório áurico, particularmente o do Augoeides, e a casca (que mais tarde deve morrer) é o atributo mental da personalidade-eu acentuada.

Para se desenvolver, o Ego deve encarnar em corpos mortais, assim como o grão deve ser plantado se quiser dar fruto.


A casca deve ter sido removida e a pele envolvente deve decompor-se antes que o germe frutificado possa produzir o broto e o caule sobre os quais uma espiga inteira de milho pode crescer, e o uno gerar muitos.

Para tornar-se frutífero com poderes egoicos desenvolvidos (os grãos de milho na espiga), o homem deve usar esses poderes nos mundos materiais.

Ele deve ainda permitir que a casca e a pele percam o poder de limitar o desenvolvimento interior.

Simbolicamente, a casca deve ser removida e a epiderme deve decompor-se, significando que a dependência da ilusão separativa e auto-enclausurante do "eu" deve cessar; pois só então pode ser alcançada a plena frutificação no sentido evolutivo, e a plena nutrição do homem inferior pelo superior ocorrer.

Novamente, como no milagre dos pães e peixes, é a intuição com sua ação universalizante e revelação da unidade (o Christos) que torna possível esse processo.

Simbolicamente, o Cristo alimenta as multidões com pães e peixes.

As pombas, com sua suave beleza de coloração e suas vozes harmoniosas e arrulhantes, simbolizam apropriadamente aquela sabedoria puríssima que, descendo à natureza inferior, "ordena todas as coisas poderosa e docemente". Os vendedores de pombas que foram expulsos do templo e cujas mesas foram derrubadas por Jesus! são aqueles que, tendo alcançado uma medida de sabedoria e conhecimento oculto, comercializam seus poderes recém-descobertos.

Ao fazerem isso, fingem espiritualidade, mas na realidade estão aviltando a ciência sagrada para ganho pessoal.

Os hierofantes expulsam estes do santuário.

Eventualmente, o poder do Cristo despertado dentro deles purifica o templo da natureza inferior dessas características indesejáveis.

A Terra e todos os objetos físicos e sólidos referem-se, principalmente, ao corpo físico do homem e aos estados humanos de consciência desperta.

Os quatro elementos — terra, água, ar e fogo — aplicam-se, em geral, às experiências interiores, atividades e estados de consciência nos níveis da natureza física, das emoções, da mente e do Espírito interior do homem, respectivamente.

O Bezerro Cevado, que fazia parte da festa preparada para o Filho Pródigo em seu retorno, simboliza a plenitude de faculdades, a riqueza de poderes e realizações típicas do Adepto "retornado",

1Jo. 2:14-15.


libertado e ascensionado.

A percepção implícita das causas primeiras, a intuitividade espiritual infalível e o discernimento estão entre esses poderes ou "riquezas" desenvolvidos. O bezerro de metal fundido que os israelitas adoravam ao pé do Monte Sinai simboliza a expressão grosseiramente material da submissão à força do desejo e, assim, a negação da sabedoria intuitiva; e também a leitura literal das Escrituras e a subserviência às formas exteriores e cerimônias da religião, divorciadas da verdadeira espiritualidade.

A Morte Figurativa.

A lei de que a forma deve morrer antes que a vida seja livre é enunciada nas famosas palavras do Cristo: "... Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto." O morrer do grão é essa mesma morte do Cristo na Cruz, e do Logos de um universo, ou do "Cordeiro imolado desde a fundação do mundo". A décima praga e a Páscoa revelam alegórica e dramaticamente esse processo e essa lei.

Os sete dias durante os quais o Senhor, por meio de Moisés, ordenou aos israelitas que comessem pães ázimos referem-se aos sete subciclos do último grande ciclo evolutivo.

Nos cosmos, este é o último ciclo completado da existência dos sistemas solares.

Nos Esquemas Planetários, Cadeias e Rondas, a última fase completa consiste em sete estágios, em cada um dos quais a universalização da consciência é desenvolvida e estendida.

Isso foi alcançado no final da fase penúltima e torna-se o motivo de todo o ciclo, desde a abertura de seu sucessor até o seu fechamento.

A consciência universalizada está ela própria sujeita à evolução e à extensão de seu alcance.

Começa com a capacidade ou percepção, à vontade, em todo o corpo físico e é então estendida sucessivamente através dos corpos superfísicos, do mais baixo até o mais alto.

Estes são em número de sete, e a obtenção da percepção universalizada em cada um deles ocupa um período evolutivo ou "dia".

O Adepto alcançou forçosamente essa universalização da consciência muito à frente da raça.

Em vez do processo normal, relativamente lento e doloroso através de Raça, Ronda, Cadeia e Esquema Planetário, ele atinge esse estado de consciência por um esforço deliberado.

Isso é mantido ao longo de várias vidas e consiste em grande parte na prática de Raja Yoga, que inclui a contemplação prolongada do Eu divino, o Paramatma, do universo e da unidade com ele do Atma humano.

Em última análise, sabe-se que estes não são dois, mas um, e a partir de então o Adepto Yogi afirma com plena realização: "O Atma e o Paramatma são um".

Esse processo de auto-universalização forçada é pelo menos duplo.

Por um lado, o futuro Adepto força-se progressivamente a renunciar ao senso de eu, a negar a si mesmo toda sensação de identidade individual e a abandonar todo vestígio de possessividade pessoal, e até mesmo o senso de identidade pessoal como um ser separado.

Essa negação e esse abandono do eu constituem parte da "morte" figurativa de todos os ritos iniciáticos.

Por outro lado, ele estende a experiência em consciência de sintonia harmoniosa com a vida de todos os seres ao seu redor até que a autoidentificação ou unificação (a verdadeira Expiação) com eles seja alcançada, e pela prática torna-se normal.

À medida que isso é sucessivamente alcançado em veículo após veículo de consciência, ele se torna um com a vida em todos os seres em todos os níveis.

Isso culmina no final do sétimo "dia", ou Manvantara maior, de sua manifestação como uma entidade cósmica em unificação com a totalidade do campo designado de evolução.

No caso de um Logos Solar, está implícita a onipresença consciente em todo o sistema solar.

Não há finalidade neste processo de extensão da autoidentidade com outros eus.

Os cosmos manifestados são inumeráveis, pois todos estão evoluindo através do contínuo processo de emergência do Absoluto e retorno a Ele. O Absoluto pode, portanto, ser provisoriamente definido em termos de consciência como autoconsciência absoluta no espaço e no tempo, tanto potencialmente em Pralaya quanto atualmente em Manvantara, sem cessação e sem limites.

Contudo, a própria consciência é uma negação da absolutez.

A consciência absoluta inclui toda fase possível, desde a transcendência em Pralaya até a imanência em Manvantara.

A consciência absoluta deve incluir a inconsciência, bem como toda consciência possível, e portanto é inconcebível à mente em manifestação, exceto por teoria.


A consciência nos seres mais elevados ascende ao próprio limiar desse estado, e este é o ápice evolutivo.

Em um sentido, comer pão sem fermento é transcender a individualidade, ou participar da vida una em sua autoexistência eterna em homogeneidade.

O fogo tem pelo menos um duplo significado na linguagem sagrada.

Quando destrutivo, refere-se aos atributos e atividades hipercríticos da mente humana.

Quando fonte de iluminação, como sobre um monte ou como coluna de fogo guiando através das trevas, refere-se à força criativa sublimada no homem, às vezes chamada de fogo serpentino!, por meio do qual as trevas do estado mental não iluminado e mundano são deslocadas pela luz da sabedoria.

O deserto, o estado árido de consciência, então dá lugar à "Terra Prometida" da fecundidade espiritual e da união realizada com Deus.

Esse poder também é universalmente simbolizado pela serpente?

O Primogênito é um símbolo do homem ou da mulher recém-iniciado.

Após a primeira das grandes iniciações, que em si marca uma passagem de uma fase da evolução humana para sua sucessora, os veículos superfísicos usados pelo agora iniciado Ego nos níveis mental e emocional não se desintegram mais após a morte, como antes.

Através de todos os renascimentos sucessivos, o Ego retém a psique mento-emocional pessoal.

Nesse sentido, a imortalidade pessoal relativa (embora ainda não a do corpo físico) foi alcançada.

A morte passa por cima dessas formas (casas) nas quais os Egos iniciados continuam a habitar.

Eles estão marcados com "o sangue do Cordeiro", no sentido de que a natureza crística foi despertada para a atividade autoconsciente, e a influência e a atitude crísticas em relação à vida são características do homem exterior.

Esses veículos são referidos como as casas dos israelitas, que são poupadas pela morte.

Os egípcios, por outro lado, representam a humanidade normal, que na época atual ainda se encontra no estágio pré-iniciático da evolução.

Em consequência, o procedimento normal da desintegração dos três veículos pessoais — o físico com o éterico interligado, o emocional e o mental — ocorre após a morte física.

A natureza mento-emocional foi a primogênita da época precedente e, até que o homem ou a mulher seja tocado pelo tirso, está condenada a morrer com o físico. Se esta visão for aceita, o ultraje tanto à Divindade quanto à mente humana, inseparável da leitura literal da escritura, desaparece.

O Senhor Deus não é, na verdade, uma divindade tribal e sanguinária que incita seus seguidores a abater cordeiros, comer a carne e aspergir suas casas com o sangue; tampouco é um assassino impiedoso.

O Senhor Deus pode agora ser visto como uma personificação da lei, e seus feitos como alegorias que retratam a progressão cósmica, racial, individual, e tanto natural quanto iniciática, de uma fase da evolução para a seguinte.

O Peixe é um símbolo universalmente usado, com muitos significados.

Em um deles, refere-se às paixões humanas refinadas a um estado inofensivo, sublimadas, transmutadas para produzir iluminação e realização da unicidade de toda a vida, ou para se tornarem "alimento". Apenas a sublimação é necessária, pois a força motriz por trás da paixão é a mesma que está por trás da compaixão.

A consciência crística, a sabedoria nascida da união da vontade e do amor universal, que é o amor pessoal tornado inclusivo, é representada pelo peixe.

Este habitante das águas (emoções) simboliza aquela condição de consciência, e a mitra do bispo tem a forma de cabeça de peixe com boca aberta, possivelmente como símbolo de que tão alto dignitário alcançou esta iluminação intelectual (cabeça) e sua vida é consagrada à sua expressão.

Além da atribuição astrológica de características — compaixão crística e sabedoria intuitiva — ao signo zodiacal de Peixes, um peixe parece ter sido usado como sinal secreto pelo qual os primeiros cristãos podiam identificar-se mutuamente durante o tempo em que eram perseguidos. Além disso, as letras da palavra grega para peixe, *ichthys*, são as letras em grego da frase "Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador".

Acidentes Geográficos, usados constantemente como símbolos topográficos, referem-se a estados despertos de consciência, sejam normais (terreno plano), rebaixados (vales) ou exaltados (montanhas). A Palestina e a Jordânia, por exemplo, assim como o Egito e o Nilo, são dotados de significado espiritual.

Macrocosmicamente, o país é o universo e o rio é a corrente de vida divina fluindo perpetuamente através dele para sua vivificação.

A consciência pré-iniciática ("os que estão fora") está ciente apenas do universo material e dos símbolos materiais.

Na primeira iniciação, alcança-se a consciência autoconsciente da existência da vida una, e um despertar do reconhecimento da unidade espiritual com ela.

Além disso, os símbolos são então substituídos pela percepção direta daquilo que tipificam (conhecer o mistério "face a face", como nas palavras de Cristo aos seus discípulos). Esta autounificação com a corrente eterna, onipresente, de vida criativa é tecnicamente chamada de "entrar na Corrente". Cada iniciação aprofunda esta realização, até que na quinta ela se completa.

O Adepto conhece a si mesmo como idêntico à corrente que preenche a vida, a vida espiritual imanente, que como um rio flui para dentro e vivifica toda forma.

Diz-se então tecnicamente que ele "atravessou a Corrente". Jordão, Nilo e outros rios sagrados são usados como símbolos daquela vida intemporal, sem espaço, inesgotável de Deus.

Conscientemente uno com ela, o Adepto alcança a imortalidade.

Microcosmicamente, a Palestina representa o corpo físico do homem, com o Jordão como a espinha dorsal, o Mar Morto como a região sacral, o Mar da Galileia como o coração e as montanhas do Líbano, por vezes cobertas de neve, como a cabeça, exposta e receptiva à chuva que cai, símbolo das próprias águas da vida.

Separar por poder mágico as águas do Jordão (ou do Mar Vermelho) em duas correntes, uma à direita e outra à esquerda, para transportar a Arca da Aliança (a nação israelita) e permitir que o povo atravesse a pé enxuto, é um método alegórico de descrever certas transformações corporais e o despertar e a ascensão, ao longo da espinha dorsal, das correntes positiva e negativa do fogo serpentino.

Os dois memoriais construídos de doze pedras, um na margem ocidental do Jordão¹ e o outro em seu leito², representam o particular e o universal.

Eles também representam, humanamente falando, o microcosmo com seus doze poderes zodiacais e o macrocosmo com seu cinturão zodiacal, e revelam a exatidão de sua conformidade mútua.

São, de fato, os mesmos e idênticos, exceto em dimensão.

"O Universo é um homem em grande escala."³

A retenção das águas do Jordão também representa o descobrimento da verdade fundamental.

As pedras encontradas no leito, abaixo das águas, representam tanto a sabedoria superna quanto os fundamentos últimos sobre os quais toda a criação se baseia.

Essas raízes do ser, essas verdades e poderes, esses números e leis, sobre e de acordo com os quais o universo e o homem são construídos, estão normalmente ocultos sob a substância viva da qual são compostos.

O homem cego pela matéria, a mente pré-iniciada, não pode vê-las sob o "dilúvio". O homem espiritualmente iluminado, a mente iniciada, perfura o véu, simbolicamente retém as águas do Jordão e percebe e, para sempre depois, conhece os doze poderes, princípios e verdades sobre os quais, e dos quais, o universo e o homem são construídos.

O iniciado traz conscientemente à tona, de dentro de si, seu Rio Jordão humano, sua vida espiritual, e os mesmos doze poderes, e os desenvolve à perfeição como uma afirmação e memorial eternos de sua existência macrocosmica.

¹ Josué 4:20. ² Josué 4:9. ³ Col. 4:5; ver também 1 Cor. 13:12; Matt. 13:11.

Nesta etapa de sua jornada para a Terra Prometida, os israelitas sob Josué representam o homem na fase iluminada de sua evolução, na qual ele conscientemente assume sua vida e seus poderes em suas próprias mãos e deliberadamente acelera seu desenvolvimento até o estado aperfeiçoado.

Verdadeiramente também se diz que os memoriais estão lá até hoje, de doze pedras e eternos; pois a lei natural é eterna, e quando uma vez o homem é autolibertado e autoperfeito, permanece assim para sempre.

Assim, de fato, tudo é interior, tudo ocorre dentro do homem.

Em sua interpretação microcósmica e iniciática, as grandes histórias retratam o treinamento, as provações, os fracassos e os sucessos daqueles que encontram e trilham o caminho para a perfeição, "a porta estreita" e "o caminho estreito" que conduzem à vida eterna.

Gólgota pode ser interpretado como o lugar onde ocorre a "Crucificação" física, mental e espiritual.

A conquista final e completa da consciência crística, com tudo o que isso implica, deve ser alcançada em plena, desperta e física consciência.

A própria mente-cérebro deve receber essa iluminação.

O cérebro está situado dentro do crânio, e é por essa razão, pensa-se, que a Crucificação foi feita para ocorrer no Gólgota, "um lugar de caveira".

Os Cavalos de Faraó representam a força-vida inteligente que é o poder propulsor por trás e dentro das atividades da mente, da emoção e do corpo.

Quando dirigida espiritualmente, essa energia mental eleva o centro de consciência em direção aos mundos espirituais, assim como Pégaso, o cavalo alado, carregava seu cavaleiro.

Quando desenfreada, a força-vida impelida pela mente pode levar à indulgência da natureza inferior, com suas paixões e desejos.

Assim, uma tentativa é feita por feiticeiros para que o menino Zoroastro seja pisoteado até a morte por cavalos.

O cavalo principal, no entanto, permanece sobre a criança e a preserva de ferimentos.

Um cavalo branco é um símbolo da mente superior, iluminada pela intuição.

O Senhor Buda, por compaixão pelos sofrimentos do mundo, diz-se que voou pelos céus em um cavalo branco e entrou nas regiões dos demônios para assegurar a felicidade da humanidade.

O cavalo branco também é simbolicamente associado ao sol, e assim ao habitante do íntimo, a Mônada do homem.

O Salvador do mundo, ou Rei Messias, é descrito como montado em um cavalo branco, segurando um arco e usando uma coroa.

A flecha é um símbolo dos dardos ígneos ou raios do sol que fisicamente dão vida, energia e fecundidade à natureza.

Interpretada espiritualmente, simboliza o impulso do espírito, a energia ígnea e elétrica (Fohat) pela qual a progressão evolutiva é iniciada e mantida.

No homem, a flecha é a força de vontade da Mônada que desperta a faculdade intuitiva adormecida dentro do Eu Superior e fornece a energia propulsora que faz o homem partir em direção à grande busca, como um alpinista que arrisca sua vida para conquistar um pico até então desconhecido e inviolado.

O Avatar, ou divino Salvador do mundo, montado em um cavalo branco, é assim o Cristo; Vishnu entre os hindus; o Logos tanto de um universo quanto da alma humana.

Na escolha de um cavalo em vez de um asno, boi, elefante ou outro quadrúpede domesticado, o atributo da velocidade é deliberadamente acentuado.

A rapidez do movimento sugere hiperatividade, e

Mat.

27:33.

O Avatar vindouro que aparecerá no fim da presente era sombria, referido no Hinduísmo como o Avatar Kalki.


a atividade é um dos três atributos básicos de toda substância, sendo os outros dois ritmo e inércia. A atividade ou velocidade, quando descontrolada, leva a ações indesejáveis e excessos na autoexpressão.

Isso é simbolizado por animais selvagens e de movimento rápido.

A atividade, controlada e equilibrada com ritmo e inércia, leva a um movimento poderoso e gracioso, sujeito ao domínio, e essa condição é bem retratada pelo cavalo.

O cavalo alado, Pégaso, além dos significados já sugeridos, representa uma condição evolutiva ainda mais avançada; pois um Pégaso pode deixar a terra e elevar-se aos céus.

Os quatro mundos inferiores nos quais, normalmente, a forma aprisiona a vida, e os quatro veículos inferiores do homem, tornaram-se tão completamente subordinados à consciência e vida interiores e tão permeados pelo poder espiritual despertado que não mais confinam a limitações temporais e materiais o ser que os utiliza.

As duas asas de tal montaria representam as mentalidades abstrata e concreta, coordenadas e, no entanto, devidamente separadas.

Sob essas condições, o espírito está livre de antigas limitações materiais, e o homem pode elevar-se em consciência a reinos além daqueles onde o intelecto humano normalmente atua e tem consciência.

O Beijo envolve o sentido do tato.

Simboliza o contato criativo do agente positivo sobre o recipiente negativo e retrata uma fase no processo criativo.

Na experiência superfísica humana, o beijo é astro-búdico.

Fisicamente, é dado pelos lábios, que são a entrada do órgão do paladar.

É uma expressão de amor e desejo, inspirada por uma realização ou reconhecimento instintivo da unidade, por mais fugaz e tênue que essa realização possa ser.

Contudo, uma vez que a unidade por trás da aparente diversidade é um fato inalterável, uma vez que a vida em todos é una e a mesma, apesar da variedade de formas, o instinto pela unidade encontra expressão constante e contínua no homem.

Portanto, o beijo, ou união dos "órgãos" criativos superiores, é a expressão imutável e eternamente continuada do amor.

Num beijo nos lábios, a emoção predomina; o espiritual é implícito por um beijo na testa, sobre a glândula pineal e o Chakra Ajna.

O fato de que beijos paternos, maternos, filiais, fraternais e de irmãs raramente são dados nos lábios é de interesse, estando o elemento do desejo

A SABEDORIA OCULTA NA BÍBLIA SAGRADA ausente de todos esses.

Em geral, somente entre amantes o beijo é dado nos lábios.

O beijo que Jacó deu a Raquel, com suas sugestões de atração pela visão, de contato pelo tato, de ação positiva pelo masculino e aquiescência e resposta pelo feminino, simboliza perfeitamente o processo criativo macrocósmico que começa com o "beijo" do Espírito sobre a matéria.

O beijo de Judas é uma traição que leva ao aprisionamento, à degradação, ao sofrimento, à morte e ao sepultamento do Cristo, no sentido de que o espírito, que ele personifica, é envolvido e assim "traído" e aprisionado pela matéria, sendo a liberdade primordial temporariamente restringida.

Casamento, e relação sexual, seja legal ou ilícita, não se referem a qualquer relação carnal, mas a um "casamento" espiritual, ou fusão de consciência, em qualquer nível.

A consciência física desperta pode ser elevada à união com a do Eu espiritual interior.

Um grande mestre pode fundir sua consciência intimamente com um discípulo, enquanto no nível espiritual o Supremo Mestre de todos mantém perpetuamente uma união indissolúvel entre si mesmo e todos os seres.

O símbolo do casamento é assim usado em dois sentidos.

Um se refere à unificação consciente do divino e do humano no homem.

O outro se refere à união íntima e espiritual estabelecida entre um verdadeiro mestre e a Alma Espiritual de um discípulo ou, no caso de Nosso Senhor, com toda a humanidade.

Este último aspecto é considerado por alguns místicos cristãos como a verdadeira expiação, que possivelmente poderia ser escrita como "união-em-um". Sob tais condições, pode-se dizer que ocorreu um casamento espiritual, e assim Nosso Senhor poderia ser legitimamente considerado o Noivo.

Mesmo relações ilícitas podem ser usadas para indicar essa mesma fusão das naturezas inferior e superior, e da superior com o divino.

Em muitas alegorias, as personagens de meretrizes e a prática do adultério são introduzidas com o objetivo de indicar a obtenção forçada ou prematura da união, ou da unidade plenamente realizada, com o Eu mais íntimo e o Deus Altíssimo.

Uma vez que todos os personagens em alegorias inspiradas são personificações de princípios e atributos do ser humano único, as referências bíblicas explícitas à atividade procriativa legítima ou ilícita perdem sua repulsividade; pois tal "casamento" não é físico, mas psico- espiritual ou celestial, e tais concepções são do espírito e, portanto, imaculadas.


O casamento e a parceira feminina são usados como símbolos em dois sentidos.

Em um deles, a mulher — ou o ventre, a arca ou o berço — é a mente abstrata em seu veículo, o corpo causal.

O casamento refere-se à descida do raio monádico frutificador (o esposo), como resultado da qual a mente superior torna-se grávida da faculdade da intuição e do poder de perceber a unidade da vida em meio à diversidade das formas.

Quando esses poderes são desenvolvidos até o grau em que são conscientemente realizados e empregados, diz-se que um filho nasceu.

Esta é a interpretação iniciática e é empregada em todos os relatos de nascimentos divinos e semidivinos.

Em outro significado, a mulher é a personalidade externa e, mais especialmente, sua mente formal.

O casamento retrata a fase de seu desenvolvimento na qual a influência frutificadora mental do Eu interior (o esposo), através da inteligência abstrata, está encontrando resposta na mente formal até então inteiramente analítica e, portanto, espiritualmente estéril.

Como resultado desse tipo de união ou casamento, a faculdade do pensamento abstrato é acrescentada (concebida) àquelas da análise e dedução, e quando isso é reconhecido e conscientemente utilizado, diz-se que um filho nasceu.

Os povos antigos não viam nada de obsceno ou impuro no poder, processo e órgãos procriativos, nem nada de indecente em seu uso como símbolos físicos tanto do poder criativo divino quanto da cosmogênese, e das uniões místicas e seus frutos, tal como alcançados por homens iniciados.

O falicismo não é necessariamente uma indicação de mente maligna.

Montanhas, sobre as quais ocorre tanta importância na Bíblia e em outras escrituras, referem-se principalmente a um estado de elevação espiritual durante a consciência no corpo físico.

Planícies indicam o estado normal, necessário e cotidiano da mente, enquanto vales representam ideias, pensamentos e atividades deliberadamente escolhidos, grosseiramente materiais.

Vulcões e montanhas, cujos cumes estão temporariamente em fogo ou incandescentes de luz, simbolizam tanto a cabeça quanto o estado exaltado de consciência das Almas avançadas nas quais o fogo serpentino foi despertado e penetrou toda a cabeça, e abriu (removeu a pedra do sepulcro) o canal espiritual ou vórtice giratório no coroa da cabeça.

Quando isso ocorre, toda a natureza se torna iluminada e transfigurada, como aconteceu com Moisés no Sinai, Elias no Monte Horebe, e Cristo no monte da Transfiguração.

O mecanismo da consciência humana consiste fisicamente no próprio corpo e em seu sistema cérebro-espinhal, com os sete centros nervosos e glandulares situados no sacro, no baço, no plexo solar, no coração, na garganta e nas glândulas pituitária e pineal.

No nível etérico, as contrapartes etéricas desses centros e glândulas e os vórtices etéricos chamados chakras ligam o Eu interior ao corpo físico.

Sete chakras também existem em locais semelhantes nos corpos emocional e mental do homem.

Referências bíblicas a esses centros de força nos corpos superfísicos de anjos e de homens são encontradas em Ezequiel, capítulo um, versículo quinze, capítulo três, versículo treze e capítulo dez, versículo nove, e indiretamente em Apocalipse, capítulo seis, como selos que foram abertos.

Glifos de flutuar no ar, ou elevar-se acima da terra, são simbólicos da ascensão a estados superfísicos e espirituais de consciência e de ser.

Onde o fogo é o agente elevador, como no caso de Elias e, em certa medida, de Moisés (a coluna de fogo e a sarça ardente), a energia criativa sublimada é indicada como o agente exaltador.

A Ascensão de Jesus em nuvens de glória é suscetível de uma interpretação semelhante.

No seu caso, a ascensão culminou na entronização à direita do Pai, e isso implica a obtenção do estado de Cristo, do Adeptado; ou a unidade ininterrupta e plenamente consciente com a Divindade Suprema — o nirvana — é alcançada pelo Adepto liberto.

Os nascimentos referem-se ao processo de abertura de novos ciclos, sejam solares, planetários, raciais, individuais, psíquicos ou espirituais.

Os filhos de tais uniões tipificam o novo estado de consciência que se segue, especialmente a faculdade da intuição espiritual.

Aqueles que assim alcançam são às vezes referidos de várias maneiras como "pequeninos", crianças, jovens e recém-nascidos.

Até mesmo o processo de aborto recebe um significado espiritual, sob o qual indica o forçamento da evolução espiritual, a adoção deliberada de um modo de vida que acelera o "renascimento" espiritual e a realização da unidade.

Êx. 19:3. 2 Reis 19:11.

Mat. 17:1-2.

Chakra (Sânsc.). Um vórtice ou "roda" nos corpos etérico e superfísico do homem; vide: Os Chakras, C. W. Leadbeater.


A noite, a morte, a cegueira e o sono referem-se cosmicamente a períodos de não manifestação e, humanamente, a estados mentais nos quais a percepção espiritual é temporariamente perdida.

O dia, por outro lado, representa um período de manifestação e um estado de iluminação espiritual, constante para o Eu interior, mas difícil de ser alcançado pelo homem exterior.

A aurora, ou o romper do dia, representa o processo de retorno à manifestação e à iluminação.

Essa mudança e seus efeitos são bem ilustrados no incidente da negação de seu Mestre por Pedro durante a noite, e seu arrependimento e remorso assim que o dia amanheceu. A história desse episódio é um daqueles camafeus luminosos de revelação condensada de experiências psicoespirituais no caminho do discipulado.

O óleo é um dos muitos símbolos usados para denotar: uma característica especial da sabedoria espiritual; o amor universal, santificado e sacrificial; o princípio universal da vida; e a bem-aventurança, a harmonia e o profundo entendimento que fluem desses estados de consciência.

Um exemplo do uso do óleo como símbolo ocorre na seguinte passagem da Bíblia:

"Então, uma mulher, das mulheres dos filhos dos profetas, clamou a Eliseu, dizendo: Teu servo, meu marido, morreu; e tu sabes que o teu servo temia ao SENHOR; e veio o credor para levar os meus dois filhos para serem servos."

“E disse Eliseu a ela: Que te hei de fazer? Dize-me, que tens tu em casa? E ela disse: Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite.

Então disse ele: Vai, pede emprestados vasos a todos os teus vizinhos, vasos vazios; não peças poucos.

E, entrando tu, fecharás a porta sobre ti e sobre teus filhos, e derramarás em todos esses vasos, e porás à parte o que estiver cheio.

“Então ela saiu dele, e fechou a porta sobre si e sobre seus filhos, que lhe traziam os vasos; e ela derramava.

“E sucedeu que, estando os vasos cheios, ela disse a seu filho: Traze-me ainda um vaso.

E ele lhe disse: Não há mais vaso algum.

E o azeite parou.

Lc. 22:56-62.

A SABEDORIA OCULTA NA SANTA BÍBLIA

“Então ela veio e contou ao homem de Deus.

E ele disse: Vai, vende o azeite, e paga a tua dívida, e vive tu e teus filhos do restante.”

Se, em consciência, alguém chegou a uma realização da sabedoria espiritual, do amor santificado e sacrificial e do princípio universal da vida, e compartilhar essa realização com outros, a experiência (ou o suprimento de azeite) não é apenas não diminuída, mas é aumentada.

Este é também o significado esotérico de todas as alegorias que descrevem a multiplicação de uma pequena quantidade em uma grande.

Aqui um fato na natureza, e não um milagre, é revelado.

Este fato é que, uma vez que um indivíduo se torna conscientemente uno com a vida universal e se torna um canal para sua influência harmonizadora, curadora e mentalmente nutritiva, a experiência da unidade é aprofundada e a capacidade de servir é aumentada.

Além disso, os receptores desta ministração recebem uma expansão similar e reconhecem e ratificam a mesma lei.

Dessas maneiras, não a diminuição, mas o aumento, segue essas expressões do amor divino.

A viúva, então, é o Self Superior do homem ou mulher espiritualmente despertado.

Sua viuvez e sua pobreza representam seu desapego dos meios externos de felicidade e sustento, e sua posse de uma botija de azeite indica que a consciência está se tornando universalizada.

Seus dois filhos são os constituintes mento-emocional e físico da personalidade externa.

Seu perigo de pobreza e servidão indica que os processos de auto-universalização e renúncia estão ainda incompletos.

Eles ainda não encontraram expressão através do corpo e da vida mental, emocional e físico.

Nesta conjuntura profundamente importante da evolução humana, a assistência (v. 2), sabiamente buscada, está sempre prontamente disponível.

Um sábio, um mestre espiritual, responde infalivelmente a um sincero apelo por auxílio, e propõe e exemplifica a lei de que o aumento espiritual (a adição ao suprimento de azeite da viúva) invariavelmente segue a sábia expressão do amor universal (o azeite). Se o pupilo é capaz de responder, a casa e os filhos (a natureza mortal) tornam-se cheios de uma abundância de sabedoria espiritual, vida e amor.

Quando uma vez a universalização do intelecto foi alcançada e

2 Reis 4:1-7.


aceita pela mente-cérebro, os dois filhos (mente e corpo) são libertados da ameaça da escravidão.

O ato teúrgico de aumento ou "multiplicação", como é tecnicamente chamado, está bem dentro do poder de um iniciado tão elevado quanto Eliseu.

Tal multiplicação é uma façanha não incomum entre teurgistas qualificados.

A narrativa pode, portanto, ser aceita tanto em sua leitura literal quanto simbólica.

O Pavão representa aquele estado de ignorância e orgulho tolo no qual o homem pode cair.

A exibição exterior do pavão, especialmente da forma e das cores do macho, não parece ser correspondida por um poder intelectual equivalente.

No entanto, a força de vida encontra expressão mesmo em uma ave tão tola, que na realidade apenas segue os caminhos de sua própria espécie.

Esses caminhos provam ser adequados; pois, como o resto da natureza, a espécie do pavão é perpetuada e preservada na terra.

A sabedoria inata opera com sucesso apesar das limitações intelectuais.

De fato, em alguns casos, a sabedoria natural e pura encontra uma expressão mais plena e mais livre em uma mente-cérebro menos ativa.

O homem, ele próprio, também passa pela fase do "pavão" de sua evolução.

Isso ocorreu principalmente durante a Quarta Raça Raiz, na qual a natureza emocional e a aura do homem passaram por seu longo desenvolvimento.

A mente ainda dormia, exceto nos mais avançados, e somente nas sub-raças posteriores, quando a Quinta Raça Raiz já estava avançada, a mente foi acrescentada como uma faculdade e um poder possuído e usado pela quinta raça humana sobre esta terra.

O pavão simboliza bem a Quarta Raça Raiz, na qual as cores radiantes da aura astral e as faculdades que elas representam foram o objeto da obra da natureza.

A adequação do simbolismo torna-se clara quando se lembra que o pavão macho exibe suas cores brilhantes em parte como meio de conquistar os favores da fêmea; pois a aura astral brilhantemente colorida do homem é também o assento do desejo procriativo, e certas de suas cores também brilham mais intensamente que o normal quando sentimentos de amor, sejam platônicos ou sexuais, são despertados e encontram expressão.

Enquanto o unicórnio tem um significado duplo, representando uma raça-raiz primitiva e uma posterior (a terceira e a sexta), o pavão simboliza a Quarta Raça-Raiz relativamente livre da mente e também tanto a Sexta quanto a Sétima Raças-Raiz posteriores, quando, sem a intervenção do intelecto dedutivo, o esplendor da faculdade intuitiva será manifestado e o homem viverá menos em sua mente do que em sua natureza espiritual, possuindo assim tanto uma sabedoria intuitiva quanto uma percepção implícita de toda primeira verdade.


Esta conquista racial também é prefigurada no iniciado, que atinge os poderes das raças posteriores e deve possuir e ser capaz de exibir as faculdades apropriadas.

Sua aura brilha, de fato, com as cores brilhantes do pavão.

Sua sabedoria intuitiva é como cem olhos, o que o torna relativamente onisciente, e embora considerado por seus semelhantes fora do santuário como intelectualmente insignificante, ele é na realidade o adorno da raça.

As penas sedosas e brilhantes e o pescoço e a cauda adornados de joias do pavão representam apropriadamente tanto a aura quanto os poderes das futuras raças de homens na Terra, como também daqueles indivíduos que ultrapassam seus semelhantes e alcançam um esplendor real e espiritual muito além de sua própria raça e época.

O pavão também é considerado um símbolo de realeza.

Pilares geralmente representam um veículo para a força criadora, tanto na natureza quanto no homem.

No homem, denota-se a medula espinhal ao longo da qual flui a força criadora.

No homem iluminado, essa força foi inteiramente sublimada e feita fluir para cima, para o cérebro e a mente, onde se manifesta como um grande iluminante e meio de libertação, exaltação, inspiração e gênio.

Assim, Moisés foi guiado pelo deserto até a Terra Prometida por uma coluna de fogo à noite.

Todos os objetos eretos são suscetíveis da mesma interpretação.

Sementes de plantas são símbolos da verdade espiritual, ou da "Palavra" de Deus.

Rochas representam o corpo físico e o nível de consciência.

Navios, Arcas, Berços referem-se a qualquer veículo que contenha e transporte consciência, seja física, intelectual ou espiritual — ou humana, super-humana, divina ou cósmica.

Seus passageiros — animais, humanos e super-humanos — simbolizam os variados poderes e qualidades da natureza humana.

O Cordeiro ou cabrito Sacrificial é sempre o símbolo do Logos em seu aspecto de preservador, enquanto o sangue representa a vida una em sua atividade vitalizadora e sustentadora.

Essa vida é o fundamento do universo.

É a potência elétrica do Logos que é a

Marcos.

13:20.


base ativa de toda substância atômica.

O cordeiro sacrificial refere-se ao sacrifício primevo e grandioso do espírito no fundamento dos mundos manifestados, quando o espiritual é gradualmente "sufocado" e "morto" dentro do universo material.

Esta é uma lei da vida sob a qual a semente "... não é vivificada, se não morrer."¹ Na Escritura Hindu, o Rig Veda, o "Purusha de mil cabeças" foi imolado no fundamento do mundo, para que de seus restos o universo pudesse surgir.

A relação entre o uso hindu e o cristão do símbolo do cordeiro é ainda mais indicada pelo fato de que em sânscrito a palavra Aja, ou Purusha ou espírito eterno, também significa "cordeiro". No sentido cósmico, então, o símbolo do cordeiro sacrificial pode ser considerado como uma referência ao desaparecimento metafórico do espírito à medida que este se envolve na matéria, ou é sacrificado.

Monstros Marinhos representam as emoções mais grosseiras, enquanto peixes menores tipificam a consciência pisciana ou crística de unidade, parentesco, da qual brotam o amor crístico, a ternura, a compaixão, a graça curadora e a ministração.

A mitra do bispo tem a forma de uma cabeça de peixe com a boca aberta, possivelmente como um símbolo de que tal alta dignidade alcançou esse estado de consciência e sua mente e vida são consagradas à sua expressão.

Serpentes.

A primeira referência à serpente é feita no capítulo três do Livro do Gênesis, onde ela está intimamente associada ao fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal e à ingestão simbólica desse fruto por Adão e Eva.

Em uma das muitas interpretações possíveis, e particularmente nesta alegoria, a serpente é a própria força fóhatica, e a árvore é a consciência e seus veículos nos quais essa força está ativa.

Juntos, eles constituem o poder criativo, macrocósmico e microcósmico.

A serpente por si só é a força criativa ondulatória, fóática, triplamente polarizada no cosmos, num universo, em toda a natureza, em qualquer plano e em todo veículo do homem.

A árvore da vida é substância criativamente impregnada, matéria frutificada formando os veículos de qualquer ser em qualquer nível, de um Logos a uma ameba, carregada como essa matéria é com a força-vida criativa.

1 Cor.

15:36.


Quando não está criativamente ativa, a corrente neutra por si só, o tronco da árvore, representa a presença divina latente, fóática.

Quando criativamente ativa, as correntes serpentinas positiva e negativa, interativas, do fogo serpentino estão presentes e em operação.

Como afirmado anteriormente, os símbolos para essa condição energizada são a serpente e a árvore.

Às vezes, uma única serpente está enroscada ao redor do tronco da árvore e, às vezes, duas são indicadas, uma de cada lado.

O símbolo da serpente é suscetível a muitas interpretações, exotéricas, esotéricas e profundamente ocultas.

Em geral, é o símbolo tanto da sabedoria quanto dos sábios, que na linguagem sagrada são frequentemente referidos como serpentes.

Os Nagas da literatura hindu não são outros senão os antigos Rishis, Yogis libertos, Adeptos.

A serpente é escolhida como símbolo da sabedoria por várias razões.

Ela desliza secretamente e, na maioria das vezes, invisível, na superfície do globo, assim como a sabedoria, seja revelada do alto ou inata, é um poder oculto, potente tanto para iluminar se empregado corretamente, quanto para destruir se mal utilizado.

A sinuosidade suave da cobra e seus movimentos retratam não inapropriadamente a expressão harmoniosa e rítmica da sabedoria tanto no universo quanto no homem em quem ela está desperta e em movimento.

Ele é iluminado de dentro, ou secretamente.

A serpente regularmente troca de pele.

Apesar dessa mudança sazonal, o réptil em si permanece inalterado e aparece com uma cobertura nova e brilhante.

Assim, a sabedoria, embora permaneça a mesma em essência, manifesta-se em formas sempre novas, nenhuma sendo capaz de contê-la permanentemente.

A língua da serpente é bifurcada ou bipolar.

Assim também é a sabedoria, sendo suscetível de degradação em astúcia baixa empregada por motivos mesquinhos ou de elevação em intuição elevada de acordo com ideais altruístas.

O veneno da cobra pode destruir ou curar, dependendo de seu uso e dosagem.

Isso também é verdadeiro para a sabedoria.

Degradada, ela envenena a alma; usada corretamente, é um antídoto para muitos males.

Os olhos da serpente são cativantes, até hipnóticos.

A Sabedoria, uma vez desperta em um indivíduo, não tolera resistência, rompe todos os laços e, em última instância, governa com poder impelente.

Os sábios também são irresistíveis em sua força, ainda que pareçam humildes e não reivindiquem alta consideração.

No entanto, eles vivem próximos à Fonte da Vida, assim como a serpente vive perto das raízes e sementes dos seres vivos.


A serpente é representada no homem tanto em seus aspectos construtivos quanto destrutivos.

O Eu Superior, a vontade-sabedoria da Alma Espiritual, corresponde à serpente de luz, enquanto a natureza do desejo contém potencialidades destrutivas.

A mente é a força equilibradora, ou vara, entre essas duas energias de polaridade oposta, ou serpentes, no homem.

A serpente na cruz erguida por Moisés no deserto para curar os israelitas de suas enfermidades¹ é um símbolo da sabedoria unida à mente para purificar e elevar o eu inferior, e curá-lo de suas tendências materiais e dos efeitos de sua expressão.

A serpente é usada também para retratar a influência harmonizadora e curativa da natureza crística no homem, que tem poder para curar e erguer os mortos para a vida.

Isso implica o poder de transmutar os aspectos inferiores da natureza humana nos superiores.

Esculápio, o deus da cura, frequentemente aparecia na forma de uma serpente, e o caduceu, o cajado de Hermes, tem sido considerado um símbolo da força curativa.

Serpentes foram descritas como de três cabeças, aladas, com pernas humanas, de respiração ruidosa, sibilantes, venenosas, e com veneno amarelo fluindo sobre elas.

Nos aspectos superiores, isso simboliza a ação do tríplice Eu Superior, especialmente o princípio da sabedoria pura dentro dele. As atividades inferiores e destrutivas da serpente da simbologia antiga referem-se aos desejos e paixões predatórios e destrutivos do homem.

O herói que destrói estes últimos personifica o iniciado que transmutou o inferior no superior e alcançou ele mesmo perfeito equilíbrio entre eles.

Quando a cauda da serpente está em sua boca, um círculo sem fim é formado, implicando a eternidade da sabedoria, e até mesmo a própria eternidade.

Esotericamente, contudo, processos de cosmogênese são indicados pela união do positivo e negativo simbolizados, ou pela entrada da cauda na boca.

Todos os processos gerativos são, de fato, indicados nessa forma do símbolo.

Isso conduz ao significado profundamente oculto da serpente, o da força vital universal, divina, criativa e sempre ativa.

Isto é Fohat em sua polaridade dual, e é

Num.

21:9, às vezes simbolizado não como uma serpente com a cauda na boca, mas como duas mutuamente entrelaçadas.


Aqui as leis da eletricidade, sob as quais todos os processos gerativos ocorrem, são indicadas.

A força motriz de dentro que leva à atividade criativa em formas orgânicas, e afinidade química no inorgânico, é de fato bipolar.

A aptidão da escolha da serpente como símbolo desse poder pareceria ser apoiada pelo fato de que sua língua é bifurcada.

São as correntes positiva e negativa do Grande Sopro, continuamente exaladas como Fohat para dentro e através de cada átomo de cada mundo, para se tornarem onipresentes e perpetuamente ativas em todo o universo.

Esse fato foi tanto ocultado quanto revelado em alegorias antigas nas quais Júpiter, e outras divindades criativas masculinas, transformavam-se em serpentes com o propósito de seduzir deusas.

Na cosmogênese, tais deusas personificam a matéria, as águas do espaço, o princípio feminino receptivo e reprodutivo.

Microcosmicamente, a Mônada humana corresponde a Deus Pai, e o Eu Espiritual em seu manto de luz corresponde à deusa.

Quando a evolução trouxe o Eu Espiritual do homem à prontidão para o "nascimento" no poder dominante da natureza crística no homem, ocorre uma descida (a mística Anunciação) do poder foático ou frutificador da Mônada para dentro do Eu Espiritual até então "virginal", que aguarda.

Este é o Casamento Celestial, a Imaculada Conceição, da qual a consciência e o poder semelhantes a Cristo são "nascidos". Uma serpente com a cauda na boca, duas serpentes entrelaçadas, ou uma circundando uma vara, cajado ou pilar, todas simbolizam a energia elétrica e criativa de Fohat em ação no universo material e, portanto, no homem, o templo microcósmico do universo.

No homem, a vara se refere tanto à medula espinhal quanto a um canal caral, ou etérico e superfísico, em seu centro passando da raiz da medula no sacro, ao longo de todo o seu comprimento, na medula oblonga e no cérebro.

Este canal é o veículo para a força vital criativa, uma medida da qual flui de cima para baixo no ato gerativo.

Esta corrente é unipolar, ou mesmo de polaridade neutra, uma vez que atua e produz seus efeitos tanto no organismo masculino quanto no feminino.

O nome oculto histórico para este canal é Sushumna, geralmente aplicando-se apenas, no entanto, quando por meios ocultos

Sushumna (5k.), tubo.


A mesma força neutra é levada a atuar não para baixo, mas para cima, ao longo da medula espinhal.

Antes que essa inversão do fluxo da energia criativa possa ser alcançada, as correntes positiva e negativa devem ser despertadas e, elas mesmas, como serpentes gêmeas, fluir para cima, entrelaçando-se enquanto fluem para induzir uma ascensão da energia neutra acompanhante.

Ao entrar no cérebro, esse poder triplo ilumina a mente do homem de tal modo que ele se torna, por assim dizer, um deus (possuidor de poderes teúrgicos). Esse ato é revelado no Gênesis, onde Adão e Eva representam as correntes de polaridade oposta; a árvore do conhecimento do bem e do mal (particularmente o tronco) corresponde à vara; e a serpente tentadora, à força criativa que ascende ao longo do canal de Sushumna.

Assim, é proibido a Adão e Eva comerem do fruto dessa árvore, pois, ao fazê-lo, tornar-se-iam como deuses.

As vibrações intensamente elevadas do cérebro, das glândulas, das células e da substância aérea nos ventrículos fazem com que o cérebro e o crânio se tornem responsivos à vida e à consciência eugóica e mônadica.

O Espírito então predomina no indivíduo.

A matéria perde o seu poder.

Simbolicamente, por meio do agente de uma serpente e vara intercambiáveis, os israelitas são libertados da escravidão no Egito.

A haste do fogo átmico que forma o núcleo da força que atua ao longo do canal de Sushumna é trazida para baixo, ao nível físico mais denso, ou simbolicamente lançada ao chão. Quando isso ocorre, a força de vida criativa, relativamente adormecida, positivo-negativa, residente no sacro, é despertada para a atividade.

Cada polaridade então percorre um caminho serpentino mutuamente entrelaçado ao redor do canal de Sushumna.

Simbolicamente, a vara torna-se a serpente. Esse processo não é isento de certo choque e alguma dor.

O iniciado momentaneamente recua diante dela, mas persiste.

Moisés é, portanto, levado a fugir diante da serpente.

Quando, porém, ele une a sua própria vontade à do próprio hierofante e sublima a força criativa, compelindo-a a fluir para cima a partir da pelve, ela se torna em sua mão a varinha mágica do poder.

Simbolicamente, Moisés pega a serpente de fogo pela cauda, e ela se torna uma vara em sua mão.

Gên. 3:5. ² Êx. 4:24.


Como retratado nas figuras simbólicas egípcias, nas quais serpentes se entrelaçam ao redor de varas ou pilares, a cauda está ao pé do pilar, significando no sacro.

A cabeça da serpente está na extremidade superior, de onde frequentemente uma flor de lótus desabrocha.

Este também é um símbolo universalmente usado.

Varas que florescem, como a de Arão, têm um significado semelhante! A abertura dos centros de força nos corpos superfísicos, consequente ao despertar e ao fluxo ascendente do poder serpentino, é representada por tais símbolos.

Como foi dito anteriormente, os nomes ocultos históricos para as correntes positiva e negativa de força são Pingala e Ida, e o fluxo ascendente triplo é mais perfeitamente revelado pelo símbolo grego do caduceu.

Hermes é o Moisés dos gregos, pois é um mensageiro de Deus para o homem por segurar em sua mão o caduceu, assim como Moisés segurava em sua mão a vara.

Hermes também libertou Perséfone do submundo, Hades, assim como Moisés libertou Israel da escravidão no Egito.

As serpentes de cor escura e clara do caduceu simbolizam o poder dual da sabedoria secreta — magia negra e branca.

Tehuti, Mercúrio, Hermes, possuindo (tendo dominado) o fogo serpentino triplo, personificam a sabedoria pura que guia a Alma após a morte, tanto natural quanto figurativa (na iniciação), e chamando à vida aquilo que estava morto.

Esse poder é possuído por todos os Adeptos ou "serpentes". O antigo símbolo chinês do trono do imperador — o "Assento do Dragão" — e os bordados de dragão em seus trajes de estado também se referem a essa sublimação e seus resultados.

Jesus aconselhou seus discípulos, dizendo: "...sede, portanto, prudentes como as serpentes e inofensivos como as pombas."? Isso pode ser tomado como uma referência velada ao fogo serpentino ou à sabedoria e prudência do Adepto ou "serpente".

As duas serpentes simbolizam todos os pares aparentemente opostos e hostis nas alegorias do mundo.

Eles incorporam a ideia de dualismo e a suposta luta entre o bem e o mal, espírito e matéria, luz e trevas, deuses e demônios, Salvadores e serpentes e dragões, Caim e Abel, Esaú e Jacó, e Osíris, Apolo e Píton.

O Salvador heroico representa a sabedoria pura pela qual somente o conflito, como ocorre no homem, pode terminar em vitória para o Espírito, a luz, o bem.

Os mensageiros divinos enviados para salvar a humanidade,

1 Núm. 17:8; Heb. 9:4. 2 Mat. 10:16.


O Christos como Filho de Deus e a Virgem Celestial, enviados do céu à terra para salvar uma humanidade perecente, são todas personificações da sabedoria pura por meio da qual o conflito dos opostos pode terminar não na derrota de um pelo outro, mas em sua perfeita harmonização ou equipolarização.

O resultado é a retenção dos plenos poderes de ambos os oponentes, as serpentes clara e escura, e a obtenção da capacidade de usar uma ou ambas enquanto o usuário permanece em condição de equilíbrio dinâmico.

Essa obtenção é simbolizada pelo esmagamento da cabeça da serpente por Sri Krishna e pelas vitórias sobre répteis pelos Salvadores e heróis de outros povos antigos.

A contemplação do símbolo do caduceu revelará quão perfeitamente ele retrata esse processo e essa obtenção.

Esse poder salvador, o Christos, entrou no homem Jesus, o veículo humano, no momento de seu batismo no Jordão, e a partir de então Jesus começou a operar milagres por autoridade divina.

O segurar do caduceu (ou vara ou serpente) na mão é em si um símbolo que implica o domínio de um poder e a posse de conhecimento e habilidade em seu emprego.

A transmutação da vara em serpente, note-se, só poderia ocorrer por comando da Divindade e por seu poder mágico.

Na verdade, a descida do Atma Monádico através de todos os veículos e pela medula espinhal até o sacro é essencial para o despertar total prematuro do fogo criativo tríplice e sua bem-sucedida sublimação e uso como ferramenta mágica.

Trazer esse poder do Atma para baixo é uma parte do ofício do hierofante dos maiores mistérios.

Uma vez que a partir de então uma nova vida se inicia, o ato sempre foi corretamente denominado iniciação.

O iniciado é aquele em quem foi despertado o poder de libertar-se das limitações da matéria, do desejo e da separatividade do eu, para a liberdade da consciência, vida e poder universais.

O fogo serpentino, ou kundalini, é em essência criativo e, embora ainda apenas levemente despertado, com todas as outras forças e poderes da natureza está representado no corpo físico do homem.

Lá, neste período da evolução humana, ele se manifesta como a fonte tanto do impulso sexual quanto do fluido nervoso.

Ele reside, enrolado como uma serpente, no chakra sacral ou "roda" na base da espinha, que por sua vez é uma estação de retransmissão para a energia similarmente enrolada no centro da terra, ela própria um depósito de kundalini solar.

THE HIDDEN WISDOM IN THE HOLY BIBLE

Quando totalmente despertada, seja por yoga ou como resultado natural do progresso evolutivo, a kundalini flui por um canal etérico na medula espinhal chamado nadi Sushumna, passando através de cada um dos outros chakras em sua jornada.

Ao passar pelos centros espinhais nos quais os chakras se originam, parte de sua força flui pelo eixo do túnel de cada um, vivificando-o ocultamente e, assim, despertando o indivíduo para a consciência de si mesmo nos mundos superfísicos.

Quando a Kundalini toca o centro esplênico, confere ao homem o poder de viajar à vontade no plano astral enquanto afastado do corpo físico.

Quando toca e abre o centro cardíaco, as forças da consciência búdica ou crística no homem, residentes no veículo da intuição, se suficientemente desdobradas, começam a fluir através do neófito no nível físico e a "rosa mística" — o chakra cardíaco — "floresce" em seu peito.

Os poderes da consciência crística — conhecimento da unidade da vida, percepção espiritual intuitiva direta, sabedoria e uma profunda compaixão — então começam a se manifestar através do pensamento, da palavra e da ação.

O centro laríngeo, quando vivificado, confere o poder da clariaudiência, ou de responder às vibrações sonoras superfísicas, bem como àqueles sons físicos que estão além da faixa auditiva normal.

O centro frontal, quando vitalizado ocultamente, confere a faculdade da clarividência, e quando o chakra coronário é aberto, o neófito adquire as faculdades de usar a percepção superfísica enquanto ainda desperto no corpo físico, e de deixar e retornar ao corpo à vontade, sem qualquer interrupção na consciência.

As glândulas pituitária e pineal então funcionam de certo modo como as válvulas ou amplificadores de um aparelho receptor de rádio, permitindo assim que a consciência dentro do cérebro capte forças superfísicas e se torne ciente dos fenômenos superfísicos.

De fato, o sistema cérebro-espinhal do homem, quando vivificado ocultamente, assemelha-se em muitos aspectos a um aparelho receptor de televisão.

Uma diferença, contudo, é que as transmissões superfísicas são projetadas na tela da mente-cérebro e percebidas clarividentemente.

A manifestação plena dessas faculdades ocultas durante a consciência desperta exige um treinamento longo e árduo, e depende da vivificação completa das glândulas pituitária e pineal por meio da kundalini e de suas forças complementares.


Fontes e mananciais referem-se à vida espiritual inexaurível e ascendente dentro do Eu Superior.

Rios e córregos representam as partes baixas que se encontram através das várias regiões da Alma e do corpo.

Estrelas referem-se às inteligências cósmicas, ministros do Deus Altíssimo, construtores do universo.

Os doze signos zodiacais referem-se, microcosmicamente, à totalidade da natureza e dos poderes do homem, os doze princípios, faculdades e forças inerentes ao ser humano.

As doze tribos personificam, macrocosmicamente, os regentes dos doze signos, assim como também os doze discípulos, com o Senhor Cristo como o sol no meio.

O Sol e seus raios fecundantes simbolizam tanto o estado espiritual mais elevado quanto a Alma espiritual do homem, a Mônada, o habitante do íntimo mais profundo.

O sol é, no entanto, um símbolo tão importante e tão frequentemente usado, e tem tantas significações, que o Capítulo V da Primeira Parte deste volume é dedicado ao assunto.

Como fonte de poder tanto física quanto espiritual, o sol fornece um exemplo da lei segundo a qual a efusão eficaz de luz e vida essenciais é seguida, não por exaustão, mas por renovação perpétua e abundante.

Embora de todos os sete princípios do sol, um em cada um dos sete planos da natureza, força vital espiritual e fisicamente nutritiva e sustentadora seja continuamente derramada para preencher todas as formas dos Esquemas Planetários, seus Globos componentes e seus habitantes, o poder, a luz e a glória do sol não são de modo algum diminuídos.

A renovação a partir de uma fonte interior inexaurível e universal ocorre continuamente.

O sol de sete princípios e os Sete Poderosos Espíritos diante do Trono também são simbolizados como "...um Cordeiro como havendo sido morto, tendo sete chifres e sete olhos, que são os sete Espíritos de Deus enviados a toda a terra", e como o Christos de cujo corpo crucificado sangue e água fluem para a terra perpetuamente para salvar e purificar, ou espiritualizar, as almas dos homens.

Os milagres de Cristo, que duas vezes alimentou uma grande multidão com um pouco de pão e alguns peixes e teve mais sobras depois do que antes, também exemplificam a mesma lei do suprimento inexaurível.

Apoc. 5:6. 2 Mat. 14:19-21, 15:34-38.


Em termos da vida humana comum, nenhum dom sincero, genuíno, sensatamente concebido e sensatamente entregue é jamais perdido ou desperdiçado, qualquer que seja o resultado aparente.

Dar com sabedoria e abnegação é alcançar uma maior plenitude de autoexpressão, uma capacidade aprimorada de serviço eficaz e um aumento contínuo dos meios — espirituais, intelectuais e físicos — para continuar dando e servindo.

Compartilhar sabiamente, especialmente o amor e a felicidade — os grandes nutrientes da alma — aumenta a provisão dessas bênçãos para quem dá.

Todos os atos de sacrifício, todas as rendições e todos os martírios de personagens divinas, Salvadores e santos registrados nas mitologias e nas escrituras do mundo exemplificam essa lei em suas manifestações tanto solar quanto humana.

O Templo, macrocosmicamente, é um símbolo do universo como um todo, incluindo sua forma física externa ou paredes e sua Divindade interna, ou a nuvem sobre o santuário.

Microcosmicamente, a natureza humana, do corpo físico à Mônada, é retratada.

O símbolo do templo será interpretado em seu devido lugar sempre que ocorrer no Antigo e no Novo Testamento, e isso se aplicará especialmente à construção, às medidas e aos ornamentos do Templo do Rei Salomão,¹ que serão considerados em algum detalhe.

Cristo apareceu no templo aos doze anos de idade.² Mais tarde, ele realizou milagres no templo: "E os cegos e os coxos vieram a ele no templo; e ele os curou."³ Cristo purificou o templo: "E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes feito covil de ladrões."⁴ Cristo profetizou a destruição do templo: "E Jesus, respondendo, disse-lhes: Não vedes tudo isto? Em verdade vos digo que não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada."⁵

Embora a historicidade desses versículos não seja aqui descartada, sua interpretação mística chama a atenção para ideias importantes.

Em geral, um templo é um símbolo de todo o ser humano, físico, intelectual e espiritual.

As paredes externas, por exemplo, representam tanto o corpo físico quanto a consciência humana quando limitada à percepção física.

O pátio com seus vários edifícios subsidiários representa a psique ou alma pessoal.

¹ Reis 5:5 e seguintes.
² Lc. 2:46.
³ Mt. 21:14.
⁴ Mt. 21:12-13.
⁵ Mt. 24:2.


As pessoas que entram e saem do templo personificam as emoções e os pensamentos cotidianos pelos quais o homem interior é parcialmente expresso através do quaternário inferior (os quatro lados do edifício completo). A construção do templo em si, distinta de suas paredes externas, e incluindo particularmente sua fundação, paredes, teto, ornamentos, cúpulas, minaretes e agulhas, representa a individualidade interior, o Governante Imortal Interior, a Alma Espiritual com suas qualidades desenvolvidas dentro de seu manto de luz, o corpo causal, ele próprio simbolizado pela estrutura material.

O interior do templo representa o intelecto do homem, e mais particularmente aquele aspecto da mente que responde a ideais e ideias abstratas e espirituais.

As pessoas que estão presentes personificam as atividades mentais, o tráfego da mente, e mais especialmente as aspirações, as iluminações e as intuições recebidas quando a mente está em um estado elevado, ou no estado de consciência do templo.

O santuário, ou o Santo dos Santos, é um símbolo do veículo da intuição espiritual, o "tabernáculo" do Deus interior, o habitante do mais íntimo.

O tabernáculo e os objetos sagrados em seu interior representam todos o sétimo princípio do homem, o raio e a radiância da Mônada com seus poderes espiritualmente criativos, a verdadeira Presença divina acima e dentro do santuário da Alma.

O véu do templo representa a região protetora, em qualquer nível, entre o mais íntimo e o mais externo.

A verdadeira glória deve sempre permanecer velada, tanto como proteção contra a profanação vinda de baixo quanto como salvaguarda contra a descoberta prematura e o mau uso da verdade das verdades e do poder dos poderes.

A verdade das verdades é que Deus e o homem são um.

O poder dos poderes é o da criatividade espiritual.

Ambos são perigosos para o homem até que ele seja inteiramente santificado e, portanto, incapaz de usá-los indevidamente.

O carro de fogo no qual Elias desapareceu da vista de Eliseu,¹ a aparição do Senhor em uma nuvem a

¹ 2 Reis 2:11.


Moisés, a nuvem luminosa que cobriu Jesus no monte,² e a nuvem na qual Jesus foi recebido em sua Ascensão,³ em uma interpretação simbolizam esse velamento protetor das mais altas verdades espirituais e a virtual onipotência conferida àqueles que as possuem.

Ordenação, consagração, santificação, que permitem a um sacerdote entrar no santuário, idealmente implicam tanto a completa transcendência do senso de separação de Deus e de todas as suas outras manifestações, quanto a renúncia final, por ter sido superada, da possessividade e do orgulho pessoais.

Quando isso é alcançado, o véu do templo se rasga.

O relato de Jesus aos doze anos no templo (como toda outra alegoria, uma experiência interior de um indivíduo) retrata a Alma Espiritual tríplice (por adição, 12 equivale a 3) assim iluminada e, portanto, capaz de exibir sabedoria superior e conceder iluminação à mente, representada pelos doutores com seu conhecimento memorizado, crenças tradicionais e métodos formais de pensamento.

Maria e José estavam longe do templo.

Em consequência, eles o perderam e temeram ter perdido seu filho. Eles representam os aspectos superiores da consciência pessoal, a mente-cérebro que por um tempo fora permitido tornar-se excessivamente absorvida por considerações materiais.

Seu retorno ao templo em busca da luz temporariamente perdida indica meditação bem-sucedida pela qual a consciência pessoal fora elevada à autorrealização, à autodescoberta do ser espiritual imortal dentro do Augoeides ou "templo" de luz.

A descoberta de seu filho retrata o sucesso da busca e a iluminação resultante que é recebida pela mente-cérebro proveniente da mente abstrata superior, da intuição e da vontade espiritual.

A repreensão de Maria a Jesus por sua ausência indica a reação não natural e a falta de compreensão exibidas por aqueles que, quando trazidos à presença da verdade espiritual, são frequentemente necessariamente concernidos com

Ex. 24:16, 34:5, 40:34.  2 Mt.

17:5.  8 Atos 1:9.  4 Lc. 2:46.  Lc. 2:45 e seguintes.

Lc. 2:46.  7 Lc. 2:48.


considerações mundanas e possessivas.

A maioria das pessoas tende a aplicar padrões mundanos de julgamento às leis, verdades e atividades espirituais.

A explicação de Jesus: "...não sabíeis que me convém tratar dos negócios de meu Pai?", corrige esse erro e direciona a mente para cima, ao Self mais íntimo, o Pai, e aos princípios e propósitos impessoais pelos quais o Self Superior é animado.

Uma experiência mística é também descrita e orientação para sua obtenção é dada.

A mente-cérebro, é mostrado, descobre que a iluminação exige uma universalização da consciência e da perspectiva.

Em outras palavras, o estado de consciência do templo deve ser alcançado.

Valores espirituais, e não mundanos, devem ser aceitos.

A mente deve tornar-se flexível para receber a sabedoria, como faziam os doutores no templo, por mais que isso a princípio pareça contrariar ideias e modos de pensamento tradicionais.

Então será alcançada a realização da sempre jovem, sempre nova, Presença Divina dentro do templo — o poder, a sabedoria e o conhecimento da natureza crística — simbolizados pelo Jesus de doze anos.

Na interpretação iniciática, revela-se a verdade de que o recém-nascido, o iniciado, não pode mais ser limitado por laços pessoais de família, nação ou raça.

Ele é um cidadão do mundo e um servo de toda a humanidade.

As mães de Moisés e de Jesus aprenderam e aquiesceram a esta lei, embora sem dúvida não sem algumas dores experimentadas pelo coração materno.

Em sua interpretação microcósmica, todas as visitas registradas de Cristo ao templo juntas constituem uma descrição alegórica do caminho da iluminação.

O templo exterior e os pátios devem ser purificados.

Os cambistas devem ser expulsos, o que significa que a vida diária deve ser livre de aquisitividade e especialmente da profanação das coisas espirituais.

Em última análise, todo senso de individualidade separada terá sido superado — o templo terá sido demolido — e o Eu Espiritual dentro será libertado ou "salvo", como é indicado pela afirmação de Cristo de sua capacidade de, à vontade, destruir e reconstruir o templo, e por sua profecia de sua destruição. À medida que este estado é

Lc. 2:49. ² Mat. 21:12.

Mat. 26:61. ⁴ Mat. 24:2,

A SABEDORIA OCULTA NA BÍBLIA SAGRADA  aproximado, o homem exterior torna-se quase milagrosamente perfeito.

Simbolicamente, os coxos e os enfermos são curados no templo.

A busca parental e a descoberta do jovem Jesus no templo dando iluminação aos doutores é assim vista como uma bela alegoria da bem-sucedida busca da alma (Maria e José) pela luz espiritual.

O sucesso é garantido para todos aqueles que buscam de modo semelhante; pois o jovem Cristo sempre se assenta no templo que é a Alma Espiritual do homem.

A sabedoria está sempre disponível para aqueles que entrarem no templo autocleansados, autocurados, e buscando a luz tão ardentemente quanto pais amorosos buscam seu filho único que está temporariamente perdido.

As árvores conotam a onipresente, divina, criativa vida dentro de toda a natureza e no homem, a própria árvore da vida em si.

Microcosmicamente, as árvores referem-se à mesma força criativa individualizada como a força procriativa.

Subir em uma árvore para ver o Cristo, como fez Zaqueu,¹ e ser pendurado em uma árvore indicam a completa sublimação dessa força e a consciência do divino que isso torna possível.

Os frutos das árvores simbolizam os produtos da ação da força de vida na natureza e no homem.

A maçã, especialmente, parece tipificar a experiência autoconsciente e individualizada do processo criativo, como no caso do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, do qual Adão e Eva participaram, cuja ingestão ocasionou a chamada (e mal denominada) "Queda". Quando as maçãs são douradas, a obtenção da consciência búdica é definitivamente simbolizada, pois tal obtenção é o fruto no homem da atividade da intuição.

A Trombeta e o som da trombeta também são usados como símbolos na Bíblia, e sua significância é suficientemente grande para justificar uma interpretação detalhada.

A voz da trombeta no universo é o poder do "Verbo", a força criativa plenamente emitida, focada e dirigida.

O som da trombeta, no entanto, indica o mesmo poder tornado manifesto, ou seja, soando através de todos os veículos do homem, do Mônadico ao físico.

A trombeta é um tubo através do qual o sopro, outro símbolo para a mesma força, é forçado e pelo qual é limitado ao espaço interior.

Como resultado dessa expiração energizada, concentrada e contida, toda a trombeta vibra e, portanto, emite a nota ou som do ar ou sopro comprimido, que é um símbolo da energia criativa ou do "Verbo" cosmogenético.

Macrocosmicamente, então, a trombeta em si é a substância do universo antes e depois de ser moldada em forma, e também de qualquer componente altamente responsivo.

Microcosmicamente, ela simboliza o homem, e especialmente seus veículos de consciência, espiritual, intelectual e físico, em uma condição similarmente responsiva.

Sempre que possa ser dito, verdadeira mas simbolicamente, que no monte o som da trombeta se torna cada vez mais forte, e que diante de Jericó o povo ouve o som da trombeta,² então o homem trouxe todos os seus sete princípios e toda a sua natureza em sintonia com a Mônada, e através desta com o Logos, com o qual a Mônada está para sempre em unidade.

¹ Mt. 21:14. ² Lc. 19:4.


Na consumação, a "voz" divina é ouvida e ressoa em sete formas ou modos de som, um para cada veículo de consciência, através dos eus superiores e inferiores do homem.

Então, ahamkara? (os muros de Jericó) é despedaçada.

A corda pessoal, até então frequentemente dissonante, é submersa e extinta como tom separado dentro do grande som de trombeta produzido pelo Sopro divino.

Quando essa condição é atingida, ocorre a comunhão entre o Eu Superior e a Mônada.

Moisés fala a Deus e Deus responde por uma "voz". Contudo, voz não é, nem som algum.

É a vontade pura, expressiva do propósito ou intenção do Pai-Mãe divino ao trazer à existência o universo.

É o impulso irresistível, onipenetrante e inerente à autoexpressão, à expansão (daí o nome de Brahma, da palavra brih, expandir ou crescer) e à plenitude que reina no coração de toda a natureza e de toda a criação, do mais alto ao mais baixo.

É a vontade bramânica de plenitude que, como Vach, soa naquele momento cósmico em que a identificação divina primeiramente emana como vontade-luz-som do Absoluto.

Através dos dias e anos cósmicos que se seguem, essa vontade-luz chama à existência sóis, planetas, seres, em obediência à lei.

Nível após

Êx. 19:19.

Josué 6:20.

Ahamkara ou Ahankara (Sânsc.). A concepção do "eu", autoconsciência ou identidade própria; o "eu", o princípio egotista e mayávico no homem, devido à nossa ignorância que separa o nosso "eu" do UNO-SELF universal — personalidade, egoísmo.

The Theosophical Glossary, H. P. Blavatsky.

Vach (Sânsc.). Voz, fala.

Uma referência à doutrina do Logos.


nível, plano após plano, de densidade crescente, vêm à existência e gradualmente incorporam e manifestam a vontade-luz.

Mônadas emitem seus raios.

Seres emanam e habitam os planos.

Cada vez mais fundo penetra a vontade-pensamento-Palavra cósmica, despertando a substância adormecida, forçando seus átomos a responder, a incorporar e a ecoar ou ressoar a "Palavra" cósmica. A luz brilha a partir do centro criativo para iluminar as trevas e tornar visíveis os mantos até então invisíveis em que a Mãe cósmica está envolta.

A vontade torna-se mais potente, o som mais alto e a luz mais brilhante à medida que os éons passam.

As Mônadas tornam-se mais radiantes e seus raios mônadicos irrompem como feixes mais amplos e mais brilhantes.

As regiões mais densas assumem as formas pretendidas, as escuridões exteriores dão lugar à luz, e onde antes havia caos, a ordem divina agora rege.

Em cada ser assim chamado à existência como habitante e trabalhador nos mundos criados, os processos cósmicos são microcosmicamente reproduzidos e cumpridos em paralelo.

Assim como o todo responde, também responde cada parte.

No homem, como um desses habitantes e trabalhadores nos mundos, a inércia e o silêncio inerentes à matéria dão lugar ao movimento rítmico (as muralhas de Jericó caem) e à "voz" cósmica ouvida e respondida. No homem, como no universo, a escuridão é deslocada pela luz.

É este estágio no processo criativo e evolutivo que é alegoricamente descrito pelo som da trombeta que se avoluma e se fortalece, e pelo intercâmbio verbal entre Moisés e Deus no Monte Sinai.

O cume ainda não foi alcançado.

A unidade ainda não foi realizada; ou quando há unidade, não há necessidade, ou mesmo possibilidade, de intercâmbio externo.

A realização da unidade é descrita geralmente pela morte ou ascensão mágica (Enoque, Elias, Cristo?) do corpo, à medida que a Alma é elevada e absorvida em seu Deus.

Os israelitas na alegoria são os variados atributos, poderes e capacidades desenvolvidos pela, e agora inerentes à, Alma Superior como resultado da longa série de vidas sucessivas.

1 Gên. 5:24.

2 Reis 2:11-13. 3 Mc. 16:19.


Assim desenvolvida, assim evoluída e enriquecida, a Alma Superior torna-se afinada com seu Senhor ou Mônada, ascende ao monte ou aos níveis superiores de evolução e consciência, e ali ouve e repete em toda a sua natureza a "Palavra" monádica, ou o som da trombeta agora crescido, forte e poderoso.

Uma iniciação nos maiores mistérios é então conferida para constituir um reconhecimento nos mundos exteriores e objetivos da realização evolutiva da Alma Superior nos reinos interiores e subjetivos.

"O caminho da santidade" está sendo trilhado.

"A porta estreita" foi encontrada e "o caminho estreito" foi ascendido.

O Nobre Caminho Óctuplo e de Fio de Navalha está sendo escalado com sucesso, e o topo da montanha está plenamente à vista.

Unicórnio.

A suposição de que grande parte da mitologia dos povos antigos, com seus muitos glifos e símbolos, é inspirada por Adeptos e Iniciados com o propósito de preservar para a raça e revelar, enquanto ainda oculta, o conhecimento que confere poder, é apoiada pela notável adequação da simbologia.

O unicórnio, ou cavalo com chifre, por exemplo, em um de seus muitos significados possíveis, é um símbolo da força criativa sublimada no homem.

O chifre, emergindo do cérebro, indica que a expressão do poder criativo e do desejo ocorre por meio do intelecto inspirado pela vontade e seu órgão craniano, que é principalmente a glândula pituitária.

O chifre é ocultamente fálico, e o cavalo é um símbolo frequentemente usado para o quaternário inferior.

É também o Pégaso que o herói Belerofonte, o Ego iniciado, captura e domina com um freio dourado.

Este freio é um símbolo da vontade-pensamento desenvolvida, por meio da qual a natureza pessoal do homem (Pégaso) é controlada e guiada.

O cavalo alado foi capturado perto de uma fonte, tipificando a fonte da vida.

Montando-o, Belerofonte elevou-se ao ar e matou a Quimera, um monstro que exalava fogo (a paixão). A partir de então, o Ego iniciado não está mais limitado à superfície da terra e ao corpo físico; ele se eleva, como se tivesse asas, ao empíreo, os estados superiores de consciência.

Em uma história do Antigo Testamento! Jó é testado durante um longo interrogatório entre a Divindade e ele mesmo.

O unicórnio nele não deve mais ser selvagem, mesmo que sua natureza universal, simbolizada pela selvageria e liberdade, permaneça e seja reconhecida.

Jó 39:9-12.


No Livro de Jó, a mudança do jumento selvagem para o unicórnio também é significativa, pois o jumento é um símbolo de teimosia e, em seu estado selvagem, todas as suas qualidades estão desenfreadas.

O candidato à iniciação deve domar o jumento até então selvagem, para que, a partir de então, como um quaternário dócil, possa carregar o Ego tríplice adiante em direção à sua meta, assim como o jumento carregou a Sagrada Família para o Egito e o Cristo em triunfo para Jerusalém.

O Egito é um símbolo topográfico do santuário dos maiores mistérios e do Salão de Iniciação onde Jesus, como todo iniciado, foi santificado e consagrado à sua poderosa tarefa.

Jerusalém é o Self imortal do homem, a Tríade espiritual, na qual o iniciado está plenamente consciente.

Esse estado de consciência de "Jerusalém" é alcançado enquanto bem acordado no quaternário frequentemente resistente.

Simbolicamente, o Cristo triunfante cavalga para dentro de Jerusalém sobre um jumento.

O unicórnio é um animal fabuloso cuja medula espinhal presume-se estender-se além da medula oblonga, através da glândula pituitária e para fora entre os olhos, após o que se endurece em um chifre.

Interpretado ocultamente, isso se refere menos à medula espinhal física do que ao canal etérico interior que percorre sua extensão e, como dito anteriormente, é chamado de Sushumna.

O fogo criativo equipolarizado, fogo serpentino, ou kundalini, flui ao longo desse canal do sacro ao cérebro e, em seu fluxo, no homem, é acompanhado pelas correntes positiva e negativa separadas que seguem cada uma seus próprios caminhos, conhecidos como Pingala e Ida, respectivamente, entrelaçando a Sushumna enquanto fluem.

Essa sublimação da força criativa, essa ascensão do fogo criativo giratório e serpentino, ocorre como resultado da sublimação da força sexual pela prática contínua de yoga, auxiliada pela passagem através de ritos válidos de iniciação.

Esse conhecimento foi, por um longo período de tempo, parte dos segredos estritamente guardados dos mistérios, e mesmo agora a técnica pela qual ele é assim despertado é mantida em segredo do mundo.

Esse sigilo é projetado não para reter informações valiosas, mas para proteger o profano e o despreparado do perigo e da tensão inseparáveis do despertar prematuro da kundalini.

Muitos símbolos são, portanto, empregados para se referir a esse poder redentor e libertador no homem.

Na maioria deles, serpentes, frequentemente entrelaçadas, figuram em grande parte.

As histórias da transformação das varas de Moisés e Arão em serpentes para conquistar a liberdade para os israelitas, e os glifos de Laocoonte e seus dois filhos; da serpente de bronze na cruz erguida por Moisés; do caduceu nas mãos de Hermes, que liberta a alma (Perséfone) do Hades (aprisionamento no corpo físico e no mundo) — todos esses retratam essa sublimação da força criativa e a resultante libertação da consciência das restrições da vida corporal.

Os autores do Livro de Jó usaram o símbolo conjunto do asno selvagem e do unicórnio para indicar que Jó havia progredido através das fases selvagens, teimosas e sexuais do desenvolvimento humano e, como Moisés, era "chifrudo", mas com um único chifre.

O chifre do unicórnio é às vezes representado como helicoidal, o que é uma referência velada às forças espiralmente entrelaçadas da kundalini, "o poder que se move em um caminho serpentino".

Nesse sentido, o unicórnio (mente, emoção, vitalidade e corpo físico conjuntos do homem em quem o fogo serpentino está plenamente despertado) está disposto a servi-lo ("permanecer junto à tua manjedoura"), pode ser amarrado e feito a "gradar os vales". O animal chifrudo (personalidade controlada) é digno de confiança.

É também poderoso em "força". O trabalho pode ser confiado a ele. O proprietário pode acreditar nele, sabendo que ele "trará para casa (sublimará) a tua semente (o poder procriador) e a recolherá no teu celeiro" (o cérebro e o corpo causal).

O unicórnio é também um símbolo daquela raça primitiva de homens em quem o olho pineal estava na superfície da cabeça.

Esses foram os chamados Lemurianos, a Terceira Raça Raiz na sucessão de raças sobre a terra, mas os primeiros a vestir corpos físicos e a renovar a vida física humana neste planeta.

Eram homens gigantescos, de constituição pesada e desajeitados, inábeis no manejo de uma forma física, mas possuindo ainda aquela visão psíquica que era instintiva e naturalmente empregada pelas duas primeiras raças na terra, que eram astro-etéricas.

Sua visão física era limitada, pois os dois olhos ainda eram rudimentares, porém sua visão psíquica era a princípio notavelmente clara.

Êx, 4:2-5 & Núm, 17:1-11.

Jó 39:9-12. ³ Segundo Michelangelo À medida que a Terceira e a Quarta Raças Raiz se desenvolviam, os corpos tornaram-se menores, mais compactos e mais facilmente controlados.


Os atuais dois olhos se desenvolveram, para conceder visão claramente focada e estereoscópica, e o chamado terceiro olho, o pineal, recuou para se tornar a atual glândula pineal.

Diz-se metaforicamente que o unicórnio vagou pela terra até o momento em que esse processo foi concluído.

Depois disso, ele desapareceu (simbolicamente), permanecendo apenas como um emblema do passado da humanidade, como uma misteriosa memória racial do homem, que havia alcançado um corpo físico e em sua natureza mortal era então um quaternário, um quadrúpede, um cavalo com chifre, um unicórnio.

O unicórnio, no entanto, não morreu.

Como o olho pineal, que recuou para dentro do cérebro, ele recuou para permanecer por longas eras quiescente, permanecendo ainda como um glifo dentro da memória da raça.

A Raça Lemuriana, menos simbólica e mais real, é referida como os Ciclopes, os gigantes de um olho só da mitologia grega.

O fato da existência primitiva de uma raça de um olho só dormiu tanto como memória quanto como poder dentro da mente subconsciente das raças sucessivas.

A roda gira.

Tudo o que já foi, após dormir por um tempo, reaparece.

O unicórnio e o homem ciclópico estão despertando de seu longo sono.

O quaternário humano encontra seu chifre vestigial reaparecendo na superfície da testa, não como tecido endurecido, mas como fogo criativo e giratório.

O homem moderno, tornando-se gigante uma vez mais, ainda que apenas em mente, encontra seu terceiro olho fechado — a visão psíquica e a intuitividade intelectual — abrindo-se novamente.

As faculdades psíquicas inerentes ao homem, sua vidente capacidade inata, não é mais um poder racial vagamente lembrado, despertando timidamente em crianças e pessoas simples.

Ela se impôs à mente humana, foi investigada cientificamente, e agora é reconhecida como um poder quase universal e ativo que foi batizado de "percepção extra-sensorial", ou PES.

Assim, como símbolo, o unicórnio branco e reluzente com fogo que corusca, gira e jorra para fora de entre os olhos.

A existência, no passado remoto, de homens de um olho só é sugerida por alusões clássicas aos Ciclopes,

como Polifemo, e pelo aparecimento ocasional de anormalidades na forma de bebês nascidos com um único olho.

Isso é considerado um exemplo de atavismo.

Répteis ainda existem, particularmente tuataras encontrados em algumas pequenas ilhas da Ilha Norte da Nova Zelândia, que possuem um terceiro olho, geralmente referido como corpo pineal, em uma cavidade entre os olhos coberta por uma pele fina.

A ciência oculta afirma que os primeiros homens físicos na Terra foram gigantes de um olho só.


Novamente ele vagueia pelas encostas das montanhas, os penhascos rochosos e as florestas sombrias.

Polifemo liberta-se de sua caverna na montanha (os corpos físicos psiquicamente insensíveis das últimas Quarta e primeiras Quinta Raças Raízes) e, com os fogos do Etna queimando mais ferozmente do que nunca, ergue-se ereto uma vez mais.

Os Ciclopes estão aqui na Terra novamente, mas não mais com um olho só.

Antes, são dotados de três órgãos de visão, dois físicos e um superfísico. Eles são parcialmente representados pelos homens e mulheres de hoje que já possuem essas faculdades intuitionais e psíquicas, que serão naturais para as raças posteriores.

Ulisses personifica o procedimento evolucionário, e a estaca que ele cravou no olho do gigante na caverna (a cabeça do homem) é o impulso descendente da vida do espírito, trazendo os Monad-Egos dos homens através da cegueira temporária das fases físicas, emocionais e do início do mental inferior do desenvolvimento humano.

Os Adeptos e iniciados de outrora assim consagraram em alegoria e símbolo seu conhecimento etnológico, histórico e oculto, deixando-o aparente para todos que tivessem olhos para ver e, contudo, velado, porque temporariamente não necessário e não sem perigo, até que o tempo do desvelamento chegasse.

O presente é o tempo, e nesta era os Adeptos modernos estão reavivando as memórias adormecidas e os poderes há muito tempo dormentes de seus irmãos mais jovens, a humanidade, de quem a Irmandade dos Adeptos nunca deixou de cuidar e guiar.

O Véu é usado tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

Em termos de consciência, o véu simboliza a barreira mental que restringe a percepção e o pensamento durante a encarnação física às limitações da mente-cérebro formal e concreta.

Devido a este "véu", a transferência de luz intelectual, gênio criativo, inspiração do Eu Superior para o inferior, é normalmente tanto difícil quanto rara.

Quando é alcançada, distorção e severa "privação" das ideias abstratas transmutadas são prováveis de ocorrer.

A esterilidade simboliza essa condição restrita da mente.

O casamento celestial e a concepção, como é simbolicamente chamada a união final e completa das faculdades superiores e inferiores, ainda não foi alcançada.

Aqui é citado um exemplo do uso dos símbolos da esterilidade e da concepção posterior de uma mulher em idade avançada, que pode utilmente servir para ilustrar o princípio do véu: "Então a mulher veio e contou ao seu marido, dizendo: Um homem de Deus veio a mim, e a sua aparência era como a aparência de um anjo de Deus, muito terrível; mas não lhe perguntei donde era, nem ele me disse o seu nome." Aqui está alegoricamente descrito tanto um pré-requisito para a passagem bem-sucedida através da primeira das grandes iniciações (ver um homem de Deus, o Augoeides), quanto a condição psicoespiritual (concepção) à qual o candidato plenamente preparado alcançou.


Isto consiste no estabelecimento de uma relação íntima (casamento frutífero) entre o Eu interior, cujo "nome" é então conhecido, em seu vestimento de luz, veículo da inteligência abstrata, e sua automanifestação abaixo desse nível no veículo do pensamento concreto e analítico (a esposa de Manoá e todas as outras mulheres estéreis que se tornam frutíferas). O primeiro é representado pelo homem de Deus e o último pela esposa e futura mãe.

Até o momento da preparação para a primeira iniciação no indivíduo, e do desdobramento geral da faculdade intuitiva na raça, uma barreira ou véu existe entre esses dois aspectos da natureza humana, o Egoico e o pessoal.

Esta barreira e causa da aridez intelectual e espiritual é como o véu diante do santuário naquele templo que é o próprio homem, no qual habita o Espírito do Altíssimo, o poder e a presença divina mais íntimos, chamados a Mônada.

Na Quinta Raça Raiz da Quarta Ronda neste planeta, este véu do templo humano é penetrado apenas por homens que estão à frente da raça, ou sujeitos a uma estimulação egóica e mental especial, seja por superiores na evolução ou por membros das hostes angélicas, ou como resultado de aspectos astrológicos incomuns aos quais são capazes de responder.

À medida que a sexta sub-raça da Quinta Raça Raiz aparece e se desenvolve, o véu entre as mentes superior e inferior torna-se mais tênue e, em consequência, a faculdade intuitiva se manifesta.

No Adepto deste período, e na humanidade como um todo ao final da Quarta Cadeia, o véu é "rasgado" ou dissolvido, como é claramente evidenciado nos relatos da Crucificação de Cristo. O rasgar em dois do véu do templo é uma alegoria descritiva de um estado de consciência, e não de um fenômeno supranormal em um templo físico.

Juízes 13:6. ² Mateus 27:51.


A afirmação de que a mulher de Zorá veio e contou a seu marido, Manoá, a experiência da anunciação, revela a íntima intercomunicação já estabelecida entre os dois aspectos da mente no indivíduo que está plenamente preparado para ser recebido nos maiores mistérios, para ser iniciado e para experimentar o "nascimento" da faculdade intuitiva ou da consciência búdica.

A história de Pilatos é de interesse deste ponto de vista.

Sua esposa teve um sonho! em pleno dia, durante a consciência desperta — significando iluminação egóica.

Ela não foi ela mesma a Pilatos, como fez a mulher de Zorá a seu marido.

Ela enviou um mensageiro, implicando a ausência de comunicação pessoal entre eles, a existência de uma barreira de espaço ou distância (um véu). Pilatos, no entanto, não deu ouvidos ao aviso.

Ele ainda não estava aberto à luz da intuição.

Como a mente inferior ainda não plenamente iluminada, mas se aproximando desse estado, ele entregou Jesus (a própria intuição e a natureza crística dentro do homem) para ser crucificado pela turba.

A multidão sanguinária representa os numerosos atributos anti-espirituais do homem exterior, incluindo fanatismo, psicologia de massa, ortodoxia e sede de sangue, seja por carne e sangue físicos ou pelo assassinato desdenhoso de novas ideias e princípios.

Um homem na condição tipificada por Pilatos, capaz de tal rendição e indiferente às vozes da consciência e da intuição, mesmo que as ouça, ainda não responde ao seu Eu Espiritual.

Um véu existe entre eles, excluindo o Deus interior no santuário do seu ser da visão do homem ainda fora do Santo dos Santos.

O véu também pode ser interpretado como o silêncio imposto a todo membro dos grandes mistérios concernente aos segredos neles revelados.

Em uma interpretação, a iniciática, o dedo sobre os lábios de Hórus Harpócrates refere-se a esse voto de silêncio.

No entanto, os iniciados falaram, mas não é uma língua secular que usam, compreensível para os profanos; pois fazê-lo seria quebrar seu solene voto e lançar pérolas aos porcos.? Quando os iluminados falavam, usavam uma linguagem especialmente inventada para esse propósito.

Esta era a linguagem sagrada da alegoria e do símbolo, que é em si um véu ocultando da visão aquela gnose que é poder.

Mt. 27:19. ² Mt. 7:6.


Vinhas, jardins e campos indicam, cosmicamente, o campo evolutivo material; e humanamente, condições frutíferas de consciência, especialmente na abertura de novos ciclos de experiência e desenvolvimento.

Assim, a história bíblica da criação da terra e do homem começa no Jardim do Éden, e foi em um jardim que Maria Madalena encontrou e eventualmente reconheceu o Senhor ressuscitado.

Ermos e desertos, por outro lado, referem-se àqueles estados de aridez espiritual aos quais todos os místicos dão testemunho.

A água refere-se, em geral, à substância raiz universal, pré-cósmica (as águas do Abismo). Aplicada ao homem, a água tipifica o mundo emocional, o corpo emocional ou de desejo, e as variadas manifestações — calmas, turbulentas ou tempestuosas — do aspecto sentimental da natureza humana.

Vinho, sangue, saliva e lágrimas geralmente referem-se à expressão sublimada e espiritual das forças do desejo.

Isso assume as formas de força de vontade intensificada, de intuitividade espiritual e sabedoria, e de amor e compaixão universais.

O vinho refere-se à intuição, e especialmente aos instintos emocionais transmutados e purificados quando usados autoconscientemente como meios de percepção intuitiva e direta.

Quando o inferior se une ao Eu Superior e o princípio divino é realizado e presente, a água (as emoções) é automaticamente transmutada em vinho (a intuição). Isso é claramente retratado por meio desses símbolos particulares no relato da festa de casamento em Caná. A ação mágica pela qual as águas amargas foram tornadas doces é suscetível de uma interpretação semelhante.

17n. 2:1-11.

CAPÍTULO II  
O SIMBOLISMO DOS NÚMEROS

"O Mundo é construído sobre o poder dos números".  
—Pitágoras.

INDICAÇÕES são encontradas na literatura antiga de um desenvolvimento que deu aos números seu significado real e os empregou em um sistema de simbolismo que se referia a algo mais do que mera enumeração.

Os números podem ser usados como símbolos, porque o universo é estabelecido sobre um plano coordenado no qual relações quantitativas se repetem através de diferentes estados e planos.

O número é comum a todos os planos da natureza e, assim, os une.

Pelo estudo dos números, portanto, pode-se aprender as leis fundamentais da criação, constituição e eventos progressivos nas vidas tanto de universos quanto de homens; pois o homem é uma modificação de elementos cósmicos, uma concentração de forças cósmicas.

Todo número tem um certo poder que não é expresso pela figura ou símbolo empregado para denotar apenas quantidade.

Esse poder reside em uma conexão oculta existente entre as relações das coisas e os princípios na natureza dos quais elas são as expressões.

Todos os números são representados por dez símbolos, começando com 0 e terminando com 9. Nesta série:

0 representa a infinidade; o ser infinito, ilimitado, o fons et origo de todas as coisas, o ovo do universo, e o sistema solar em sua totalidade.

Universalidade, cosmopolitanismo, circumambulação, viagens, os ciclos, negação, circunferência, limitação e privação estão implícitos.


Zero também denota o infinitamente grande e o infinitamente pequeno, o círculo da infinidade e o ponto no centro, o átomo, a ausência de qualidade, liberdade absoluta, e o Absoluto infinito e eterno que só pode ser descrito como Nada, porque não é nada que o homem possa nomear.

Zero também indica luz viva, ilimitada, infinitamente potencial, a Raiz sem Raiz, a Fonte sem Fonte.

O princípio de saída e retorno, que é exposto nos Capítulos II e III da Parte Quatro, também é retratado pelo círculo ou elipse da notação arábica.

O arco descendente representa a involução, o ponto mais baixo é o reino mineral, e o arco de retorno retrata a evolução através do mineral, vegetal, animal e homem até o super-homem e a Divindade.

simboliza manifestação, afirmação, o princípio positivo e ativo.

É o zero tornado manifesto, e por isso é o símbolo do sol.

Representa o Logos, a manifestação do infinito e não-manifestado.

Representa o Ego, autoafirmação, positivismo, egotismo, separatividade, ipseidade, isolamento, distinção, autoconfiança, dignidade e domínio.

Em um sentido religioso, simboliza o Senhor.

Em um sentido filosófico e científico, é a síntese e a unidade fundamental de todas as coisas, e em um sentido material, é a unidade de vida, o indivíduo.

Tanto a figura quanto o significado indicam a vertical que conecta a altura extrema com a profundidade extrema; aquela inteligência universal que é a forma primária de toda consciência e está oculta atrás de todos os números e todos os símbolos.

É a essência, substância, energia e consciência do universo expressas em graus variados em todas as suas formas.

No homem, é a Mônada e o Eu-Espiritual manifestando-se como individualidade; a unidade que se desdobra ou o Ego imortal e reencarnante.

expressa antítese; todas as polaridades opostas, incluindo ativo e passivo, masculino e feminino, positivo e negativo, lucro e perda.

No universo, representa o dualismo da vida manifestada — Deus e natureza, espírito e matéria, e suas relações.

Duplicação, reflexão, alternação, simpatia e antagonismo; sabedoria pura, como o espelho no qual o divino, tanto no universo quanto no homem, vê a si mesmo; estas também estão implícitas no número 2.

O SIMBOLISMO DOS NÚMEROS

No homem, é a intuitividade espiritual que ilumina a mente e se manifesta na personalidade como apreensão de princípios internos, ideias abstratas e fórmulas básicas, assim como o ato da dualidade inevitável do ser em todos os planos de manifestação.

Unindo em si termos ou princípios opostos, denota criação, produção, fruição, combinação, o manifestado e o não-manifestado, o explícito e o implícito.

significa a trilogia; a trindade de vida, substância e inteligência, de força, matéria e consciência.

Criação, preservação, transformação, multiplicação, desenvolvimento, crescimento e, portanto, expressão, estão todos implícitos.

Três denota o desdobramento dos princípios refletidos de 1 por 2. Isso sugere inteligência santificadora, entendimento em contraste com a sabedoria, que reflete o conhecimento do Ser mais íntimo.

A família — pai, mãe e filho; as três dimensões — comprimento, largura e altura; os três postulados — o pensador, o pensamento e a coisa; também são representados pelo número 3.

4 é o número da realidade e concreção, ordem, medida, classificação, registro, tabulação e memória, a inteligência mensuradora.

4 tipifica o universo material, as leis físicas, a aparência e a fisionomia; também a lógica, a razão, o discernimento, a discriminação, o critério e a relatividade; a cognição pela percepção, experiência, conhecimento e ciência.

A cruz, a segmentação, a partição, a ordem, a classificação, a suástica, a roda da lei, a sequência, a enumeração, são denotados por 4.

5, sendo o número intermediário entre 1 (começo) e 9 (completamento), implica mediação; como também adaptação, processos e métodos.

A lei é vista pelos sábios como a manifestação da Justiça perfeita, e eles adaptam as condições naturais ao fim da liberação progressiva de todo cativeiro.

Expansão, inclusividade, compreensão, entendimento, julgamento, aumento, fecundidade, propagação, Justiça, ceifa, colheita, reprodução de si mesmo no mundo material, paternidade, recompensas e punições sob a lei, são todos representados por este número.

Os aspectos imutáveis, a força e a aparente severidade das operações da lei, inspiram medo nos não instruídos.

Na realidade, esta lei é a raiz impessoal de todas as operações da força de vida.


6 é o símbolo do equilíbrio, da equanimidade, da simetria, da harmonia dos opostos, da reciprocidade, das atividades complementares e da mediação inteligente.

6 representa cooperação, casamento, conubialidade, as relações dos sexos, um elo, ação recíproca, contrapeso, a interação do espiritual e do material, do mental e do físico, no homem.

A psique, a psicologia, a adivinhação, o psiquismo, a telepatia e a psicometria são simbolizadas pelo número 6.

7 representa cessação temporária, mas não perfeição final, que é reservada ao número 9. O número 7 representa a consequência lógica das ideias simbolizadas pelos números precedentes.

Isso inclui descanso, segurança, proteção, vitória, mas não cessação ou completamento final.

Isso também implica tempo e espaço, duração, distância, velhice, decadência, morte, resistência, estabilidade, imortalidade.

As sete idades, dias da semana, selos, princípios no homem (a tríade e o quaternário), notas e cores, também são referidos pelo número 7.

É o dígito com os significados de vazante e baixa, ciclos alternados, involução e evolução, a emergência de formas opostas de expressão a partir de uma única causa, ritmo e dissolução no fim dos ciclos.

Também denota reação, revolução, fratura, ruptura, desintegração, segregação, decomposição, anarquismo, lesão, separação, divórcio, expiração após inspiração, alado, gênio, invenção, deflexão, excentricidade, obstinação, aberração e loucura.

O processo de acertar contas com a natureza, recebendo pagamento e pagando dívidas, ajuste cármico no qual, por exemplo, tanto beneficências quanto adversidades podem ser recebidas em preparação para o avanço em um novo ciclo — tudo isso é indicado pelo número 8. É o número da magia e da ciência oculta.

É o número da completude, mas não da cessação absoluta, realização, cumprimento, o fim de um ciclo fundindo-se no início de seu sucessor, que levará a maior realização, pois todo fim é a semente de um novo começo.

É, portanto, o número da regeneração, espiritualidade, extensão dos sentidos, premonição, ir adiante, viajar, reforma, nebulosidade, pulsação, ritmo, alcance, extensão, publicação, arco e flecha, predição, revelação e mistério.

É uma combinação da linha vertical da autoconsciência e da elipse ou círculo da superconsciência.

É o número da

O SIMBOLISMO DOS NÚMEROS

perfeição e domínio, e sugere o derramamento da força de vida ilimitada através de um Logos diretivo.

Indica a inteligência resplandecente, cheia de vida e poder, e consciência de maestria fundada no poder aperfeiçoador e organizador do entendimento.

Estes são alguns dos elos na cadeia quase interminável de ideias associadas centradas nos nove dígitos e no zero.

Em alguns sistemas de interpretação, o zero é colocado por último, de modo que o primeiro e o último são reunidos para formar 10, o número perfeito no sistema decimal; mas no esquema hebraico, o número 12 tem essa distinção, pois é o produto de 3 multiplicado por 4. O número 7, produzido por sua adição, é outro número sagrado.

A interpretação precedente dos números é aplicada ao valor unitário de qualquer número — como 7 + 3 + 1 = 11 = 2, em que 2 é o valor unitário.

Assim, todos os números têm referência final a um dos nove dígitos.

A seguinte chave menor para a interpretação dos números pode ser útil, sendo em muitos aspectos mais concisa e mais fácil de aplicar do que a precedente.

Neste sistema, as indicações dos números são as seguintes:

0. Todo poder — passado, presente e futuro — considerado como onipresente e atemporal.

1. Individualidade e possível egotismo, autoconfiança, afirmação, distinção, o emanador primordial que dirige o reaparecimento do universo, sustenta-o e o transforma; o Logos.

2. Sabedoria infalível expressa em pensamento e palavra. Relacionamento, atração psíquica, emoção, simpatia ou antipatia, dúvida e vacilação também são indicados.

3. Orientação no caminho para a libertação proporcionada pela compreensão da lei. Expansão, aumento, capacidade intelectual, riquezas e sucesso.

4. O conteúdo inesgotável do espaço ilimitado, do qual todas as necessidades espirituais e materiais podem ser supridas. Realização, propriedade, posse, crédito, posição.

10.


5. Justiça impessoal e inabalável em todas as circunstâncias humanas, reconhecida e admitida. Causa e efeito, razão, lógica, ética, viagens, comércio, utilidade.

6. O universo concebido e manifestado expresso como beleza. Cooperação, casamento, reciprocidade, simpatia, recreação, arte, música, dança.

7. Vitória alcançada pela vontade espiritual apoiada pela sabedoria e compreensão perfeitas. Equilíbrio, contratos, acordos, tratados.

8. Confiança nascida da realização da lei perfeita e da luz eterna. Reconstrução, morte, negação, decadência, perda, extinção, saída.

9. Vida em pensamento, palavra e ação inabalavelmente estabelecida no princípio eterno, a essência-espírito do universo. O mundo do espírito perfeitamente incorporado no mundo da matéria. No homem, o macrocosmo perfeitamente expresso no microcosmo, e o espírito na carne.

PARTE QUATRO

O CAMINHO CÍCLICO DA IDA E DO RETORNO

A PARÁBOLA DO FILHO PRÓDIGO COMO EXPOSIÇÃO DA LEI DOS CICLOS

CAPÍTULO I — INTRODUÇÃO GERAL

A interpretação da parábola do Filho Pródigo que se segue destina-se a servir cinco propósitos. O primeiro é ilustrar o método alegórico de escrita.

O segundo é sugerir possíveis métodos de interpretação e o significado de tais símbolos bíblicos como os membros de uma família, a criança, o beijo, o batismo, a crucificação, a cruz, o sepultamento, o túmulo, a prodigalidade e o desperdício de substância, as vestes e sua partilha, os sapatos, o anel, a cegueira e a recuperação da vista, a morte e o desmembramento, a "Queda" do homem, o Egito, a Babilônia, a cova, a prisão, a fome, a sede, a escassez e os porcos.

O terceiro propósito é oferecer informações concernentes aos ensinamentos contidos na parábola.

O quarto é expor alguns dos princípios fundamentais do sistema de pensamento filosófico seguido ao longo deste livro, e o quinto é compartilhar os frutos de um longo e continuado estudo desta maravilhosa história.

A parábola do Filho Pródigo é considerada aplicável igualmente ao macrocosmo, ou ao cosmos como um todo; ao microcosmo, ou ao homem como Alma espiritual; e à sua personalidade humana; sendo suscetível de interpretação dessas três maneiras.

A elas são acrescentadas qualificações a serem desenvolvidas e experiências a serem atravessadas

Lc. 15:11-32. 152 A SABEDORIA OCULTA NA BÍBLIA SAGRADA

por aqueles que escolhem o caminho do desdobramento apressado, buscando entrar pela "porta estreita" e trilhar a vereda angusta! Esta última é por vezes referida como a interpretação iniciática.

O assunto da iniciação é considerado no Capítulo I da Parte Seis.

Se for questionado se uma interpretação tão complexa da parábola como a aqui oferecida é justificada, e se era intenção de Nosso Senhor referir-se a procedimentos macrocósmicos e microcósmicos na natureza, poderia ser respondido que os processos de involução e evolução são cíclicos, e que esse ato está implícito em todas as referências ao ir e ao retornar, seja diretamente ou em parábola.

Em qualquer exposição que se aproxime de uma completa do assunto, extensões da história para aplicar-se universalmente são, portanto, não apenas permissíveis, mas necessárias. Além disso, apenas uma gama muito restrita de aplicações possíveis do princípio da progressão cíclica é incluída, abrangendo o assunto na realidade toda a existência objetiva.

É sobre essas bases que as seguintes interpretações são oferecidas.

Uma comparação pode ser utilmente feita entre a versão evangélica da grande parábola e o Hino Gnóstico do Manto de Glória, que é uma exposição do mesmo tema.

Nesta história, Nosso Senhor dá uma das chaves-mestras para a compreensão tanto do universo quanto do homem.

Todas as alegorias escritas na linguagem sagrada são suscetíveis de aplicação de várias maneiras. Elas podem se aplicar ao cosmos como um todo, a cada sistema solar, à raça humana, à Mônada do homem e seus sete princípios ou corpos, ao Ego do homem e suas repetidas encarnações na carne, e a todo ser humano que embarca no modo de vida que acelerará sua evolução, chamado por Isaías de "O Caminho da Santidade".¹ Isto inclui a admissão em uma ou outra das escolas de profetas, e a passagem através de seus graus de iniciação para emergir como Profeta, ou alguém que tanto fala por inspiração divina (Heb. *nabi*) quanto é um vidente (Heb. *ro'eh*). Interpretações de alegorias e símbolos deste último ponto de vista são denominadas "iniciáticas" ao longo deste livro.

O termo "cosmos" refere-se à totalidade do esquema sideral, incluindo todas as galáxias, todas as nebulosas, todas as estrelas, todos os planetas, todos os seres, e as inteligências divinas a eles associadas. Esta totalidade é chamada ao longo desta obra de "macrocosmo" ou "Grande Mundo". Uma vez que o homem é um epítome do todo e toda a criação está representada dentro dele como potências germinativas e potencialidades vibratórias ("a porção de bens que me coube"²), ele é às vezes referido como o "microcosmo" ou "pequeno mundo". Estes dois, o grande e o pequeno mundo, são um em essência. Tudo o que é verdadeiro acerca do maior, a existência universal, é igualmente verdadeiro acerca do menor, a existência humana do homem individual. Lao-Tsé verdadeiramente disse: "O universo é um homem em grande escala."

Talvez a mais profunda de todas as verdades profundas contidas na religião da sabedoria seja a da unidade do macrocosmo com o microcosmo, e da estreita similaridade entre os processos pelos quais ambos se manifestam e evoluem. O homem, em verdade, foi criado à imagem de Deus. "O mistério do homem terreno e mortal é após o mistério do Superno e Imortal."³

O homem é descrito como aquele ser no qual o mais alto Espírito e a mais baixa matéria são unidos pelo intelecto. Embora isso faça dele uma triplicidade, sua constituição é considerada pelo menos setenária.

No estágio atual da evolução humana, os sete corpos ou princípios do homem, começando pelo mais denso, são declarados como: o corpo físico, veículo do pensamento, sentimento e ação no mundo físico; o duplo etérico, o elo de ligação entre o homem interior e o exterior, e o recipiente da energia vital ou prana recebida fisicamente do sol e superfisicamente do Sol espiritual; o corpo emocional ou astral, veículo do desejo; o corpo mental, veículo da mente formal e instrumento do pensamento concreto; o corpo mental superior ou causal, veículo do Eu Espiritual tríplice no nível da mente abstrata, chamado pelos gregos de Augoeides e frequentemente referido como o Ego; o corpo búdico, veículo da intuição espiritual; o corpo átmico, veículo da vontade espiritual.

Pairando sobre e capacitando todo o homem setenário está o Morador no Íntimo, a Mônada, o Germe Imortal, uma centelha do Sol Espiritual.

Êx. 15:12.  2 Clé des Grands Mystères, Eliphas Levi.


A contribuição da filosofia oculta — um aspecto da religião da sabedoria — para o problema da emanação e constituição do universo é dupla.

Consiste primeiramente numa afirmação da existência, na natureza, de uma Inteligência Diretiva Triúna, Vida Sustentadora e Vontade Criativa, e em segundo lugar, em informações sobre a existência, a natureza e a função daquelas encarnações individuais dos poderes da natureza chamadas no Egito e na Grécia de "deuses", no Oriente de devas, na Palestina de elohim, e no Ocidente de "hostes angélicas".

A filosofia oculta compartilha com a ciência moderna a visão de que o universo consiste não de matéria, como os cinco sentidos do homem pareceriam indicar, mas de energia, e acrescenta que o universo de força é o reino dos deuses; pois, fundamentalmente, esses seres são diretores de forças universais, agentes de poder do Logos, seus engenheiros no grande processo criativo, que é considerado contínuo.

A energia criativa é perpetuamente derramada; em seu caminho desde sua fonte até a manifestação material como substância e forma física aparente (para o homem), ela passa através dos corpos e auras dos deuses.

No processo, a energia criativa é "transformada", "reduzida" de sua potência primordial.

Nesse sentido, certas ordens dos deuses são assim "transformadores" de poder.

Todos os poderes existem potencialmente dentro de cada homem, e ao longo de sua existência ele gradualmente desdobra o padrão e a imagem completos da Divindade, que é finalmente manifestada nele.

Então ele cumpre o mandamento divino: "Sede vós perfeitos, como vosso Pai que está nos céus é perfeito" e completa, no que lhe diz respeito, a grande obra.

O Reino dos Deuses, Geoffrey Hodson, T.P.H., Adyar.

Mat.

5:48.

CAPÍTULO II — O CAMINHO DA SAÍDA

A Própria Parábola

"E disse: Um certo homem tinha dois filhos:

E o mais moço deles disse ao pai: Pai, dá-me a parte dos bens que me pertence. E ele repartiu entre eles os seus bens.

E, poucos dias depois, o filho mais moço, ajuntando tudo, partiu para uma terra distante, e ali desperdiçou os seus bens, vivendo dissolutamente.

E, havendo ele gastado tudo, houve naquela terra uma grande fome, e ele começou a passar necessidade.

E foi e ligou-se a um cidadão daquela terra, que o mandou para os seus campos a apascentar porcos.

E desejava encher o seu ventre com as alfarrobas que os porcos comiam; e ninguém lhe dava nada.

E, caindo em si, disse: Quantos empregados de meu pai têm pão em abundância, e eu aqui pereço de fome!

Levantar-me-ei, e irei ter com meu pai, e dir-lhe-ei: Pai, pequei contra o céu e perante ti;

Já não sou digno de ser chamado teu filho; faze-me como um dos teus empregados.

E, levantando-se, foi para seu pai.

Mas, estando ele ainda longe, seu pai o viu, e se moveu de compaixão, e, correndo, lançou-se-lhe ao pescoço, e o beijou.

A SABEDORIA OCULTA NA SANTA BÍBLIA

E o filho lhe disse: Pai, pequei contra o céu e perante ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho.

Mas o pai disse aos seus servos: Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lha, e ponde-lhe um anel na mão e sandálias nos pés;

E trazei o bezerro cevado, e matai-o; e comamos, e alegremo-nos;

Porque este meu filho estava morto, e reviveu; tinha-se perdido, e foi achado.

E começaram a alegrar-se.

Ora, o seu filho mais velho estava no campo; e, quando veio e se aproximou de casa, ouviu a música e as danças.

E, chamando um dos servos, perguntou o que era aquilo.

E ele lhe disse: Veio teu irmão; e teu pai matou o bezerro cevado, porque o recebeu são e salvo.

E ele se indignou, e não queria entrar; por isso, seu pai saiu, e lhe rogava.

E ele, respondendo, disse ao pai: Eis que há tantos anos te sirvo, e nunca transgredi o teu mandamento; e nunca me deste um cabrito, para eu me alegrar com os meus amigos;

Mas, vindo este teu filho, que devorou os teus bens com as meretrizes, mataste-lhe o bezerro cevado.

E ele lhe disse: Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu.

Era justo que nos alegrássemos e nos regozijássemos, porque este teu irmão estava morto, e reviveu; e tinha-se perdido, e foi achado.

A parábola do Filho Pródigo descreve o processo da saída da vida consciente e derramada do Logos, que carrega consigo, para o campo da evolução, os raios ou radiações das Mônadas de todos os seres (a "jornada para um país distante").

Ex. 15:11-32.

O CAMINHO DA SAÍDA

No início de cada nova manifestação, essas Mônadas se encontram em estágios variados de desenvolvimento e percepção, conforme o grau de desdobramento alcançado em ciclos precedentes.

No ponto mais distante do caminho da saída, representado no Esquema Terrestre do nosso sistema solar pelo reino mineral do plano físico, o poder, a vida e a consciência da Mônada estão mais profundamente envolvidos na matéria.

Na parábola, essa fase é retratada pela mais profunda degradação do filho pródigo, que desejava comer "as alfarrobas que os porcos comiam".

A parábola também descreve, em alegoria, o caminho do retorno, ou evolução, ao término do qual todos os poderes-semente das Mônadas se desenvolveram ao mais alto grau possível em qualquer ciclo particular.

A bem-aventurança e o enriquecimento da Alma espiritual são simbolizados pelas boas-vindas, pelos dons e pela festa proporcionados ao filho pródigo em seu retorno.

Esse grande ciclo de involução e evolução se repete em inumeráveis subciclos componentes, de grau e dimensão gradualmente decrescentes.

O homem como Ego o repete, por exemplo, em cada ciclo de nascimento e morte.

Ao longo deste livro, o período de atividade é chamado Manvantara, e a quietude que sempre se segue é denominada Pralaya.

Os Personagens

A parábola do Filho Pródigo é agora considerada em detalhe, e interpretações são oferecidas dos pontos de vista do macrocosmo, ou totalidade do universo, e do microcosmo, ou homem — como Mônada, como Ego e como iniciado.

Os principais dramatis personae consistem no pai e seus dois filhos.

Em seu significado supremo, o Pai personifica o Absoluto; o filho mais velho, a primeira emanação dele; o filho pródigo, a vida derramada, portadora de sementes, o Cristo Cósmico.

O Pai

O Pai representa, assim, o eterno e infinito progenitor do qual nascem o temporário e o finito.

É a existência sem limites, sempre incognoscível e desconhecida, o imutável, infinito, Eterno Tudo, a Causa sem Causa autoexistente, o Germe na Raiz.

Esta única Realidade Absoluta antecede toda existência manifestada; é a Raiz sem Raiz de tudo o que foi, que é e que sempre será.


Quando uma época de manifestação (Manvantara) está para começar, a condição não manifestada em que "as trevas estavam sobre a face do abismo" dá lugar à manifestação.

Quietude, trevas, "noite" sem limites, então dão lugar à atividade, luz, "dia". O filho mais velho pode ser considerado como representando aquela ideação cósmica que é a base das operações inteligentes na natureza.

Este é o infinito Espírito Criativo que, através da vontade, do pensamento e do som, e pela ação das hostes de inteligências criativas, os Elohim, produziu todas as coisas, deu o primeiro impulso à lei cósmica e perpetuamente mantém tudo no universo em existência e ordem.

Quando o campo evolutivo foi preparado por essa atividade, ele é adentrado por uma terceira "pessoa", o filho mais novo, o Logos, o "Verbo", o Cristo Cósmico, que nesta interpretação é retratado pelo filho pródigo.

É este Christos que "nasce", é "batizado" nas águas do Grande Abismo, é "traído" pelo contato íntimo com os mundos mais grosseiros, é "crucificado" na cruz da substância física, é "sepultado" no túmulo de rocha, e que "ressuscita" e, por fim, ascende em nuvens de glória para AQUELE de onde veio.

No entanto, estes não são três Seres eternos separados; pois Aquilo que sempre foi, Aquilo que sempre é e Aquilo que está sempre se tornando é, ao mesmo tempo, uma unidade.

Nas interpretações que se seguem, nenhuma referência adicional será feita a essas três existências subjetivas em uma — o Absoluto (o Pai), a ideação cósmica (o filho mais velho) e a vida cósmica (o filho pródigo).

No macrocosmo manifestado, o Pai personifica tanto o Logos Cósmico quanto as Divindades regentes de todas as estrelas, sistemas solares e seus principais componentes planetários.

Ele também pode se referir ao aspecto transcendente da Divindade do qual tudo procede, ao qual tudo retorna e que existe como uma presença ofuscante, em vez de uma presença imanente.

Na Escritura Hindu, o Bhagavad Gita, o Senhor Shri Krishna como o Logos transcendente diz: "Tendo permeado este universo com um fragmento de Mim Mesmo, Eu permaneço."

No microcosmo, o Pai refere-se primeiramente à Mônada em relação aos sete planos da natureza e aos sete princípios do

¹ João 1:1-5. ² Simbolizado pelo beijo de Judas.

Composto dos quatro elementais e estendido nas quatro direções do espaço.

Descida ao reino mineral.

Op. cit.

10º Discurso, 42.

A SENDA DA EXTERIORIZAÇÃO

homem, composto da matéria de cada um deles, e em segundo lugar ao Ego em relação aos quatro veículos da personalidade.

O Filho Mais Velho

Macrocosmicamente, o filho mais velho personifica os Elohim, ou Inteligências Criativas, arcanjos e anjos, que nunca perdem a consciência da unidade com sua Fonte divina.

Nesse sentido, eles permanecem em casa.

Eles são mais velhos do que aquelas Mônadas que embarcam na jornada evolutiva que as leva através do plano físico, porque emanaram primeiro na sequência das Atividades Criativas.

Estes são os Sete Poderosos Espíritos diante do Trono, as Mônadas aperfeiçoadas que atingiram seu mais alto grau de desenvolvimento no ciclo ou encarnação precedente do Logos no cosmos ou sistema solar.

Como afirmado anteriormente, esses grandes seres e suas hierarquias de anjos permanecem em casa no sentido de que estão perpetuamente autoidentificados com a Fonte de seu ser e vida.

Uma referência bíblica a eles diz: "Quando as estrelas da manhã cantavam juntas, e todos os filhos de Deus gritavam de alegria."

Pode-se aqui adiantar que a sugestão na parábola de ciúme concernente ao filho mais novo não deve ser levada a sério.

É possivelmente uma cobertura ou disfarce para as profundas ideias reveladas na alegoria, ou mesmo uma deliberada direção da mente para longe de tais seres e do poder concedido àqueles que são capazes de estar em contato com eles e de invocá-los para propósitos taumatúrgicos.

Uma medida de reserva quanto à referência demasiado direta a esses seres é necessária, porque eles são agentes de grandes forças cósmicas.

Seres humanos que se comunicam com as hostes angélicas podem aprender a acessar essas forças e colaborar com seus diretores angélicos.

Como Ezequiel, o jovem Zacarias, filho de Baraquias, "o profeta da visão longa", evidentemente viu pelo menos algumas dessas inteligências criativas arcanjélicas, às vezes associadas aos quatro quadrantes da bússola.

Ele se refere a elas como quatro carros puxados por cavalos vermelhos, pretos, brancos, malhados e baios, mas seu anjo instrutor lhe disse: "... Estes são os quatro espíritos dos céus, que saem de diante do Senhor de toda a terra."

Jó 38:7. 9 Zac.

0:5.


Ele passou a se referir às direções ou pontos cardeais para os quais esses carros eram puxados.

Esses grandes seres e suas hierarquias de anjos permanecem em casa, no sentido de que estão perpetuamente autoidentificados com a Fonte de seu ser e vida.

Microcosmicamente, o filho mais velho representa a Mônada humana, que também permanece una com a Fonte divina.

As Mônadas dos homens são provavelmente os chamados anjos que "sempre veem a face de meu (seu) Pai que está nos céus."¹

O Filho Pródigo

Macrocosmicamente, o filho pródigo representa o aspecto imanente do Logos, a vida divina interior que embarca na grande peregrinação através da matéria, levando as radiações ou fios de vida das Mônadas para os campos evolutivos que já haviam sido preparados pelas hierarquias de inteligências criativas, os arcanjos e anjos, que eram assim mais antigos ou precedentes no tempo.

Esse processo de levar as radiações das Mônadas, com todos os seus poderes inerentes, para o campo é descrito pela ação do filho mais novo que "reuniu tudo, e partiu para uma terra distante."

Microcosmicamente, o filho pródigo representa o raio projetado da Mônada, que eventualmente se manifesta no nível da inteligência abstrata como o Ego-Mônada em sua vestimenta imortal de luz, o corpo causal.

Este é o Deus peregrino no homem, seu Eu Superior, que sai durante a vida pré-natal e, do nascimento à morte, está incorporado na personalidade quádrupla como seu princípio animador e vitalizador espiritualmente.

Tais são os três principais personagens dramáticos na grande história, e tais são algumas interpretações sugeridas deles.

Eles também podem ser considerados como representando o fogo (o pai), a chama (o irmão mais velho) e as faíscas (o filho pródigo), a triplicidade que está no coração de toda manifestação objetiva.

Eles são também representantes dos três aspectos místicos tanto da Trindade primordial quanto da Trindade manifestada.

Além disso, eles representam, como todos os símbolos triplos intimamente relacionados, os três gunas ou atributos da matéria: atividade (o pai), ritmo (o filho pródigo) e inércia (o irmão mais velho que fica em casa). As ações do pai e dos dois filhos retratam em alegoria as interações e seus variados resultados desses três aspectos e atributos do espírito e da matéria.

Mateus 18:10, O CAMINHO DO EGRESSO

**Desperdiçando a Substância**

O termo "pródigo" é aplicado ao filho mais novo porque se diz que ele desperdiçou sua substância em vida dissoluta depois de chegar ao país distante. Isso também é uma referência velada à oblação eterna, como resultado da qual o Logos derrama sacrificialmente sua vida para que seu universo viva. Essa autocrucificação voluntária do Cristo cósmico, o filho pródigo macrocosmo, sobre a cruz da matéria moldada em universos com suas quatro direções do espaço, é referida no Capítulo I da Parte V desta obra.

Sob certas condições de consciência elevada, a vida divina universal e imanente na natureza torna-se visível como uma força de vida dourada, brilhante e onipenetrante, onipresente como princípio animador em cada átomo de cada mundo. As formas físicas então desaparecem. Estamos dentro e somos parte de um oceano onipenetrante de vida dourada e brilhante, que parece consistir em miríades de pontos de luz interconectados por linhas de força, sendo o todo parte de uma teia viva aparentemente infinita, de malha extremamente fina, que permeia todos os seres, todas as coisas, todos os mundos. Cada um dos pontos é descoberto como uma fonte de vida, quase um sol, dentro do qual a força de vida jorra como de uma fonte inesgotável. Desses centros, o poder dourado flui ao longo da grande teia, vitalizando toda a substância. Não há matéria morta. Todos os seres e todas as coisas são vistos como preenchidos pela vida imanente ou fogo de Deus.

Um poeta inspirado descreveu verdadeiramente esse estado de consciência:—

"Eis! Céu e terra estão ardendo, brilhando, preenchidos
Com essa glória suprema que Tu és.
Perdida em sua luz, cada fraqueza mortal, aquietado
Cada coração adorador em êxtase."¹

O processo de limitar a vida universal de uma Divindade presidente a um único universo, e às linhas de força das quais sua teia de vida consiste e seus pontos de intersecção, é referido alegoricamente.

¹ The Web of the Universe, E. L. Gardner, T.P.H., Londres.
² Hinário de St. Alban, Rev. Scott Moncrie.


tanto como um desperdício de substância quanto uma divisão forçada em muitas partes daquilo que é essencialmente uno.

Assim, na Crucificação, diz-se do Cristo crucificado: "E crucificaram-no, e repartiram as suas vestes, lançando sortes." Esse fazer com que o uno se torne muitos, a fim de que a manifestação do até então não manifestado possa ocorrer, é descrito em outras Escrituras mundiais como a morte e o desmembramento de Salvadores e Divindades, tais como Osíris e Baco.

No caminho de retorno (o filho pródigo voltando para casa), essas partes temporariamente separadas são restauradas à unidade, ou plenamente reconhecidas por homens aperfeiçoados como ilusórias; pois somente a forma é discreta e diversa, enquanto a vida interior permanece para sempre um todo integral.

Isso é parcialmente indicado pela colocação de uma nova veste — uma vestimenta inteira ou "sem costura" — sobre o filho pródigo, e pela reunião das várias partes dos corpos desmembrados de Salvadores e Divindades.

A Casa do Pai

A consciência de um Logos de um universo (seu pai) está estabelecida no mais elevado mundo espiritual, chamado em sânscrito de Adi, que significa "o primeiro". Nesse nível, poder-se-ia possivelmente supor que a Divindade presidente é transcendente, acima e além do universo.

Alegoricamente, o pai permanece em casa com as inteligências criativas cósmicas que, em sua síntese, são os "primogênitos", as "primícias", o filho mais velho.

Este mais elevado de todos os mundos, o plano do mais tênue de todos os graus de densidade de substância, é a morada celestial do "Pai que está nos céus". Esta é a "santa habitação", "o céu, tua morada".

Aqui em Adi habita em unidade indivisível a Força Criativa primeva, eterna e incriada, mas manifestando-se periodicamente.

Este é o aspecto abstrato do Supremo — infinito, absoluto, sem atributos.

É um princípio universal impessoal, sem nome, o Deus Transcendente que periodicamente se torna o Deus Imanente (o filho pródigo).

As Mônadas como microcosmos têm sua morada no mundo Monádico, chamado em sânscrito de Anupadaka, que significa "o

Mat. 27:35.

Deut. 26:15. 8 1 Reis 8:

A SEND A DE SAÍDA

sem pais". Este nível de manifestação é apenas um grau mais denso na consistência de sua substância do que o primeiro, ou Adi.

No caso do Ego imortal do homem, como também de seu veículo — o Augoeides, o "Manto de Glória" gnóstico, o corpo causal — a casa do pai é o reino da Mente Superior, o intelecto abstrato do homem.

O Filho Pródigo Recebe Sua Porção e Parte para uma Terra Distante

Macrocosmicamente, a "porção" representa tanto o volume (se tal termo pode ser usado) da porção cósmica destinada a uma unidade de manifestação, como um sistema solar, quanto as potencialidades inerentes das Mônadas que devem emanar da Fonte parental, o Logos (o Pai). Antes da manifestação, as potencialidades das Mônadas não eram aparentes, embora presentes como sua essência espiritual.

Esta é a condição que prevalece na casa do Pai antes de o filho pródigo "partir para uma terra distante". Quando a manifestação começa, as Mônadas projetam seus raios no campo evolutivo.

No devido curso, esses raios projetados tornam-se individualizados em almas humanas imortais, usando veículos mais especialmente expressivos da faculdade do pensamento abstrato.

Platão, no Timeu, diz: "Agora, quando o Criador havia moldado a alma segundo sua vontade [as Mônadas como réplicas em miniatura de si mesmo], ele formou dentro dela o universo corpóreo...". Estas são as sementes divinas da Árvore da Vida parental, dentro das quais residem infinitas potências cósmicas.

Nem a mal denominada "Queda" do homem nem a saída do filho pródigo são, em qualquer grau, erros ou pecados, sendo tal atribuição inteiramente falaciosa.

O processo de "plantio" é o único indicado; pois assim como o jardineiro deve colocar suas sementes na escuridão abaixo da superfície do solo, onde ficam fora de sua vista e entregues às operações misteriosas da força de vida criativa dentro delas, assim o Jardineiro Divino (o Pai na parábola) deve "plantar" ou enviar para o campo ou jardim universal suas Mônadas, sementes de sua própria existência.

Somente sendo plantadas podem as sementes produzir de dentro de si mesmas reproduções da planta parental.

Somente partindo "para uma terra distante" ou, alegoricamente, "caindo", pode a infinitude de poderes inerentes e deíficos latentes na Mônada tornar-se manifesta como faculdades teúrgicas aperfeiçoadas e conscientemente empregadas.


Os atributos semelhantes a sementes são a "porção", e a saída para longe refere-se ao embarque no caminho da saída.

No homem como Ego, a "porção" refere-se àquelas características divinas embrionárias particulares que são germinais na Mônada no momento da emanação da consciência divina.

No sentido pessoal, a "porção" refere-se aos poderes armazenados no Ego no corpo causal, àquelas faculdades e capacidades que, após o renascimento, ou a saída do ego, serão trazidas para a nova natureza pessoal e expressas de inúmeras maneiras, algumas delas temporariamente infrutíferas, insatisfatórias, excessivas ou "pródigas" e, portanto, "desperdiçadas". Neste ponto do movimento narrativo, o tempo e o espaço são introduzidos.

Processos macrocósmicos e microcósmicos de emanação começaram.

**"Uma Terra Distante"**

Do ponto de vista da primeira emanação do Absoluto (o Filho Unigênito), a "terra distante" é o Grande Abismo, em oposição à Grande Respiração; é o espaço virgem, a substância sobre a qual o novo sistema solar será construído.

Espírito e matéria são os dois aspectos primevos do Uno, a Divindade Desconhecida.

Este princípio abstrato, déico, feminino, esta substância pré-cósmica, indiferenciada, é a raiz da qual a natureza manifestada mais tarde emanará, crescerá, evoluirá.

O campo evolutivo, que as inteligências criativas (o filho mais velho) especializam do pré-cósmico ao cósmico, do não-atômico ao atômico, condicionam e depois organizam em sete gradações sucessivas de densidade, também é representado na parábola pela "terra distante". Este termo é, talvez, mais especialmente aplicável à sétima e mais densa dessas gradações ou planos, a saber, o mundo físico.

Em nosso Esquema Planetário, no qual a Terra é o globo mais denso, o ponto mais profundo de descida alcançado pelo espírito e pela vida no caminho de saída é, de fato, o reino mineral da natureza física.

Ali a onda de vida, personificada pelo filho pródigo, está mais afastada de sua Fonte ou "Pai"; ali ocorre a mais profunda degradação.

Se o adjetivo "distante" for enfatizado, então o

Lc. 15:03.² *The Earth and Its Cycles*, E. W. Preston, T.P.H., Adyar.

O CAMINHO DE SAÍDA

mundo físico representa a "terra distante", que também se revelou ser a terra a partir da qual o caminho de retorno foi iniciado.

Microcosmicamente, a "terra distante" tem pelo menos três significações.

Em uma delas, na qual a Mônada é o filho pródigo, todo o sistema solar está longe de "casa", e o nível físico é o mais afastado, ou "uma terra distante". A radiação mônadica, por sua vez, alcança o ponto mais profundo de descida como resultado da encarnação em uma personalidade mortal, e especialmente em seu denso corpo físico.

Eu, a Alma espiritual ou Ego do homem, posso ser considerado como o filho pródigo; então, os planos e níveis de consciência mental, emocional, etérico e físico são o campo evolutivo.

Novamente, o corpo físico, sendo o mais denso, é uma "terra distante". Ali o Ego imortal está mais profundamente aprisionado.

Ali está menos consciente de sua natureza celestial ou está, simbolicamente, mais afastado do lar do Pai.

Como já foi mencionado, e como será mais plenamente explicado à medida que os livros da Bíblia forem sucessivamente interpretados em volumes posteriores, as sementes mônicas de vida, a jornada da vida e a maior distância alcançada nessa jornada são todas retratadas na Bíblia por meio de várias alegorias e símbolos.

O Egito e a Babilônia, onde os israelitas (a nação que tipifica o filho pródigo) foram feitos cativos, a cova na qual José foi baixado, a prisão de Sansão e o túmulo rochoso de Cristo são todos emblemáticos das fases mais densas em que se adentra, assim como dos pontos de virada nos quais a direção da peregrinação é revertida e o filho pródigo se levanta e retorna para casa.

Numa terceira possível interpretação microcósmica, a "terra distante" é representada como o corpo físico de um bebê ao nascer e durante a primeira infância.

Embora o nascimento num corpo físico marque o limite da distância até a qual o raio egoico de vida e consciência desce, e seja também um ponto de virada, durante os primeiros meses pouca ou nenhuma automanifestação do Ego em seu novo veículo é possível.

Nesse sentido, para o Si imortal reencarnante, a forma infantil representa uma "terra distante".

A SABEDORIA OCULTA NA BÍBLIA SAGRADA — 4 Grande Fome?

Macrocosmicamente, a fome representa a inércia temporariamente resultante do equilíbrio entre espírito e matéria.

Quando a densidade mais profunda é alcançada, nenhum deles é capaz de influenciar grandemente o outro.

"Deus dorme no mineral", diz-se, significando que a densidade extrema da forma mineral que envolve impede a percepção externa e a atividade da vida-espírito aprisionada, "adormecida", que anima a matéria.

Microcosmicamente, a fome refere-se à ausência de compreensão espiritual na mente cerebral.

Durante as épocas raciais física, emocional e mental primitiva, o homem corporal não é conscientemente sustentado por quaisquer impulsos espirituais ou nutrição da alma, por assim dizer.

Em fases evolutivas posteriores, essa condição também pode ser temporariamente vivenciada, como, por exemplo, durante períodos de autoindulgência e modos de vida deliberadamente escolhidos, egoístas e sensuais.

Ambas essas condições são retratadas na linguagem sagrada por fomes.

A fome e a sede também são por vezes usadas como símbolos da ausência de, e do anseio por, a verdade.

Depois que o caráter insatisfatório de meros externos como alimento para a mente e o coração é percebido, o maná como o "pão do céu", ou a verdade diretamente percebida, torna-se uma necessidade urgente; é almejado e ansiado, e é buscado com urgência.

Nesse sentido, a fome representa privação, e até mesmo ignorância, daquela verdadeira sabedoria pela qual a alma desperta anseia, ou pela qual está faminta e sedenta.

Como é frequente na prática da linguagem sagrada, quando um símbolo físico é traduzido em seu significado místico, o sentido se torna invertido.

A fome, por exemplo, é um desastre físico, mas a condição de fome e sede da Alma pode se revelar um prelúdio para a busca da verdade.

Assim, o Senhor Cristo disse: "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos."¹ Da mesma forma, a declaração "começou a passar necessidade"², embora descritiva de uma experiência dolorosa, é na realidade um sinal favorabilíssimo; pois tal "necessidade" é a precursora da busca por alimento, significando nutrição para a mente e o espírito.

¹ Mt. 5:6. ² Lc. 15:14.

A SENDA DO EGRESSO

Ele se Contrata como Guardador de Porcos

Os porcos são usados como símbolos dos instintos e desejos mais baixos e sensuais do homem.

A associação com eles, alimentá-los, e particularmente comê-los, representa um estado mais impuro e depravado, ou suíno, no qual as paixões são "alimentadas" pela contínua indulgência.

Um Fazendeiro o Contrata e o Envia para os Campos

A jornada macrocósmica do egresso é descrita pelas palavras: "enviou-o aos seus campos a guardar porcos".¹ O fazendeiro, ou "cidadão daquela terra", representa o Logos criativo que prepara ou "lavra" os campos do espaço em prontidão para a semeadura das sementes, ou para a descida da onda de vida portadora da Mônada — o filho pródigo.

A referência a guardar os porcos aqui indica a aproximação dessa onda de vida ao ponto mais baixo da descida, sendo os porcos considerados, ainda que talvez injustamente, como bestas um tanto impuras e vis.

Tendê-los, portanto, seria uma das formas mais servis de serviço.

Microcosmicamente, o raio monádico penetra cada vez mais fundo no campo evolutivo e o Ego se aproxima do momento do nascimento.

O raio egóico, em sua descida pré-natal, penetrou no mundo etérico e se ligou ao embrião?

Ele Alimenta os Porcos no Campo

Macrocosmicamente, o uno (o filho pródigo) vitaliza formas materiais grosseiras (os porcos). Sem esse sustento interior, elas morreriam de inanição (fome). Da mesma forma, a Mônada como microcosmo capacita e alimenta espiritualmente o Ego, que por sua vez inspira e vitaliza a personalidade.

Ambas essas manifestações da Mônada seriam sem vida ou "famintas" sem sua vida divina interior.

Além disso, durante os primeiros sete anos de cada nova encarnação, o Ego não pode usar muito o novo corpo; ele experimenta assim uma fome metafórica, que faz o possível para mitigar emitindo tanto de seu poder, vida e consciência quanto os veículos em crescimento possam receber, assimilar e expressar.

Na linguagem sagrada, os mesmos símbolos são suscetíveis de significados opostos.

Assim, na aplicação pessoal do símbolo, alimentar

Lc. 15:15. 2 O Milagre do Nascimento e O Reino dos Deuses, Geoffrey Hodson.


os porcos significa dar energia vital a propensões animalescas, indicando a grosseria devida à chegada ao extremo de densidade na jornada evolutiva.

Ele Sente Fome

Macrocosmicamente, a virada ascendente agora é prenunciada.

A atração do espírito está começando gradualmente a superar o domínio da matéria e a atrair a vida manifesta e derramada de volta à sua Fonte.

Isso às vezes é simbolizado como fome e sede, que são feitas para representar o anseio pelo pão da verdade esotérica e pelas águas do conhecimento sagrado, o inexprimível anseio do homem interior pelo infinito.

Assim cantou o Salmista: "A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo".

A sede também é usada de forma oposta como símbolo de um anseio pela ilusão da existência separada do eu e pela gratificação das luxúrias do orgulho e dos sentidos — a causa do sofrimento humano, como ensinou o Senhor Buda.

Essas coisas acorrentam o Ego imortal à roda do nascimento e da morte; pois é essa sede de vida, esse apego à vida nesta terra, que causa o renascimento ou a reencarnação.

Quando, por fim, é substituída pela sede de libertação do ciclo de nascimento e morte, ou libertação ou salvação, a fim de ser mais eficaz no serviço a Deus e ao homem, então tal sede torna-se a própria força que arranca os grilhões da alma.

O significado microcósmico da condição de fome assim emerge.

Implica que o Ego, como filho pródigo, tornou-se suficientemente evoluído para aspirar à Mônada, e o homem pessoal, por sua vez, para alcançar o Ego.

A grande busca — como a do místico Santo Graal — está prestes a ser empreendida.

O impulso começa a agitar-se dentro do homem assim movido, como resultado do qual, como místico, ele fará a resolução irrevogável expressa nas palavras do filho pródigo: "Levantar-me-ei".

Ele Bem Quisera Comer das Cascas que os Porcos Comiam — Macrocosmicamente, as cascas são envoltórios físicos externos, ou formas temporárias, que foram lançadas fora pela vida involutiva e evolutiva.

Ao viajar ao longo daquele arco do grande ciclo que está mais distante do ponto de partida, a vida e a consciência estão

Ps. 422. 2 Lc. 15:18.

O CAMINHO DO PROSSEGUIMENTO

tão materializadas e espiritualmente insensíveis que estão prontas a permanecer complacentemente dentro das formas do passado.

Os impulsos involutivos e evolutivos estão tão quase equilibrados que, durante toda a época de equilíbrio, nenhum impulso particular para trás ou para frente é fortemente sentido (uma forma de "fome"). Em consequência, o hábito domina o impulso instintivo, se não a ação deliberada.

Em outro sentido, o anseio indica que a vida una alcançou a casca mais externa ou crosta do universo, o reino mineral de um planeta físico.

Comer cascas, então, implica existência e o recebimento de experiência dentro dessa forma mais densa e externa.

No sentido microcósmico, mônadico, o grão de trigo representa o germe imortal — a Mônada — que, levado para o campo da evolução pela vida-espírito derramada, deve descer às profundezas mais profundas da matéria e ali permanecer latente (morrer) antes que esse germe possa produzir uma reprodução de seus pais.

Em termos do intelecto humano, esta fase da jornada do filho pródigo corresponde ao estágio evolutivo no qual a mente humana é incapaz de compreender (fome) ideias, verdades e leis abstratas e espirituais.

Em consequência, formas concretas e rígidas (cascas), tanto no pensamento quanto na ação, são buscadas e escolhidas *faute de mieux*.

Em religião, por exemplo, o formalismo e a leitura literal e morta (cascas) das escrituras seriam ansiados e insistidos.

A alegoria, o símbolo e a visão puramente histórica (cascas) seriam preferidos às interpretações místicas e às verdades eternas (o grão interior) que essas interpretações revelam.

Em outro sentido, os símbolos de fome, de penúria e de sede aplicam-se ao estágio posterior, quando essas formas exteriores cessam de satisfazer,

e a mente anseia pelas águas vivas da verdade.

Nesse significado mais místico, a fome é um precursor essencial do banquete espiritual culminante, ou ágape.

Até que esse despertar ocorra, as formas e o formalismo em todos os aspectos da vida são buscados.

Simbolicamente, o filho pródigo, como o Ego na mente-cérebro, de bom grado comeria dessas cascas, não conhecendo nada mais.

Eventualmente, porém, a percepção da natureza casca-like ou totalmente insatisfatória das formas exteriores produz um anseio pelas realidades permanentes interiores.

Esta é a verdadeira "fome" de Deus, o anseio da Alma pela união com sua verdadeira Fonte.

As cascas, das quais a satisfação emocional, mental e espiritual foi por tanto tempo buscada em vão, são então vistas pelo que são e renunciadas em favor do verdadeiro "pão da vida", pelo qual somente a fome da Alma pode ser aliviada, sua fome satisfeita e sua sede saciada.


Este uso metafísico dos termos "fome" e "sede" ocorre com frequência na Bíblia, como nos textos: "Pois ele (o Senhor) satisfaz a alma anelante, e enche de bondade a alma faminta", e "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos".

Em resumo, fome, penúria, sede e anseio pelas cascas têm dois significados principais.

Um é descritivo das fases mentais e espirituais da evolução humana, nas quais a mera cobertura grosseira ou "casca" da vida, do pensamento e da religião — os mistérios menores — é escolhida e seu valor é insistido.

O outro se refere a uma fase posterior, quando essas coisas são finalmente percebidas pelo que realmente são, meras cascas, e o grão dourado — os mistérios maiores — é o único ansiado e buscado.

Em outro sentido, tanha (páli), sede de vida em forma, é indicada pelo anseio pelas cascas.

A vida eterna, sem forma, universal, é ainda desconhecida, e mesmo inconcebível.

O concreto temporário, o particular com sua forma exterior, é agarrado como o meio de satisfazer o desejo e a única rocha de salvação.

A forma inevitavelmente aflige o buscador da realidade, que deve superar o desejo por ela, reconhecer sua natureza temporária e estar pronto para renunciá-la, a fim de que a vida eterna e universal interior possa ser conhecida.

Nosso Senhor, como tantas vezes, escolheu uma analogia da natureza para expressar essa verdade, dizendo: "... Se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto.

Quem ama a sua vida perdê-la-á; e quem odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna."

Ninguém Lhe Deu Nada?

Macrocosmicamente, isso pode indicar que, embora a onda de vida portadora da Mônada em sua saída (o "filho pródigo" cósmico) tivesse atingido as profundezas mais extremas e começado a conceber a jornada de retorno à sua Fonte (faminta), o reino humano da

Salmos 107:9.

Mateus 5:6. 8 João 12:24-25.

A VIA DA SAÍDA

natureza ainda não havia sido formado (ninguém lhe deu nada). As radiações mônadicas ainda brilhavam universalmente como o princípio de vida animador, ainda não individualizado, dos reinos sub-humanos da natureza.

A condição de fome ainda persiste, no sentido de que o retorno só pode ser consumado após a fase da individualização mônadica como Egos humanos ter sido iniciada e atravessada.

O reino animal é, por assim dizer, o portal para esse estágio e, intencionalmente ou não, a associação do filho pródigo com animais (porcos) parece indicar que essa fase imediatamente anterior à individualização havia sido iniciada.

No microcosmo, a descoberta da realidade pelo homem é acompanhada pelo reconhecimento dos fatos de que a fome da Alma nunca pode ser satisfeita por "alimento" vindo de fora, e de que a jornada de volta não pode ser completada enquanto houver dependência de qualquer suporte externo.

Somente em virtude da vida interior inerente, e contando apenas com ela, é que as limitações humanas podem ser deixadas para trás e a super-humanidade (a nova veste), ou a união plenamente consciente com Deus (o retorno do filho pródigo), pode ser alcançada.

A solidão do místico também é indicada.

Quando o despertar espiritual ocorre e a busca pelo eterno é decidida, familiares, amigos e antigos associados íntimos às vezes falham, não naturalmente, em compreender a mudança de motivo ou de vida, e o modo de vida que deve ser seguido, quando por fim um homem diz: "Eu me levantarei". Essa experiência, recebida corretamente, pode ser salutar, embora dolorosa possa a princípio se revelar; pois leva à realização de que somente pela completa autossuficiência e obediência às imutáveis leis espirituais pode o "retorno ao lar", pelo qual o aspirante agora anseia, ser alcançado.

Dessas várias maneiras, tanto o filho pródigo macrocósmico quanto o microcósmico descobrem que "ninguém lhe dava nada."!

Os Servos do Pai Comem Enquanto Ele Passava Fome — A vida derramada agora se voltou para sua Fonte.

O filho pródigo pensa no lar.

A manifestação como homem foi alcançada.

Tanto a raça quanto o indivíduo agora são capazes de realizar a existência da Fonte espiritual (o lar do Pai) e de ansiar por ela. O místico, faminto por alimento divino, contempla o lar do Pai, os mundos espirituais e as inteligências criativas que ali estão estabelecidas como servos ou ministros do Altíssimo.

O homem, agora despertando espiritualmente, começa a perceber que somente pelo serviço pode o caminho de volta ser encontrado e trilhado até seu fim; somente através da aparente humildade do serviço servil pode um homem tornar-se Senhor de tudo.

Quando, contudo, esse despertar espiritual ocorre, nenhum serviço útil é jamais considerado humilde ou servil.

De fato, a ministração torna-se então a regra infalível da vida.

Por esse meio, o Eu interior, por tanto tempo obscurecido pelo anseio pessoal ou pela fome de domínio temporal, é revelado e conduz o neófito à única grandeza verdadeira alcançável pelo homem.

Isso não consiste em poder ou posição, mas em tornar-se um servo altruísta daquela esplendor supremo que também é denominado "O Sacrifício Eterno".

A necessidade da subordinação da natureza inferior e do eu do homem ao Eu Superior, o Self espiritual, também está implícita.

As ações corporais, as emoções e os pensamentos devem tornar-se servos da vontade mônica.

Essa subordinação traz não perda, mas ganho; não privação de faculdade, mas eficiência aumentada.

Esta adição é o resultado da eliminação da resistência à vontade interior, que era inevitável enquanto pensamentos, sentimentos e conduta estivessem dirigidos à gratificação do desejo do eu (alimentando os porcos e ansiando pelas cascas).

"Levantar-me-ei"

Do ponto de vista do macrocosmo, o ponto mais profundo da descida ou involução da vida una (vendo a si mesmo como porqueiro) foi agora alcançado e ultrapassado.

A ascensão começa.

Na evolução racial, a humanidade, tanto em seus ciclos componentes maiores quanto menores, cresce para além das fases primitiva, pioneira e aquisitiva.

Atividades culturais e espirituais começam a ser prenunciadas, e os indivíduos começam a buscar e encontrar "O caminho da santidade". Eles decidem consciente e deliberadamente embarcar na busca pela verdade espiritual e pela união com AQUELE do qual se originaram.

Curiosamente, neste versículo, o filho pródigo como microcosmo fala pela primeira vez e, além disso, usa o pronome

Lc. 15:18.

O CAMINHO DO IR ADIANTE

pessoal.

Isso pode indicar que no homem a vida universal alcançou aquela autoconsciência e individualidade que lhe permitem embarcar deliberadamente no caminho ascendente.

No reino mineral, a vida interior inconscientemente muda do caminho do ir adiante para o do retorno.

A vida vegetal apenas sonhadora alcança para cima e para fora.

Os animais, especialmente quando domesticados, instintivamente alcançam para cima em direção à autoconsciência.

O homem, autoimpelido e por autoeleição, anseia pelas alturas (diz "Levantar-me-ei"), geralmente do Himalaia físico a princípio e eventualmente do Everest da Alma.

"Deus dorme no mineral", diz o aforismo cabalístico, "sonha na planta, agita-se no animal e alcança a autoconsciência no homem."

Se a parábola for aplicada à vida física, então o ir adiante representa a descida do Ego na encarnação, o nascimento físico, a alimentação dos porcos, a fome a descoberta de que o desejo egocêntrico e sensual jamais pode ser satisfeito através da forma (as cascas), enquanto o anseio pelas cascas indicaria a constante tentativa de se saciar por meio do contato com os objetos dos sentidos, típica do final da adolescência e da vida adulta.

O arrependimento do filho pródigo é descritivo daquele estágio de maturidade no qual se faz a descoberta de que nada que esteja fora dele pode satisfazer espiritualmente ou "salvar" qualquer ser humano.

A busca ou realização então começa a ser direcionada para dentro e para cima, afastando-se do particular para o universal e do eu humano inferior para o Eu divino superior do universo como um todo.

Simbolicamente, o filho pródigo se arrepende de seus antigos erros, descobre o verdadeiro caminho e inicia a jornada de volta para casa.

No sentido iniciático, que agora começa a se aplicar, a passagem pelos graus dos mistérios menores ou simbólicos (cascas) trouxe o neófito ao pátio exterior dos mistérios maiores.

Ali ele contempla o santuário, com sua promessa de maior luz e conhecimento mais profundo, e aspira a obter admissão.

Esta fase do desenvolvimento humano, referida na parábola como a decisão do filho pródigo de abandonar o inferior e embarcar em um modo de vida mais elevado e nobre — suscetível de interpretação em termos de evolução tanto normal quanto acelerada — é também descrita alegoricamente no Antigo Testamento em casos como: José é erguido da cova;¹ o êxodo do Egito é prefigurado;² Sansão é libertado de sua prisão;³ e Daniel é libertado da cova dos leões.⁴ Esse desenvolvimento também está implícito em ferimentos na cabeça e na decapitação; pois a cabeça, em um sentido, é o símbolo dos aspectos materialistas, destruidores da intuição, orgulhosos e ávidos de poder da mente formal, e esses atributos do homem exterior e mortal devem "morrer" (decapitação) antes que o Eu interior e imortal possa ser revelado e o intelecto se torne iluminado com a luz da sabedoria e da intuição.


Jael assim crava o prego na cabeça de Sísera, Davi corta a cabeça de Golias, e João Batista é decapitado.⁵ Estar sem cabeça é um símbolo daquela condição espiritualizada de consciência na qual as limitações da mente formal são superadas.

A faculdade da intuição espiritual pode então ser exercida livremente, sem ser prejudicada por uma análise indevida e prematura de seus frutos.

Na linguagem sagrada, o símbolo da morte corporal é usado para indicar a obtenção, pela Alma, da liberdade das limitações da personalidade, e especialmente daquelas da mente.

Cristo é assim crucificado e morre, sendo dada uma sugestão muito clara do verdadeiro significado ao fazer com que a Crucificação ocorra no Gólgota, o lugar da caveira, a sede da mente-cérebro.

Neste sentido mais místico, a confissão do filho pródigo de ter pecado contra o céu e diante de Deus é descritiva não apenas da indulgência sensual, mas também da percepção das limitações da mente argumentativa e da disputa como meios de descobrir a verdade.

Quando essa percepção é alcançada, esses métodos são relegados a um lugar subordinado, embora ainda importante.

No sentido de que sua busca por verdade e luz é doravante dirigida àqueles níveis espirituais de consciência onde somente eles podem ser encontrados, o filho pródigo assim retorna à casa de seu pai.

Gen. 37:28. ² Ex. 13:17.

Juízes 16:25. ⁴ Dan. 6:23.

⁵ Juízes 4:21. ⁶ 1 Sam. 17:51. ⁷ Mat. 14:10.

CAPÍTULO III — O CAMINHO DO RETORNO

"E Ele Se Levantou, e Foi a Seu Pai"

A vida derramada, portadora da Mônada, do Logos Solar, que agora se tornou plenamente autoconsciente como homem, completa a jornada involutiva e evolutiva.

Todos os ciclos componentes do único ciclo maior de ida e retorno completaram seu curso.

Uma descrição de alguns desses subciclos pareceria apropriada neste ponto, tanto como acréscimos a esta interpretação da parábola quanto como explicação dos termos usados ao longo desta obra.

De acordo com a filosofia sobre a qual este livro se baseia, os sistemas solares, em obediência à lei cíclica universal, emergem perpetuamente, passam à obscuração e reemergem.

Cada nova "criação" continua os processos involutivos e evolutivos a partir do estágio alcançado no encerramento da era precedente.

Esses períodos de obscuração e manifestação são conhecidos respectivamente como "noites" e "dias".

A matéria do nosso sistema solar está disposta em sete graus de densidade, geralmente chamados de planos da natureza.

A condição mais sutil, mais refinada ou mais espiritualizada da matéria forma o primeiro plano; e a condição mais densa, menos refinada, menos espiritualizada forma o mais baixo ou sétimo plano da natureza.

Estes não devem ser pensados como estratos ou planos no sentido usual do termo, pois eles se interpenetram; e, à medida que a escala de refinamento é ascendida, estendem-se mais para longe do globo físico.

Cada um desses sete planos é, por sua vez, composto de matéria de sete graus de densidade, chamados subplanos.

Os nomes dados a

Lc. 15:20. ¹⁷⁶ A SABEDORIA OCULTA NA BÍBLIA SAGRADA

Estes mundos são: o físico e o etérico, que se combinam para formar o plano mais denso; o emocional; o mental (também dual); o intuicional; o espiritual; e outros dois ainda além do alcance da consciência humana.

Este é o campo evolutivo setenário através do qual as Mônadas (filhos pródigos) passam em suas jornadas involucionárias e evolucionárias, como resultado do qual seus poderes latentes germinam e se desenvolvem.

Na abertura do grande ciclo de manifestação, a onda de vida portadora da Mônada (o "filho pródigo" cósmico) emerge da consciência divina, que se estabelece no mais elevado desses níveis, e desce através dos sete planos até o mais baixo, como explicado anteriormente.

A partir daí, a jornada de retorno é iniciada, culminando na reabsorção na Fonte.

O sistema solar ao qual nossa humanidade pertence consiste em dez esquemas planetários, cada um composto de sete cadeias de globos, alguns superfísicos e alguns físicos.

Cada cadeia é composta de sete rondas, durante cada uma das quais a corrente de vida (o filho pródigo), portando consigo os seres em evolução, viaja uma vez ao redor dos sete globos.

O período de ocupação de um dos sete globos, no qual sete raças-raízes se desenvolvem, é chamado de período mundial.

O processo idêntico da emergência da corrente de vida do nível mais elevado, sua descida às profundezas mais profundas e seu retorno (a jornada do filho pródigo), é repetido em todos os subciclos.

Em qualquer ciclo particular, a jornada de ida começa na manifestação menos densa ou mais sutil de uma cadeia, uma ronda ou uma raça.

Isto é invariavelmente seguido pelo retorno do plano mais denso ao mais refinado da natureza e à condição mais espiritual de consciência.

Os poderes contidos nas Mônadas, ou sementes de vida, estão latentes na abertura do ciclo e ativos em seu fechamento.

Tal é uma interpretação macrocósmica ou universal da grande parábola.

A aplicação microcósmica deste princípio de ida e retorno — o tema da parábola — é que cada Mônada individual completa todos os ciclos setenários do esquema planetário que foi designado como seu campo evolutivo.

O mais curto, mas não o menos importante, de todos esses ciclos consiste em uma única encarnação física.

A jornada de ida refere-se ao processo da descida do Ego humano do plano do intelecto abstrato,

¹O Sistema Solar.

A. E. Powell.

O CAMINHO DO RETORNO

através das mentes formais, das emoções e do éter, até o corpo físico.

O retorno ao lar começa com a morte do corpo físico e a gradual retirada da alma pessoal, ou do poder egóico encarnado, vida e consciência, de volta ao Eu Superior reencarnante.

Na leitura iniciática da parábola, as realidades permanentes foram escolhidas, o caminho do discipulado foi trilhado, e o processo evolutivo foi deliberadamente acelerado até o limite do poder do indivíduo.

Isso ocorre apenas em certa fase ("Levantar-me-ei") do caminho de retorno, quando o materialismo é superado e as "cascas" são reconhecidas pelo que são.

A reabsorção consciente na única vida, luz e poder do universo é então desconhecida e buscada como a verdadeira meta da existência humana.

A ilusão da separatividade do eu começa a ser superada.

A universalização da consciência é alcançada no devido curso e, sendo a condição natural e inata da Mônada, esse estado é corretamente descrito como "o lar do Pai". Tal, brevemente exposto, parece ser a mensagem central da parábola do Filho Pródigo, e tais são algumas de suas aplicações maiores e menores.

Seu Pai Corre ao Seu Encontro, Acolhe-o Calorosamente e o Beija

Processos ocultos profundamente macrocósmicos e microcósmicos são descritos alegoricamente pela pressa do pai em encontrar seu filho e por sua compaixão, afeição e beijo.

Em geral, é descrita a influência espiritualizante continuamente exercida pelo Primeiro Aspecto do Logos (o Pai) sobre todo o universo e sua vida em evolução (o filho).

Mais particularmente, a corrente de vida que flui para fora emana do Segundo Aspecto da Bem-aventurada Trindade, o Cristo cósmico ou Filho.

Quando o caminho de retorno foi percorrido até certo ponto, ocorre uma descida de poder espiritualizante do Primeiro Aspecto da Divindade (seu pai corre ao seu encontro).

Um exemplo macrocósmico dessa descida de poder espiritual é encontrado no processo conhecido como individualização, num Ego humano, da vida e consciência até então universalizadas que animam os corpos físicos dos animais.

Embora essa vida seja inerente a cada animal e, durante sua vida física, assuma uma pseudo-individualidade, uma Mônada-Ego não está encarnada em cada corpo animal individual.


Pelo contrário, muitas radiações mônadicas estão incluídas dentro do que é chamado de "alma grupal", que, por sua vez, encontra encarnação em grande número de animais.

No caso de animais selvagens, particularmente das variedades menores, alguns milhares de corpos podem ser assim animados.

À medida que a evolução de um animal progride e a domesticação é iniciada, o número de tais corpos que compõem uma alma-grupo diminui.

Isso culmina no desenvolvimento, por um único animal domesticado, de um alto grau de inteligência e devoção, geralmente evocadas pelo contato próximo com o superior evolutivo do animal, que é o homem.

Nesse estágio, a própria alma-grupo, dentro de seu envoltório superfísico, começa a ser dividida por partições, até que a condição se aproxime de um único raio monádico manifestando-se em um único animal doméstico. A partir daí, ocorre o processo chamado individualização.

À medida que o animal "alcança para cima" em devoção, amor e esforço para compreender e obedecer a seu mestre ou senhora, uma descida de poder do Primeiro Aspecto da Bem-Aventurada Trindade é evocada ou induzida.

Esse poder "precipita-se" para encontrar o sentimento e o pensamento que se elevam — a comparação com a formação de uma tromba d'água sobre o mar é usada para descrever o processo — e os dois se unem (o pai o beija). O envoltório da alma-grupo é então rompido, e sua substância é usada para formar o corpo causal do Ego humano que foi "nascido" ou trazido à existência por esse processo.

Assim, como também é o caso em todas as alegorias inspiradas em que ocorrem reencontros semelhantes, a pressa do pai em encontrar o filho pródigo que retorna, e especialmente seu beijo, referem-se macrocosmicamente à união da corrente de vida que retorna do Segundo Logos com o poder descendente e frutificador do Primeiro Aspecto da Bem-Aventurada Trindade.

Na linguagem sagrada, macrocosmicamente, o beijo de amor é um símbolo frequentemente usado para o toque íntimo do poder do Primeiro Aspecto do Logos (o Pai) sobre a vida que retorna do Segundo Aspecto (o Filho).

Na interpretação iniciática, o beijo simboliza a descida no candidato da força de vontade monádica, tanto diretamente quanto através do hierofante, sua voz e o tirso, em ritos válidos de iniciação.

1The Causal Body, A. E. Powell.

O CAMINHO DO RETORNO

Para retornar ao processo de individualização numa única Alma espiritual humana do que até então era a alma-grupo não individualizada dos reinos subumanos, a projeção macrocósmica de um raio de força de vontade (o Pai corre ao encontro do filho) produz um microcosmo, uma Alma espiritual do homem, que daí em diante continua sua jornada evolutiva ("eu me levantarei") no arco ascendente ou caminho de retorno como entidade individual.

No sentido corporal, após a morte o Ego (Pai da personalidade) "encontra-se" com a alma puramente pessoal (o filho pródigo) e atrai para si tudo o que é egoico, juntamente com seu corpo de luz, o corpo causal (a casa do Pai).

No sentido iniciático, para cada passo que um aspirante ao discipulado dá em direção ao seu Mestre, o Mestre dá dois passos em direção a ele.

Na iniciação, o poder monádico desce em relâmpago até o ego no corpo causal, como descrito anteriormente.

Como afirmado na Terceira Parte deste volume, reside dentro do corpo físico do homem um poder ígneo normalmente latente que, quando despertado, move-se através do corpo ao longo de um caminho serpentino.

Este poder é referido, portanto, como o fogo serpentino.

Em certo estágio da evolução, e em certa fase do rito de iniciação, este fogo é despertado para uma atividade supranormal.

Quando tal despertar está prestes a ocorrer, esta força de vontade monádica desce através do topo da cabeça e da medula espinhal até o chakra sacral.

Pelo seu toque ígneo ou "beijo", a força de vontade desperta o fogo serpentino adormecido que, como descrito anteriormente, divide-se em três correntes de polaridades diferentes que ascendem ao longo de três canais etéricos designados, associados à medula espinhal.

Quando alcançam e vivificam o cérebro e certos órgãos nele, a alma pessoal é libertada das limitações do corpo, que ela pode daí em diante deixar à vontade para ascender à plena experiência de sua verdadeira vida egoica no mundo mental superior, seu "lar". O toque da força de vontade descendente sobre o fogo serpentino adormecido é também simbolizado por um beijo.

De fato, todos os beijos e uniões, legítimos ou ilícitos, usados na linguagem sagrada referem-se a estas várias ações e experiências espirituais e ocultas, e mais especialmente àquelas que ocorrem no caminho iniciático.

Uma interpretação puramente mística é possível da pressa do Pai em encontrar seu filho, e de seu beijo.

Na vida espiritual do homem, toda prece sincera, aspiração e invocação encontra uma resposta plena, uma descida da graça.

Nenhum grito ou luz sincero é jamais emitido em vão.


Cristo já "saiu ao encontro" de toda alma humana, como indicam suas palavras:

"Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles."

"...Eis que o noivo vem; saí-lhe ao encontro"?

"...eis que estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos."?

"...porque são chegadas as bodas do Cordeiro, e a sua esposa já se aprontou."

"Eis que estou à porta e bato..."

Nestes vários modos, macrocósmicos e microcósmicos, o aspecto poder do Logos "sai ao encontro" do aspecto vida, que ele "beija" com seu raio espiritualmente fecundante de força-vontade ou fogo átmico.

O Filho Pródigo Confessa sua Indignidade

A vida peregrina macrocósmica que retorna, tendo descido às profundezas mais profundas da matéria e se tornado "manchada", diz simbolicamente: "...Pequei contra o céu e diante de ti, e já não sou digno de ser chamado teu filho." Esta confissão metafórica revela que, quando finalmente o ciclo de ida e retorno está quase completo, e assim compreendido, o efeito manchador sobre o espírito da descida na matéria é percebido.

Embora o espírito possa ser considerado manchado pela matéria do ponto de vista do finito, nunca pode sê-lo do ponto de vista do infinito, onde o espírito é eternamente puro.

De baixo, contudo, pode-se dizer com Shelley:

"A vida, como um domo de vidro multicor,
Mancha o branco esplendor da Eternidade."

A confissão do filho pródigo é, talvez, um reconhecimento dessa mácula inevitável, mais do que meramente uma admissão de culpa; pois nenhuma culpa pode possivelmente recair sobre o espírito, significando neste caso a única

Mat. 18:20.

Mat. 25:6.

Mat. 28:20.

Apoc. 19:7.

Apoc. 3:20.

Lc. 15:21.

Adonais, Est. 52.

A SENDA DO RETORNO

vida e suas Mônadas componentes, pelas consequências inescapáveis da jornada involucionária e evolucionária.

Em certa fase de sua evolução, a Mônada, como microcosmo, revê e realiza o ciclo evolucionário e seus efeitos.

Similarmente, quando o Eu interior do homem atinge certo grau tanto de consciência de si mesmo em seu próprio mundo quanto de desenvolvimento espiritual interior, e quando é capaz de transmitir seus efeitos à mente e ao cérebro do homem quaternário ou mortal, então os motivos e condutas anteriores não espirituais são deplorados e renunciados.

Responsabilidade plena por erros passados é reconhecida e aceita, e uma resolução irrevogável é feita para que uma nova vida comece ("Eu me levantarei"). O idealismo, tanto espiritual quanto prático, domina então o pensamento, a palavra e a ação.

A adoção natural dessa atitude de reconhecimento, renúncia, rendição e resolução marca uma fase extremamente importante no desdobramento da Alma Espiritual.

De fato, é um precursor essencial para a autoemancipação das limitações passadas, a obtenção de um novo e mais elevado nível de consciência e a expressão efetiva dos poderes espirituais, intelectuais e culturais resultantes.

Se a vida de Cristo é interpretada como as experiências interiores de uma pessoa — o iniciado (Nascimento) tornando-se um Adepto (Ascensão)¹ — a missão preparatória de João Batista é suscetível à mesma interpretação; pois no microcosmo, todos os incidentes de todas as narrativas inspiradas são alegoricamente descritivos tanto das experiências naturais de indivíduos e raças quanto do desenvolvimento alcançado por aqueles que, entrando pela "porta estreita"², trilham o caminho do rápido desdobramento.

A confissão de indignidade do filho pródigo também pode ser aplicada a um único ciclo de vida humana de nascimento, maturidade, morte e o recolhimento da consciência à sua Fonte, ou corresponde a certa experiência no arco de retorno.

À medida que a morte se aproxima, os principais incidentes da vida física que está terminando começam a passar em revisão diante do olho da mente, sendo tudo visto em clara perspectiva.

Sucessos e seus resultados, fracassos e seus desdobramentos, são notados pelo Ego reencarnante, que assim destila a sabedoria essencial das experiências da vida que agora se encerra.

Embora

Parte Cinco deste Volume.

Mat.

7:13.


isso seja menos uma confissão voluntária do que um reconhecimento forçado dos atos, uma correspondência entre o reconhecimento de erros e fracassos então percebidos e a confissão de indignidade do filho pródigo, sugere-se, existe.

A humildade, a rendição e a confissão do filho pródigo podem ser interpretadas como descritivas das qualificações necessárias para passar pela primeira grande iniciação. Antes da ascensão final do reino humano para o super-humano da natureza, tipificada pela Ascensão de Cristo, as últimas dívidas cármicas remanescentes para com a natureza e os semelhantes devem ser pagas, e o mais rapidamente possível, para que a liberação final não seja adiada.

Esta precipitação voluntária do karma, como é chamada, não se realiza sem grande sofrimento que, como o do filho pródigo, é em grande parte psicológico.

A Paixão de Cristo, que começou no Getsêmani e terminou com sua morte no Gólgota, descreve em parte esse processo e em parte a dissolução vigorosa dos últimos vestígios remanescentes da ilusão da individualidade separada de si mesma.

O apóstolo Paulo, considerado por alguns um iniciado dos Mistérios de Elêusis, em parte com base na tradição oculta e em parte pela evidência interna contida em seus escritos, nos quais utiliza frases dos rituais de mistérios, também expressa contrição em suas palavras: "Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois persegui a igreja de Deus." Essa humildade se repete em sua Epístola aos Efésios: "A mim, que sou menos que o menor de todos os santos, foi dada esta graça, de anunciar entre os gentios as riquezas insondáveis de Cristo."

O Pai Disse: "Trazei a Melhor Veste"

Vestes novas são símbolos de um estado de consciência renovado e expandido.

As vestes existentes são usadas para simbolizar limitações como egoísmo, preconceito, intolerância, cegueira e outros grilhões da mente.

Estes devem ser lançados de lado antes que uma nova fase evolutiva, seja macrocósmica ou microcósmica, possa ser iniciada.

Assim, o cego Bartimeu removeu sua vestimenta antes de se aproximar de Jesus como suplicante pela restauração de sua visão. Depois disso, sua visão espiritual-mental foi restaurada.

1 Cor. 15:9. 2 Ef. 3:8. 3 Lc. 15:22. 4 Mc. 10:50.

O CAMINHO DO RETORNO

Vestes, trajes e roupagens também são usados como símbolos para veículos de consciência em qualquer nível.

A túnica sem costura de Cristo pode ser interpretada como a vestimenta do Cristo cósmico, que é a natureza física, e mais especialmente seu contraparte etérico, que liga todos os átomos em uma unidade.

A "partilha" das vestes de Cristo refere-se à aparente divisão da vida una para se tornar o princípio animador de inúmeras formas.

Para o observador espiritualmente não iluminado — na linguagem sagrada, um cego — a variedade e a individualidade parecem caracterizar a natureza física em todos os seus reinos.

Os iluminados, no entanto, percebem também a unidade da vida interior.

A divisão das vestes de Jesus em "quatro partes, para cada soldado uma parte", também se refere à natureza quádrupla do universo físico, que é composto pelos quatro elementos: terra, água, fogo e ar e, além disso, estende-se aos quatro quadrantes da bússola.

A vestimenta é também um símbolo da limitação que todo veículo inevitavelmente impõe à consciência.

Essa carta pode ser acentuada pelo desenvolvimento de ideias, teorias e hábitos errôneos.

Ela pode ser lançada fora pela obtenção e aceitação do verdadeiro conhecimento, que produz a conduta reta.

Simbolicamente, novas vestes são colocadas. A vestimenta limitante e sufocante é então transformada em "vestes de salvação", uma nova "túnica de justiça".

Na Escritura Hindu, o Bhagavad Purana, o Senhor Shri Krishna, quando criança de nove anos, rouba e esconde as vestes das pastoras que se banhavam, ou Gopis (almas pessoais), e as força a vir a ele para recuperá-las.

As vestes aqui simbolizam paixões, desejos e orgulho.

Esses erros devem ser postos de lado antes que a visão clara possa ser alcançada.

Essa autodesnudação é auxiliada pela influência iluminadora da Alma Espiritual (Shri Krishna), uma vez que sua presença interior tenha sido realizada e a ela se tenha rendido. A ação de Shri Krishna em permitir que as Gopis recebessem as vestes de suas mãos indica que os veículos inferiores e suas qualidades indesejáveis foram purificados e transmutados por serem submetidos à sua influência.

Jo. 19:23.

Jo. 19:23. 3 s. 61:10.


Em geral, uma veste nova ou purificada significa o corpo reconstituído no qual a consciência está revestida após ter alcançado a fecundidade em qualquer nível.

Essa nova roupagem ou veículo então exibe, em termos de cor, radiância e forma, os novos poderes aos quais o Eu interior alcançou.

As novas vestes de Salvadores e heróis geralmente representam o Augoeides, o corpo causal, que é renovado (grandemente expandido) após cada ciclo completo de iniciação, sendo a condição expandida o que constitui a novidade.

Essa veste divina, ou "Veste de Glória", é também simbolizada como um véu, um tabernáculo, uma casa e uma cidade.

"Pois sabemos", escreve Paulo, "que se a nossa casa terrestre deste tabernáculo for desfeita, temos da parte de Deus uma edificação, uma casa não feita por mãos, eterna nos céus.

Pois neste nós gememos, desejando ardentemente ser revestidos com a nossa casa que é do céu."?

Macrocosmicamente, na parábola do Filho Pródigo, a concessão da melhor túnica pelo pai indica que, quando se entra na fase final de qualquer ciclo, apenas o mais fino véu de matéria reveste o espírito-vida.

A nova vestimenta também indica o mais elevado estado espiritual de consciência no qual, após a submissão à privação da matéria e à ilusão da diversidade, a realização da unidade é plenamente reatada.

No sentido mônadico, o Eu mais íntimo está agora conscientemente vestido na matéria de seu próprio mundo, o segundo dos sete planos contando de cima — aquele conhecido como Anupadaka, o "sem-pais".

O Ego, agora purificado da ilusão da separatividade do eu e iluminado pela luz da Mônada ou pai, está vestido na "Túnica de Glória", o corpo causal purificado e plenamente desenvolvido, radiante com poderes solares e zodiacais.

Ao final de cada ciclo de vida pessoal, o Ego está temporariamente fora da encarnação, sem corpo no que diz respeito aos três planos mais baixos, estando então vestido no corpo causal ou "melhor túnica". Após a primeira iniciação, o iniciado é revestido de uma vestimenta branca e sedosa que tanto expressa quanto simboliza pureza, uma nova vida, o segundo nascimento, "nascer de novo" e tornar-se "como uma criancinha".

O Hino da Túnica de Glória, G.R.S. Mead; uma versão gnóstica da parábola.

2 Cor. 5:12.

Jo. 3:3. 4 Mc. 10:15.

O CAMINHO DO RETORNO

As expressões "recém-nascido", "criança", "crianças" e "pequeninos" são usadas por escritores da linguagem sagrada para designar aqueles sobre os quais a iniciação foi recentemente conferida.

O título é apropriado, pois o verdadeiro caminho foi recentemente adentrado, e a sabedoria pura e a intuitividade espiritual tanto rejuvenescem quanto simplificam o intelecto, tornando-o infantil, livre de motivos, espontâneo.

Uma condição de direção e simplicidade espiritual e intelectual é alcançada.

Isso pode fazer com que tais pessoas sejam consideradas pelos mundanos como tolos, dignos apenas de escárnio e desprezo.

O estado místico de infância é, no entanto, uma condição e uma atitude perante a vida de integridade inabalável, de obediência livre de ego e instantânea às leis espirituais.

Sob essas condições, a faculdade da intuitividade espiritual, já altamente desenvolvida, manifesta-se com grande liberdade e fecundidade para conceder à mente sabedoria, compreensão, insight implícito.

Todos os iniciados, e especialmente aqueles que acabaram de atingir a meta, tornam-se de certo modo vulneráveis à crítica, ao escárnio e à hostilidade dos homens e mulheres mundanos, e nesse sentido assemelham-se à indefesa de um recém-nascido.

Esses "pequeninos" recebem, no entanto, a especial afeição e cuidado de seus superiores na vida oculta, e particularmente de seus próprios mestres, seus patrocinadores Adeptos e outros iniciados com os quais laços foram formados durante as vidas presente e precedentes.

O passo oculto que deram, as expansões de consciência que o acompanham, e os elevados ideais de pureza e beleza de vida pelos quais agora são inspirados, elevam-nos a uma posição importante entre o restante da humanidade.

Não apenas derramam muitas bênçãos sobre o mundo, mas são potenciais Salvadores do mundo, enquanto, além disso, sua própria evolução atingiu uma fase altamente crítica.

Por essas razões, uma advertência extremamente severa é proferida por nosso Senhor contra o prejudicar tanto os novos aspirantes à sabedoria espiritual e à vida espiritual quanto, nos termos da língua sagrada, aqueles recém-nascidos ou "nascidos de novo". Assim ele disse: "Mas qualquer que fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho, e que se submergisse na profundeza do mar."

Mateus, 18:6.

A SABEDORIA OCULTA NA BÍBLIA SAGRADA — O Pai Disse: "Ponde-lhe um Anel na Mão"?

Este incidente é de tão grande significado simbólico que um número de possíveis interpretações se faz necessário para fazer justiça à simbologia.

Considerou-se desejável, em consequência, deter-se com certa extensão sobre o símbolo do anel e a alegoria de sua colocação no dedo do recipiente.

O círculo, sendo sem começo e sem fim, é um símbolo da eternidade e do poder eterno, da verdade e da sabedoria.

Sua forma e completude significam tanto a consumação de uma jornada cíclica de saída e retorno quanto, por implicação, tais poderes como foram por esse tempo alcançados.

Em termos de consciência, o círculo refere-se à realização do Agora Eterno pelo Adepto e da duração, ou tempo sem limites, pelo homem iluminado.

O dom de um anel de um ancião poderia também simbolizar o alcance da ausência de tempo, do agora, do aqui, do tudo, ou da unidade no tempo e no espaço.

Aquele que assim alcançou é "anilhado", ou vive no eterno.

O movimento também é sugerido pelo anel, que simboliza que uma jornada cíclica foi feita para fora de um ponto e de volta a ele.

Assim, as Mônadas, como filhos pródigos, viajam ao redor do grande círculo, enquanto os Egos humanos repetem o "ciclo de necessidade", ou estão presos à roda de nascimentos e mortes.

Os corpos, por sua vez, nascem, atingem a maturidade e morrem.

Durante todo o período da existência corporal, a noite é seguida pelo dia, que conduz novamente à noite, e o sono é sucedido pela vigília, após a qual o corpo deve adormecer mais uma vez.

Assim, a existência é cíclica.

Ela segue um caminho circular e obedece à regra de ir e retornar, tipificada pelo anel.

Este princípio é tão fundamental que merece uma exposição mais detalhada, mesmo ao risco de alguma repetição.

Um anel e a dádiva de um anel são de muito grande significado.

Quando simbolicamente considerados, algumas de suas possíveis interpretações são:

Infinito; eternidade e o eterno.

A conclusão de um ciclo e a obtenção da perfeição relativa que é o padrão estabelecido para aquele ciclo, maior ou menor.

Lc. 15:22.

A SEND A DO RETORNO

O fim de um período de manifestação, seja de sistema solar, esquema planetário, cadeia, ronda, período mundial, raça-raiz, sub-raça, civilização, nação, e o começo de seus sucessores.

O princípio da evolução por ciclos de ir e retornar em progressão eterna.

Um ciclo foi completado e um novo deve então ser iniciado.

A Doutrina Secreta afirma que essa progressão ordenada é sem começo concebível ou fim imaginável.

O retorno ao lar do filho pródigo é inevitavelmente seguido por um novo partir.

Assim, ao apresentar um anel, o pai tanto comemora a conclusão de um ciclo pelo filho quanto aponta para o próximo, no qual alturas evolutivas ainda maiores serão alcançadas.

O círculo, quando formado por uma serpente com sua cauda (positiva) na boca (negativa), significa geração e regeneração em sucessão sem fim,

a sabedoria que é assim alcançada, e os sábios, os Adeptos, que são as encarnações dessa sabedoria.

A Mônada completou um ciclo de vida e deve embarcar em seu sucessor.

O Ego completou um ciclo de nascimento e morte e deve entrar em seu sucessor.

Após um número suficiente de tais ciclos mônadicos e e Góicos e sub-ciclos pessoais, um grande ciclo de evolução humana é completado.

A Natureza produziu um homem perfeito.

A emergência macrocósmica da primeira inteligência criativa ativa e objetiva, e a primeira ação do Grande Sopro, estabeleceram condições sob as quais a lei da Progressão cíclica eterna entra em operação.

O filho pródigo representa, assim, a vida manifestada, a existência finita, em contraposição ao não-manifestado, ao infinito em quiescência.

A onda de vida portadora de sementes é um "filho da necessidade", como o são todas as sementes (Mônadas) e as formas que elas habitam em cada estágio e fase de sua ativa autoexpressão; pois todas estão subservientes à lei dos ciclos ou da progressão cíclica sem fim, que "não tem começo concebível nem fim imaginável".¹ O Pai com o anel é uma personificação dessa lei.

O Pai Disse: "Ponde Sandálias nos Pés Dele"?

No macrocosmo, toda substância, e mais especialmente a mais densa, como simbolizada pelas sandálias que são postas nas porções mais inferiores do corpo, está, nesta fase conclusiva do ciclo, completamente permeada de espírito, tornada inteiramente maleável e obediente.

Está, portanto, devidamente preparada para ser usada no novo ciclo que está prestes a se abrir, como substância de veículos para a sempre-jornadeante vida-espírito.

O processo de transubstanciação foi completado.

Toda a natureza se tornou como uma hóstia consagrada.

Em seu significado macrocósmico, a ação do Cristo ao lavar os pés dos discípulos² é suscetível de uma interpretação semelhante.

Microcosmicamente, os pés representam em parte tanto o fundamento da vida humana quanto as atividades progressivas do dia a dia.

Quando estes são purificados ou "lavados" pela ação inspiradora e iluminadora do princípio crístico interior, então a completa autopurificação foi alcançada.

Uma vez que os pés são o meio de progresso físico e o desejo é a força motriz de muitas ações humanas, a alegoria estende o processo de purificação ao reino da emoção.

Os antigos escritores pareceriam, por vezes, não estar acima do uso de um jogo de palavras.

Assim, os pés, por sua função de sustentação como membros do corpo, referem-se ao "entendimento" ou à compreensão inteligente, e assim à conduta, da vida.

A obtenção desse claro entendimento é auxiliada pela influência interior da natureza crística desperta, alegoricamente retratada no incidente da purificação ou lavagem dos pés de seus discípulos pelo Senhor Cristo.

¹ A Doutrina Secreta, H. P. Blavatsky, Vol. I, Edição de Adyar, p. 113.
² Lc. 15:22.

Este incidente será mais plenamente interpretado deste ponto de vista em seu devido lugar no estudo progressivo da Bíblia, do qual esta obra consiste.

Espera-se, no entanto, que os símbolos, os métodos de interpretação e os exemplos contidos neste volume capacitem os estudantes a aplicar os princípios às grandes alegorias das quais a Bíblia consiste.

A posse de sapatos novos também pode sugerir que o poder de avançar para um novo ciclo foi desenvolvido.

O incidente sugere, portanto, que em todo o universo a inércia da matéria foi superada, ou melhor, transformada em mobilidade.

A ação do Pai em celebrar o retorno do filho pródigo, fornecendo sapatos novos, refere-se ao fato de que não há cessação final e última da atividade cíclica.

Progressão eterna é a ordem do dia criativo.

Após o fechamento de cada ciclo, forças são postas em movimento para levar os frutos colhidos como poderes-semente para o próximo ciclo.

João, 13:1-15.

O CAMINHO DE RETORNO

Quando os veículos do ciclo precedente foram postos de lado em sua conclusão, a Mônada-Ego ou microssomo recebe um novo conjunto de meios para progresso material adicional (sapatos). O sapato esquerdo e o direito podem possivelmente referir-se a encarnações femininas e masculinas, respectivamente.

A provisão de sapatos novos sugere que ambas as formas de autoexpressão egoica, a negativa e a positiva, foram purificadas, espiritualizadas ou renovadas.

A harmonização ou equilíbrio dos componentes dos pares de opostos na natureza e conduta humanas também pode ser indicada pelo dom de dois objetos ligeiramente diferentes que compõem um par.

Na iniciação, que marca tanto a conclusão de uma fase da evolução humana quanto a entrada em sua sucessora, o corpo causal existente é desintegrado, sendo um novo imediatamente formado para servir como veículo para conduzir a Mônada-Ego através de sua próxima fase evolutiva.

Além disso, aqueles iniciados que, ao alcançarem o adeptado, decidem reter corpos físicos, submetem-nos a um processo oculto de purificação e rejuvenescimento, de modo que o início normal da morte é adiado.

Quando, no entanto, a morte física ocorre, certos veículos mais sutis são materializados no nível físico.

Isso proporciona ao Adepto um corpo físico relativamente imortal.

Embora a aparência de tais corpos renovados possa não ser muito alterada, sua substância e condição são tão modificadas, e a mudança é tão cuidadosamente mantida daí em diante, que a longevidade além do período designado é alcançada.

Uma vez que o alcance do adeptado marca a conclusão do ciclo puramente humano da existência, o retorno do filho pródigo pode ser analogicamente comparado a isso. Similarmente, o calçar de sapatos novos pode simbolizar o processo de renovação corporal.

O Bezerro Cevado

Touros, bois, vacas e bezerros são, em geral, símbolos das potências criativas divinas masculina e feminina.

Touros, com sua imensa virilidade, são símbolos físicos apropriados para o espírito, para a potência criativa masculina, e para o participante masculino em todos os processos gerativos.

Vacas, com sua fertilidade e sua produção da substância nutritiva do leite, são símbolos físicos apropriados para a substância, a matéria do espaço, a potência criativa feminina, e para a participante feminina em todos os processos gerativos.

A vaca sugere assim tanto a reprodutividade infinita da matéria quanto a fertilidade da natureza, que perpetuamente provê uma abundância de alimento.

A vaca é portanto considerada como a imagem prolífica da terra, ou mãe natureza, que provê alimento, força, saúde e felicidade.

O bezerro potencialmente possui um ou outro dos atributos acima mencionados, mas mais especialmente simboliza o produto da interação criativa do pai-mãe, e é portanto um símbolo tanto do universo quanto de tudo a que ele dá à luz.

Macrocosmicamente, comer o bezerro cevado indica absorção na Fonte divina de todos os poderes resultantes dos processos involucionário e evolucionário no fechamento de um grande ciclo.

Quando um bezerro é recém-nascido, implica-se o amanhecer criativo. Quando está crescido e cevado, indica-se a aproximação do fechamento de um ciclo evolucionário, e comê-lo simboliza a colheita final de todos os frutos do período de manifestação.

No homem, o microcosmo, o bezerro cevado é um símbolo da sabedoria intuitiva que "nasce" da descida frutificadora da vontade espiritual (o touro) no veículo da inteligência abstrata, o corpo causal (a vaca). Desta união, o intelecto torna-se iluminado pela luz da razão pura e da intuitividade espiritual (concepção), enquanto, a partir de então, o veículo superior, o corpo da intuição, desenvolve-se em um instrumento eficaz de cognição supramental, de percepção direta e de visão implícita das primeiras verdades e das primeiras causas.

A condição cevada também significa a plenitude de compreensão e de conhecimento que o princípio despertado da intuição espiritual confere à mente do homem.

O enriquecimento da alma que provém da efusão concomitante de vida e amor divinos também está implícito.

Na interpretação humana, então, o bezerro cevado indica aquela fase da evolução egoica na qual a intuição, ou veículo búdico, desenvolveu-se em um instrumento eficaz de consciência, cuja eficácia foi realçada pelas forças pessoais transmutadas de amor e desejo.

O processo de comer o bezerro cevado — e, de fato, todas as festas simbólicas — indica que o centro de percepção foi elevado acima do quaternário inferior e estabelecido em níveis espirituais acima do princípio intelectual, e que ali ele absorve (banqueteia-se com) os frutos enriquecedores proporcionados pelo exercício da faculdade da intuição.

O bezerro fundido — para divagar brevemente — significaria o desenvolvimento e a expressão das forças do desejo, principalmente através dos corpos emocional e físico. O Salmista diz: "Fizeram um bezerro em Horebe, e adoraram a imagem fundida. Assim trocaram a sua glória pela semelhança de um boi que come erva." A aceitação da leitura literal das Escrituras, à parte do significado subjacente, e a insistência na eficácia de meras formas e cerimônias exteriores, à parte da vida interior, são simbolizadas por um bezerro fundido.

Embora a princípio deva haver confiança na orientação externa, até mesmo na autoridade, e na observância exterior (o bezerro fundido), a verdade e o poder espirituais por trás do véu do simbolismo e da cerimônia devem, por fim, ser percebidos. O símbolo do bezerro fundido descreve, portanto, a condição do homem que ainda não iniciou aqueles processos interiores de alquimia espiritual pelos quais as forças e faculdades do desejo e da geração são transmutadas nos poderes da vontade espiritual, da sabedoria espiritual e da criatividade intelectual, ou gênio.

Comamos e Sejamos Alegres?

Em sentido espiritual, uma festa simboliza a absorção dos frutos de qualquer ciclo de atividade, macrocósmico e microcósmico, maior e menor.

Comer e beber referem-se à assimilação, seja de poder, sabedoria, conhecimento ou, em sentido mais amplo, das faculdades agora ativas e bem desenvolvidas que estavam latentes no início do processo.

Assim, diz-se que os frutos da viagem, da peregrinação, da jornada são colhidos, preparados e desfrutados como uma festa.

Os poderes, as faculdades, a sabedoria e o conhecimento desenvolvidos quando se atinge o fim de qualquer ciclo são absorvidos e assimilados em um estado de realização beatífica.

Por enquanto, nada falta; tudo é alcançado.

A jornada de ida e volta chegou ao fim.

Nesse sentido, Isaías escreveu: “E o Senhor dos Exércitos fará neste monte a todos os povos uma festa de coisas gordas, uma festa de vinhos velhos, de coisas gordas cheias de tutano, de vinhos velhos bem purificados.”¹ De fato, todo o capítulo vinte e cinco de Isaías abunda em descrições de realizações macrocósmicas e microcósmicas escritas em linguagem simbólica.

Em resumo, todos os banquetes simbolizam o Estado completo, “cumprido”, que foi alcançado ao fim de um ciclo.

Em termos de uma encarnação humana, implica-se a maioridade plena.

As ricas experiências da vida, e a sabedoria e o entendimento obtidos delas, foram todos absorvidos pela mente-cérebro.

Se aplicado à vida do santuário, o comer do bezerro cevado, o festejar e o alegrar-se são todos descritivos de um estado de consciência no qual se entra à medida que a iniciação final se aproxima — aquele ato de autolibertação que faz de um homem um Adepto.

A Última Ceia,² e o convite aceito de “Vinde, jantai”³ dado por nosso Senhor aos discípulos por ocasião de sua terceira aparição após a Ressurreição, podem referir-se a essa consumação, também simbolizada pela Ascensão de Cristo.

Somente São João narra esse incidente e, como seu Evangelho está cheio de alusões místicas, os significados macrocósmicos e microcósmicos do ágape podem ter estado em sua mente.

As festas de casamento de Jacó, de Sansão, de Ester⁴ e a de Caná⁵ são especialmente suscetíveis a essa interpretação.

O Filho Mais Velho Ficou Irado

A sugestão de ciúme entre diferentes aspectos da Natureza Divina, e entre Mônadas evoluindo através dos reinos angélico e humano, é inaceitável.

¹ Is. 25:6.
² Mt. 26:26-29; Mc. 14:22-25; Lc. 22:14-20.
³ Jo. 21:12.
⁴ Gn. 29:22; Jz. 14:10; Et. 1:3-9.
⁵ Jo. 2:1-11.

A ira do filho mais velho pode, portanto, ser considerada um véu ou disfarce deliberado para desviar a atenção do profano dos aspectos mais profundos da sabedoria secreta, e do poder que decorre da sua descoberta.

Microcosmicamente, os dois irmãos podem ser considerados como os dois aspectos — o superior, abstrato (o mais velho) e o inferior, concreto (o mais novo) — da mente humana.

Nas fases iniciais da evolução humana, o princípio mental concreto torna-se enredado e aprisionado nos fenômenos transitórios do efêmero corpo e mundo físicos, dissipando (sendo pródigo) as suas faculdades na aquisição de possessões mundanas, espiritualmente inúteis (as cascas). Eventualmente, porém, a sua natureza ilusória, transitória e, portanto, insatisfatória (a fome e a escassez) é percebida, e elas são superadas e abandonadas ("levantar-me-ei"), para serem posteriormente substituídas pelas verdadeiras riquezas da alma.

Estas consistem, separadamente, em poderes espirituais, sabedoria, conhecimento e a felicidade e satisfação duradouras (a festa e o banquete com o bezerro cevado) que a sua posse e exercício conferem.

Assim, aquilo que até então era inferior, pródigo (dissipado pela vida desregrada), mundano, é transformado em um estado de consciência e modo de vida puramente altruísta e espiritual (alimentado pela Fonte Paterna).

Quando essa sublimação ocorre, as mentes superior e inferior são unidas para se tornarem um único princípio intelectual.

Este é então capaz de percepção e ação tanto nos mundos "sem forma" das verdades e leis abstratas quanto nos mundos "com forma" da análise mental e das formas evolutivas separadas.

Assim, no final da grande peregrinação, o irmão mais novo e o mais velho são corretamente reunidos na casa do Pai.

Em termos da evolução da Alma espiritual e das suas personalidades sucessivas, a união dos dois irmãos refere-se à fusão da consciência egóica e pessoal.

Quando isso é alcançado, o Ego reencarnante, representado pelo irmão mais velho, torna-se plenamente consciente de todas as experiências do seu raio projetado (o irmão mais novo) que fez a peregrinação através dos mundos da forma (reencarnações sucessivas), recebeu a mácula ou a impressão da matéria, e agora se tornou autopurificado dela. A Alma pessoal é então conscientemente unida ao seu Eu Superior (o Pai). O filho pródigo retornou ao lar.

Embora possa parecer a algumas mentes complicar indevidamente a bela e simples parábola, esta interpretação é apoiada pela resposta do pai ao filho mais velho: "...Filho, tu sempre estás comigo, e tudo o que é meu é teu." O divino e imortal Si mesmo do homem (o irmão mais velho da personalidade mortal) é, de fato, tanto imune à mancha da matéria quanto uno com sua Fonte mônada ("tu sempre estás comigo"). Quando o ciclo da evolução humana está completo, essa unidade entre o espírito humano e o espírito divino é plena e continuamente realizada.

O Adepto permanece nesta "Terra Prometida", ou estado nirvânico de existência, e pode dizer, como fez Nosso Senhor: "Eu e meu Pai somos um."

"Teu Irmão Estava Morto, e Reviveu; e Estava Perdido, e Foi Achado."

Na linguagem sagrada, as palavras "morto" e "perdido" têm vários significados, assim como as palavras "vivo" e "achado". Nos significados aplicáveis à parábola do Filho Pródigo, estados de consciência, e não condições corporais, são descritos.

A morte implica a perda completa, embora temporária, pelo homem mortal presente, da experiência da natureza divina e imortal de seu verdadeiro Si mesmo.

A ressurreição, ou reviver, é descritiva da redescoberta desse conhecimento e da reentrada nessa experiência.

Da mesma forma, estar perdido não implica de modo algum finalidade, mas apenas um estado de mente no qual a ilusão de ser uma personalidade separada inibe temporariamente a experiência espiritual e a compreensão, particularmente da unidade com Deus.

Ter sido achado novamente é ter sido libertado dessa ilusão ou "heresia" da separatividade e mais uma vez ter se tornado consciente da identidade com Deus, e através Dele, com tudo o que vive.

Queda e Redenção

As ideias da "Queda" do homem, da maldição de Eva, da marca de Caim, e o conceito igualmente errôneo do pecado original, surgiram de um mal-entendido, se não de completa ignorância, do tema da parábola do Filho Pródigo.

Conforme sugerido ao longo desta interpretação, a parábola descreve a jornada do espírito para fora da Fonte no caminho de ida, e para dentro da Fonte no caminho de volta.

O espírito, embora permaneça perfeito em seu próprio mundo, inevitavelmente se torna marcado ou manchado pelo contato com a matéria, especialmente em suas densidades mais grosseiras.

A encarnação nos aspectos mental, emocional e

Jo. 10:30. 2 Lc. 15:32.

O CAMINHO DE VOLTA

físico da personalidade humana faz com que o espírito perca temporariamente sua pureza pristina e universalidade.

A ilusão da separatividade do eu, o individualismo, o orgulho, a sensualidade e a sexualidade — estes constituem o preço inevitável que, no período atual da evolução do planeta Terra e de seus habitantes, deve ser pago para a obtenção do adeptado.

Este preço — a descida e a resultante mancha — é referido de muitas maneiras por escritores que usam a linguagem alegórica.

Alguns dos símbolos bíblicos usados para denotá-lo são: a "Queda", o pecado de Adão e Eva, a marca de Caim, o calcanhar ferido, as descidas ao Egito e à Babilônia, a cova e a prisão nas quais José foi lançado, a idolatria de Davi, a rendição de Sansão (o Ego) a Dalila e aos filisteus (as naturezas emocional e física do homem), as acusações do irmão mais velho do filho pródigo, e a morte e o sepultamento de Cristo.

A mitologia contém muitas alegorias suscetíveis de uma interpretação semelhante.

Entre elas estão: os erros temporariamente ligados à Terra de Lúcifer, e a vulnerabilidade tanto de Aquiles, cuja mãe não permitiu que a água lavasse o calcanhar pelo qual o segurava de cabeça para baixo (símbolo do caminho de ida) nas águas sagradas do rio Estige, quanto de Siegfried no lugar onde a folha caiu em suas costas enquanto ele se banhava no sangue do dragão.

Embora a Alma espiritual do homem seja eterna e imortal, sua natureza corpórea (calcanhar e lugar nas costas) é mortal e eventualmente morre.

A ferida de flecha "acidental" da qual Shri Krishna morreu, e as feridas de Balder, Adônis e Osíris, bem como a túnica de Nesso que causou a morte agonizante de Hércules, são todos símbolos dos efeitos temporários prejudiciais sobre o espírito de seu contato íntimo com a matéria.

Estas e muitas histórias semelhantes são exemplos instrutivos do uso da alegoria para ocultar, preservar ou revelar a mentes intuitivas, verdades profundas concernentes às leis subjacentes que governam a existência cósmica e humana.

Da mesma forma, como foi afirmado em um capítulo anterior, a atividade procriativa humana, seja legal ou ilícita, tem dois significados simbólicos.

Um deles é o mesmo que foi dado às alegorias acima mencionadas.

A descida do espírito (o masculino) à matéria (o feminino), da Mônada ao Ego, e do Ego a uma personalidade humana, estão todas implícitas nas referências escriturais e mitológicas ao ato sexual.


Outro significado de tais uniões se aplica às experiências no caminho de retorno, quando a consciência pessoal (o masculino, neste sentido) se torna unida à do Ego (o feminino), e ocorre aquela união mística que também é referida como o "casamento celestial".

Se for perguntado por que os autores antigos deveriam assim introduzir o obsceno em seus escritos sobre assuntos espirituais, responde-se que para eles a procriação humana não era, de modo algum, obscena.

Ao contrário, eles a consideravam uma representação perfeitamente legítima e natural do procedimento criativo divino pelo qual, em um sentido mais amplo, o universo foi criado.

No homem moderno, que atravessa o atual ciclo mental, tais referências reconhecidamente tendem a evocar o rubor da vergonha e o senso totalmente injustificado de obscenidade.

Tal, contudo, não era o caso entre as raças anteriores da humanidade, e nos dias em que muitas dessas histórias foram escritas.

Se a necessidade desse velamento for questionada, deve-se lembrar que a descoberta da unidade do microcosmo (o homem) com o macrocosmo (o universo) poderia conferir poderes teúrgicos muito grandes ao descobridor.

Estes poderiam ser mal utilizados com grave prejuízo tanto para o transgressor quanto para todos os outros afetados adversamente.

A magia negra é, de fato, um exemplo de tal uso indevido do conhecimento.

Outras razões para o sigilo concernente ao conhecimento e poder ocultos são apresentadas em um capítulo anterior.

"Tudo o que tenho é teu"?

A gentil repreensão do Pai, e sua tentativa de apaziguar o filho mais velho, assegurando-lhe que "tudo o que tenho é teu", constituem uma afirmação da verdade eterna de que, fundamentalmente, todos os seres são expressões da única vida divina.

Em consequência, todas as manifestações aparentemente separadas dessa única vida participam das realizações umas das outras.

Além disso, a Mônada humana recebe todos os frutos da evolução egóica, enquanto o Ego, por sua vez, absorve em si e armazena os poderes, a sabedoria, o conhecimento e as faculdades desenvolvidos por suas sucessivas personalidades físicas.

Portanto, a Divindade pode com razão dizer a cada Mônada humana, e cada Mônada ao seu Ego: "Filho, tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu."

Lc. 15:31.

O CAMINHO DO RETORNO

A afirmação do Pai sobre a unidade vem corretamente no final da história, que descreve alegoricamente a conclusão de todos os ciclos de progressão, maiores e menores; pois em todas essas consumações a unidade da Mônada humana com sua Fonte espiritual é plena e conscientemente realizada.

Este é o objetivo evolutivo, a coroa daquele que foi crucificado, seja ele o Cristo cósmico, o Cristo histórico, ou o princípio crístico que habita em todo homem.

Quando a grande "coroação mística" ocorre, o elevado e libertado pode dizer com o Cristo: "Eu e o Pai somos um"², e com o pai do filho pródigo ao seu filho mais velho: "... tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu."

Tais são as possíveis interpretações da grande parábola, particularmente quando é considerada como uma exposição da lei dos ciclos pela qual toda existência é governada.

As massas não iluminadas veem apenas as provações e ordálias através das quais, em sua natureza puramente humana, o iniciado triunfante deve passar.

Os companheiros iniciados, no entanto, percebem a exaltação do Espírito humano, uma coroação na realeza espiritual, de fato.

Essa realização é possivelmente sugerida na inscrição que Pilatos escreveu e mandou pregar sobre a cabeça do Cristo crucificado: "JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS". Quando perguntado por que não escreveu "mas que ele disse: Eu sou o Rei dos Judeus", Pilatos respondeu: "O que escrevi, escrevi." (Jo. 19:19-22).

²Jo. 10:30.

PARTE QUINTA

A VIDA DE CRISTO ESPIRITUALMENTE INTERPRETADA

CAPÍTULO I
A NATIVIDADE

A Natividade como um Renascimento Espiritual

NO curso dos capítulos anteriores, muitos exemplos do uso de símbolos para revelar e ocultar porções do conhecimento esotérico que estão repletas de poder foram dados das Escrituras cristãs e outras.

Neste capítulo, três possíveis interpretações de certos incidentes na vida de Cristo são oferecidas.

A narrativa é tratada como um registro de verdades universais e experiências místicas pelas quais raças e indivíduos passam.

A história imortal é considerada sob três pontos de vista: o universal, no qual o Cristo personifica a Deidade criativa e sua vida derramada; o humano, no qual Cristo representa o espírito do homem em sua peregrinação rumo à perfeição; o espiritual, no qual o progresso do homem Jesus através das cinco grandes iniciações até o adeptado espelha as mesmas experiências pelas quais todo iniciado passou e deve passar ao trilhar o Caminho da Cruz.

Destes, o último mencionado, referido ao longo de toda a obra como a interpretação iniciática, é o mais amplamente exposto e o mais frequentemente repetido — por ser considerado de especial interesse e importância.

Um estudo dos Evangelhos sob esses pontos de vista indica que eles foram escritos por homens que conheciam a Sabedoria Antiga e eram hábeis na linguagem da alegoria e do símbolo.

Esses autores inspirados parecem ter sido membros iniciados de um ou outro dos santuários ainda operantes dos mistérios de seu tempo e, conhecendo a linguagem sagrada, usaram pessoas reais e acontecimentos temporais, substâncias e formas como símbolos de verdades eternas.

A NATIVIDADE

Embora para muitos cristãos a história evangélica, em sua maravilha e beleza, seja totalmente suficiente, há outros que, observando certos eventos misteriosos e palavras de Nosso Senhor, percebem na narrativa um mistério, uma luz e uma verdade ainda maiores do que aqueles do relato histórico.

Nosso Senhor disse, por exemplo: "Eu e o Pai somos um"; "Antes que Abraão fosse, Eu Sou"; e no Livro do Apocalipse é dito que Ele afirmou: "Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o último". Essas palavras dificilmente podem se referir ao homem Jesus que nasceu em Belém.

De fato, São João abre seu maravilhoso Evangelho referindo-se a Ele como o "Verbo" criativo que estava no princípio, e que depois se fez carne e habitou entre nós, "e a vida era a luz dos homens".

Que um mistério está oculto profundamente na história evangélica e na natureza do Senhor Jesus Cristo é evidente.

Assim, embora a historicidade da Bíblia não seja contestada, avança-se a ideia de que os incidentes relatados têm tanto um significado temporal e histórico quanto um sentido atemporal, universal e humano.

A grande figura central dos Evangelhos assume, assim, uma grandeza cósmica e universalidade.

Misticamente, Ele representa a vida e a presença divinas em toda a natureza e em todos os homens.

Os principais eventos registrados sobre ele são vistos também como eventos que ocorrem em todo o universo e dentro da Alma espiritual, ou Cristo, no homem.

Em um mistério além da compreensão humana, a história de Cristo é tanto a do cosmos quanto a de cada ser humano.

Ela narra o nascimento e a evolução até a perfeição relativa de todo o universo, da raça humana e de cada indivíduo humano.

De fato, três Cristos podem ser discernidos na narrativa evangélica.

São eles: o cósmico — a vida e presença divinas em toda a natureza e em todas as coisas; o místico, ou a presença de Cristo em cada ser humano; e o histórico, a grande figura que apareceu na Terra há cerca de 2.000 anos na Palestina.

Na interpretação cósmica, o grande ciclo de saída e retorno é retratado.

No Natal cósmico, a vida da Deidade criativa é derramada no universo recém-formado, ou recém-nascido.

No Batismo, ocorre uma descida mais profunda.

Na Crucificação, a morte

Jo. 10:30.  ? Jo. 8:58.

Ap.

22:13.  1Jo. 1:1-5.


e o sepultamento, a vida divina é mais profundamente aprisionada na substância mais densa do sistema solar, a matéria do reino mineral, simbolizada pelo túmulo rochoso.

A Ressurreição retrata o início do caminho de retorno, que é seguido até seu fim na Ascensão à destra de Deus.

Todo espírito humano, ou Mônada, percorre o mesmo caminho de saída e retorno em sua peregrinação desde a inocência ou sono (como no incidente do acalmar da tempestade), para fora e para baixo, em conflito com a matéria e as tendências elementais da substância dos corpos mental, emocional e físico (a tempestade na Galileia e a tentação no deserto), supera-as e as molda nas asas da Alma, pelas quais ascende àquela paz de onde partiu.

O Morador do Íntimo de cada homem é representado e expresso através do homem exterior como o Ego humano, o Si espiritual imortal em seu corpo de luz, o Augoeides, o depósito de todas as faculdades e capacidades alcançadas como resultado da peregrinação da vida.

Este Ego repete o grande ciclo, vive a história da vida de Cristo toda vez que desce à encarnação como um visitante divino ao mundo físico.

Assim, o Self interior do homem nasce (Natalidade), atinge a puberdade (Batismo), é tentado e, quando bem-sucedido, supera, é crucificado pelo sofrimento, e conhece a morte do corpo e sua própria ressurreição e retorno final ao mundo eugóico.

Assim, a vida crística é de fato uma vida universal.

O próprio Cristo compôs e relatou uma maravilhosa epítome da história da vida do cosmos, do sistema solar, da raça humana, do indivíduo humano e do iniciado humano.

Ela chegou até nós como a parábola do Filho Pródigo, uma interpretação da qual já foi oferecida nos Capítulos I, II e III da Parte Quatro deste Volume.

Os gnósticos possuíam outra versão que chegou até nós como o Hino da Túnica de Glória.

As Aproximações ao Caminho da Cruz — Ao oferecer uma exposição apenas em esboço desta última (a aplicação iniciática) da vida de nosso Senhor, descobrimos que três tipos principais de homens e mulheres são introduzidos na história evangélica.

Primeiro, havia as boas mas desatentas pessoas comuns do mundo, sem qualquer experiência mística compreensível ainda, despertas¹ para o idealismo, e desinteressadas na possível existência dos mundos suprafísicos e num modo de vida espiritual.

Esta era a população contemporânea da Palestina em meio à qual o Senhor Cristo se movia.

O segundo tipo consistia naquelas pessoas que estavam gradualmente despertando para as realidades espirituais e começando a ouvir o chamado para o caminho espiritual da vida.

Estas se reuniam ao redor do Mestre e ouviam atentamente seus ensinamentos enquanto ele percorria as cidades e o campo.

O jovem rico que se aproximou do Mestre em busca da vida eterna é um exemplo daqueles que estão espiritualmente despertos, mas ainda não prontos para cumprir todas as condições necessárias para a vida do discipulado.

Em resposta à sua primeira pergunta sobre como poderia alcançar a vida eterna, foi-lhe dito por nosso Senhor que guardasse os mandamentos.

Ele protestou que isso fizera desde a juventude. Então veio a prova decisiva.

Nosso Senhor lhe disse: “... vende tudo quanto tens, e distribui aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me.” Então se segue o que é certamente uma das frases mais pungentes de todas as nossas Escrituras: “E, ouvindo ele isto, ficou muito triste; porque era muito rico.”¹ Não precisamos, contudo, considerar essa decisão como final.

¹ G. R. S. Mead.

A NATIVIDADE

Talvez, mais tarde na vida, o jovem rico possa ter se encontrado pronto para abandonar o mundo, ou antes, o motivo e o modo de vida puramente mundanos, e seguir o grande ideal espiritual.

Os reencarnacionistas diriam, sem dúvida, que, mesmo que não naquela mesma vida, a oportunidade do discipulado se apresentaria novamente e, no devido tempo, seria aceita.

O terceiro tipo de homens e mulheres introduzidos na narrativa do Evangelho são aqueles que estavam prontos para se dedicar inteiramente à vida espiritual.

Estes eram os despertos que haviam respondido ao chamado interior para a vida superior e que estavam determinados, mesmo em meio aos deveres mundanos, a entrar pela porta estreita e trilhar o caminho estreito do qual nosso Senhor falou — "O caminho da santidade", como o chamou Isaías. Estes eram os discípulos e outros seguidores imediatos do Senhor, e são eles que posteriormente transmitiram parte de sua mensagem ao mundo.

Estes três tipos de pessoas sempre existiram.

Eles existem

¹ Lc. 18:18-23. ² Is. 35:8.


hoje, e para todos eles, qualquer que seja sua visão da vida, a vida de Cristo é um padrão e exemplo.

Seus ensinamentos proporcionam a orientação mais perfeita, especialmente para os espiritualmente despertos, os que buscam e os que aspiram entre homens e mulheres, dos quais há tantos hoje.

Uma experiência muito maravilhosa vem àqueles que aceitam o exemplo de Cristo e tentam viver segundo seus ensinamentos.

Um mistério começa a ser encenado tanto dentro quanto ao redor deles.

Eles começam a passar pelos principais incidentes na vida de nosso Senhor e de seus discípulos.

Sempre que um homem busca sincera e genuinamente viver de acordo com o que há de mais elevado dentro de si, seu verdadeiro mestre aparece.

Como é descrito no Capítulo II da Parte Seis deste Volume, física ou superfisicamente, ou ambos, ocorre um encontro entre o aspirante ardente e aquele que alcançou o cume da evolução humana, um homem aperfeiçoado, um Adepto, um Mestre da vida e da morte.

Não apenas o jovem rico, não apenas os discípulos e seguidores imediatos de nosso Senhor há 2.000 anos, mas através de todos os tempos, todo ser humano forte, sincero, aspirante e autodevocionado encontra os pés de seu Mestre.

Então o mistério ao qual me referi começa a ser encenado dentro dele.

As Fases do Desdobramento Interior

As cinco grandes etapas na vida de nosso Senhor são percorridas por todo aspirante à perfeição; ou o Nascimento, o Batismo, a Transfiguração, a Crucificação e a Ascensão de Cristo, conforme registrado nos Evangelhos, retratam por alegoria e símbolo as experiências de todo ser humano que, em qualquer época, encontra os pés do Mestre.

Instruídos por Ele, são apresentados para o que se chama iniciação ou dedicação oculta à rápida ascensão da montanha evolutiva, a obtenção da estatura de um homem perfeito em um espaço de tempo relativamente curto.

Essa visão mística da narrativa evangélica como uma descrição de eventos que ocorrem dentro da Alma do homem espiritualmente despertado pode parecer estranha, particularmente para aqueles que estão aprendendo sobre ela pela primeira vez.

Não é, contudo, de modo algum nova.

Mesmo na época de nosso Senhor, um certo grupo de neoplatônicos de Alexandria estudava as escrituras do mundo, e especialmente o Antigo Testamento,

Lc. 18:18-23. ² Ef. 4:13.

O NASCIMENTO

desse ponto de vista.

Eles eram chamados, em consequência, os Analopetistas.

Proeminente entre eles estava o grande sábio alexandrino e contemporâneo de Cristo, Fílon, o Judeu, a quem esta obra é respeitosamente e gratamente dedicada.

As palavras de Angelus Silesius já citadas indicam a prevalência contínua dessa visão das Escrituras durante a Idade Média, enquanto a literatura moderna contém exposições dessa abordagem mística.

As primeiras referências bíblicas simbólicas ao nascimento histórico do Menino Cristo consistem nas profecias do Antigo Testamento sobre a vinda do Messias.

Estas correspondem aos primeiros movimentos do poder espiritual dentro de um homem ou mulher que até então vivia uma vida normal, natural e talvez um tanto mundana.

Após algum tempo, o que tem sido chamado de "descontentamento divino" é experimentado, e um anseio inexprimível do homem interior pelo infinito começa a ser sentido.

A voz da consciência torna-se cada vez mais forte, até que por fim se torna irresistível.

Tais experiências são promessas, profecias ou prenúncios do “nascimento” ou despertar místico interior dos poderes crísticos inerentes ao homem, sobre o qual o apóstolo Paulo escreveu: “...sinto dores de parto até que Cristo seja formado em vós.”¹ As profecias no Antigo Testamento são seguidas pela missão de João Batista, cujo chamado ao povo de seu tempo ao arrependimento é interpretado como a voz do Eu Superior do homem; uma voz que, se ouvida, torna-se eventualmente o chamado imperioso de uma consciência plenamente desperta.

A vida diária é então purificada do egoísmo, da sensualidade e da autocomplacência.

A possessividade começa a ser superada e o serviço em prol dos outros assume um lugar cada vez maior na vida do aspirante.

Eventualmente, o Eu interior governa o homem exterior, e um modo de vida espiritual em meio aos deveres mundanos é empreendido.

Uma Anunciação interior ocorre então.

Do mais alto Eu do homem desce um poderoso poder espiritual, um verdadeiro fogo criativo que produz profundos despertamentos e desenvolvimentos psicológicos e espirituais.

Dentro da Alma ocorre um verdadeiro “nascimento” de novos poderes e novas faculdades, e uma nova atitude, semelhante à de Cristo, diante da vida é naturalmente adotada.

Um profundo senso de unidade com Deus e com todos os seres é desenvolvido, e isso leva a uma

¹Q.v. p. 46. ² Gál. 4:19.


vida crística de autodoação e amor sacrificial.

Doravante, essa realização recém-descoberta domina o pensamento, o motivo, a palavra e o ato do homem exterior, cuja vida se torna assim completamente reformada, reorganizada.

Misticamente, diz-se que ele renasce ou, como disse nosso Senhor, “nasce de novo”.¹

A Imaculada Conceição

Quem, então, do ponto de vista místico, é Maria, a imaculada Mãe de Jesus? Se assim se pode dizer, com a mais profunda reverência por ela como personagem histórica, ela é também uma personificação da alma espiritual imortal de todos os homens, a matriz ou ventre materno de dentro do qual o poder crístico e a consciência crística, ou criança, nascem interiormente.

Esta leitura da história, como descritiva de experiências e desenvolvimentos interiores de uma pessoa, é corroborada pela afirmação de que José, o esposo de Maria, não era o pai de Jesus, que nasceu imaculadamente de uma mãe virgem.² Muitos cristãos sinceros acham essa doutrina da imaculada conceição difícil de aceitar.

A dificuldade desaparece, no entanto, se a história for considerada não apenas como história, mas também como uma descrição alegórica das mudanças e desenvolvimentos que ocorrem na mente e no coração de todo ser humano.

**A Anunciação**

O Arcanjo Gabriel representa o Espírito Íntimo no homem.

Maria é a alma imortal, receptiva ao poder do espírito; e o menino Cristo que nasce de Maria é a consciência crística dentro do homem, os poderes recentemente despertados do amor universal e da intuição espiritual que revelam à mente a unidade de toda a vida e de todos os seres vivos.

Assim, a Anunciação é uma experiência interior, uma descida do Morador no Íntimo — a Mônada.

a fonte da vontade criativa (Gabriel) — do poder frutificante, às vezes retratado como um lírio, símbolo de geração e regeneração.

Isso produz no Ego, em seu veículo da mente abstrata (Maria), um profundo desenvolvimento intelectual e psicológico, um verdadeiro nascimento dentro da Alma de novos poderes espirituais e capacidades intelectuais.

Após essa concepção mística, seus frutos são transmitidos através da

¹1Jo 3:3, 5, 7. ²Mt 1:18 e Lc 1:31-35.

**A NATIVIDADE**

mente receptiva e das emoções purificadas ao homem exterior em seu corpo físico.

Dentro desse corpo, toda a maravilhosa transformação ocorre.

O simbolismo aqui é especialmente interessante, pois parece que os Evangelistas introduziram deliberadamente a personificação dos corpos do homem.

A mente preparada e receptiva é representada por José; as emoções purificadas, pelos animais domésticos domesticados; e o corpo físico, pela estalagem e seu estábulo.

De fato, todos os sete princípios do homem estão assim personificados e presentes na alegoria do Nascimento de Cristo.

Este é o nascimento virginal universal no indivíduo avançado e na raça, a primeira grande iniciação, o verdadeiro Natal da Alma.

Está começando a ocorrer nos elementos mais avançados da humanidade de hoje, aqueles homens e mulheres que são responsáveis por movimentos mundiais que buscam a colaboração internacional para o bem-estar da raça como um todo.

Como sempre, um Herodes aparece na forma daqueles fanáticos sombrios do egoísmo, os tiranos impiedosos em todos os campos do esforço humano que buscam frustrar e destruir o impulso nascente de unidade mundial, assim como o Rei Kamsa buscou a morte do menino Shri Krishna, Seth o de Hórus, os Titãs o de Baco, e Herodes o de Jesus.

Assim como todas essas personificações escaparam e ascenderam à grandeza, assim também as grandes alegorias provarão ser descrições verdadeiras do nascimento bem-sucedido da consciência crística no homem do século vinte.

Tal é a interpretação racial a que todas as alegorias são suscetíveis.

O Aceno Místico

Nos antigos mistérios, como foi dito em outra parte, o corpo físico era posto em transe.

O Eu interior, em seu veículo de luz, o corpo causal, era assim libertado e, em seguida, elevado a um nível de percepção no qual a existência da única Fonte de toda a vida, e a unidade com essa vida, são reconhecidas.

Nesse nível de percepção, essa unidade não é mais uma concepção intelectual, mas agora é uma verdade viva, sentida e conhecida de dentro, e não vista de fora.

O significado real da Natividade mística é a autoidentificação interior, intelectual, psicológica com os outros em vários estados de felicidade, tristeza e sofrimento.

Essas experiências são compartilhadas, realmente sentidas como sendo as próprias.

"A luz do Uno para o Uno"!

Plotino.


foi feita, e o foco até então individual do poder e da luz universais torna-se conscientemente fundido na vida ressurgente de todo o universo.

Ao registrar esses profundos mistérios da iniciação, os Evangelistas os revelaram em termos de analogia e símbolo.

O sigilo ao qual todos os iniciados estão comprometidos, como indicado pela postura de Hórus Harpócrates, é assim preservado: ao mesmo tempo, e com consumada habilidade, uma medida da verdade é apresentada àqueles que têm olhos para ver e ouvidos para ouvir.

A revelação real, no entanto, consiste não em informação transmitida, mas em experiência direta, pessoal e interior, e isso é para sempre incomunicável.

O caminho para ela pode, contudo, ser indicado, e este é o grande valor das Escrituras inspiradas do mundo.

A grande cerimônia de iniciação eventualmente chega ao fim.

A Alma retorna ao seu corpo.

A expansão da consciência e seus resultados devem ser transmitidos à mente, à emoção e ao cérebro, através dos quais devem ser manifestados na conduta da vida diária.

A Sagrada Família

O nascimento interior é de fato imaculado; pois nesta leitura da história do Evangelho, José representa a mente formal, lógica e concreta de um ser humano avançado, experiente e sábio antes, e espiritualmente iluminado depois, da Natividade mística.

Por mais valiosa que possa ser a mente formal com seus poderes de lógica, ela não pode dar à luz a intuição.

Por sua própria natureza, é mentalmente analítico e atual.

A intuição, representada pelo Menino Cristo, traz realização súbita dos princípios subjacentes e premonições precisas que são independentes da ação da mente formal.

O Eu imortal, personificado por Maria, com sua capacidade de pensamento abstrato, pode receber, compreender e transmitir à mente formal (dar à luz) esse poder intuitivo.

Doravante, as revelações da intuição são justificadas no tribunal do intelecto, sendo sua expressão em ação guiada por uma mente sábia e equilibrada.

José, então, personifica a mente desenvolvida do candidato à iniciação e é corretamente apenas o suposto pai adotivo de Jesus.

Animais domésticos foram considerados presentes na Natividade.

Eles representam as emoções controladas e purificadas.

A manjedoura

Maii.

1:19.

A NATIVIDADE

como um recipiente de alimento pode ser considerada um emblema do corpo vital ou etérico que contém, preserva e distribui através do corpo físico a força de vida proveniente do sol.

O estábulo, por sua vez, representa o corpo físico.

Assim, na linguagem dos símbolos e com a maior habilidade, o homem inteiro — seus princípios espiritual, intelectual, emocional, vital e físico — é introduzido na maravilhosa história da Natividade histórica.

Esta história é tão relacionada que revela, além disso, profundas verdades místicas de significado universal.

Os Pastores e os Magos

Os pastores referem-se àqueles grandes Pastores de Almas que são os homens perfeitos de nossa terra, os Irmãos Maiores da humanidade, a rara florescência da raça humana.

O apóstolo Paulo escreve sobre eles como os "homens justos aperfeiçoados", e demonstra de muitas maneiras um conhecimento do significado místico da história do Evangelho.

Os pastores são corretamente introduzidos na história da Natividade; pois sempre que um ser humano atinge o estágio evolutivo no qual o poder de Cristo nasce dentro dele, ele é atraído à presença desses Grandes Seres da terra, os seniores do homem na evolução.

Uma grande cerimônia é realizada em sua presença após o consentimento divino ter sido recebido.

Os pastores são, portanto, incluídos na história para fazer dela também uma descrição do que é chamado de iniciação do homem.

Os Magos ou Reis do Oriente, tradicionalmente três em número, são interpretados de várias maneiras pelos estudiosos bíblicos.

Em um sentido, eles se referem aos três aspectos do Eu imortal interior do homem, que são vontade espiritual, sabedoria espiritual e inteligência espiritual.

Cada uma dessas partes da Alma do homem está, nesse momento, suficientemente desperta para contribuir com seus poderes ou dons especiais, a fim de capacitar, guiar e inspirar o iniciado na nova vida na qual ele adentra.

Em outra interpretação, os três Magos referem-se à mente purificada, às emoções e aos poderes corporais do iniciado, cujas faculdades sublimadas (os dons) são oferecidas ou entregues ao Poder-Cristo que agora está desperto dentro dele.

Simbolicamente, os três dons são depositados aos pés da Alma recém-iluminada, ou do Cristo-criança recém-nascido.

A Estrela de Belém é o pentagrama branco e ígneo que

Heb.

12:23.


irradia acima da cabeça do hierofante quando um rito iniciático válido está para ser realizado.

É o signo e o símbolo de que os poderes e qualidades necessários, especialmente o desapego, foram alcançados e de que a iniciação pode ser conferida.

A Matança dos Inocentes

Herodes representa o passado; o Cristo-infante representa o futuro, e entre esses dois, uma medida de guerra é inevitável.

Antigos apetites, hábitos, autocomplacências, egoísmos e uma atitude materialista, puramente mundana e aquisitiva em relação à vida são incompatíveis com a vida de serviço amoroso e sacrificial que agora será vivida.

O iniciado pode, portanto, a princípio, experimentar alguma dificuldade em subjugar as demandas clamorosas do corpo e os atributos ciumentos, orgulhosos e possessivos da mente, que são simbolizados por Herodes.

Esse aspecto da natureza humana (o Herodes no homem) perderá seu poder se a atitude crística for permitida a se desenvolver.

A perda é inconscientemente ressentida pelo homem exterior, que faz todos os esforços para impedir o domínio do novo ideal espiritual.

Simbolicamente, Herodes massacra os inocentes numa tentativa de destruir o recém-nascido Cristo-criança.

A Fuga para o Egito

A fuga para o Egito é de grande interesse para os simbolistas, pois novamente toda a constituição do homem está presente, todas as sete partes da natureza humana sendo retratadas.

José, Maria e o Cristo-criança aqui personificam o Eu Espiritual tríplice do homem, o reflexo humano da Bem-aventurada Trindade de Pai, Filho e Espírito Santo.

As quatro partes inferiores da natureza humana — mente, emoção, vitalidade e carne (o quaternário inferior, como é chamado) — são frequentemente simbolizadas por um quadrúpede.

O teimoso jumento é escolhido como animal de carga, tanto para a fuga para o Egito quanto para a entrada em Jerusalém no Domingo de Ramos, cumprindo assim a profecia do Antigo Testamento: "...clama, ó filha de Jerusalém: eis que o teu Rei vem a ti: ... manso e montado num jumento..." Esta é uma escolha muito adequada do ponto de vista simbólico; pois os aspectos mais materiais da natureza humana, o quaternário inferior, tendem obstinadamente a resistir à

Zac.

9:9.

A NATIVIDADE

vontade do espírito dentro dele.

Quando, porém, o Eu Espiritual se torna dominante, então os atributos obstinados e voluntariosos são transformados em docilidade.

O homem exterior torna-se obediente à vontade interior.

Essa personalidade domada e de quatro patas é bem representada pelo símbolo de um quadrúpede domesticado, o até então teimoso burro, agora treinado para o serviço voluntário.

Por que foi feita a chamada fuga para o Egito? A sugestão de uma fuga pode ser considerada um disfarce para o verdadeiro propósito da jornada.

Embora um homem espiritualmente orientado possa ignorar seus inimigos, tanto externos quanto internos, e possa até fazer retiradas táticas para mais tarde avançar, ele não provavelmente fugiria deles.

O perigo que ameaçava Jesus na Palestina e a chamada fuga para o Egito podem ser interpretados como descritivos do processo de transmutação de atributos e tendências pessoais espiritualmente perigosos, personificados por Herodes, em sua expressão sublimada e positiva como poderes espirituais e intelectuais.

A tradição oculta registra que Jesus realmente fez uma viagem ao Egito.

Este é um dos muitos exemplos em que fato histórico e interpretação mística são formados em uma narrativa onde tanto fatos locais e temporais quanto verdades eternas são revelados; pois o Egito é considerado por alguns estudantes modernos de ocultismo como um santuário ainda ativo dos grandes mistérios, onde iniciações continuam a ser conferidas e inspiração é concedida pelos Mestres ainda vivos, que formam o Ramo Egípcio da Grande Fraternidade dos Adeptos em nosso planeta.

O Egito foi um daqueles lugares sagrados na terra onde santuários dos grandes mistérios haviam sido estabelecidos há muito tempo.

Assim, foi a um deles que Jesus se dirigiu, após alguns anos de treinamento pelos Essênios na Palestina, a fim de consumar aquela experiência mística que é descrita em alegoria e símbolo na narrativa da Natividade em Belém.

CAPÍTULO II  DO BATISMO À ASCENSÃO

As Águas do Jordão

O BATISMO de Jesus no Jordão pelas mãos de João Batista refere-se à segunda das cinco grandes iniciações e possui significado tanto oculto quanto místico.

Uma segunda cerimônia solene é realizada, um novo nível de consciência é alcançado, e um novo poder e autoridade espiritual resulta disso.

O princípio intelectual no homem recebe um estímulo evolutivo, e isso torna perigoso o período que se segue imediatamente.

A faculdade analítica é grandemente intensificada e pode, por um tempo, excluir da mente a sabedoria espiritual derivada dos níveis supramentais e intuitivos de consciência.

A personalidade externa pode então tornar-se hipercrítica, desdenhosa e até materialista.

Isso é simbolizado na narrativa evangélica pelo deserto para o qual Jesus foi levado após o seu Batismo para ser tentado pelo diabo, que então simboliza os aspectos orgulhosos, desdenhosos e materialistas da mente formal, como também o faz um dos ladrões na Crucificação.

A interpretação interior e mística do Batismo de Jesus indica que ele se refere a uma fase importante no desdobramento das faculdades superiores do homem; pois as pessoas de inclinação espiritual, e os discípulos e iniciados entre os homens, são todos eles servos e salvadores potenciais da humanidade.

Para que possam ensinar ao homem o caminho da felicidade, da saúde e da harmonia, e para que possam ter o poder e o conhecimento para curar as doenças dos corpos, corações e mentes humanos, eles próprios devem experimentar aqueles sofrimentos.

Simbolicamente, as águas das tristezas deste mundo (as águas do Jordão) devem envolvê-los.

Voluntariamente devem submeter-se à plena experiência de unidade com todos os que sofrem; devem compartilhar as dores e aflições de toda a humanidade e conhecê-las como suas.

Se essa experiência for suportada com firmeza, então, de fato, como a história relata, o homem emerge dela com uma nova visão e um novo poder de compreender, ajudar e curar.

Os céus se abriram, significando que um novo e mais elevado nível de percepção espiritual é alcançado.

Uma voz do alto proclama aquele que é assim batizado como um Filho de Deus e um libertador dos homens, significando que, ao passar por essa fase, a vontade espiritual despertada e fortalecida dentro do homem confere à personalidade externa atributos e capacidades divinos.

A Tentação no Deserto

A história da tentação de Jesus pelo Diabo no deserto retrata, em parte apenas, e na linguagem dos símbolos, as experiências do iniciado do segundo grau.

Assim como, após a Natividade, o ataque foi feito por Herodes, simbolizando o clamor dos hábitos e desejos passados, agora os vestígios remanescentes de orgulho, egoísmo, autossatisfação e desejo de poder, personificados como Satanás, tendem a ressurgir e tentar o iniciado a abandonar sua missão divina.

Alegoricamente, no deserto — representando períodos de aridez espiritual, aos quais todos os místicos dão testemunho — o Diabo tenta Jesus a abandonar a grande busca e a usar seu recém-descoberto poder para obter posses pessoais e prestígio.

Diz-se que sob esta grande prova muitos aspirantes caem.

A sensação de poder elevado é tão intensa, a capacidade intelectual é tão maravilhosamente aprimorada pela passagem através deste grau nos maiores mistérios, que o egoísmo e o orgulho (personificados por Satanás) podem alcançar proporções monstruosas e derrubar o candidato na gratificação da luxúria pelo poder e no senso de orgulho pessoal.

Eventualmente, a vitória é alcançada.

O tentado diz ao tentador: "Para trás de mim, Satanás". O uso permissível dos

Mat. 3:16, 2 Mat. 3:17.

Mat. 4:1-11. 4 Lc. 4:8.

A SABEDORIA OCULTA NA SANTA BÍBLIA

recém-descobertos poderes o capacita a curar, a ensinar e a reunir ao seu redor aqueles que se tornam discípulos, e são eles próprios ajudados a encontrar e trilhar o mesmo caminho de santidade, "a porta estreita" e o caminho apertado.

"Todo Aquele Que É da Verdade Ouve a Minha Voz"

A história inspirada, assim interpretada, revela-se descrever não apenas processos de evolução cósmica e as experiências de indivíduos altamente desenvolvidos nos estágios finais de sua evolução rumo ao adeptado.

Ela descreve também a vida de todo ser humano; pois, como foi sugerido anteriormente, todos os homens experimentam ocasionalmente seus despertares espirituais ou interiores, ou "nascimentos". Há momentos na vida da maioria das pessoas em que conhecem uma insatisfação consigo mesmas como são; quando experimentam o que foi descrito como um anseio inexprimível pelo infinito, um divino descontentamento.

Esta experiência quase universal corresponde à Natividade de Cristo.

A maioria das pessoas também tem seus batismos nas águas da tristeza, quando a dor, o sofrimento e o desespero podem dominá-las, assim como as águas do Jordão se fecharam sobre Jesus.

Eu, como ele, eles são firmes, emergem mais fortes, mais sábios e capazes de curar as dores dos outros.

Tentações no deserto, estados de consciência em que a espiritualidade parece distante, também assaltam a humanidade.

A natureza inferior tenta o homem a trair o que há de mais elevado por ganho pessoal, prestígio e poder.

Novamente, aqueles que conquistam, como fez Nosso Senhor, e usam seus poderes corretamente, provocarão uma renovação do impulso espiritual.

Às vezes, isso é tão forte que transforma o caráter e a vida das pessoas, assim como nosso Senhor foi transfigurado no monte.

A Transfiguração

A tentação de Jesus e seu ingresso numa vida de ministério foram seguidos pela ascensão ao monte da Transfiguração.

Como dito anteriormente, na linguagem sagrada, o monte, sobre o qual tantas coisas maravilhosas acontecem na Bíblia, é um símbolo de um estado elevado de consciência plena e desperta.

Assim, o terceiro dos grandes graus iniciáticos é alcançado no "monte", ou na elevada altitude da consciência superior.

Novamente, como no Nascimento, aqueles perfeitos que já partiram estão presentes para honrar a grande ocasião e, ali, sobre o monte da iniciação, o iniciado experimenta um breve momento de iluminação e paz, alcança uma visão nova e mais ampla do grande plano da criação, da vitalização e do aperfeiçoamento de um universo e de tudo o que ele contém.

Ali também, enquanto assim exaltado, vislumbra-se o cumprimento de seu próprio destino como homem, a conquista da estatura do homem perfeito.

Provações severas seguem-se, entre elas aquelas noites escuras da Alma em que a quintessência da solidão é experimentada.

Tais Getsêmanis não são desconhecidos de muitos seres humanos que, em sua hora de grande necessidade, encontraram "adormecidos" aqueles em quem haviam confiado.

Nas horas mais sombrias da vida humana, horas de solidão, isolamento, difamação e traição, os homens se sentiram crucificados, separados do homem e de Deus, e como se seus corações estivessem mortos dentro deles.

Ressurreição e Ascensão dessa escuridão virão, no entanto, para aqueles que perseverarem fielmente até o fim.

Dessa forma, a vida de Jesus, o Cristo, é de fato uma vida universal, retratando as experiências de todo ser humano.

Assim foi que, na escuridão do Jardim do Getsêmani, na hora de sua grande necessidade, Jesus encontrou seus discípulos dormindo.

Ele sabia então tudo o que estava diante dele: a traição, o escárnio do julgamento, a Crucificação e a morte cruel.

Naturalmente, ele se voltou para aqueles que amava e que mais o amavam, buscando algum apoio deles na grande provação.

Mas, como tinha de acontecer para que ele aprendesse a confiar somente em sua própria força interior, toda ajuda externa foi aparentemente retirada.

Alegoricamente, seus discípulos dormiam ao seu redor, nenhuma mão se estendendo para ajudá-lo na hora de sua necessidade.

Raramente, diz-se, uma Alma passa por esta provação sem proferir o clamor: "...não pudestes velar comigo uma hora?" Então, apesar de um momentâneo encolhimento da natureza humana diante do cálice, este foi aceito.

Já seu rosto estava firmemente voltado para Jerusalém, símbolo do mundo que ele então iria adentrar, a fim de que, pelo conhecimento e pela sabedoria, a humanidade possa ser libertada do pecado e do egoísmo, e assim do sofrimento que, sob a lei compensatória, inevitavelmente trazem.

A Crucificação
O Quarto Portal então se abre diante da Alma dedicada e consagrada.

É simbolizado pela traição, pelo julgamento e pela Crucificação de Cristo.

Ao atingir e atravessar este estágio elevado, o iniciado experimenta uma escuridão e solidão ainda mais profundas, quando um abismo parece se abrir entre o Pai e o Filho, entre a Vida infinita e a Vida encarnada.

É a mais amarga de todas as provações, como é retratado pela paixão de Cristo na Cruz.

Ele parecia estar abandonado pelos poucos amigos que ainda restavam.

Ele via seus inimigos exultantes ao seu redor.

Ele bebeu o amargo cálice (que é outro símbolo maravilhoso da amargura da danação e da traição). O Pai, que ainda era percebido no Getsêmani, estava velado no Gólgota na paixão da Cruz.

Do coração que se sentia abandonado ecoou então o clamor: "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?"²

"Eu e o Pai Somos Um"³

Por que esta última e terrível provação? Diz-se que é necessária porque a meta da evolução humana é a unidade plenamente realizada, e mesmo a identidade, com Deus.

O futuro Adepto deve aprender, e aprende, mesmo na agonia da solidão — na verdade, por causa dela — que ele é o Eterno e o Eterno é ele mesmo.

Então ele pode dizer com plena realização, como em ocasião anterior fez nosso Senhor: "Eu e o Pai somos um."³ A partir de então, ele permanece além da possibilidade de qualquer nova queda sob a ilusão da separatividade.

Ele agora sabe, e saberá para sempre, que a vida de Deus em todos os seres é uma só vida, e que a vida nele e o espírito nele são idênticos à vida e ao Espírito do Universo, que é Deus.

Assim, ele é um com Deus, e através dele, um com tudo o que vive.

No que diz respeito à vida terrena e às limitações humanas, ele também pode dizer aquelas palavras finais do Cristo na Cruz: "Está consumado" e "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito".

A morte e o sepultamento também são figurativos, alegóricos.

Eles não se referem à morte do corpo, mas sim à do senso pessoal de auto-separação; pois agora, por fim, o velho Adão está completamente superado.

A Ressurreição segue naturalmente, pois a Alma liberta e coroada não está mais encerrada dentro das limitações do

Mt.

27:48. ² Mc.

27:46. ³ Jo. 10:30.

Jo. 19:30. ⁵ Lc 23:46.

DO BATISMO À ASCENSÃO

corpo e da mente.

Ele pode deixar aquele túmulo terreno à vontade e, sem interrupção na consciência, entrar nas regiões superiores do mundo celestial.

Por fim, a grande consumação é alcançada.

O iniciado pode transcender as limitações da mente pessoal e formal, pode perceber a verdade diretamente pela faculdade desenvolvida e conscientemente utilizada da intuitividade espiritual.

Assim, por fim, o quinto portal, a Ascensão, é atravessado.

Todas as fraquezas humanas ficam para trás.

Poderes divinos são desenvolvidos e empregados.

Simbolicamente, o perfeito ascende em nuvens de glória à destra de Deus.

O poder divino no homem, primeiro nascido como uma criancinha, alcançou então "a medida da estatura da plenitude de Cristo".

Tal, em parte, e de um ponto de vista (o iniciático), é a imortal história evangélica.

Assim considerada, a narrativa não é apenas um relato da passagem do homem Jesus através das cinco grandes iniciações até a perfeição.

Não é apenas a história da descida do Segundo Aspecto da Bem-aventurada Trindade sobre Jesus durante os três anos de seu ministério; é também a história de todo ser humano que encontra e trilha o caminho do discipulado e da iniciação.

Pois eles são alegórica e misticamente renascidos, batizados e crucificados.

Eles enterraram sua natureza humana para sempre e ascenderam aos plenos poderes da Cristicidade.

Atos 1:9-11. ² Ef. 4:13.

PARTE SEIS "ESTREITO É O PORTÃO, E NARROSO O CAMINHO"

CAPÍTULO I O CAMINHO DA SANTIDADE!

MUITOS símbolos são usados para descrever as experiências místicas pelas quais passam aqueles que encontram e trilham com sucesso o caminho do discipulado e da iniciação.

Um desses símbolos é a cura da doença.

Outro é o retorno da abundância após a fome.

Um terceiro é a descoberta do caminho de escape por aqueles que até então se sentiam perdidos, como num deserto ou ermo, e um quarto é a obtenção de segurança contra bestas devoradoras, seja pela sua destruição ou pela sua domesticação.

Assim interpretado, o Capítulo Trinta e Cinco do Livro de Isaías, versículos cinco a dez, pode ser lido como uma descrição alegórica de tais experiências interiores:

"Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se destaparão.

Então o coxo saltará como um cervo, e a língua do mudo cantará; porque águas arrebentarão no deserto, e ribeiros no ermo.

E a terra seca se tornará em lagoa, e a terra sedenta em mananciais de água; na habitação de dragões, onde cada um jazia, haverá grama com canas e juncos.

E haverá ali uma estrada, e um caminho, que se chamará O Caminho da Santidade; o imundo não passará por ele; mas será para aqueles: os viandantes, ainda que tolos, não errarão nele.

Ali não haverá leão, nem besta feroz subirá por ele, nem se achará ali; mas os remidos andarão por ele:

Is. 35:8. O CAMINHO DA SANTIDADE

E os resgatados do Senhor voltarão, e virão a Sião com cânticos e alegria eterna sobre as suas cabeças: alcançarão gozo e alegria, e a tristeza e o gemido fugirão."

A conhecida passagem do Capítulo Onze do Livro de Isaías, versículos seis a nove, é suscetível de uma interpretação semelhante:

"O lobo também habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; e o bezerro, e o leão novo, e o animal cevado andarão juntos; e um menino pequeno os guiará.

E a vaca e a ursa pastarão; seus filhos se deitarão juntos; e o leão comerá palha como o boi.

E a criança de peito brincará sobre a toca do áspide, e o desmamado meterá a mão na cova do basilisco.

Não farão mal nem dano algum em todo o meu santo monte; porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar."

Estas passagens podem ser lidas literalmente como profecias de uma futura Era de Ouro na terra, quando a paz reinará entre homem e homem, e entre animais e homens.

Eles também descrevem apropriadamente, nos termos da língua sagrada, as transformações e exaltações da alma humana pelas quais discípulos e iniciados passam em sua jornada ascendente, rapidamente trilhada, rumo à estatura do homem perfeito.

Os animais representam atributos humanos, desejáveis ou indesejáveis, conforme sua natureza e grau de selvageria ou domesticação.

A criancinha que os guiará é o poder espiritual "recém-nascido" e a sabedoria unificadora, o princípio crístico recentemente despertado dentro do Eu interior do homem, pelo qual todas as características predatórias e hostis são subjugadas e sublimadas, e todas as variadas forças e aspectos do caráter humano são integrados em uma unidade cooperativa harmoniosa.

Essa condição regenerada ou "renascida" é constantemente descrita como essencial para o sucesso na ascensão do Everest da Alma, sendo um exemplo as palavras de nosso Senhor: "... Qualquer que não receber o reino de Deus como uma criancinha, de maneira nenhuma entrará nele."

Mc. 10:15.


Essa mudança interior ocorre como resultado de dois agentes.

Um é o processo evolutivo normal, que a produzirá de forma bastante natural.

Tagore parece ter se referido a isso em suas palavras: "Aquele que pode abrir o botão o faz tão simplesmente." O outro agente consiste nos esforços concentrados do próprio discípulo, combinados com a ajuda de seu Mestre Adepto, que há muito alcançou a completa unificação de todos os seus poderes, para se tornar um único instrumento a serviço da Vontade Onipotente, o Rei Entronizado, interior.

Quando o Mestre vê que o discípulo alcançou um grau suficiente de desenvolvimento — nos Mistérios Egípcios *mer kheru*, "verdadeiro de voz", e no Budismo esotérico *Gotrabhu* — ele o apresenta a uma assembleia de seus irmãos Adeptos, com o propósito de prestar ainda mais assistência por meio de um procedimento cerimonial conhecido como iniciação nos mistérios maiores.

A passagem por cinco desses ritos profundamente secretos, potentes e outorgadores de poder marca o progresso da Alma das limitações de uma fase precedente para a liberdade de sua sucessora.

Em cada um, um plano da natureza e um nível de consciência são adentrados e gradualmente dominados por meio do desenvolvimento, como instrumento de consciência e ação, do veículo ou corpo humano no qual o Espírito mais íntimo está revestido naquele nível.

Como já foi declarado na Parte Cinco deste volume, uma descrição dessas cinco iniciações está incluída nas narrativas evangélicas da vida de Jesus, o Cristo, sendo os símbolos de cada uma deles, respectivamente, a Natividade, o Batismo, a Transfiguração, a Crucificação e a Ascensão.

Algumas Funções dos Hierofantes dos Mistérios Antigos

Informações concernentes aos mistérios referidos na literatura e na arte religiosa dos povos antigos podem agora ser utilmente fornecidas.

Pelo menos sete funções parecem ter sido desempenhadas pelas instituições conhecidas como os antigos mistérios: estabelecer centros de pesquisa e erudição, exotéricos e esotéricos; manter centros de poder e luz espirituais; proporcionar escolas dos profetas, ou santuários isolados nos quais treinamento e ensino especiais pudessem ser dados àqueles entre a população contemporânea que os solicitassem; proporcionar ao público religião e culto religioso; compor alegorias e mitos nos quais pudesse ser consagrada a sabedoria esotérica percebida no santuário, "o padrão ... no monte"; manter aberto o caminho que conduz do mundo exterior, através dos mistérios menores aos maiores, e às experiências além deles; conferir iniciações.

A palavra "iniciação" tem a mesma raiz do latim *initia*, que significa os princípios básicos ou primeiros de qualquer ciência.

Isso sugere que os iniciados eram — e ainda são, pois o processo continua — conscientemente unidos ao seu próprio primeiro princípio, a raiz de sua existência, a Mônada ou germe imortal do qual emergiram.

A palavra "iniciação" também significa um novo nascimento, um novo começo, uma nova vida.

Os templos dos mistérios antigos eram presididos por iniciados seniores designados, conhecidos como hierofantes.

Esses oficiais eram investidos por seus predecessores, usando um rito prescrito de instalação.

O poder hierofântico, em virtude do qual as iniciações eram conferidas, era então transmitido a eles.

Diz-se no Antigo Testamento que certos patriarcas, profetas e reis dos israelitas, de modo semelhante, transferiram seus poderes a seus sucessores.

Tais passagens serão interpretadas em volumes posteriores desta obra nesse sentido iniciático.

O título de "hierofante" deriva da palavra grega *hierophantes*, "aquele que explica as coisas sagradas", o revelador do conhecimento secreto, o chefe dos iniciados.

A palavra grega *teletai* significa tanto mortes quanto acabamentos ou iniciações.

Os candidatos passavam pela experiência da morte corporal, embora o corpo ainda vivesse, enquanto a Alma era libertada, treinada para agir e observar nos mundos superfísicos, e elevada àquele nível de consciência no qual a unidade com a vida divina onipenetrante é conhecida.

A Alma era solta do corpo pelo transe divino, no qual a autoconsciência completa nos mundos superiores era alcançada e os sentidos ocultos se abriam.

A Alma do candidato era elevada e absorvia toda a sabedoria, poder e energia purificadora que pudesse assimilar.

Retornava ao corpo, geralmente após três dias e três noites, transpondo a morte por meio do místico elixir da vida assim adquirido.

Essa experiência era constantemente repetida, níveis mais elevados de consciência sendo alcançados e maiores poderes obtidos em cada ocasião.

Na alquimia oculta, isso era simbolicamente chamado de

Heb. 8:5.


"aumento do poder do sol", e em todos esses procedimentos obtinha-se o auxílio de um Mestre Alquimista.

Referências veladas ao rito de iniciação e ao conhecimento secreto transmitido e adquirido ao passar por ele ocorrem tanto no Antigo quanto no Novo Testamento.

No incidente de Jonas e do grande peixe,¹ certos símbolos são usados que sugerem a descrição de um rito iniciático.

O navio refere-se ao corpo físico do qual Jonas (a Alma) foi lançado na porção submunda do plano das emoções (o mar), para ser engolido por um grande peixe (a consciência crística da unidade com todos os seres) e ali permanecer por três dias e três noites, para depois ser depositado em terra seca (retornado ao corpo físico e ao mundo). A universalidade dessa experiência dos iniciados é indicada pelas palavras de Nosso Senhor: "Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia; assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra."² Uma referência indireta à iniciação como o caminho da salvação do pecado também pode estar implícita na referência posterior de Nosso Senhor a Jonas.³ Essas referências serão, no entanto, mais plenamente consideradas nos volumes posteriores desta obra, nos quais os livros da Bíblia em que aparecem são interpretados.

¹ Jonas 1:17.
² Mateus 12:40.
³ Mateus 16:4.

CAPÍTULO II — PASSOS NO CAMINHO PARA A DIVINA HUMANIDADE

Conforme afirmado anteriormente neste volume, entre as possíveis interpretações da Bíblia há uma que oferece orientação para trilhar "o caminho da santidade", a senda do discipulado e da iniciação que conduz à realização acelerada da humanidade perfeita.

Como esta interpretação foi incluída entre outras nesta obra, é portanto desejável oferecer uma breve exposição do ideal antigo, das leis que regem seu cumprimento e das experiências atravessadas no processo.

Ao longo desta obra, tal interpretação foi denominada "a iniciática".

A evolução do homem para o reino super-humano da natureza pode aparentemente ser consumada das duas maneiras referidas na página 218. A primeira delas consiste naqueles processos naturais pelos quais toda vida é gradualmente conduzida a um maior grau de desdobramento, e todas as formas se desenvolvem em veículos cada vez mais sensíveis e adequados para essa vida.

Para o homem, este método parece lento, pois ocupa um longo período de tempo, exigindo pelo menos setecentas vidas humanas, diz-se, com uma média geral para os povos pós-primitivos de setecentos anos entre a morte e o renascimento subsequente.

O outro meio de realização é referido como "trilhar a senda". Isso implica a participação autoconsciente do homem no cumprimento do plano da natureza.

Evidentemente, chega um tempo na evolução humana em que algumas pessoas se tornam extremamente insatisfeitas com a lentidão de seu progresso, com suas falhas e limitações, e especialmente com sua incapacidade de dar ajuda efetiva a outros em

Sl. 35:8. 222 A SABEDORIA OCULTA NA BÍBLIA SAGRADA

tempos de grande necessidade.

Essa condição mental foi descrita como "o divino descontentamento" e "o inexprimível anseio do homem interior pelo infinito".

Desde os primórdios da vida humana neste planeta, homens e mulheres conheceram esse descontentamento e partiram pela senda do rápido desdobramento, o caminho de vida que os conduzirá rapidamente à sua meta.

Alguns desses primeiros aspirantes obtiveram sucesso, mas apenas ao custo de enorme esforço e grande sofrimento.

Em consequência, descobriram maneiras ou regras de vida por meio das quais tanto o esforço quanto os sofrimentos puderam ser reduzidos ao mínimo.

Eventualmente, todo esse conhecimento foi formulado em conjuntos de regras, que foram disponibilizados para a orientação de todos aqueles que igualmente aspiram.

Essas regras são conhecidas como as Leis da Vida Superior.

Neste capítulo, contudo, considerarei não tanto as regras da vida oculta, mas outra codificação, a do discipulado e da iniciação, também destinada à orientação de homens e mulheres espiritualmente despertos.

Esta divide o processo de realização deliberadamente acelerada em estágios, em certos dos quais leis especiais entram em operação e o aspirante é particularmente suscetível à orientação dos mais velhos.

Esta sistematização, pela qual Tzong-ka-pa foi em grande parte responsável nos tempos mais modernos, provou ser de imenso valor, ainda que apenas na evitação de armadilhas, na redução do sofrimento e no aumento da velocidade da realização.

Assim, chegaram a ser reconhecidos o que são conhecidos como passos oficiais no Caminho.

Estas fases evolutivas e as experiências geralmente associadas a elas não são, contudo, limitadas à vida do Caminho.

Elas também são ensaiadas ao longo do período da evolução normal e natural do homem.

No Cristianismo, por exemplo, como descrito na Quinta Parte deste livro, os cinco passos principais no Caminho são retratados por meio de alegorias que descrevem experiências pelas quais Jesus passou — a saber, a Natividade, o Batismo, a Transfiguração, a Crucificação e a Ascensão.

Todo ser humano repetidamente passa por essas mesmas experiências antes de entrar no "Caminho da Santidade".

É verdade que os graus de expansão da consciência, assim como de tensão e de sofrimento, são muito menores do que quando o Caminho foi finalmente adotado como o único modo de vida possível.

Não obstante, todos os seres humanos têm suas conversões ou novos nascimentos, seus

PASSOS NO CAMINHO

batismos nas águas da dor, suas tentações e provações, assim como também seus erguimentos temporários quando tanto eles mesmos quanto o mundo em que vivem parecem transfigurados ou transformados.

Getsêmani, a noite escura da Alma, é frequentemente experimentada tanto por indivíduos quanto por nações, assim como também a traição e a condenação injusta.

Estas tribulações podem culminar em um senso de verdadeira crucificação quando a quintessência da solidão é conhecida, assim como também as agonias da angústia, e até mesmo a dor física.

Recuperações maravilhosas, ascensões das trevas, podem levar a uma grande felicidade, enquanto a própria morte — que vem a todos — marca a ascensão do Eu interior das limitações da vida terrena.

Essas experiências humanas universais podem talvez ser utilmente consideradas pelo que realmente são; ou são tanto resultados da operação da lei de causa e efeito quanto preparações para o tempo em que, como passos na senda, serão vividas plenamente, assim como são retratadas nas histórias evangélicas da vida de nosso Senhor.

Há, no entanto, mais de cinco estágios no caminho que conduz para fora da vida puramente mundana, com seus motivos materiais e bastante egocêntricos para viver.

A mudança começa com um senso de frustração e com um crescente sentimento de insatisfação com as próprias limitações e com a vacuidade da vida puramente material e mundana.

Tantos problemas, interiores e externos, permanecem sem solução, tantas perguntas permanecem sem resposta, quando se busca orientação nas religiões formais da época.

O resultado dessas experiências é uma determinação crescente de conquistar as próprias fraquezas, de desenvolver rapidamente os próprios poderes, de encontrar a verdade esotérica e de viver um tipo de vida mais espiritual.

Quando esse estágio é iniciado, começa a ser recebida ajuda externa.

O esforço persistente atrai a atenção tanto do Adepto chefe do raio do neófito quanto do grande oficial cujo consentimento deve ser obtido antes que o avanço para o pupilage de um Adepto seja sancionado.

Esse oficial é conhecido como o Maha-Chohan, parte de cujo ofício é manter o registro (dito ser imperecível e preservado em um Livro de Ouro) do progresso, dos sucessos e dos fracassos de todo Ego humano neste planeta que, desde os tempos mais remotos, entrou na senda do rápido desdobramento.

Assim

Ver nota de rodapé 1, p. 102.


Consideração adequada é dada a todo aspirante e, no devido curso, o reconhecimento da estatura evolucionária é concedido.

Em algum momento durante essa fase, o homem exterior em sua natureza pessoal é guiado à descoberta de um sistema satisfatório de filosofia.

As circunstâncias externas de sua vida podem até ser moldadas para auxiliar seu progresso evolucionário, na medida em que o karma permita.

A próxima fase consiste na descoberta de uma escola oculta válida, na solicitação de admissão, na aceitação e no recebimento da orientação e do treinamento necessários que ajudarão na passagem pelas fases posteriores da vida da senda.

Essas experiências são de primeira importância; pois significam que o caminho antigo foi encontrado por outro peregrino na Terra, às vezes pela primeira vez e às vezes como repetição de vidas anteriores.

Como consequência, é provável que ocorra uma mudança marcante na perspectiva sobre a vida.

Isto pode ser descrito tanto como a universalização da consciência quanto a diminuição do senso de separatividade do eu e da autoimportância.

A realização da unidade com o Eu maior do universo e com a vida de toda a natureza também se aprofunda.

Isto continua até a quinta das grandes iniciações, quando a "unidade consciente com o Pai" é obtida, ou "a gota de orvalho (da consciência individualizada do eu) desliza para o mar resplandecente" (da vida do universo como um todo).

A Primeira Iniciação

O primeiro passo oficial no caminho segue em devido tempo.

É conhecido como "provação" e refere-se à apresentação do neófito, geralmente durante o sono do corpo, ao seu futuro Mestre. Em plena autoconsciência e com os sentidos superiores alertas, ele se encontra na presença de um ser aperfeiçoado, cheio de majestade e poder, e também de bondade e cordialidade.

O significado da experiência é então explicado pelo Mestre.

As provas e testes inevitáveis são descritos, e o candidato que aceita é tomado como pupilo em provação.

Às vezes, mudanças necessárias no caráter são apontadas, trabalhos especiais indicados, e a chamada "imagem viva" é feita e mantida pelo Mestre.

Esta imagem está em alguma forma de contato superfísico, por rádio ou radar, com o homem exterior — válido, aceito e usado pela Hierarquia de Adeptos do planeta.

A Luz da Ásia, Sir Edwin Arnold.

PASSOS NO CAMINHO

— onde quer que ele esteja no mundo.

Algo como numa tela de televisão, pensamentos, experiências e ações são refletidos nela hora após hora, dia após dia.

O Mestre, que examina regularmente a imagem viva, é assim capaz de manter um olhar vigilante e bondoso sobre seu novo pupilo.

Quando chega o momento oportuno, segue-se a "aceitação" oficial como discípulo.

A aura do pupilo é intimamente sintonizada com a do seu Mestre, que o absorve em si mesmo por um tempo e o carrega com seu poder, vida e luz de Adepto.

Doravante, onde quer que um discípulo aceito esteja no mundo exterior, seu Mestre pode sempre usá-lo como um canal de seu poder e de sua bênção e, ocasionalmente, como veículo para a sua própria presença.

O próximo passo é descrito como "Filialidade do Mestre", e depois que esse privilégio inexprimível é concedido, um entrosamento ainda mais íntimo é estabelecido entre as auras e os Eus interiores do discípulo e do Mestre.

Quando o progresso necessário foi feito, a primeira grande iniciação se segue, embora ocasionalmente esse passo possa preceder a da Filiação.

No Budismo, o iniciado do primeiro grau é chamado Sotapatti ou Sohan — significando "aquele que entrou na Corrente". No Hinduísmo, ele é referido como Parivrajaka — significando "peregrino". Em reconhecimento ao avanço alcançado sob a orientação do Mestre, uma poderosa cerimônia iniciática é realizada, o "caminho propriamente dito" é adentrado, e a admissão como membro da Grande Fraternidade Branca dos Adeptos e iniciados deste planeta é concedida.

Ocorre uma poderosa descida da Mônada-Atma no Ego, e mais tarde na personalidade, e a estrela da iniciação daí em diante brilha na parte superior da aura do iniciado.

Uma sintonia cada vez mais estreita com o Mestre e com a consciência da própria Grande Fraternidade Branca é daí em diante experimentada, assim como um profundo senso de responsabilidade pela evolução da vida e da forma neste planeta.

Após esse grande passo, diz-se que o Ego do iniciado alcançou um grau de desenvolvimento que assegurará sua passagem segura através do Dia do Juízo, que ocorrerá neste planeta durante a próxima, a Quinta Ronda. Tal, em

Embora as ideias que se seguem sejam encontradas mais especialmente nas Escrituras do Hinduísmo e do Budismo, reconhece-se aqui a dívida para com a importante obra de C. W. Leadbeater, The Masters and the Path,

The Solar System, A. E. Powell.


parte, é o Nascimento Místico, significando o despertar da consciência búdica ou o "nascimento" para a atividade da natureza crística presente em todo homem.

A Segunda Iniciação

A segunda grande iniciação se segue, e durante essa fase três obstáculos devem ser superados e descartados.

São eles: a dúvida, a superstição e a ilusão da existência separada do eu.

Um desenvolvimento muito rápido do corpo mental geralmente ocorre durante essa fase evolutiva, e isso pode se revelar um grande teste sob o qual, diz-se, muitos aspirantes podem falhar.

A mente, embora seja um poderoso instrumento nas mãos do Ego, é também o veículo de Ahamkara ou da personalidade-eu, com seus concomitantes de orgulho e desejo por poder, posição e prestígio.

Essas tentações assaltam todos aqueles que saem da vida mundana para a vida espiritual e, em consequência, adquirem poderes um tanto maiores em certas direções do que os do homem do mundo.

Embora as provações e testes sejam acentuados em certas fases, eles não se restringem àquelas "tentações no deserto" que se seguem ao "Batismo" espiritual. A vida oculta como um todo é uma grande provação, um grande teste, composto de muitas provações e muitos testes.

Todos devem ser atravessados com sucesso antes que as iniciações superiores sejam concedidas.

A segunda grande iniciação conduz o aspirante àquela fase conhecida no Budismo como Sakadagamin — "o homem que retorna apenas uma vez" (antes do Arhatship). No Hinduísmo, ele é conhecido como Kutichaka — "o homem que constrói uma cabana" (alcançou um estado de paz). As faculdades psíquicas geralmente se desenvolvem rapidamente durante esta fase, que corresponde ao Batismo do Senhor Cristo, uma vez que as dificuldades particulares pelas quais o candidato deve passar são retratadas na tentação de Jesus no deserto.

As Terceira e Quarta Iniciações

Um iniciado do terceiro grau é referido no Budismo como Anagamin — "Aquele que não retorna" (ou recebe a quarta iniciação na mesma vida). No Hinduísmo, ele é conhecido como Hamsa ou Soham — uma palavra mística que significa "Isso sou Eu" ou "Eu sou Ele". Isso pareceria implicar que a autoidentidade com o Senhor supremo da Vida começou a ser conhecida; daí o poder, em plena consciência e com verdade, de fazer esta grande afirmação: "Eu sou Ele". A Transfiguração de Cristo retrata esta fase, e diz-se que a manifestação do Espírito interior através da forma exterior do iniciado do terceiro grau pode ser tão poderosa e tão plena que, ocasionalmente, ocorre o que pareceria ser uma transfiguração física.

O brilhante Augoeides, o Ego iniciado imortal, frequentemente desce sobre o homem exterior — de fato, os dois agora estão quase um — para conferir-lhe poderes transcendentais e genuíno gênio.

Neste grau iniciático, a apresentação perante o Único Iniciador, o grande Senhor do Mundo, ocorre, e diz-se que a iniciação em si é conferida por um dos Senhores da Chama.

Quando o iniciado está fora do corpo à noite, a consciência búdica está disponível para ele, enquanto de dia ele é capaz de estar plenamente consciente nos mundos mentais superiores e de usar os poderes da consciência causal.

A quarta grande iniciação geralmente segue a terceira na mesma vida.

No Budismo, o iniciado deste grau é conhecido como Arhat — significando literalmente "alguém digno de honras divinas". No Hinduísmo, o título sânscrito Paramahamsa, que significa "acima de Hamsa", é conferido.

Esta é a fase da Crucificação.

Os sofrimentos do Cristo perante Pilatos e no Gólgota descrevem alegoricamente as experiências interiores do iniciado do quarto grau, para quem o axioma "sem cruz, sem coroa" se torna verdadeiro.

De fato, se ele procurar derrubar sua cruz, ela o esmagará em sua queda.

Uma experiência extremamente interessante, embora um tanto terrível, está associada à passagem pela quarta iniciação.

O Arhat desce ao Hades ou Avichi (o sem-ondas) e tenta resgatar almas que ali estão autoaprisionadas.

Isto é parte do significado da afirmação de que Nosso Senhor pregou aos espíritos em prisão.¹ O iniciado agora goza da consciência búdica enquanto desperto no corpo, e quando dorme pode entrar no Nirvana, sendo isto parte do significado da Ressurreição de Cristo.

As Iniciações Quinta e Superiores

A quinta grande iniciação é conhecida no Budismo como a do Asekha — "nada mais a aprender". No Hinduísmo, o Adepto é conhecido como Jivanmukta — "uma alma liberta". A existência humana chegou agora

¹ 1 Pedro 3:19.

A SABEDORIA OCULTA NA SANTA BÍBLIA

ao fim e o reino super-humano foi adentrado.

A sexta grande iniciação confere o título de Chohan ou Senhor, a sétima o de Maha-Chohan ou Grande Senhor, e na oitava a Budeidade é alcançada.

A mais elevada realização possível ao homem nesta terra — e somente então no primeiro raio — é tomar a nona iniciação, que eleva o Ego à inconcebivelmente elevada estatura do Único Iniciador, às vezes chamado o Senhor do Mundo.²

Tais são as alturas que, como almas espirituais imortais e em desdobramento, todos os seres humanos um dia ascenderão, seja naturalmente ou como resultado de auto-aceleração, "tomando o reino dos céus por força".

Tal é uma parte do esoterismo das religiões mundiais, tal é o caminho que conduz diretamente à obtenção dos poderes teúrgicos.

Visto que, como foi dito, esses poderes são suscetíveis de grave mau uso, instruções concernentes a eles e à sua obtenção são dadas oralmente sob voto de sigilo de Mestre a discípulo, e por autores inspirados à humanidade sob o véu da linguagem simbólica.

² O grande Ser responsável pela evolução da vida e da forma neste planeta. Ele é referido na Bíblia (Daniel 7:22) como "o Ancião de Dias", e nas Escrituras Hindus como Sanat Kumara, "o Eterno Jovem Virgem".

Vara de Arão, 126, 139
Abluções, 99
Aborto, forçando a evolução, 116
Seio de Abraão, 62, 84, 86, 87
Absoluto (O), 68, 68n!, 107, 135, 164
Realidade Absoluta, 157
como pai do Filho Pródigo, 157, 158
Ação, como carma, 70
Adão e Eva, 121, 125, 134, 195
"Velho Adão," 214
Costela de Adão, 44n
Adeptos e Adeptado
na Sabedoria Antiga, 58-59
como mestres, 69, 72, 76, 141-142, 202,
realizações, 58, 69, 92, 106-107, 110,
126, 189, 192
Adepto Chefe de Raio, 102n, 223
simbolizado pela Ascensão de Jesus Cristo,
"Os Sábios," 187
Jesus Cristo como Adepto, 198
Irmandade de Adeptos: Ver, Grande
Irmandade Branca
Adi, 162-163
Adultério, simbolismo, 114
Ésquilo, V
Esculápio, 123
Éter, 99
Sabedoria Eterna
nas mitologias e Escrituras Mundiais,
VI, 52, 56-74, 198
Ahamkara, 135
Ar, 98, 100, 105, 189
símbolo da mente, 105
Alegoria
como véu, V, VII, VIII, 21, 25, 35, 76, 198,
202, 205
mesclada com história, 1, 35, 76, 114
interpretação da, 39-47, 77, 78, 79, 80,
81, 82, 84
conhecimento oculto contido na, 141, 142, 144
Ver também Bíblia: Chaves para interpretação;
Sigilo
Filho Unigênito, 164
Altares, 1
Amônio Sacas, III, VIII
Analogeticistas: Ver Neoplatônicos
Antepassados, 101
"Ancião de Dias"
Senhor do Mundo, 228n
Sabedoria Antiga: Ver Sabedoria Eterna

Hostes Angélicas, 101, 142, 154, 159-160
Anjos e Arcanjos, 89, 101, 159, 160
Angelus Silesius
Escrituras como simbolismo, 203
Animais, 28, 101, 103, 173, 205, 208-209,
216, 217. Ver também Asno; Touros; Cavalo;
Unicórnio
Anunciação
como experiência espiritual, 85, 124, 142, 143,
203, 204-205. Ver também Jesus Cristo,
Vida do, Natividade
Unções, 101-102
Formigas, 101
Anupadaka, 162, 184
Maçã, 134
Arhat, 227
Arcas, 115, 120
Armagedom, 51, 79
Asno
simbolizado, 138, 139, 208, 209
Assimilação, 191
Corpo Astral: Ver Homem, corpo emocional
Atma, 127
Fogo Átmico, 125, 180
Átomo, 124, 183
substância atômica, 120-121
Expiação (At-One-Ment), 107, 114, 194.
Ver também Consciência, universalizada
"Aumento do Poder do Sol," 219-

Augoeides: Ver Ego, como Augoeides
Aura
Invólucro Áurico,
como pavão, 119,
dos deuses,
do pupilo, 225
Avatar,
como Salvador do Mundo, 112, 1120
Consciência
autoconsciência, 45, 54, 95, 110, 117, 128,
190-191, 205,

Batismo: 210-211, 212, 226. Ver também Jesus Cristo, Vida de, Batismo
Esterilidade, 102, 141, 142
Batalhas, 79, 97, 102
Besouro: Ver Escaravelho
Bellerophon, Ego iniciado, 137
Belém, estrela de, 207
Bíblia, compreensão da, VI, VIII, 1-2
interpretação alegórica da, 39-55, 56-74, 79, 89-91, 151-

Bíblia, História como alegoria, 1, 16, 24-25, 26-27, 29, 31, 39-55, 78, 93-95, 102, 130, 199, 203, 204, 206-215
incongruências, 1-2, 31-32, 53, 76, 93-98, 114, 179
chaves para interpretação, III, IV, VIII, 15, 16-20, 24-38, 39, 45-46, 61, 63-64, 75-83, 84-98, 152, 160
má compreensão da, VIII, 1, 11-13, 18, 17, 25
Ver também Alegoria; História do Evangelho; Evangelhos; Parábolas; Simbolismo
Pássaros, símbolos das Hostes Angélicas, 101, 107
Nascimento, 167, 186
espiritual, 184-185, 190, 203-212. Ver também Jesus Cristo, Vida de, Natividade
Blavatsky, Sra. Helena P.
Ísis sem Véu, VIII
Doutrina Secreta, VIII, 39, 58-59, 187
Cegueira, 117, 182
Sangue
de Jesus Cristo, 39-40, 44, 95, 96, 97, 98, 143, 144
do Cordeiro, 14, 108, 120-121
"Nascer de novo," 184-185, 204
Brahma, 135
Cérebro, afetado pela ascensão do fogo solar, 52-53, 64, 90, 120, 124-125, 179
Pão, 85, 98, 104, 106, 108, 166
Respiração, 134-135
Noivo, 90, 114
Freio, 137
Estado de Buda, na oitava iniciação, 228
Budismo, 72, 137
Nirvana, 87, 116, 227
Touros, 189, 190
Holocaustos, 103
Borboletas,

Caduceu, 80, 82, 83, 123, 126, 127,

Caim, marca de, 194-

Bezerro: Ver Festas, bezerro cevado; Bezerro de ouro

Casamento em Caná, festa: Ver Festas

Corpo Causal: Ver Homem, Corpo Causal

Causa e efeito, Lei de: Ver Carma

Virgem Celestial,

Ceres (como Ego), 80-

Cadeias: 106-107, 106n, 176,

Chakras, 53, 54, 115-116, 116n, 126, 127, 128,

Índice

Cantochão, 19, 94
Carruagens, 95, 104, 131, 159
Crianças,
como vidas posteriores,
"pequeninos," 116,
"criancinha," 184,
Ver também Infantes; Cristo-criança

Cristo
tríplice: humano, espiritual, universal,

Criança-Cristo em símbolo, 204, 206, 208
Consciência Crística, 95, 111, 116, 121, 124, 128, 204, 205, 220
Poder Crístico, 43, 95
Presença Crística, 42, 88, 90, 95
Cristicidade, 16, 87, 116
Cristianismo Ortodoxo, VI-VII, 1-20, 52, 59, 6
o caminho estreito, 72, 86, 87, 222
Natal da Alma, 205
Christos, 112, 127, 129, 157-158
Cósmico, 158, 161, 177, 183, 203
Círculo, 123, 186
Clariaudiência, 128
Clarividência, 128
Vestimentas: Ver Vestes; Mantos
Nuvem, 99, 116, 130, 132
Compaixão, 90, 121, 128, 144
Concepção, 117, 142, 190. Ver também Imaculada Conceição
Consciência (estados de), 42, 52, 77, 81, 94-95, 99, 102, 106-107, 109, 116, bem 142-143, 146, 165, 211,
Búdico, 128, 134, 143, 226, 227
cósmica, 89
universalizada, 37, 106, 133, 177, 244
Ver também Consciência Crística
Contemplação, 18, 19, 107
Grão de trigo, 104, 105, 106, 169-170
Coroação, 197, 197n
Consciência Cósmica como Terra Prometida, 89
Inteligência Cósmica, 129
Cosmos e Cosmoi, 67, 81, 87n, 121, 152, 153, 158
cosmoi, 106, 107
o homem como epítome de, 48, 64, 151, 199
Pátio, 131, 133
Vacas, 189-190
Berços, 115, 120
Criação, 28, 44, 77, 93, 175
Divindade Criativa, 198
Fogo Criativo, 82, 127,

Índice

Força Criativa, 44, 76, 77, 95, 108, 111, 113-114, 120, 121, 125, 137, 138. Ver também Procriação
Inteligência Criativa Elohim, 158-159, 160-162, 164
Logos Criativo, 76, 77, 167
Processo Criativo: Ver Procriação
Crime, VIII, 15, 71, 143
Cruz
Cruz Rosacruz, 44, 123, 200-202
Coroa de espinhos, 43
Crucificação, 14, 161, 227. Ver também Jesus Cristo, Vida de, Crucificação
Crueldade, 42
causa de guerra e dor, 73
Progressão Cíclica, 76-79, 77, 81, 98, 106, 144, 151, 157, 176, 186-189, 191, 192, 199-200. Ver também Involução e Evolução
Parábola do Filho Pródigo, 152
Mônada e o homem como filho pródigo, 158-187, 197
Ciclopes, 140n, 140-

Dia (alvorada ou amanhecer), 97, 117
Morte, 36, 81, 95, 106, 117, 123, 126, 129, 148, 168, 174, 181, 186, 189, 195, 214, 223
Figurativa, 36, 106-108, 214-215, 219
Decapitação, 174
Divindade
e o homem, 61-64, 68-69, 86-87
Falsas ideias, 2-3, 15, 17, 68, 70, 86, 102
em alegoria, 86, 89. Ver também Divindade Criativa; Deus; Logos; Senhor; Supremo

Divindade  Divindade, Desconhecida, 164  Desejo  corpo emocional, 153  simbolismo, 101, 103, 106, 113, 143, 167,  183, 210  sede ou mentira, 168, 186  Diabo, 209, 211  Discípulos (de Jesus), 40, 56n, 57, 60-61, 72,  88, 92, 93, 99, 188, 213  Discipulado: Ver Iniciados e Caminho  Iniciático, discipulado  Doença  mística 6, 42, 73, 99, 123, 216  Descontentamento divino, 203, 212, 221  Presença Divina  no homem VIII, 16, 18, 40, 42, 47, 51, 64,  65, 67-69, 92, 95, 131, 133  Eu Divino  como Ego, 37, 51, 68, 85-86,

Dogmas, VII, VII, 13-15, 16-18  Pombas, 105  Dragões  como ira serpentina, 64, 126  Morador do Íntimo: 86, 92, 112,  129, 131, 153, 200,

Terra.

28. 33, 78, 158  elemento, 78, 98, 105. 144, 183, 190  Terremoto.

17, 45  Comer  a carne do Cristo, 39-40, 95, 96, 97  do pão consagrado, 98  alimentar os 5.000, 98, 105  chamado cal, 105-106, 189-191  Ovo.

dourado  símbolo da criação, 77  Ego, 4n, 61, 61n  ciclo egoico, 79, 168, 184, 187, 200  Perséfone, 81, 82  dez virgens, 90  iniciado, 108, 137, 225, 227  alegorias, 152  em novo corpo, 165, 167  individualização, 171, 176, 196, 197  Mônada Ego.

37, 141, 160, 178, 189  registro do, 223  Augoeides: 104, 132, 163  Jerusalém, 37  Homem de Deus, 142  Eu Espiritual e Ego, 153, 200, 227  Eu Superior  evolução em direção a, 136  Corpo Causal, 160, 205  simbolismo, 44, 123, 129, 137, 203  Eu Imortal, 89, 165, 206  Eu Interior.

61, 94, 116, 172, 207  Eu Íntimo, 133, 184  mancha, 181, 203  Corpo Causal, 205  Eu Espiritual, 45, 52  Trindade reproduzida no, 55, 61  poderes divinos, 63, 69, 73  Ego, 153, 200  simbolismo, 66, 86, 88, 103, 124, 133,  Alma Espiritual, união com o Mestre, 114  Regente Interior Imortal, 131  desdobramento, 181, 193  simbolismo, 77, 134, 195  Egito, 53, 109, 126, 138, 195, 208, 209  Irmãos Mais Velhos, 207  Elementos, nossos, 98, 105, 183  Elias, 17. 45,54, 62, 85,95, 116, 131, 136  Elixir da Vida,

Índice  Elohim Fohat  Deus, 3 definido, 101n,

corporificações da Natureza, 154  Inteligências Criativas, 158-159  Emanador, 68n  Emoções.

41, 45, 90, 100, 105, 113, 131,  144, 205, 206, 220. Ver também Homem,  corpo emocional  Inimigos, 79, 93, 94, 102  Energia, do Fogo Solar, 53  Fohat, 112  prana, 153  criativa, 154  Equilíbrio, 83, 94, 127  Oblação Eterna, 129,  Kenosis  Eternidade, 123, 186  Corpo Etérico: Ver Homem, corpo etérico  Duplo etérico, 103, 153  Experiência, 20, 41, 46, 47, 58, 66, 69, 71,  Ë 144, 206,

161, 172. Ver

olho  da serpente, 122  terceiro,

Queda do homem, VII, 14, 15, 134, 163, 194-

Fome, 166-167, 169, 170, 171,

País distante, 163-

Pai, 86, 116, 157-158, 160, 162, 175, 177-179, 182, 184-188, 193-194, 196-

Pai-Mãe

interação criativa, 104, 135, 190,

Pais: como vidas anteriores, 94, 101
Festas: casamento em Caná, 90, 144
batismal, 105-106, 189-193
Alimentação das multidões (5000), 98, 105, 129
Pés, 92, 99, 188
Grilhões, 182-183, 226
Figueira, parábola da, 34-36, 37, 62, 95
Fogo
 como força elevadora, 45, 116, 120
 sol espiritual no homem, 50
 quatro elementos, 98, 105, 183
 linguagem dos símbolos, 108
 carro de, 95, 131
 Filho Pródigo, 160
 Ver também Fogo Serpentino; Fogo Solar
Primogênito, 108-109
 Inteligência Criativa como, 162
Chama, 160
Fuga
 da Sagrada Família, 208,

força noética, 121
 simbolismo, 101, 123, 124
Fontes, 129
Frutos da vida, 35, 67, 121, 134, 190,

Jardineiro, Divino, 79, 163
Jardins, 144
Vestes, 42, 162, 182, 183, 184. Ver também
 Túnicas
Acidentes geográficos: 109-111. Ver também
 Montanhas; Rios; Rochas
Getsêmani
 solidão, 213, 223
Gibeon, Batalha de, 51, 94, 97
Dons, 130, 186, 187, 207
Globos, 106n, 129, 175-176
Gnose e Gnosticismo, 11, 19, 20, 56,
 98, 143, 152
Deus
 incompreensão de, 1, 2-3, 8-9, 17, 29,
 70, 86, 102, 109
 busca por, 15-20
 voz de, 17, 45-46, 52, 211, 212
Deus no homem, 46-47, 61, 62, 63, 64-65,
 66, 68, 131, 153, 160, 162
 natureza da Divindade, 67-69, 109
 Emanador Supremo, 86
 em alegoria, 89, 97-98, 100, 102, 120-121,
 136-137, 144, 160, 163, 194
 Ver também Divindade; Logos; Senhor
Deusas, 124
Deuses (Os), 99, 125
 poderes da natureza, 154, 155
Era de ouro
 profetizada, 217
Bezerro de ouro
 como materialismo, 54
 bezerro fundido, 106, 191
Gólgota, 111-112, 174, 214, 227
Bem e mal
 Árvore do conhecimento do, 62, 121, 134
 batalhas, 102
 dualismo, 126, Ver Polaridades
História do Evangelho, 199-200
 três Cristos, 199
 três tipos de homem, 200-201
 cinco estágios na vida de Cristo, 202-215
Evangelhos
 autores, 198
G

raça
 cura, 42-43, 121
 divina,

Índice

Grãos
 de trigo, 104-105, 106, 170. Ver também
 Germe Imortal; Sementes
Uva e videira, 90
Grande Sopro
 braço vertical da cruz, 44
 Fohat, 124
Grande Abismo
 braço horizontal da cruz, 44
 e Grande Sopro, 164
 Cristo, 158
Grande Fraternidade Branca
 Adeptos, 69, 141, 209, 225
Mistérios Maiores: Ver Mistérios, Menores
 e Maiores
Solo
 como estados de consciência, 39, 90
 nível,

Hades, 80-81, 126, 227  
Cabelo, 94  
Felicidade e Saúde, 66, 70-71  
bondade, 73  
caminho de, 210  
Prostitutas, 114  
Cabeça, 53, 101, 115, 174. Ver também Gólgota  
Toucado, 103, 121  
Cura, 41, 68  
Espiritual, 42-43, 133-134, 210-211  
mística, 216  
Ver também Caduceu  
Saúde ou doença  
autoinfligida, 70-71, 73  
Céu  
estado espiritual de consciência, 95, 211  
Hércules, trabalhos de, 57, 62, 89  
Hermes, 80-82, 123, 126  
Herodes, 205, 208-209, 211  
Hierofante, 75, 105, 125, 127, 207-208, 217, 219  
Sagrada Família, 138, 206-207. Ver também Jesus  
Cristo, Vida de, Natividade  
Santo dos Santos, 131, 143  
Cavalos, 112-113  
quaternário inferior, 137  
em alegoria, 159  
Hórus Harpócrates, 143, 206  
Natureza Humana, 88, 95, 103, 120, 208  
evolução de, 88  
Raça humana, VIII, 73, 84, 139-141, 152, 176, 187, 200, 204  
Humanidade  
homem, véu de, VIII, X, 59, 66, 108,

Humildade  
na primeira iniciação, 182  
de Maria, 8  
Fome, 166-173  
Esposo, 102-115  
Cascas, 104-105  
Filho Pródigo, 157, 168-170  
"Hino do Manto de Glória"  
tema do Filho Pródigo, 152,

EU SOU O QUE SOU, 86  
Ida: 108n, 126, 138  
Iluminação, 16, 18, 45, 49, 52, 54, 83, 85, 90, 99-100, 111, 117, 120, 131-133  
Imaculada Conceição, 29, 85  
significado espiritual, 115, 206  
Casamento celestial, 124, 204  
Ver também Jesus Cristo, Vida de, Natividade  
Ego Imortal, 163, 168  
Germe Imortal, como Mônada, 78, 153, 169,  
Divindade, 86  
Lactentes, 71, 167, 208. Ver também Crianças  
Iniciados e Caminho Iniciático, VI, VIII, 33-34, 42, 49-50, 57, 72, 76, 82, 91, 111, 127, 133, 137-138, 152, 179, 182, 184-185, 189, 198, 206-210, 212-220, 222  
Discipulado, 43, 114, 117, 217-218, 222  
Primeiro grau  
qualificações, 107-109, 110, 142, 143,  
Natividade de Jesus Cristo, 205, 224-226  
Segundo grau  
Batismo de Jesus Cristo, 210, 211, 226  
Terceiro grau  
Transfiguração de Jesus Cristo, 212-213, 226-227  
Quarto grau  
Crucificação de Jesus Cristo, 213-214,  
Quinto grau, 110, 224  
Ascensão de Jesus Cristo, 215, 227  
Sexto ao nono graus, 227  
Iniciação, 33, 52-53, 57, 94-96, 107, 116, 127, 138, 178, 185, 202, 206, 209, 218, 220  
experiência interior, 112, 114-115, 173-174, 177-179, 199-200, 227-228  
Estábulo e manjedoura, 205  
Governo interior do mundo, 67-69  
Governante Interior Imortal, 19, 62, 131  
Intuitividade  
Bíblia lida com, 16, 92  
Espiritual, 72, 90-91, 100, 102, 105-106, 131, 144, 147, 153, 185,

Involução e Evolução — cativeiro e êxodo, 78 — cíclica, 152 — cruz, 44 — parábola do Filho Pródigo, 156-197. Ver também Vida, evolução da; Progressão cíclica; Homem, crescimento espiritual
Ísis sem Véu: Ver Blavatsky, Mme. H. P.
Israel — doze tribos de, seguidores da Via Antiga, 57 — regentes dos signos zodiacais, 129
Israelitas — como eu inferior, 123, 125 — simbolizam o Eu Imortal, 89, 97, 110-111

Jacó — e os doze filhos, 57 — e Raquel, 114 — e Esaú, 126
Jeová, 86, 87n
Jericó, 91, 94, 135-136
Jerusalém, 138, 213
Jesus Cristo, Vida de, simbolismo da — comer da carne e beber do sangue, 39-40, 95-98 — Sermão da Montanha, ensinamentos do, 7-8, 36 — acalmando a tempestade, 40-41, 62 — milagres de cura, 41-42, 130-182 — lavagem dos pés dos discípulos, 92, 99, 188 — cambistas, 105, 130, 133 — vida como jornada da alma, 89, 198-215, 218 — cinco iniciações, 198 — Ascensão, 91, 182 — adeptado, 116, 132, 200 — como quinta iniciação, 215 — Batismo, 127, 199 — como segunda iniciação, 210-211 — Crucificação, 14, 36, 43-44, 78, 96, 106, 111-112, 114-115, 117, 138, 142-143, 158n, 162, 165, 174, 183, 197, 197n, 199-200, 210, 213, 227 — como quarta iniciação, 214, 227 — Natividade, 36, 84-85, 198-200, 209, 226 — como primeira iniciação, 205 — Ressurreição, 53, 78, 115, 200, 214-215 — como quarta iniciação, 224 — Tentação, 211-212 — Transfiguração, 54, 115-116, 118 — como terceira iniciação, 212-213
Jó — provação de, 137
João Batista, 174, 181, 203
Jonas, 29, 62, 95, 220
Rio Jordão, 27, 110-111, 127, 210-211
José (esposo de Maria), 132, 134, 206
José (filho de Jacó), 78, 165, 173-174
Josué — iniciação e, 25, 28, 49-51, 62, 94, 97
Judas (discípulo de Jesus), 40, 114, 158n
Justiça, 14, 16, 68, 70-71

Cabala, 21, 33-34, 87n
Carma, 67, 70-72
Cenose — como esvaziamento do eu, 35
Chaves para interpretação bíblica: Ver Bíblia, Chaves para interpretação
Bondade e maldade, 42, 73
Reino da Natureza: Ver Natureza
Reino dos deuses, 154
Beijo, 113-114 — de Judas, 158n — parábola do Filho Pródigo, 177-180 — do fogo serpentino, 179
Conhecimento, Espiritual, 11-12, 15-16, 39-40, 56-58, 64-66, 59-61, 66, 90-91 — Árvore do conhecimento do bem e do mal, 62 — mal aplicado, 59-60 — assimilado, 191, 222
Krishna: Ver Shri Krishna
Kundalini, 127-128, 138-139
Kurukshetra, 79, 79n

Cordeiro — Aja, 121 — sangue do, 14, 108 — morto desde a fundação do mundo, 106, 129
Linguagem, simbolismo da, 91-92
Lei — moral, 8 — de ação e reação, 70-71

70, 71, 72 o universo e o homem, 106, 111 lei civil, 71 Senhor Deus uma personificação de, 109 leis da vida superior, 222 Ver também Progressão Cíclica; Suprimento Inesgotável; Karma; Doação Desinteressada Lei, Tábuas da: Ver Tábuas da Lei Lei de ação e reação: Ver Karma Lei de Causa e Efeito: Ver Karma Lei dos Ciclos: Ver Progressão Cíclica Lei do Fluxo: Ver Doação Desinteressada Lei do Suprimento Inesgotável, 35, 40, 98, 103, 117-118, 129, 147, 160, 161 Lei do Karma: Ver Karma

Índice

Líbano, 110 Raça lemuriana: 139, 140, 140n Mistérios menores, Ver Mistérios, Menores e Maiores Libertação obtenção de, 72, 82, 86-87, 120 do Adepto, 227-228 Vida espiritual, 10 Uma Vida Divina, 67, 91, 161, 167, 171, 177, 183, 196 ênfase em, 41 vidas precedentes, 94, 101 toda vida é uma, 107, 110, 115, 177, 196, 214 águas da, 110 Árvore da vida, 121 sede de, 168, 170 do Logos, 161 Ver também Involução e Evolução; Reencarnação Evolução da: 23, 72, 78, 176, 177 simbólica, 78, 79, 90-92 individualização, 169, 177-178 Reino mineral, 78, 174, 199-200 como Mundo Inferior, 81 como o mais distante no caminho de saída, 157, e Forma morte da forma, 106, 120, 121 conflito entre, 51 Luz, espiritual Sabedoria Antiga como, 17, 52 alegoria, 26 luz divina no homem, 41, 48, 50, 61, 124, no caminho de Emaús, 85 encontrada por Maria e José, 134 Ver também Iluminação; Sol Espiritual

Limitações

da ortodoxia cristã, 13-15, 87,

da vida terrena, 42, 94, 145, 170, 179, Leões, 101, 174 Imagem Viva, 224 Logos

natureza de, 35, 36, 68n,

Mônadas e, 101, 159,

agentes de,

Árvore da, 120, 146, 148-149, 160, 163,

doutrina, 94 de um universo: homem aperfeiçoado, 63, 67 da Alma, 46-47, 85-

Logos, Criativo: Ver Logos Criativo

Senhor Cristo, 14, 41, 65, 89, 201 do Amor, 36, 40-41 Criativo, 76 do Universo, 80 como noivo, 114 personificação da Lei, 109 na nuvem, 131 como Mônada, 137 Ver também Divindade; Deus; Logos Senhor do Mundo, 227, 228, 228n Amor universal, 8, 44, 118, 144. Ver também Doação Desinteressada Lealdade declínio de,

Macrocosmo e microcosmo, 48-49, 62, 80, 121, 124, 152-153 simbolismo da trombeta,

na parábola do Filho Pródigo, 158-160, 163, 173, 177-182, 184, 187-192, 196 Magos, 207 Magia negra e branca, 126, 196 Maha-Chohan, 223, 228 Mahatmas homens aperfeiçoados, 69 Masculino e Feminino potência criativa, 189-190 como espírito e matéria, 195-

uma evolução o, 64-65, 66-74, 108-109, 153-  todos, 134, 194  natureza o, 16, 43-44, 47-48, 60-64, 86-87,  131, 153, 199-200  propósito da existência, 65-67, 177, 214  símbolos o, 146-147, 207  Corpo Causal, 160, 163, 164  como Vestes de Glória, 37, 163, 184  na Iniciação, 179, 189  Corpo Emocional, 63, 144, 206  Corpo Etérico, 63, 206-207  Corpo Mental, 63, 153, 206  Aperfeiçoado.

Ver Adeptos  Corpo Físico, 63  simbolismo, 120-207  Sete Princípios, 61, 63-64, 103, 153  simbolismo, 51, 131, 158-159, 205  Crescimento espiritual, 72-73, 77-78, 86, 106-  simbolizado, 84-85, 156, 216, 220  Manjedoura (da Natividade), 207  Maná, 166  Manvantara, 97, 107, 157-

Casamento  como união espiritual, 53, 90, 114-115, 144,  148, 195-196  celestial, 90, 124, 141, 196  Maria (Mãe de Jesus), 88, 132, 204, 206  Maria e Marta, 88  Mestre e discípulo, 43, 114, 179, 218, 224-  225, 228  Mestres da Sabedoria, 69  Materialismo, 60  Matéria, 42, 79, 80, 81, 160, 161. Ver Espírito  e matéria  Meditação, 45, 54-55, 98, 100, 132  Mente, 43, 51, 131, 153, 163, 174, 192-193,  206-

Reino Mineral: Ver Vida, Reino  Mineral  Milagres, 27, 41-42, 90, 105, 117-118, 129  Mônada, 50, 52-53, 80, 101, 103, 112, 124,  129, 131, 134-137, 146, 156-157,  162-165, 167-169, 175-177, 181, 184,  186-187, 196-197  Mônadas-Egos, 141, 160, 177-178, 189  Dinheiro  tributo, 95  Monstros: Ver Monstros Marinhos  Lua, 27-28, 34, 50, 51  Moralidade, 2, 5-6, 10, 16  Moisés, 53-54, 62, 85, 106, 116, 120, 123,  125-126, 136, 139  Montanhas  como estados espirituais elevados, 45, 53-54, 115-  116, 212-213  Multiplicação  ato de: Ver Lei do Suprimento Inesgotável  Mistérios, Menores e Maiores  iniciação nos, 76, 82, 98, 137, 143, 173,  218-219  Eleusinos  Apóstolo Paulo como iniciado, 182  Santuário  símbolo, 131, 138, 179  autores dos evangelhos, iniciados nos, 198  ainda operantes, 198, 209  escolas, 39, 48, 50, 62, 76, 91, 102, 138,  152, 218  sigilo, 32-34, 53, 138, 143, 206  Ver também Hierofantes; Iniciação  e Caminho Iniciático  Linguagem dos Mistérios: Ver também Linguagem  sagrada  Mistério do Reino de Deus, 60-61  Rosa mística, 128  Mitologia  origens da, VI, 27  linguagem, 4, 22-23, 56, 61, 64, 79-

Índice

Mito grego, 80-83, 140-141  "queda" do homem, 194-

Narrativas da Bíblia: Ver Bíblia, narrativas  Caminho Estreito, X, 57, 72  Nações  reações cármicas, 35, 68, 71, 73  Natividades, 116  Natividade de Jesus Cristo: Ver Jesus Cristo,  Vida de, Natividade  Natureza  fenômenos da, 48  origem dos mitos, VI  Fogo Serpentino.

108n mentira divina, 129, 161  
reinos, 67, 182, 221  
como Hóstia consagrada, 188  
Nazarenos, 94  
Neoplatônicos, IV, VInl, IX, X, 21, 56, 202-203  
Noite, 97, 117  
Rio Nilo, 110  
Nirvana, X, Xn, 87, 119, 227  
Nobre Caminho Óctuplo, X, 72, 137  
Número 0, 145-146, 149  
Número 1, 146, 149  
Número 2, 146-147, 149  
Número 3, 147, 149  
em simbolismo, 95, 160, 207, 215, 220  
Número 4, 147, 149  
em simbolismo, 105, 159, 161, 183  
Número 5, 147, 150  
Número 6, 148, 150  
Número 7, 148, 150  
em simbolismo, 63-64, 91, 103, 106-107, 116, 129, 153  
Número 8, 148, 150  
Número 9, 148, 150  
Número 10, 148-149, 150  
Número 12, 57, 57n, 64, 88, 110-111, 129, 132-  

Números, simbolismo de, 145-  

Ofertas queimadas.  
Ver Ofertas queimadas  
il  
simbólico, 101-102, 117-118  
Monte Olimpo  
simbólico, 82  
“Um se torna muitos”,  
Pares de opostos, 82, 94, 189. Ver Polaridades  
Palestina, 110,  

Índice  

Domingo de Ramos, 37, 208  
Parábolas, VI, 22-23, 39, 90, 151-197  
Paramahamsa, 227  
Pai, 157, 163  
Paixões, 41, 101, 137, 183  
Páscoa, 106, 108  
Caminho (O): Ver Iniciados e caminho iniciático: Caminho de santidade  
Caminho de retorno, 175-197, 200  
Paulo, Apóstolo, 182  
Paz, 20, 72-74  
reinará, 217  
simbolismo, 51. Ver também Guerra  
Pavão, 119-120  
Pégaso, 112-113, 137  
Povo, 43, 85, 89, 131  
tipos de, 200-202  
Perfeição, obtenção de, 43, 66-67, 69-70, 111  
jornada para, 89-91  
Perfeitos, 212-213  
Perséfone, 80-83, 126, 139  
Pedro (Discípulo de Jesus), 40, 88, 117  
Filo de Alexandria (30 a.C.-45 d.C.)  
ensinamentos de, IX, 203, 212  
Corpo físico: Ver Homem, Corpo físico  
Pilatos, Pôncio, 143  
Pilares, 94, 120, 126  
de fogo, 108, 116  
Olho pineal, 139-140  
Pingala: Ver Ida; Sushumna  
Glândula pituitária, 128, 138  
Planícies, 115  
Esquemas Planetários, 103, 106-107, 106n, 129, 164, 178, 186-187  
Plutão, 81  
Polaridades (pares de opostos), 82, 123-124, 126-127, 146  
Polifemo, 140n, 140-141  
Posses, uso errado de, 35, 211. Ver também Riquezas  
Possessividade, deve ser abandonada, 36, 107  
Pobreza, do nascimento de Cristo, 7, 36  
da viúva, 118  
Poder, 18, 35, 42, 43, 53, 64, 94, 126, 127-128, 131, 143, 148, 158, 179, 211-  
Pralaya, 97, 107, 157  
Prana, 153  
Oração, 18, 98, 179  
Preço do Adeptado, 195  
Orgulho, 119, 183  
Sacerdotes, ordenação de,

Espíritos prisioneiros, 227 Provação, primeiro passo no Sendero, 224 Procriação, 13, 114-115, 122, 124, 134, 139, 147-148, 189-190, 195-196. Ver também Relações Sexuais, Aborto, Adultério, Concepção, Masculino e Feminino Filho Pródigo, Parábola do, 78, 79, 155-197 Terra Prometida, 89, 108 Profetas, Escolas dos: Ver Mistérios, Menores e Maiores, Escolas Psique, Alma como, 57n Purusha,

Quadrúpede, 112, 140, 208,

Chuva, 66, 100, 110 Raios, 102, 102n. 163, 167, 228 Sendero da Navalha, X, 72, 137 Registro de cada Ego humano, 223 Mar Vermelho, 27, 112 Reencarnação, 69, 70, 71, 77n, 101, 168, 193, 201,

Religião, 47-48, 52, 54, 62, 106, 228 Renúncia

vida cumprida por, 36-37 Ressurreição, 53, 77n, 194, 214. Ver também Jesus Cristo, Vida do, Ressurreição

Riquezas, 106. Ver também Posses Anel, 186-187 Rishis, 69 Rios, 109-110,

Rio Estige, 195 Vestes

Manto de glória, 37, 163,

nova veste,

veste de justiça,

túnica sem costura de Cristo,

melhor veste, 184 Rochas, 120, 165, 200. Ver também Pedras Vara, 123, 125,

vara de Aarão, vara de Moisés, 126, 139 Raças-raízes,

119-120, 139-140, 142, 176 Raiz sem raiz, 157 Rosa

na cruz, 44-

rosa mística, 128 Rondas, 106, 106n, 176.

dia do juízo na quinta ronda, 226 Segredo real, 62 Rupa, Arupa, 193n

Linguagem sagrada origem, natureza e propósito da, III. IV, VII-VIII, X, 3, 27, 34, 38, 74, 77, 98, 167, 183, 192, 199, 212 dos iniciados, 91-92 chave para os símbolos, IX, 99-144 Ver também Sigilo Sacrifício, 15, 103, 109 cruz como símbolo do autossacrifício, 44 "lei do baixo", 35, 130 Cósmico.

103, 129, 162 Cordeiro Sacrificial, 120-121 Saliva, 144 Salvação, 65. 96, 173, 189 Sansão, 94, 101, 165, 174, 195 Santuário: Ver Mistérios, Menores e Maiores, santuário Satanás: Ver Diabo Escaravelho, 76-77, 81 Escolas dos profetas: Ver Mistérios, Menores e Maiores, escolas Escrituras do mundo: Ver Escrituras do mundo Mar simbolismo, 95, 220 Monstros marinhos, 121 Selos (livro do Apocalipse), 116 Túnica sem costura de Cristo, 183 Sigilo nas Escrituras do mundo, III-JV, IX-X razões para, 21-23, 27, 59-60, 74, 84 nas religiões antigas, 32-34, 56-58, 165 nas escolas de mistérios, 39, 138, 143, 206,

Doutrina Secreta: Ver Blavatsky, Mme.

Helena P.  Sementes como Palavra de Deus, 39, 120, 163  como Eu Espiritual, 66  plantadas pelo divino Jardineiro, 79, 163  todas as coisas preservadas entre épocas, 94, 188  como poder procriador, 139  Mônadas como sementes de vida, 167, 176  Eu: Ver Ego  Autoconsciência: Ver Consciência  Autoconsciência  animais domesticados alcançam em direção a,  Autoesquecimento  base de toda espiritualidade, 36  Autopurificação, 99, 103  Autossacrifício: Ver Sacrifício  Autosseparação, 176,

Índice

Doação altruísta, 35-37  Lei do Suprimento Inesgotável, 129  Ver também Sacrifício  Sepulcro, 53, 115  Sermão da Montanha, 8, 72  Fogo serpentino, 53, 64-65, 82, 108n, 110, 115, 124-126, 127-128, 179  unicórnio, 138-139  Serpentes, 63, 64, 81, 82, 121-128  entrelaçadas, 127, 139  Fogo da Serpente, 122  cauda na boca, 123, 124  Serviço  à humanidade, VIII, X, 19, 36, 121, 172  Sete Poderosos Espíritos diante do Trono, 129,  Relação sexual  como fusão das naturezas Superior e inferior, 114, 124, 195-196. Ver também Procriação  Casamento  Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, 91  Pastores (da Natividade), 207  Navios, 40, 95, 120, 220  Sapatos, 187-189  Shri Krishna,

Senhor, 63, 89, 127, 158, 183, 195, 205  Doença, imperfeição espiritual, 42. Ver também Enfermidade  Siegfried, 195  Silêncio  como quietude, 17-18, 45, 51-52, 54  Hórus Harpócrates, 143, 206  Ver também Tempestade no Mar da Galileia  Pecado, 195  "Pecados dos pais", 94, 101  Sono, 40-41, 117, 222  Fogo solar, 53-54. Ver também Fogo da Serpente  Logos Solar  voz do, 67-68, 103, 156, 162, 175  Sistema Solar  sol único, 55  dirigido pelo Logos Solar, 67  reino mineral em, 78, 157, 164  em alegoria, 106, 152, 164, 186-187  constituição do, 175-176  o Cristo Cósmico, 199-200  Filiação do Mestre, 225  Alma, 17, 43, 46-47, 55, 57, 57n, 66, 77, 79, 89, 94, 131, 183, 219, 202-203

Fonte, 52, 68, 77-78, 160, 163, 164-165, 170-171, 181, 190, 194  Semeador, Parábola do, 39, 90  Semear e colher: Ver Carma  Espaço  como matéria, 44, 164,

Medula espinhal, 53, 64, 110, 124
Espírito, uno em todos, 73, 112, 180, 188
Espírito e matéria
como cruz, 44
em conflito, 51, 97, 102, 126
na Parábola do Filho Pródigo, 160-161, 164, 166, 168, 180, 194-195, 172
como masculino e feminino, 195
Ver também Matéria, Espírito
Sol espiritual, 48-55
homem setenário, 153
Unidade espiritual: Ver Unidade, Espiritual
Fontes, 129
Estábulo (da Natividade), 205, 207
Mácula (encarnação), 180, 194, 195, 201
Estrela de Belém, 207-208
Estrela da Iniciação, 225
Estrelas, 129
Passos no Sendero, 221-228
"Voz mansa e suave": Ver Silêncio
Corrente
"entrar" ou "cruzar", 109, 110, 129
Sub-raças: Ver Raças-raízes
Substância
desperdício da, 161-162
maleável, 187-190
Sofrimento, 42-43, 70, 71, 227
Sol, 27-28, 33, 36, 48-55, 97, 129-130, 153
"poder do sol", 219-
Consciência Solar, 54
Sobrenatural, a chave para a alegoria, 89
Divindade Suprema
falsas ideias concernentes, 2-3, 17, 29, 32, 56, 86,
"O Supremo",
Emanador Supremo, 86
Sushumna, 124-125, 128, 138
Porcos
parábola do Filho Pródigo, 167, 168
Simbolismo
nas Escrituras Mundiais, VI-X, 21-23, 24-38,
linguagem do, 99-
dos números, 145-150
Ver também Bíblia, Chaves de interpretação
Tabernáculo, 131, 184
Tábuas da Lei, 53
Tanaim, 34
Tanha, 170
Instrutores
das Hierarquias, 58
Mestres da Sabedoria,
Mestres Adeptos, 72
ensinamentos dos, 72-73
discipulado, 88, 118, 202, 223-224
Mestre e discípulo, 234. Ver também Iniciados e Sendero Iniciático, discipulado
Lágrimas, 44
Tehuti, 126
Templo
corpo do homem, 53, 62, 130-134
rasgar do véu, 142
Tentação, 200, 211, 212, 226. Ver também Jesus Cristo, Vida de, Tentação
ISSO, 158, 172
Teosofia
Sociedade Teosófica, IV, IX
Teosofia, a Sabedoria Divina, X, 56, 57, 58, 61, 98
Sede
da vida espiritual, 166, 168, 169-170. Ver Festas; Fome
Espinhos, 42, 43
Multidão, 42
Torá, 34
Tirso, 82, 109, 178
Tempo, como história
registro escritural de eventos históricos, 25-26, 75-76
limitações do, 30-31
Ver também Bíblia, História
Túmulo, do Cristo, 79, 159, 159n
Língua, da serpente, 122
Torre de Babel, 28
Transfiguração (de Jesus Cristo)
simbólica da terceira iniciação, 226-227
Ver também Jesus Cristo, Vida de, Transfiguração
Transubstanciação, 188
Árvore do Conhecimento, do Bem e do Mal, 121, 125, 134
Árvore da Vida
Espiritual, 102, 121, 134, 164
Árvores
serpente sobre, 122
simbolismo das, 134
Tribo
Divindade da, 86. Ver também Israel, Doze tribos
Moeda do tributo, 95
Trindade
refletida no homem, 43, 55
Sagrada Família, 208
aspectos da, 160, 177-178, 215
Trombeta, 134-

Verdade, ocultamento dos profanos.

Ver Sigilo

Verdade, espiritual

encontrada na Bíblia, VI, 15, 16, 26-27, 36, 76,

98, 191  percebida pela mente reverente, 18, 42, 202,  Segredo Real, 62, 131  para descobrir, VII-IX

Ulisses, 141  Mundo Subterrâneo, 81, 95. Ver também Hades  Unicórnio, 119, 137-

Unidade, Espiritual, VIII, 65, 73, 86, 98, 105,

110, 113, 136, 153, 159, 197, 205,  Universo  homem, epítome de toda a vida, 48, 55, 69-70,  , 104, 111, 124, 153, 154, 183  vida divina em, 44, 98, 99, 103, 109-110,  111, 120-121, 124, 129, 135, 157,  190, 199  Divindade Inominada, 87n

Véus, em alegoria  necessidade de, 51, 60-61, 64, 84, 100, 141-143  véu do Templo, 131, 142  Manto de Glória, 184  Gólgota,

Vinhas, 144  Virgem, 31  Imaculada Conceição, 204  Anunciação 204, 205  Virgens, Dez, parábola das, 90  Juventude Virgem, 228n  Voz  de Elias, 45, 46, 55  "Voz mansa e suave", 17  trombeta, 94, 134-137  Vulcões,

Muros  de Jericó, 94  Guerra, VIII, 102  Água, 105, 110, 144  emoções, 4, 90, 98, 105, 144,

Índice

Caminho da Santidade  termo de Isaías, X, 152, 201, 216-220  Caminho para a paz, 72-74, 84, 212  Via Sacra, 200-202  Festa de Casamento em Caná: Ver Festas  Rodas  da carruagem, 103  do nascimento e da morte, 168, 186  Deserto, 108, 144. Ver também Jesus Cristo,  Vida de, Tentação  Vontade, 104, 204  vontade espiritual, 51, 61, 90, 100, 190  aperfeiçoada, 66, 84, 97, 134-135  Vento  emoções, 45, 100  Vinho, 90-91, 144  Sabedoria  da Bíblia, VIII, 15-16, 25, 76, 78  aspecto da natureza espiritual, 61  na evolução humana, 66, 90, 134, 191  sabedoria espiritual, 90, 117, 144  "Sábios", 187  simbolismo da serpente, 122, 126  Mulher  curada, 42  esterilidade, 106, 141-142  casamento, simbolismo, 114-115, 141-142,

"Verbo" (O), 44, 67, 120, 134-137, 158,  Período Mundial, 106n, 176, 182  Salvadores do Mundo,

Avatar, 112, 112n

potencial, 185  Escrituras Mundiais

verdades ocultas em, VI, VII, 4, 21, 25,

21, 56-58, 60-65, 76, 202-

Mundos

morada do Pai Celestial, 121, 162  Feridas

místicas, 42-

Zeus, 80-82  Zodíaco

poderes do, 64, 129  Zorá

mulher de, 142-

O CANDELABRO DE OURO

O Menorá, ou candelabro de ouro de sete braços, foi construído de acordo com a orientação divina recebida por Moisés no Monte (Êx. XXV: 31, 32). Sua posição determinada no Santuário Hebraico sugere que não se destinava a servir como iluminação, pois apenas a vela central era mantida acesa durante o dia.

As outras seis velas eram acesas a partir dela, referindo-se talvez à existência daquela Única Luz da qual todas as outras luzes procedem.

Uma vez que, além disso, o Santuário era escuro, não tendo janelas, nem mesmo sete velas poderiam ter proporcionado a iluminação necessária.

Claramente, então, o candelabro de ouro destinava-se a ser tanto um ornamento quanto um símbolo profundamente filosófico, representando todos os septenários na Natureza e no homem.

Sem luz, simboliza a Sabedoria oculta, e aceso, simboliza a Sabedoria revelada.

A Árvore da Vida cabalística, com suas conotações septenárias macrocósmicas e microcósmicas e seu número quase infinito de correspondências, também pode ser presumida como referida pelo símbolo do candelabro de ouro de sete braços.

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um ramo de uma organização mundial dedicada à promoção da fraternidade e ao incentivo do estudo da religião, filosofia e ciência, para que o homem possa compreender melhor a si mesmo e seu lugar no universo.

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